quarta-feira, 5 de agosto de 2020

Resenha: Corte de Espinhos e Rosas

Feyre, uma humana vive uma vida de fome e miséria quando, após sair para caçar para matar a fome da sua família, é capturada por um feérico na pele de uma besta e levada do mundo mortal para o mundo das fadas, como punição por ter matado um dos seus. Feyre, então, é obrigada a viver com o feérico, que não permanece na forma de besta, em sua mansão e começa a se interessar por ele. São três livros. O enredo semelhante ao d'A Bela e a Fera é só o início do primeiro. Após isso, desenvolve-se uma longa trama de romances, maldições, magias, guerras. E muito, muuuuuuito erotismo. Não deixem as crianças lerem.



Resolvi voltar para falar sobre a série Corte de Espinhos e Rosas porque, quando terminei de ler, fiz uma pequena resenha e postei em uma das minhas Newsletters. E precisei fazer outra agora, porque estou lendo de novo para uma Leitura Coletiva e percebi que acabei dando uma ideia errada da minha opinião sobre ela. Desde já, deixo claro que é uma das minhas séries favoritas fantasia. Só que, apesar de muito amorzinho, ela tem vários defeitos na construção de mundo e nem precisa ser especialista em nada para perceber. E é daí que vem a minha crítica, de alguém que percebe os problemas, mas continua achando os livros apaixonantes.

O fato é que eu conheço muita gente que detestou. E entendo. Não é todo mundo que está disposto a apreciar o quanto é bem feito o desenvolvimento do casal da história e das relações entre os personagens. Não sei se todos os leitores de fantasia podem perdoar os clichês em favor de um enredo focado em relacionamentos, rixas, personalidades e aspectos mais humanos dos personagens.

Por isso, continuo indicando, mas indico para aquelas pessoas que eu já sei que gostam de romance. Como eu. Para uma indicação assim, numa resenha, eu prefiro dizer o que a pessoa vai encontrar no livro e deixar a decisão de ler ou não nas mãos dela.


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E você? Tem vontade de ler a série? Já leu? O que achou?
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segunda-feira, 27 de abril de 2020

Produtividade e a quarentena

Acho que, nesses tempos de quarentena, a parte mais difícil está sendo, para todo mundo, manter uma relativa produtividade. No meu caso, por exemplo: eu sou dentista, em meu período integral. Não estou podendo trabalhar, o que compromete todo o meu orçamento. Mas tirando essa parte problemática, pensei que pelo menos eu poderia utilizar o tempo livre forçado para escrever. Escrevi? Quase nada.


Imagem: Flickr - Reprodução
Dei uma ajeitada no meu projeto do NaNoWriMo, um romance fantástico (ou uma fantasia romântica?), que estava parado desde dezembro. Dei uns retoques no ship, que não estava me agradando, consertei umas inconsistências que ficaram lá por culpa da correria do NaNo, que a gente não pode voltar para consertar na hora. E não avancei nada.

Fora isso, escrevi uma flashfiction de mil palavras. Essa conquista, eu devo ao meu maravilhoso Coven de Escrita, que lançou o desafio relâmpago de escrever um conto naquele momento em que estávamos todas online. Determinamos o tema (quarentena), o cenário (um prédio em que ninguém entra e ninguém sai), os personagens (moradores aleatórios desse prédio) e escrevemos uma flashfiction cada. Provavelmente nunca vamos publicar isso, mas foi divertido como exercício.

Além disso, eu contratei Fernanda, amiga linda e integrante do Coven, dona do blog Bookworm Scientist além de editora, revisora e preparadora (sim, são muitas qualidades para uma pessoa só) para editar meu livro Um Encontro. Faz tempo que quero torná-lo publicável por alguma editora, sem ser por autopublicação, mas não tinha coragem nem mesmo tempo de revisá-lo. Bem, agora estamos revisando. E tendo que reler tudo, reformar capítulos, retalhar outros e morrer de vergonha de coisas que eu escrevi há mais de quatro anos. Mas amando o processo. Inclusive recomendo o trabalho de Fernanda a quem se interessar, ela é uma linda em todos os sentidos.

Aí você me pergunta: mas você começou esse texto dizendo que não estava conseguindo produzir. Eu acho que o problema é que estamos tão acostumados a um ritmo de produção acelerado que não percebemos o quanto conseguimos produzir de pouquinho, apesar da situação complicada pela qual estamos passando. Eu, pelo menos, não tinha ideia até terminar este texto.

Então, o negócio é tentar manter a sanidade, do corpo e da mente.

Fiquem em casa, quem puder.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

Semelhanças

É engraçado como criamos personagens parecidos com a gente sem nem sequer perceber. Ou mesmo sem querer. Ainda agora, estava fazendo um pão e pensando que não cozinhava quase nada quando escrevi a personagem do meu primeiro livro. Para quem não conhece, Isabel trabalha numa padaria.

Comecei a me interessar por cozinha bem recentemente. Sabia fazer uma coisa ou outra, coisas que eu gostava de comer, como uma torta de maçã, sopa e molho de tomate. Mas não passava muito disso. Cozinhar costumava me dar um pouco de enjoo das comidas que eu fazia.

Quando criei Isabel e Fernando foi para um conto. Um evento só, um encontro. Não tinha intenção de continuar nada. E ela surgiu assim, meio do nada. E, então, surgiu a ideia de escrever um livro. A história foi se construindo e tomou forma.

Então, sem perceber, fui tomando gosto pela cozinha. Hoje, sovando o pão que pretendo assar só amanhã, pensei na personagem. Pensei na possibilidade de ter tomado gosto por cozinhar por causa dela. Por ter me envolvido nas atividades dela, por muitas vezes ir pesquisar algumas receitas no meio da escrita do livro porque me deu fome.

Mas concluí que foi o contrário. A gente termina colocando alguma coisa da gente nos nossos personagens. Não tem muito como fugir da personalidade que a gente coloca nele enquanto o deixa divagar, mesmo quando estamos escrevendo um personagem bastante diferente da gente. É difícil deixá-lo completamente à parte. Mas essa semelhança em particular me deixou feliz.

Esse pão que vou assar amanhã vai ter um gosto bem diferente, depois desse reconhecimento. 😋


sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

5 dicas para ler mais

Início de 2019, você se pega planejando os livros que gostaria de ler no ano. Olha aquela pilha de livros "para ler" e promete que vai dar uma reduzida dela. O problema é que é a mesma pilha do ano passado, que você não leu nem a metade e ainda acabou comprando mais. 😅

É quando você percebe que precisa ler mais. Que você gostaria de ler mais. Você já tem o hábito de ler sempre e costuma ler com atenção, mas não está lendo tanto quanto gostaria. Seja por culpa das redes sociais, do excesso de trabalho ou estudo. Mas, mesmo com a vida corrida, é possível encontrar tempo para ler e manter sua leitura em dia.

Abaixo, elaborei algumas dicas para aumentar o ritmo e a frequência da sua leitura


1. Meta de Leitura



Algo que pode atrapalhar o cumprimento da sua meta é a quantidade de livros escolhida. Em vez de olhar a enorme pilha de livros e prometer que vai ler tudo, escolha uma meta real a ser seguida.

Se você está fazendo monografia, ou estudando para concurso, não vai ter tanto tempo disponível. Nessa meta, você não precisa colocar todos os livros que quer ler no ano; então, coloque uma meta de dez ou doze livros. E, se você ler mais que isso, fica no lucro.

Desafios Literários ajudam a definir essa meta, porque garantem variedade a essa meta. Aqui no blog, eu sempre sugiro um ou dois logo no início do ano. Se você está seguindo algum, é interessante definir os livros logo no início do ano, para não ficar perdido.

Essa meta vai ser útil para que você não fique sem ler nada quando terminar um livro, curtindo o sentimento de abandono que o final de um livro traz.

Dica útil: No Skoob e no Goodreads existe a ferramenta Meta de Leitura, onde você pode listar os livros que você pretende ler no ano.


2. Crie metas diárias (ou semanais)
Imagem: Flickr


Não conte os livros lidos. A meta pode ser por páginas ou por palavras, caso você esteja lendo em um dispositivo que permita a contagem, como o Kindle.

A contagem por palavras é mais real, porque não depende do layout da página do livro, tamanho de letra, essas coisas. Então, você acaba sabendo exatamente qual a sua velocidade de leitura lendo um determinado livro, em relação a outros livros.

 

3. Encontre seu tempo livre
Imagem: Flickr


É comum termos mais tempo nos fins de semana. Mas, se você trabalha nos fins de semana, deve descobrir qual o seu tempo livre. Tem mais tempo na segunda-feira ou na quarta? Separe umas horinhas desses dias para ler.

O ideal, nessas horinhas livres, é você marcar em um cronômetro um tempo determinado para ler sem parar e não ser interrompido. Pode ser quatro, oito horas ou até doze horas inteiras. Se você levantar para pegar um copo de água ou lanche, pausa o cronômetro e continua quando voltar.

 

4. Encontre maneiras de ler em qualquer lugar
Imagem: Flickr


Intervalos durante o dia também podem ser utilizados. Costumamos ter vários pequenos momentos de espera, no decorrer do dia. Vai de metrô para o trabalho? Tem uma horinha de intervalo para o almoço? Em vez de ficar rolando o Instagram, aproveite para sacar o livro da bolsa.

 

5. Anote os livros que leu
Imagem: Flickr


Pegue o hábito de sempre anotar os livros que leu. Pode ser no Skoob, no Goodreads ou até mesmo num caderninho ou bullet journal. Anotar os livros lidos é muito útil para você perceber que, mesmo que não reduza tanto a sua pilha quilométrica, você está lendo. No seu ritmo.


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E então? Curtiu as dicas?
Se você souber de mais algumas, não esqueça de sugerir nos comentários.

terça-feira, 29 de janeiro de 2019

Desafio Literário 2019: #DLdofundodomar

Como em todo ano, em janeiro eu costumo apresentar o Desafio Literário que eu pretendo seguir durante o ano. Este ano, eu comecei a seguir o Desafio Literature-se. Mas, como muita gente gostava dos Desafios mais simples de cumprir, eu resolvi elaborar o nosso anual Desafio Do Fundo do Mar véio de guerra.



Seguem os temas:

1- Contos
Histórias curtas podem ser o primeiro passo para se conhecer um autor. Leia um livro de contos de qualquer autor que você deseje.

2- Assunto polêmico
Drogas, religião, política. Leia um livro sobre algum assunto polêmico.

3- Escrito há mais de 100 anos
Tire a poeira do armário. Um livro antigo pode ser uma excelente leitura.

4- Escolhido pela capa
E aquele livro que você acabou comprando porque gostou da capa? Chegou a hora de começar a ler.

5- Fantástico!
Realismo fantástico, dark fantasy, fantasia urbana, fantasia épica. Leia um livro que desafie a realidade.

6- Música
Vamos animar esse mês com um livro que tenha alguma relação com música. Pode ser ficção ou não ficção.
7- De autor brasileiro
Para provar que não é só o que vem de fora que é bom, afinal temos excelentes livros brasileiros. E ainda lemos sem precisar de nenhuma tradução. Chegou a hora de ler um livro nacional.

8- Escrito por uma Mulher
Virgínia Woolf, Jojo Moyers, Clarice Lispector, J. K. Rowling. Vale qualquer estilo, o importante agora é que a autora do livro seja uma mulher.

9- Adaptado para o cinema
O que é melhor, o livro ou o filme? A gente só vai saber quando ler. Leia um livro que virou filme ou série.

10- Clássico
É sempre bom ler os clássicos. Chegou a hora de conferir por que aquele livro virou referência literária.

11- De um novo autor
É sempre válido ler um autor que está publicando seus primeiros livros. Tem muita gente boa chegando por aí.

12- Distopia
Um futuro imaginário, um passado ou presente em que os personagens vivam em situações de opressão ou privação. Leia um livro que se passe em um cenário distópico.

O Desafio Literário é um método para você se desafiar a ler mais e com mais variedade, através dos temas propostos para cada mês. Você não precisa ler necessariamente na ordem; o objetivo é ler pelo menos doze livros por ano, um livro por tema, um livro por mês. E não valem releituras.

Para participar, basta você fazer sua publicação uma vez por mês (se houver atraso em algum mês, pode postar duas no seguinte) usando a hashtag #DLdofundodomar. Pode ser no Instagram, no Facebook, no seu Blog ou em qualquer rede que você quiser.

Não existem perdedores no Desafio Literário. A intenção é apenas ler.

Boa leitura!

sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

5 livros para presentear crianças

Quem costuma ler sabe o quanto é importante o hábito de leitura na vida de uma pessoa. Ler com frequência expande vocabulário, melhora as habilidades de escrita e o conhecimento geral, além de estimular a criatividade. Se isso já é bom para um adulto, imagina para uma criança? Poder crescer viajando vários mundos, conhecendo outras realidades e ainda ir tirar boas notas na escola.

O que acontece é que muitas vezes os livros passados para ler na escola não são interessantes para elas. Por serem livros antigos, por não serem interessantes para idade ou até por não gerar afinidade entre elas, os livros da escola podem gerar uma rejeição à leitura, tornando o ato de ler tão sofrido como estudar matemática. Uma obrigação chata. E isso precisa mudar; elas precisam entender que ler pode ser prazeroso. É só escolher os livros certos.

É aí que nós entramos. Nós, como pais, tios; exemplos de gente que gosta de ler e apresenta livros legais. De tia chata que dá livros de presente, eu viro a tia legal com quem eles podem conversar sobre o que estão lendo.

Certo, mais quais livros?

1. Harry Potter e a Pedra Filosofal (Saga Harry Potter) - J. K. Rowling 

Como não podia deixar de ser, o primeiro da lista é Harry Potter. Dei um de aniversário de 11 anos a um de meus sobrinhos e ele já leu metade da saga inteira em menos de 1 ano.

Eu não comecei a ler com Harry Potter, é claro. Li a saga com uns 13 anos e muitos livros lidos. Na nossa época, ler era um hábito estranho, coisa de nerd. Mas, hoje em dia, é até mais fácil, porque Harry Potter virou filme e despertou o interesse das crianças para os livros.

É um livro que eu indico para qualquer idade porque, mesmo sendo um livro de fantasia, trata de política, preconceito, amizade. Você nunca vai se arrepender de presentear uma criança com um Harry Potter.

2. A Droga da Obediência (Os Karas) - Pedro Bandeira

Esse é meu queridinho, dos primeiros livros que eu li. Pedro Bandeira escreveu uma série de livros sobre adolescentes comuns que criam um grupo secreto. Nessa primeira história, eles acabam se envolvendo na investigação de desaparecimentos estranhos no colégio. Nos demais livros (são 6), eles se envolvem em outras investigações.

Eu sempre quis ser um dos Karas, quando era mais nova. Isso cria uma identificação e faz com que a gente adore os personagens. E isso deixa a leitura divertida.

 


3. Coleção Vagalume

Com livros como O Escaravelho do Diabo, O Caso da Borboleta Atíria (ambos de Lucia Machado de Almeida), Um Cadáver Ouve Rádio e O Mistério dos Cinco Estrelas (ambos de Marcos Rey). Histórias protagonizadas por crianças e adolescentes com muito suspense e aventura.

Essa coleção foi uma grande responsável para que eu começasse a gostar de ler. Nos recreios ou na saída do colégio, eu sempre ia à biblioteca e alugava um deles. Às vezes, repetidos.


4.  O Hobbit - J. R. R. Tolkien

"My precious"

O Hobbit é uma história escrita antes d'O Senhor dos Anéis e que se passa uns anos antes, quando Bilbo encontra o Um Anel. Um livro que se passa em um mundo diferente, A Terra Média, com magia, seres fantásticos, elfos. A narrativa é mais simples e ágil, mais fácil de prender uma criança ou adolescente que esteja querendo ler.

Eu confesso que só li O Hobbit depois de ler O Senhor dos Anéis, mas recomendo sempre para quem não leu a começar por ele.

 

5. Percy Jackson e o Ladrão de Raios (Saga Percy Jackson e os Olimpianos) - Rick Riordan

Outro de fantasia, dessa vez sobre mitologia grega.

Percy Jackson é um adolescente que nunca se adaptou bem às escolas que frequentava, mas nunca soube por quê. Um dia, ele descobre que é um semideus. Nas histórias, ele se envolve em várias lendas gregas, personagens da mitologia, heróis, deuses, ninfas, sátiros e muitos monstros.

É legal porque Riordan conta as histórias da mitologia grega sob uma visão moderna. Dessa maneira, é possível aprender sobre mitologia enquanto a gente lê os livros.

Só esqueça que fizeram dois filmes da saga, porque são horríveis.

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E então? Gostou das dicas?
Quais outros livros você daria a uma criança ou adolescente que está começando a ler?

quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

Desafio Literário 2019: Literature-se


Todo início de ano, eu venho aqui falar do Desafio Literário que eu vou seguir durante o ano. Nos anos anteriores, eu segui meu próprio Desafio, por não encontrar nenhum que me agradasse e porque queria lançar meus próprios desafios. Este ano, porém, resolvi fazer diferente. Tanto para me incentivar mais, por ter mais leitores participando, mais livros, mais sugestões... Quanto para me desafiar a ir atrás de novas perspectivas de leitura, novos temas, novas ideias.

Tenho seguido os Desafios bem capengamente, por vários motivos. Um deles é porque não consegui ler muito, por estar me dedicando a escrever meu romance. Outra é porque me mudei no meio do ano passado e acabei sem tempo de ler os livros que tinha separado pro Desafio. Acabei lendo outras coisas e comprando livros no Kindle. Estou ainda sem meus livros físicos, porque não consegui trazer muita coisa pra casa nova.

Enfim, o desafio que eu escolhi é do vlog Literature-se, da Mell Ferraz. Mell é uma booktuber que comecei a seguir recentemente, depois de ficar órfã da booktuber que eu adorava (e que acabei descobrindo que era eleitora do omi e aí não dá, né?). Foi então que comecei a procurar booktubers legais e cheguei na Mell.

A parte boa disso é que encontrei vários blogs e vlogs literários nesse processo e autores brasileiros que estão escrevendo seus romances, como eu. E eu quis fazer parte disso tudo mais uma vez, quis voltar aqui e retomar minhas resenhas, meus textos e meus leitores.

Então, sem mais conversa, segue a lista do Desafio:

1- Uma história muito conhecida (nem tanto pelo livro)
2- Tragédia
3- Bildungsroman
4- Folhetim
5- Literatura gótica
6- Literatura fantástica
7- Distopia
8- Roman à clef
9- Intertextualidade
10- Nouveau roman
11- Contos
12- Poesias


Os itens são bem teóricos e a intenção é essa mesmo, conhecer conceitos e novos estilos. Estudar um pouco sobre movimentos literários. Para mais informações e dicas sobre o Desafio, é só clicar AQUI.

E vamo dar início ao ano? Vamo!

sexta-feira, 27 de julho de 2018

Diário de Escrita

Houve um tempo em que eu preferia escrever à mão, com papel, lápis e borracha. Às vezes, caneta. Pegava um caderninho, folhas de fichário e me trancava no quarto para escrever. Minhas primeiras histórias foram escritas assim. Até que eu comecei a aperfeiçoar minha escrita e percebi o quanto era difícil fazer a revisão com papel e caneta. Botava um asterisco onde queria escrever mais, páginas a mais no meio do parágrafo, grampeava em cima, fazia anotações nas entrelinhas, colava post its. O negócio virava uma maçaroca horrível de organizar depois. Foi quando comecei a passar as histórias para o computador e, tempos depois, escrever direto nele. E percebi que as ideias fluíam melhor assim, porque a gente digita muito mais rápido e os pensamentos não se perdem no caminho.

Então, parei completamente de escrever à mão. Até agora.

Veio essa moda dos bullet journals. Eu sempre adorei enfeitar caderninhos, mas nunca me interessei por fazer nada do tipo: diários para acompanhar os dias, monitorar humor, planejar a semana. Apesar de precisar urgentemente de um planejamento. Mas sabia que não teria tempo, paciência e seria um hábito que eu tenderia a largar logo.

Até que vi Thiago d’Evecque (inclusive recomendo demais o blog dele #FollowFriday) falando sobre Diário de Escrita. Mas o que é isso?


É um acompanhamento diário de qualquer coisa que você esteja escrevendo. Pode ser de várias formas: em um caderno, no blog, no vlog, no Instagram, na Página de Facebook, no Word, no bloco de notas, com texto corrido, itens, imagens, listas, vídeos. No Google, você pode encontrar vários tipos diferentes de Diário de Escrita e escritores dando dicas de como fazem.

Para acompanhar e incentivar o desenvolvimento do meu segundo livro, eu resolvi começar um Diário de Escrita. Como senti saudade de escrever à mão, peguei um caderninho, comprei uma caneta bonita e comecei a trabalhar nele. Data em cima, texto corrido falando sobre o que eu escrevi, o que pretendia escrever, os personagens, a trama, o roteiro da história.

Mas para que eu estou fazendo isso?

Então, eu tenho tido com este livro mais dificuldade que com o primeiro. O Diário de Escrita tem servido como alívio criativo, onde eu vou vomitar meus conflitos, as dúvidas em relação à história, frustrações e tudo o que eu acho que esteja me travando. E também o que me liberta.

Gosto de colocar o que eu fiz naquele dia que de alguma forma possa ter me inspirado; um passeio com o doggo, uma conversa, uma música, um filme, uma imagem. Coisas que eu posso dar um jeito de repetir em momentos de hiato. Com ajuda do meu Diário de Escrita, já reescrevi a história, já mudei o foco, já formulei outra trama, elaborei um roteiro inteiro.

Além disso, serve também para acompanhar a progressão do livro com marcadores de palavras. Uso um marcador para meta, total diário e total geral de palavras. Assim, também dá para fazer uma relação posteriormente da quantidade que eu escrevi com as informações que eu coloquei no diário. E aprender sobre mim e o que me inspira.

Para quem gosta de bullet journal, dá pra fazer uma graça com marca textos, fitas adesivas, adesivos, imagens. Por enquanto, o meu está bem normalzinho, porque mal tenho tempo de escrever mesmo. Eu só grifo as coisas mais importantes, úteis, para ser mais fácil de encontrar depois.

Enfim, se você é escritor, o Diário de Escrita é uma ferramenta interessante para acrescentar no seu hábito de escrita. Eu achei uma boa dica quando descobri. Espero que vocês também achem.

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E então? Gostou da postagem?
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quinta-feira, 28 de junho de 2018

Sobre vida

Encerrei mais um capítulo do romance, ou o primeiro esboço dele, sem saber que horas eram. Não era noite mais, apesar de ainda ser escuro. As noites estavam cada dia mais longas, invadindo o tempo das manhãs. Regulando o sol, que, quando resolvia aparecer, parecia nunca estar completamente acordado. Não podia censurá-lo; devia ser difícil despertar de uma madrugada como aquela.

Deixei os olhos vagarem por alguns momentos para fora do papel: a mesa de madeira escura, o copo de cerveja pela metade, as prateleiras de bebida. Evitei apenas o olhar do moço de trás do balcão. Ele já havia polido todas as garrafas da estante, limpado o balcão, as mesas, e lavado todos os copos. Não me importei.

Mais um papel em branco me aguardava, impaciente. Faltava algo, algo importante, algo que eu tinha deixado de escrever. O papel o exigia, em seu branco imponente e gélido. Tomei mais um gole da cerveja, que apesar de fria, oferecia mais calor que o papel.

As pessoas eram bonitas, sempre bonitas, nas minhas histórias. Seria isso o irreal? Pessoas comuns não são bonitas; têm narizes grandes, olhos pequenos, celulite, acne, pelos. Mas penso que nós somos mais do que as partes que nos formam. As pessoas são bonitas porque outras acham que sim, porque o conjunto faz sentido; não porque fazem parte de qualquer padrão.

O cenário também não podia ser; era tão real quanto o bar em que eu estava, cujo clima emprestei a algumas cenas. Escolhera também a trilha sonora perfeita. Mas não bastava. Faltava a história que sai do papel e dança e caminha sozinha. A minha história não caminhava sozinha, visto todo meu esforço daquela noite para que engatasse uma caminhada meio manca. Não engatou e eu quis amassar tudo e jogar pela janela. Ou na cara do moço do balcão.

Cansei de evitar seu olhar e encarei-o. Para minha surpresa, não tinha a expressão carrancuda de quem não via a hora de fechar o bar. Em vez disso, ele sorriu para mim. Um sorriso compreensivo. E voltou a seus afazeres, como se ainda não tivesse terminado.

Há quanto tempo não via um sorriso? Enterrada em mim mesma, há quanto tempo não via nem sequer um rosto amigo? Por isso tinha ido ao bar, por isso não queria voltar para casa, sufocada na solidão e a escuridão do meu abajur. Histórias eram sobre vida. Palavras eram seres vivos. O silêncio as espantava e o vazio as matava. Nada poderia vir de nada.

Era o que havia de errado com minha história. Faltava vida. A minha.

"You're walking meadows in my mind,
Making waves across my time

What a strange magic"

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Imagem: Flick - Creative Commons
Música: Strange Magic - ELO

sexta-feira, 22 de junho de 2018

Resenha: O Nome do Vento

Comecei a ler este livro sem nenhuma expectativa. E se tornou uma boa surpresa.

O Nome do Vento é o primeiro livro da trilogia "Crônicas do Matador do Rei", de Patrick Rothfuss. A história se passa num mundo ficcional conhecido como Quatro Cantos da Civilização. O protagonista é Kvothe, um personagem misterioso e muito inteligente, músico, artista itinerante de uma espécie de grupo de ciganos e aprendiz de mago. E, na ocasião do início do livro, taberneiro.

No início do livro, o narrador é em terceira pessoa e nos conta sobre os atuais tempos difíceis e perigosos, onde demônios e saqueadores estão à solta pelas estradas e poucos mantimentos chegam às cidades. Até que um personagem entra na história e se inicia a narrativa em primeira pessoa, em que Kvothe nos conta sua história.

Minha parte favorita é quando ele chega à Universidade e começa a virar uma lenda no lugar. Ele é jovem demais para entrar, mas aprende tudo muito rápido, motivo pelo qual os mestres de lá permitem que ele ingresse na instituição e tenha oportunidade de virar um Arcanista. Nesse meio tempo, ele faz amigos, inimigos, comete muitas imprudências, salva pessoas e vai se delineando, assim, sua fama de herói.

Com a narrativa em duas pessoas, o autor nos oferece uma diversificação de ponto de vista. No narrador em terceira pessoa, ele nos dá uma visão mais real do que se passa. Quando Kvothe começa a narrar, percebemos uma queda na imparcialidade, conforme ele mesmo avisa que vai narrar as coisas do jeito dele.

"As melhores mentiras a meu respeito são as que eu contei"

No entanto, ele é um artista. A narrativa ganha em poesia e envolvimento, porque as impressões do mundo conforme a maneira que Kvothe o enxerga é encantadora. Uma passagem que eu gosto é quando ele descreve a moça por quem ele é apaixonado: ele a chama de linda, mas outro personagem contradiz, afirmando que ela tem nariz torto e que o rosto é fino. E ele rebate, dizendo:

"Somos mais do que as partes que nos formam"

Dessa forma, o Kvothe experiente que conta a história mostra uma sapiência que eu apreciei bastante. Outra parte interessante é quando o jovem Kvothe reclama de algumas atitudes dessa moça e um sábio dono de taberna declara que ele não pode julgar o que uma mulher faz na sua luta para sobreviver. Tentei explicar essa parte para minhas amigas, mas não sei se consegui fazê-las captar direito, porque não estavam inseridas naquele mundo como eu estava.

Não que eu não tenha torcido o nariz para várias outras passagens; por ser uma fantasia épica, somos obrigados a contar com uma realidade de época bastante desfavorável às mulheres. Mas tentei ler sem preconceitos e com o máximo de discernimento.

Então, eu adorei o primeiro volume e ele entra no Desafio como o meu livro "Fantástico". Pretendo ler outras coisas antes de entrar no segundo. E também no spin-off sobre outra personagem, que eu achei bem interessante. Porque não gosto de ler séries de uma vez.

Inclusive, eu disse acima que comecei a ler o livro sem nenhuma expectativa. Menti. Eu esperava que, por ser uma trilogia iniciada há tanto tempo, já teria um final. E não tem. Faz seis anos que o autor finge escrever o terceiro livro. Estou arrasada por ter me metido nessa de esperar por autor de novo.

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E então? Você já leu O Nome do Vento?
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sexta-feira, 15 de junho de 2018

Conto de fada

A bebida tinha um gosto amargo. Não tanto pelo alto teor alcoólico; a profundidade da minha tristeza fazia amargar até o mais doce pudim de leite. Como aquele que minha avó fazia. Doce e macio, muito melhor que aquela bebida dourada com gosto de remédio. Mas pudim não resolvia a importante questão que o uísque conseguia. Esquecer. Ao menos por alguns instantes.

Por isso, ele foi o escolhido da noite. O estômago protestava; mas ainda não muito alto, de modo que eu continuava a beber. A cabeça girava de modo agradável, tornando o pensamento turvo, com sensação de irrealidade. Irreal era bom. Nublava as últimas horas; aquelas que me roubaram anos na minha vida, tornando-os uma mentira. Com apenas mais alguns goles, eu apagava totalmente aquelas horas e conseguia fingir que não havia vivido um conto de fada.

Pedi mais uma dose ao garçom, que me olhou com desconfiança. Esbocei a minha melhor expressão de sóbria, prendendo o riso e o choro, que quase ousavam me entregar. Ele deu de ombros e me serviu mais uma. Afinal, era o trabalho dele e eu era maior de idade.

Conto de fada. Quando eu o vi pela primeira vez, há tantos anos, ele era o próprio príncipe encantado, com cavalo branco, canções de amor e passeios no bosque. Sem dúvida, os últimos anos foram exatamente como um conto de fada.

Duas gotas escorreram dos meus olhos, enquanto sorvia mais um gole. A mente estava confusa, mas a língua lembrou aos olhos que eles estavam secos demais. O nó da garganta também encontrou um pouco de alívio, que a bebida não trouxera. Enxuguei-os com as costas das mãos, chateada pela traição do meu corpo.

As lágrimas vieram primeiro. Logo após foi o riso. E, mesmo com lágrimas ainda derramando verdadeiros córregos pela minha face, comecei a rir. Era tudo tão óbvio que era ridículo.

Estive todo esse tempo vivendo um conto de fada. No sentido de que contos de fada não existem.

"I'm busy mending broken pieces
of the life I had before"

 Imagem: Fickr - Creative Commons
Música: Unintended - Muse

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sexta-feira, 8 de junho de 2018

Resenha: A cidade sinistra dos corvos

Sétimo livro da Desventuras em Série, eu comecei a ler A Cidade Sinistra dos Corvos, de Lemony Snicket (pseudônimo de Daniel Handler), porque queria assistir à segunda temporada da série no Netflix e tinha parado de ler no sexto livro. Não queria ver o episódio antes de ler. Como não foi exatamente adaptado para o cinema (só os três primeiros foram), deixei de fora do Desafio e vou fazer só uma resenha normal.

O enredo não é muito diferente dos outros anteriores. Os três irmãos Baudelaire são entregues a um novo tutor e tudo dá errado por interferência do Conde Olaf. Dessa vez, eles acabam indo para uma cidade que se propõe a ser tutora deles, baseando-se no lema "É preciso uma cidade para educar uma criança". Só que a cidade é cheia de regras desnecessárias, sempre prejudicando de alguma maneira os órfãos. Além disso, eles ainda precisam encontrar os amigos, os trigêmeos Quagmire, que foram capturados pelo Conde Olaf. A única pessoa que torna tudo mais suportável é Hector, um faz-tudo que resolve ajudar, do jeito dele, os órfãos Baudelaire.

Como em todos os livros, mesmo usando o tom engraçadinho característico, o autor faz uma crítica evidente à sociedade, além de várias não muito evidentes. Neste livro, há uma crítica ao sistema judiciário e carcerário. As leis, as regras, o desconhecimento delas, a falta de informação, as punições desproporcionais para crimes pequenos. Assuntos tratados de alguma maneira neste livro.

Algumas pessoas podem achar o livro repetitivo, em relação aos passados. De fato, eles são bem parecidos, os finais semelhantes. Às vezes a paciência acaba. Até a maneira como a história é contada é meio enjoativa, às vezes. Mas a narrativa característica é a grande sacada do Desventuras em Série, é o que traz a ironia. Trata o leitor como criança, mesmo não sendo exatamente um livro para crianças.

Quando você aceita a essência da narrativa, fica mais fácil gostar de livro. E, apesar de toda a repetição e inverossimilhança da história, estou muito curiosa pelo final dela. Mas vou dar um tempo ainda para começar o oitavo livro, o Hospital Hostil.

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E então? Você já leu Desventuras em Série?
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quarta-feira, 30 de maio de 2018

Resenha: O Conto da Aia

O livro O Conto da Aia (The Handmaid's Tale), de Margaret Atwood, é uma Distopia escrita em 1985 e recentemente adaptada em uma série de TV. A série tem feito muito sucesso e está gravando a sua segunda temporada. Ainda não tenho como dar alguma opinião sobre ela, porque não assisti 😰. Eu queria ler o livro antes, só que terminei faz mais de um mês e ainda não tive tempo de ver a série. Mas assim que conseguir ver, faço um Update aqui.

Mas vamos ao livro.

Nessa distopia, ficamos sabendo que houve um golpe de estado nos Estados Unidos e o poder foi tomado por uma elite fundamentalista com fortes crenças religiosas. Uma das causas é citada como a grande dificuldade em gerar bebês e a consequente redução da taxa de natalidade no país. Então, foi criada a categoria das "aias", mulheres saudáveis e capazes de engravidar. E elas gerariam os bebês dos homens importantes dessa sociedade, uma vez que suas mulheres seriam estéreis.

A história é contada pelo ponto de vista de uma aia, o que torna a narrativa parcial e, muitas vezes, cheia de lacunas. Para dificultar ainda mais, ela não sabia muito sobre o que estava acontecendo para nos informar. Então, ela termina nos contando somente sobre as coisas que ela vive e viveu, na sua vida antes da mudança.

A maneira de narrar, por apenas um ponto de vista bastante limitado, faz com que a história adquira um tom de confusão da realidade distópica, comparável ao livro 1984. Por mais que seja um universo fictício, a autora cria o sentimento desesperador de futuro possível. Ainda mais conhecendo a nossa realidade e a forte tendência conservadora atual, com a eleição de Donald Trump para presidente dos EUA. E, no Brasil, com a polarização política, as manifestações seguidas do golpe que arrancou do Planalto a ex-presidenta, assim como a candidatura a presidente do Brasil daquele-que-eu-não-quero-nomear-para-não-dar-mais-visibilidade. Como já está presente no coração das pessoas que entendem o risco de tais personalidades no poder de alguma coisa que importe pro mundo, você termina o livro com uma grande sensação de medo. Medo do que o nosso capenga estado laico pode se tornar. E o que ele pode nos tornar. As minorias.


Apesar de ser uma Distopia, ele vai entrar no Desafio Literário como "Escrito por uma Mulher". Porque achei pertinente, diante de um enredo tão importante para nós, mulheres. Tirando o fato de que dei muito valor à escrita de Margaret Atwood, no meio de tantas mulheres que ando lendo. Ela conseguiu chamar minha atenção, como autora e como pensadora. Aplausos.

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E então? O que achou da resenha?
Já leu o livro ou assistiu à série? Não esqueça de deixar seu comentário.

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sexta-feira, 30 de março de 2018

5 livros com uma cor no título


E a respeito do nosso Desafio Literário...

Sobre o item "cor no título", a gente tem que procurar um livro com título colorido? Então, não é isso. Até porque todo livro tem o título de alguma cor, mesmo que a cor seja branca, preta ou cinza. Um livro que tenha uma cor no título significa apenas que você precisa ler um livro que tenha o nome de alguma cor no título. Confuso? Nem tanto, né?

Então você se pergunta como vai encontrar um livro bom que tenha o nome de uma cor no título. Pode acontecer de você acabar lendo um livro não muito bom só para cumprir o desafio. Mas podemos evitar isso. Em vez de sair colocando nomes de cores variadas no search do Google, eu vou tentar facilitar as coisas para você. Aqui neste post, vou fazer uma lista de 5 livros bons que têm uma cor escrita em seu título.

Vamos lá:

1. Laranja Mecânica

 Excelente distopia de Anthony Burgess, adaptado para o cinema pelo diretor Stanley Kubrick. Fiz uma resenha do livro, na época em que li. Curiosamente, ele também fez parte de um Desafio Literário, com o tema "Filme ou Livro?".

2. Um Estudo em Vermelho


Um romance policial de Arthur Conan Doyle, criador de Sherlock Holmes. Narra o primeiro caso do famoso detetive, quando o Dr. Watson acaba de se mudar para 221B Baker Street.

3. O Rei de Amarelo

https://grivetart.deviantart.com/art/The-King-in-Yellow-454909840

Livro de contos de terror fantástico, do autor Robert W. Chambers. O livro inspirou autores de diversas gerações, como Neil Gaiman (favorito desta que vos fala), H. P. Lovecraft e Stephen King. Assim como a primeira temporada da série investigativa True Detective. O título do livro faz alusão a uma peça teatral fictícia e a seu personagem central, que é mencionado em quatro dos contos.

4. Antes do Baile Verde


Mais um livro de contos, só que agora realistas. Reunião de narrativas escritas entre 1949 e 1969. É considerado por muitos o livro de contos literariamente mais bem-sucedido de Lygia Fagundes Telles.

5. A Bússola Dourada


Primeiro volume da trilogia Fronteiras do Universo (His Dark Materials), série de fantasia do autor Phillip Pullman. Uma das melhores séries de fantasia que eu já li; logo, podem esquecer aquela adaptação cinematográfica horrível . Este primeiro livro, na minha opinião, demora a engatar, mas depois que você supera a irritação pela protagonista, é maravilhoso.

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"Mas Marina, e o '50 tons de cinza'? Não entra na sua lista?"

Então, eu já li os três livros e não gostei. Não gostei da história, nem da narrativa, nem do estilo de escrita. Achei desnecessariamente longo, achei que três volumes podiam ser só um. E achei também um livro extremamente misógino. Sou totalmente contra a romantização de relacionamento abusivo. Como erótico, tenho indicações bem melhores que ele.

Mas se você tiver interesse em ler, dou o maior apoio! 😊

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E então? Leu algum desses? Tem algum outro livro que deveria estar nessa lista?
Espero que eu possa ter ajudado no seu Desafio.
Até a próxima e boa leitura!

sexta-feira, 9 de março de 2018

Resenha: Intermitências da Morte

Eu só havia lido um livro de Saramago: Caim. Não sei se por chatice minha mesmo ou se porque não é o melhor livro dele, a impressão que eu tinha do autor não era muito boa. Passei anos sem ler nada dele, até que me caiu nas mãos As Intermitências da Morte e um amigo recomendou que eu desse uma chance de coração aberto. Não fui de coração aberto, mas meu coração foi forçado a ir se abrindo aos poucos.

O que aconteceria se, de repente, as pessoas parassem de morrer? Parece uma coisa boa, de início. Mas será que é boa mesmo? E se a pessoa estivesse muito doente? Ou muito idosa? Ou sofresse um acidente que a deixasse em estado vegetativo sem nenhuma chance de melhora? Talvez não fosse muito agradável. Então, este livro conta a história de quando a morte resolveu tirar férias.

Lá pro meio do livro, somos apresentados à morte. Assim mesmo, com letras minúsculas. Com seu manto preto, face encovada, foice afiada e suas cartas de cor violeta. Essa virou minha parte favorita do livro, do meio pro final. E o desfecho é incrível. Me fez ter vontade de recomeçar a ler tudo de novo. E, lendo resenhas por aí, eu descobri que é uma vontade até bem comum entre os leitores.

A narrativa de Saramago - sem pontuação, sem parágrafos, apenas frases corridas - é bastante peculiar e eu confesso que me dava uma certa agonia. Mas depois que você entende e acostuma, vira quase natural. A leitura se torna fluida, fácil. Sem interrupções.

E o sarcasmo. Coisa de quem sabe o que está fazendo. Nada contra o novo (nada mesmo, inclusive adoro e indico sempre a leitura de novos autores, pode conferir no meu Desafio Literário), mas é muito delicioso ler uma narrativa de quem sabe o que está fazendo. Gente que sabe contar história, sabe iludir, sabe dobrar sua realidade, colocar no bolso e lhe apresentar outra diferente. Por isso eu também insisto sempre que se leiam os clássicos e os intocáveis. Você nunca se arrepende. Mesmo quando não gosta muito, aprende uma coisa ou outra.

Recomendo demais esse livro. Já botei na lista mais alguns de Saramago e agora vou de coração aberto, porque ele me conquistou para sempre. Leio até Caim de novo. Vai que foi só chatice momentânea mesmo?

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E você? Já leu este livro?
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sexta-feira, 2 de março de 2018

5 dicas para ler "melhor"

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Ler "melhor". Entre aspas.

Porque, pessoalmente, não acredito muito em uma fórmula para ler. Para mim, o melhor jeito de ler é aquele que se adapta bem à nossa rotina, às nossas particularidades de leitura.

Só que existem aqueles livros mais complexos, cabeçudos, e pode acontecer de você terminar a leitura e ficar com um monte de interrogações na cabeça. Ou nem conseguir concluir. Ou ler e esquecer logo, porque não tirou nada significativo dele. O que você faz? Não lê esse tipo de livro? Claro que não.

A leitura não deve ter limite.

Mas, então você pensa: por onde eu começo?

Como eu já falei anteriormente, o hábito da leitura é um exercício. Consiste em você começar a ler e ir progredindo, como qualquer exercício que a gente faça, seja físico ou mental. Você vai começar por livros mais simples e ir evoluindo para mais difíceis.

Mas mesmo assim, passar para os mais difíceis pode dar uma certa preguiça. Se é para ser uma diversão, qual o sentido de você ler uma coisa que dá trabalho? O sentido é que quanto mais você passa de um nível, mais você deve procurar desafios. A zona de conforto, no final das contas, é um lugar nada mais que confortável. A diversão está fora dessa bolha. A diversão está em, além de se divertir lendo, você se desafiar e aprender coisas novas. Apreciar uma narrativa inteligente. Entender por que aquele autor é tão aclamado. Melhorar o vocabulário. Melhorar a cultura.

Claro que você pode continuar sempre lendo as mesmas coisas. Não tem problema nenhum nisso. É melhor que não ler. Mas se você quer tirar o maior proveito do seu hábito de leitura, eu listei aqui algumas dicas:

1. Procure informações sobre o autor

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Aqueles autores clássicos, o que eles têm de especial? Com certeza deve existir alguma coisa. Seja a época em que ele viveu, o estilo como ele escreve, o assunto que ele aborda; tudo isso diz algo sobre ele.

Jane Austen resolveu escrever romances num período em que as mulheres viviam para arrumar um marido e ter filhos. Suas histórias ironizam essa busca e apresentam protagonistas com ideias bem incomuns pra época. As irmãs Brontë conseguiram publicar seus livros sob pseudônimos masculinos. Em suas obras, uma lição de feminismo, que talvez para nós não seja tão significativa quanto então.

Essas foram só um exemplo, mas informações como essas podem fazer uma grande diferença na sua leitura. Procure saber um pouco sobre o autor que você está lendo: época, estilo, narrativa. Pelo menos para situá-lo num contexto e facilitar a compreensão.

2. Procure textos auxiliares e resenhas de outros leitores

Foto: Chris Lowel
Não apenas para ajudar na leitura, os textos auxiliares dão algumas informações interessantes e opiniões de críticos sobre o livro e o autor. Para os leitores cuidadosos com spoilers, talvez seja bom deixar para ler os textos auxiliares depois do término da leitura. Então, depois de lê-los, talvez voltar ao livro, em algumas partes a que os textos se referem, para reler e aprender um pouco mais.

Alguns livros possuem textos auxiliares no prefácio. Quando estava lendo Laranja Mecânica, de Anthony Burgess, encontrei alguns na minha edição. Mas você pode encontrá-los também espalhados pela internet ou em outras edições mais novas do livro. Você pode ir a livrarias e folhear outras edições dos livros, à procura deles.

Você pode também procurar resenhas de bons resenhistas na internet. Eu indico sempre o canal da Tati Feltrin, tudo do Homo Literatus e as resenhas da Taize. Como eu não ligo muito para spoilers, às vezes eu procuro por aí inclusive as indicações dos livros que eu leio.

3. Não passe por cima de coisas que não entendeu

Não sei se você faz isso, mas eu já fiz muito: se estou lendo um livro e não conheço uma palavra, muitas vezes procuro entender o contexto dela na frase. É muito importante, para enriquecer o nosso vocabulário, procurar o significado real daquela palavra no dicionário. Isso só se torna um pouco contraprodutivo, porque nem sempre a gente tem um dicionário à mão. Com o kindle fica mais fácil, porque ele procura a palavra no dicionário apenas clicando em cima dela.

De toda maneira, você não precisa fazer isso sempre. Na verdade, você não precisa fazer isso nunca, se conseguir pegar o sentido pelo contexto. Em casos de livros em um idioma diferente do seu, mas que você domina, acaba atrasando demais a leitura se você ficar procurando todas as palavras que não conhece.

Se você conseguir entender pelo contexto, OK. Só não passe por cima delas.

Existem os casos dos livros que colocam frases em outro idioma.

O livro O Nome da Rosa, de Umberto Eco, é com certeza um livro bastante trabalhoso. Nele, encontramos várias frases em latim, um idioma que muita gente não domina, e não tem notas de rodapé com traduções. Então, é importante procurar traduzir você mesmo essas frases para entender o livro, seja através do tradutor do Google, seja por alguns blogs na internet que já tem as traduções prontas. Mas não deixe passar. Passar por cima dessas frases pode comprometer o entendimento completo do livro.

4. Tome notas

Não precisa ficar anotando tudo como se estivesse estudando. Mas grifar partes interessantes ou, para quem não gosta de riscar livros, anotar em algum lugar - cadernos ou mesmo post its -, termina sendo um bom exercício para recordar partes do livro que você não gostaria de perder com o tempo.

Alguns leitores costumam manter um diário de leitura. Isso pode ser feito de várias maneiras. Você pode separar um caderno só para as suas leituras e em cada página fazer uma resenha do livro. Ou em vez da resenha, fazer pequenas anotações, ou anotar frases que você gostou, ou sua opinião sobre um personagem.

Eu acho muito interessante a ideia de fazer um diário de leitura de papel, principalmente se você tem costume - ou gostaria - de manter bullet journal. Eu mantenho um, mas é um diário de escrita, então achei demais ter um diário de leitura também. Como eu tenho um perfil no Skoob, acabo fazendo meu diário de leitura por lá. Anoto pequenas frases ou trechos de que gostei no histórico de leitura do livro e faço uma resenha quando termino. Depois publico aqui no blog.

5. Grupos de leitura

Juntar amigos para fazer um Clube do Livro é, além de divertido, um grande aprendizado. Primeiro que, se você já sabe que vai ter que discutir aquele livro depois, isso faz com que você leia o livro com maior atenção. Segundo, você vai conhecer outros pontos de vista e outras opiniões. É enriquecedor.

Se você não consegue reunir amigos para ler, pode procurar esses grupos na internet. Por exemplo, o #infinistante. Eu já participei de alguns, mas há algum tempo decidi manter meu próprio ritmo de leitura, para não atrapalhar o progresso de escrita do meu segundo livro. Então fiquei só com o Desafio Literário. Como alguns amigos e leitores participam dele e eu estou sempre escrevendo resenhas, acabo sempre discutindo alguns livros com um ou outro.


"Muitos não sabem quanto tempo e fadiga custa a aprender a ler. Trabalhei nisso 80 anos e não posso dizer que o tenha conseguido."
– Goethe

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Então, o que achou? As dicas foram úteis para você?
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