Quando soube que o tema do
Desafio para o mês de
junho, mês de aniversário, era “autores queridos”, fiquei animada, afinal seria
o mês de saborear e resenhar sobre algum autor que eu amo. Só que começou
junho, eu fiquei sem conseguir me decidir sobre qual autor seria, fiquei
deixando para depois e acabou que, na última semana de junho, ainda não tinha
começado nada. Claro que pensava em ler outros livros, fora o do desafio, mas a
única coisa que eu li o mês inteiro foram coisas do trabalho e alguns capítulos
do segundo volume de Game of Thrones. Só posso explicar essa ausência literária
como sendo um bloqueio mesmo. Mas enfim...
O que me fez sair dessa inércia foi Gaiman. Eu tenho
vários autores queridos, mas o problema é que não estava com nenhuma vontade de
ler nenhum deles. Aí me lembrei de um certo “livro” que ganhei no meu
aniversário do ano passado; que eu já comecei uma vez, quando peguei emprestado
de um amigo, mas o meu mesmo nunca tinha aberto direito, que não fosse só para
admirar. Não é bem um livro, é uma série de histórias em quadrinhos. Sandman.
A primeira coisa que eu li de Neil Gaiman, foi o
primeiro volume de Sandman. Mas não continuei os outros, porque eu não tinha (este
volume aqui,
The Absolute Sandman vol 1, tem os três primeiros volumes das edições
antigas, se não me engano). E desde aquela época, eu já tinha percebido o quanto eu iria amar um
livro normal escrito por Gaiman. Depois disso, eu saí procurando e confirmei
essa suspeita.
Sandman é Sonho, ou Morpheus, um dos Perpétuos, as entidades mais
poderosas no universo do livro. Os outros Perpétuos são Morte, Destino, Desejo,
Destruição, Desespero e Delírio; em inglês, todos começam com a letra D. Todos
têm um reino ou domínio e exercem uma função, que lhes toma a maior parte do
tempo. Sandman controla o reino dos sonhos, regulando-os e vigiando-os. Quando
um perpétuo não exerce sua função, os aspectos daquela existência se tornam
aleatórios, sem uma entidade para regular. É o que ocorre no início da
história, quando Sonho é capturado.
Como não quero dar mais spoilers que este, porque Sandman
é uma das melhores criações de Gaiman e eu recomendo fortemente que, se houver
alguém que não conhece, que procure conhecer (se não for uma daquelas pessoas
que só lêem livros sérios); então vou apenas dar minhas impressões.
Achei muito bom ter voltado a ler Sandman, depois
desse tempo todo só lendo histórias escritas de Gaiman. Quem já leu alguma
história sabe que as coisas que Gaiman escreve são meio difíceis de serem imaginadas,
porque ele mistura imagens com cheiros e formas impossíveis de serem associadas
para descrever uma coisa e é bem interessante ver essas formas desenhadas ali
para serem compreendidas. Além disso, como ele não escreveu mais nenhuma série
fora Sandman (mentira, ele escreveu
Os Livros da Magia e outras que eu ainda não consegui encontrar para ler, mas... garimpando e sempre), os livros acabam sendo curtos demais para o que se propõem, para explicar
todo um universo diferente e estranho, criado no meio do mundo que já
conhecemos. Exceto
Deuses Americanos, que acho que foi explorado demais, num
livro longo demais, desnecessariamente.
Sandman é aquele universo que nunca é explorado
demais, tanto que existem vários
spinoffs e livros de outros autores baseados
na série. Gaiman é um dos meus autores queridos, que me deixam feliz e com
vontade de guardar pra depois, quando encontro alguma coisa que ainda não li.
Foi o caso com The Absolute Sandman. Sorte que ainda existem mais dois volumes e
vááários spinoffs. E espero que nunca acabem.
"What power would Hell have if those here imprisioned were not able to dream of Heaven?"
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