Não sou boa com finalizações. Nunca fui. Não ser boa não significa que eu não consiga, significa apenas que eu não lido bem. É um filme que acaba, um livro que chega à ultima página, uma vida que inexiste. É um amor, um relacionamento, uma partida. Um adeus. Nunca aprendi a dizer esse adeus. Nunca me foi ensinado. Na escola não nos ensinam a lidar com a perda. Não tem no currículo acadêmico, nem no da vida.
Mas a gente vai aprendendo sozinha, autodidata, no passar dos anos, e às vezes se torna mais fácil. Menos dolorido até. Mas sempre é triste, sempre incomoda, sempre o vazio. É o encontro do novo desconhecido, ou a volta para aquele início que é quase uma continuação sem continuidade. O desconhecido, novo ou velho. A nova vida com a ausência. Muito aprendizado, vindo daquilo que agora falta. A falta que dói e fere. E o medo que me faz temer despedidas.
Não sou boa com finalizações, não sei lidar. O fim é mais um início e iniciar é exaustivo. A vida inteira: um fim, um início, um ciclo sem fim. Não tem disposição, falta boa vontade. Falta tudo. Precisa empurrar, pegar no tranco. No tranco, no barranco, ladeira abaixo, caída no asfalto, machucada pela queda e sem coragem de levantar. Para um novo início. Mas sem energia.
Sem coragem de finalizar, com medo da queda. Com medo do recomeço.
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