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terça-feira, 6 de outubro de 2015

Resenha: As Vantagens de ser invisível

Num dia qualquer, no ano passado, assisti ao filme referente a esse livro (inclusive comentei em um post, um tempo atrás) e agora, por acaso, o livro caiu nas minhas mãos. Assim que comecei, só consegui achar que o livro ia ser meio bobo. O protagonista, Charlie, é mais infantil e mais inocente do que aparenta no filme e me dava uma espécie de vergonha alheia, por ficar chorando pelo colégio, em pleno High School. Depois, você termina entendendo a personalidade dele e, afinal de contas, é bom que ele chore. Significa que, naquele momento, não vai explodir de outra maneira.

A história é contada através de cartas, enviadas por Charlie. É como um diário, só que ele envia as narrativas para alguém. No começo, ele fala do único amigo que tinha e morreu e de como está nervoso em começar as aulas no High School, porque tem dificuldade de fazer amigos. Então, ele conhece Sam e Patrick, dois meios-irmãos, e se torna parte do grupo deles. E, como são pessoas de mentes abertas, fora dos padrões, bem diferentes do que ele costumava lidar, Charlie termina vivendo experiências que normalmente não viveria. Ele também acaba ficando amigo de seu professor de inglês, Bill, que passa o ano inteiro emprestando livros para ele ler. E, nesse ano letivo, Charlie vai amadurecendo, aprendendo coisas sobre si, sobre como lidar com pessoas e descobrindo coisas novas.

O livro tinha tudo para ser meio bobo, mas então, à medida que Charlie vai crescendo e se abrindo mais, a gente vai entendendo que as coisas na vida dele, e na cabeça dele, são mais inesperadas do que a gente achava. Uma das coisas que mais me chamou a atenção, nesse livro, foi como as personalidades são mais complexas do que parecem à primeira vista. A segunda coisa que chama a atenção é a delicadeza com a qual o autor escreve coisas, digamos, não muito delicadas. O livro inteiro é de uma delicadeza incrível.

Não é um livro cru, um livro que não usa meias-palavras; ainda assim, é um livro sincero e sem muito rebuscamento. Talvez por isso seja suave, mesmo quando fala sobre problemas grandes; porque não diz diretamente o que a gente quer saber, ao mesmo tempo em que tenta nos mostrar essas coisas. É um livro de descobertas. A gente se descobre, enquanto descobre mais sobre Charlie. Bill termina sendo um mestre e um amigo para todos nós, fazendo com que a gente pense muito nas suas palavras. Sam também tem grandes momentos. É um livro que nos faz pensar sobre amizade, sobre experiências, sobre nós mesmos e em como temos lidado com nossa vida; em como temos deixado nossas experiências nos transformar. Em como temos agido movidos por coisas que nós passamos e se isso é o certo a ser feito.

Pessoalmente, não achei um livro incrível, como já vi muita gente falando. Mas é um livro lindo. Realmente lindo. Ganhou meu respeito.

"Eu sei que tem pessoas que dizem que essas coisas não acontecem, e que isso serão apenas histórias um dia. Mas agora nós estamos vivos. E nesse momento, eu juro. Nós somos infinitos."


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Essa é uma resenha para o mês de outubro do Desafio Literário do Tigre de 2015, do blog da Tadsh: um livro que virou filme. Para saber mais sobre o desafio, entre na fanpage ou saiba mais no blog.

quinta-feira, 30 de abril de 2015

Resenha: A Hora da Estrela

Alguns comentarão "como assim você nunca leu A Hora da Estrela antes?" É verdade, eu li outros dois livros de Clarice Lispector, mas ainda não tinha lido este. Por nada, só não tinha encontrado para pegar emprestado e nunca lembrava de comprar. Fui adiando, como tantos outros livros na nossa vida. Eis que chegou a hora.

Várias pessoas me disseram que este talvez fosse o melhor livro dela. Certamente o mais famoso, adaptado para o cinema e tudo mais. Mas preciso dizer que não gostei. Esperei mais. A narrativa já era minha conhecida, a dos outros dois livros que eu li dela. Desta vez, quem conta a história é um narrador chamado Rodrigo S. M., narrador observador, que conta em terceira pessoa a história de Macabéa. A personagem principal é uma nordestina, alagoana, simples e que não tem muita coisa de especial. O narrador não faz parte da vida dela, é apenas um observador que resolveu por algum motivo contar a história dela.

Mais da metade do livro consiste em Rodrigo se explicando por que escreve e por que resolveu escrever justamente sobre Macabéa. Enquanto não escreve, ele demonstra o desdém típico da classe média carioca pela humilde imigrante nordestina. Eu entendi o motivo por trás disso, mas não torna o livro menos chato. Eu adoro a escrita de Clarice Lispector; mas, gente, é mais da metade do livro só, digamos, enrolando para não contar a história. Eu sei que a ideia era Macabéa só ser importante na hora certa e Rodrigo ser um personagem secundário, apesar de narrador, com sua história e caráter a serem descritos. Mesmo assim, nada disso me ajudou a gostar do livro. Para mim, ele só para de se arrastar da metade pro final.

Depois de ler obras lindas como Perto do Coração Selvagem e Laços de Família, eu confesso que fiquei decepcionada. Mas eu tive que ler para saber disso. É um livro curto, pelo menos. E nunca é desperdício ler as belas palavras de Clarice.

"Quem já não se perguntou: sou um monstro ou isso é ser uma pessoa?"

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Essa é uma resenha para o mês de abril do Desafio Literário do Tigre de 2015, do blog da Tadsh: um livro escrito por uma mulher. Para saber mais sobre o desafio, entre na fanpage ou saiba mais no blog.

terça-feira, 28 de abril de 2015

Resenha: A Droga da Amizade

Anos depois de lançar a série de livros dos Karas, Pedro Bandeira resolveu escrever mais um livro sobre os heróis da minha infância: A Droga da Amizade. Como o autor terminou vindo à minha cidade para promover o livro, eu aproveitei e consegui um autógrafo e uma foto com ele. Enquanto o via divagar sobre o livro e responder perguntas, várias vezes senti um nó na garganta, de nostalgia pura. É isso que é essa série inteira para mim: nostalgia. Olhos enchendo de lágrimas ao lembrar do tempo em que eu li pela primeira vez cada um desses livros.

Ele conta a história de como os Karas estão agora: adultos, com filhos. Esperando para fazer um discurso importante, Miguel relembra como surgiu o grupo e nos conta também alguns acontecimentos curtos passados, que não foram narrados nos outros livros. São como contos. É interessante, feito especialmente para fãs. Mas, se você espera uma história como as outras, vai se frustrar bastante. Eu não esperava nada, porque já tinha lido várias sinopses e ouvi Pedro Bandeira contando sobre o processo de desenvolvimento do livro. Então, eu sabia bem o que esperar. Terminei de ler em poucas horas, visto que a linguagem é aquela de sempre, escrita para crianças.

O livro termina com duas surpresas, que obviamente não vou contar. Só vou dizer que uma me surpreendeu e a outra não. Mas as duas me trouxeram lágrimas de nostalgia. Deu vontade de ler tudo de novo; esquecer que tenho 29, e não 9, anos de idade e amar de novo esse grupo, que também é meu e de todos aqueles que cresceram junto com ele. Visitar de novo os meus amigos em suas aventuras contra a máfia, contra os nazistas, contra drogas imbecilizantes. Decifrar os códigos, solucionar mistérios, usar disfarces.

Não me entendam mal; não estou indicando o livro para ninguém ler. É um livro sobre lembranças. Ninguém que não tenha essas lembranças vai dar algum valor a ele. Mas, se você as tem, vale ler o livro. Não vai ser a melhor coisa que você vai ler no ano, mas em duas horinhas você termina. E vai descobrir o que se tornaram nossos amigos de infância, agora adultos.

'Fanzices' à parte, preciso dizer que não gostei das capas dessas novas edições. Sério, vejam que linda essa edição antiga da Droga do Amor.


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Essa é uma resenha para o mês de abril do Desafio Literário do Tigre de 2015, do blog da Tadsh: um livro com a capa feia. Para saber mais sobre o desafio, entre na fanpage ou saiba mais no blog.

domingo, 12 de abril de 2015

Resenha: O Elevador Ersatz

As desgraças na vida de Violet, Klaus e Sunny Baudelaire começam quando eles perdem os pais em um incêndio e são obrigados a mudar de lar várias vezes por causa de um homem horrível chamado Conde Olaf, que quer tomar a fortuna deles. Neste volume, eles se mudam para o apartamento de cobertura do casal Esmé e Jerome Squalor, um pessoal preocupado demais com as aparências. É claro que o Conde Olaf aparece para estragar o que já não eram as mil maravilhas do mundo.

O Elevador Ersatz é o sexto livro do Desventuras em Série, de Lemony Snicket (pseudônimo de Daniel Handler), cujos treze volumes contam a triste história dos órfãos Baudelaire. Os três primeiros volumes foram adaptados em um filme, com algumas modificações no enredo, mas uma das poucas adaptações de que eu gosto. Inclusive, conta com um elenco impecável, com Meryl Streep, Jude Law, Jim Carrey. O filme manteve bem o tom dos livros: melancólico, meio sarcástico, meio escrito para crianças. O que mata é a atuação exagerada de Jim Carrey, que achei desnecessária.

Há quem diga que não gosta da escrita desses livros porque parece infantil demais. Eu discordo. Acho que Daniel Handler conseguiu um equilíbrio interessante entre uma narrativa escrita para crianças e um vocabulário rebuscado, mesmo que ele sempre acabe explicando as palavras mais complicadas logo depois de usá-las. Mas a escrita é bem peculiar e eu gosto de autores que conseguem fazer uma coisa diferente, que conseguem colocar sua marca naquilo que escreve. Daniel Handler fez mais que isso e, sob o pseudônimo de Lemony Snicket, virou personagem em seus próprios livros, se colocando como narrador-personagem que conheceu pessoalmente os órfãos Baudelaire, testemunhou suas infelicidades e sofreu suas próprias perdas na história.

Segundo eu li, o pseudônimo surgiu como um nome que Handler utilizava numa lista de correio de organizações de extrema direita que ele pesquisava para um de seus livros. Depois, virou uma brincadeira entre os amigos, que começaram a pedir pizza com o nome. Então ele virou narrador das histórias dos Baudelaire (assim como de dois outros livros e também escreveu a introdução de um livro de contos), das quais ele também faz parte, assim como Beatrice, a mulher que ele amava e, aparentemente, não se encontra mais entre nós.

Apesar dessas coisas legais todas, depois de ler seis livros dessa série, confesso que enjoei um pouco do enredo. Porque é quase sempre o mesmo: (spoiler alert)* os órfãos chegam a um novo lar, às vezes bom, às vezes péssimo; então vem o Conde Olaf, com um disfarce doido que convence todo mundo, menos as três crianças, e eles terminam bolando um plano para acabar com o disfarce e prender o vilão, mas ele consegue escapar. Com algumas pequenas mudanças em cada livro. Dá agonia também de como nenhum dos tutores acredita nos órfãos; parece uma coisa meio sem sentido para mim. Como se todos os adultos fizessem pouco caso do que as crianças dizem. Acho que havia outras maneiras de fazer isso ficar aceitável. (/spoiler alert) Mas, de modo geral - pesando os prós e os contras - eu gosto bastante da série.


"... a tabela dos elementos não contém um dos elementos mais poderosos que
formam o nosso mundo, e este é o elemento surpresa."



*Se você nunca leu nenhum livro da série e não gostar de spoilers, melhor não ler o trecho em cinza.

Update: Quis reescrever essa resenha inteira depois de ler este artigo aqui, mas não o fiz porque pretendo ler outro livro da série e corrigir minha injustiça na próxima resenha.


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Essa é uma resenha para o mês de abril do Desafio Literário do Tigre de 2015, do blog da Tadsh: um livro com a capa alaranjada. Para saber mais sobre o desafio, entre na fanpage ou saiba mais no blog.

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Resenha: Erêndira

O título completo do livro é "A incrível e triste história da Cândida Erêndira e sua avó desalmada". Peguei esse livro para ler porque adoro Gabriel García Márquez e porque minha amiga Gaby me emprestou. Eu sabia apenas que era um livro de contos. Mas claro que ia ser bom, afinal era Gabriel García Márquez.

São sete contos, cada um com poucas páginas; apenas o último, o que dá nome ao livro, que é maiorzinho, com umas 50 páginas. Eu confesso que não gosto muito de livros de contos e olha... Eu adorei vários livros dele, acho que amo todos que eu li até agora, mas esse aqui é uma das coisas mais lindas que eu já li na vida. Os cenários são aqueles de sempre: algum lugar numa cidadezinha qualquer pobre e quente da América Latina. Alguns tinham praia, alguns eram só deserto; mas todos ilustravam uma realidade dura, miserável, com o seu povo pobre e triste. Alguns contos são perversos, outros engraçados, outros românticos, sarcásticos. Mas o que me fez ficar encantada com o livro é aquela coisa de sempre de Gabriel, só que melhor: o realismo fantástico quando aparece em forma de coisas belas, em meio a toda aquela pobreza e gente triste, sem esperança. É o cheiro de rosas no meio de uma cidade que cheirava mal; as flores que flutuavam no mar; um navio fantasma; um homem com asas; um defunto que era mais bonito que todos os vivos da cidade.

O meu conto preferido foi "O Mar do Tempo Perdido". Eu li e reli umas duas vezes no mesmo dia, uma atrás da outra. Mas todos têm suas peculiaridades, que fazem você sentir um carinho imenso pelo livro, daqueles que dá vontade de abraçar. Acho que só tinha sentido algo assim pelo Oceano no fim do caminho, de Gaiman. É um estilo bem diferente, não me entendam mal; mas os dois têm aquela parte de fantasia, a parte bonita que faz você sentir carinho pelo livro. Aquela parte que corta a realidade fria e transforma tudo em algo agradável de imaginar. E as palavras de Gabriel encantam demais; você fica querendo ler a mesma frase várias vezes, para não perder nada. É lindo demais. Só lendo para saber.

"No fundo do mar, há um povoado de casinhas brancas com milhões de flores nos terraços."

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Essa é uma resenha para o mês de abril do Desafio Literário do Tigre de 2015, do blog da Tadsh: um livro emprestado. Para saber mais sobre o desafio, entre na fanpage ou saiba mais no blog.

sábado, 14 de março de 2015

Resenha: After - Depois da Verdade

Achei que não iria completar a tag "Lançado no mês" do Desafio, porque não sou muito atenta a lançamentos. Acontece que encontrei um aplicativo no celular chamado Wattpad e, nele, uma fanfiction chamada After. A fanfic virou uma série de livros e o segundo volume foi lançado este mês. E eu acabei de ler os dois primeiros volumes.

After começou como uma fanfic da boyband One Direction, da qual eu conhecia bem pouco, para não dizer nada. Agora, sei quem são os componentes e sei que eles saíram do reality show The X Factor. Para publicar o livro, a autora mudou os nomes do pessoal da banda. Pessoalmente, acho que deveria também ter diminuído a quantidade de confusões, mas OK.

A história é sobre um tumultuado romance entre Tessa e Hardin (personagem inspirado em Harry Styles). Bem, talvez tumultuado seja o eufemismo do século. De modo geral, achei o livro muito semelhante a 50 tons de cinza e à série Crepúsculo, talvez porque seja uma espécie de fanfic desses dois também. Ou seja, é um romance, é fácil de ler, flui com facilidade, prende a atenção, mas não é nem de longe bom. Não tem um enredo, apenas um conjunto de coisas acontecendo a toda hora, sem descanso, e os personagens são extremistas em tudo que fazem. E não é lá essas coisas na escrita também; não que eu pudesse exigir muito, ou mesmo que tivesse a impressão de que seria algo grande. Foi apenas uma ótima distração nos meus momentos de folga do trabalho, mesmo que muitas vezes me deixasse com muita raiva.

Um dia desses, eu li um artigo em que uma autora criticava a relação abusiva narrada no livro "50 tons de cinza" e eu achei exagero. Primeiro porque, na ficção, pode-se narrar até estupros e assassinatos e não é por isso que todo mundo vai sair reproduzindo na vida real. E, até mesmo pelo público-alvo, mulheres adultas, não achei que influenciaria muita gente a sonhar com um homem controlador, machista e doente. Hoje, eu critico a relação de After. Ao contrário de 50 tons, After foi escrito para fãs de One Direction, ou seja: adolescentes. Mais especificamente: mulheres adolescentes. Fora que a relação deles é mil vezes mais abusiva - eu diria até assustadora - que a de 50 tons. Enquanto lia no Wattpad, vi vários comentários de meninas sonhando com o bad boy Hardin e xingando a Tessa, quando ela achava ruim as situações absurdas pelas quais passava e queria deixá-lo. Eu me vi torcendo para que ela fosse embora para sempre e procurasse algo saudável para a vida dela, mesmo sabendo que não ia acontecer. Não sou a favor de se tirar lições de obras de ficção - até mesmo porque quem mais lê livros junks sou eu -, mas como posso aguentar ver meninas que nunca tiveram uma relação de verdade na vida defendendo absurdos como esses? Posso vê-las, no futuro, aguentando um monte de merda dos companheiros e achando lindo, esperando fazer o outro mudar por elas, porque o amor vence tudo. Como já dizia House: "people don't change".

Tive raiva dessas coisas, mas não abandonei a leitura, porque as partes de romance são bem bonitinhas e fazem você querer saber como vai acabar. Mas sempre tinha algo mais que Hardin fazia e muitas das coisas me deram náuseas. Muitas vezes, esperei que ele fosse preso, morresse ou algo assim. Muitas vezes, joguei o meu kobo longe. Não, gente, não é normal. Gostaria muito de dizer isso para as meninas que estavam achando tudo lindo. A vida já é complicada o suficiente para ainda ter que lidar com merdas desse tipo. A gente precisa de pessoas boas e relações saudáveis à nossa volta, para aguentar tudo. Não de pessoas destrutivas que vivem exaurindo a nossa energia.

Acredito que a autora quis fazer um paralelo com Wuthering Heights e o romance doentio de Cathy e Heathcliff. Para mim, o final é perfeito; mas duvido que aconteça algo assim no final da série After. Uma pena. Ou não. Vamos aguardar o terceiro volume.

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Essa é uma resenha para o mês de março do Desafio Literário do Tigre de 2015, do blog da Tadsh: um livro lançado no mês. Para saber mais sobre o desafio, entre na fanpage ou saiba mais no blog.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Resenha: Pornô

Desde que comprei meu e-reader, vi muita utilidade nele. Entre elas: não carregar livros pesados para todo lado; não comprar muitos livros físicos e, finalmente: não ter que ficar respondendo a mil perguntas sobre tal livro de título ou capa estranha. No caso de Pornô, de Irvine Welsh, eu tive que respirar fundo toda vez que alguém lançava um olhar mais agudo para o título ou a capa: "Não, não é um livro erótico". Desejei várias vezes ter comprado a versão em e-book, para não ter que carregar peso, nem responder a essas perguntas.

A história é a continuação de Trainspotting, um livro que fala basicamente da vida de alguns jovens escoceses viciados em heroína. Inclusive, Trainspotting virou um filme muito interessante com Ewan McGregor e um elenco competente. Costumo brincar dizendo que juntaram Obi-Wan jovem, Sherlock Holmes (de Elementary), Rumpelstiltskin (de Once Upon a Time) e Poseidon (de Percy Jackson)* para fazer o filme.

Nesta continuação, da qual também estão gravando um filme, as drogas são meio deixadas de lado e o assunto do momento é a produção de filmes pornográficos. Dez anos se passaram e os personagens agora estão diversificando seus interesses. Não mais jovens inconsequentes, agora eles precisam pagar contas e pensão de filhos. Além dos protagonistas que já conhecemos - Sick Boy, Renton, Spud e Frank -, somos apresentados a Nikki, uma universitária britânica, que está estudando cinema na Escócia e trabalha numa casa de massagem para conseguir pagar suas contas. Termina que eles são envolvidos na produção de um filme pornográfico, produzido por Sick Boy.

Assim como em Trainspotting, ninguém avisa quem está narrando a história, mas a gente termina descobrindo pela narrativa. Para mim, essa é a mágica da série: a habilidade de Irvine Welsh de escrever várias narrativas diferentes, de maneira que faça o leitor perceber quem está narrando. E o final, claro, o final. Tem sempre alguma coisa incrível no final dos livros dele. Mal posso esperar para ler o terceiro, Skagboys, que se passa antes de Trainspotting

Pornô é um livro genial, recomendo a qualquer um que goste do estilo. Inclusive, ele poderia figurar em várias categorias do Desafio, mas acabou que coloquei na categoria "com mais de 300 páginas", porque não sei se vou conseguir ler muitos livros longos este ano.

* Eu não assisto Grey's Anatomy, mas, antes que os fãs da série me xinguem, vou adicionar a nota: Poseidon também pode ser o médico Owen Hunt.


Essa é uma resenha para o mês de fevereiro do Desafio Literário do Tigre de 2015, do blog da Tadsh: um livro com mais de 300 páginas. Para saber mais sobre o desafio, entre na fanpage ou saiba mais no blog.

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Resenha: Sangue do Olimpo

Depois de ler essa última parte da saga dos Heróis do Olimpo, eu preciso dizer que voltei a ser adolescente. A saga inteira é escrita para adolescentes e, assim como a primeira, a de Percy Jackson e os Olimpianos, a leitura é fácil e leve. Adoro infanto-juvenis (que hoje chamam de Y.A.), nunca passei dessa fase de vez por outra pegar um livro nesse estilo e devorar em dois dias. Não é uma grande coisa na parte literária, se é isso que te faz pegar um livro para ler. É apenas um livro bastante divertido.

“Sete meio-sangues atenderão ao chamado
Em tempestade ou fogo o mundo terá acabado
Um juramento a manter com um alento final
E inimigos com armas as Portas da Morte afinal”

Para quem não sabe nada sobre Percy Jackson, ele é um semideus, filho de Poseidon, que mora nos EUA e passa as férias num acampamento de semideuses. Vez por outra, ele e outros heróis precisam sair em uma missão para salvar o mundo de algum monstro ou da ameaça de titãs, deuses, gigantes ou tudo isso junto. Neste livro, sete semideuses, incluindo Percy, chegam à Grécia para lutar contra os gigantes que querem despertar Gaia, a mãe-terra, antes que ela acabe com a humanidade. Enquanto isso, dois semideuses e um sátiro têm que levar a Atena Partenos, uma estátua de vinte metros de altura, de Roma para os EUA, para evitar uma guerra entre semideuses gregos e romanos.

Como eu disse, é um livro bem divertido. Rick Riordan trata as lendas da mitologia greco-romana de maneira engraçada e leve; que quem conhece um pouco delas, sabe que não são bem assim. Acho que vale para fazer os jovens se interessarem um pouco em conhecer mais sobre mitologia e conhecer os mitos "verdadeiros". Fora isso, é um infanto-juvenil do gênero de fantasia com tudo o que tem direito: romance, monstros, profecias, personagens engraçados, amizade. Assim como Harry Potter, ou Necrópolis, ou Eragon, ou Crepúsculo. Sem querer comparar essas sagas entre si.

Fiquei um pouco decepcionada com este livro porque o autor deu vários indícios de que algumas coisas iriam acontecer e não aconteceram. Não tenho como explicar isso direito sem dar spoilers. É um final bom para a história, mas me deixou um pouco frustrada. Talvez deixasse o livro muito longo, mas mesmo assim... Tenho algo com finais de sagas. Nunca fico muito satisfeita. Fico pensando se eu escrever uma, algum dia, se vou conseguir ficar satisfeita. Tenho muita vontade de escrever infanto-juvenis. Deve ser por causa dessa minha capacidade de virar adolescente, quando estou lendo, e esquecer de todo o resto. Vai ver nunca cresci.

O Sangue do Olimpo fecha a saga de Percy Jackson, que começou a lutar com monstros no livro O ladrão de Raios, aos doze anos de idade, e acaba nesse com, sei lá, dezesseis. Nesta saga, ele não é o único protagonista e, especialmente neste livro, a história não é contada pelo ponto de vista dele. Achei inclusive que deixaram o personagem um pouco de lado. Mas dá para entender, visto que nos livros passados deram muita atenção a ele e o ponto dessa saga não era fazer um personagem ser melhor que o outro; é justamente mostrar que todos são importantes na mesma medida. Achei uma mudança boa da primeira série. Fica a sugestão para quem gostou de Percy Jackson e os Olimpianos, ou para quem gosta de fantasia, infanto-juvenis, Y.A. ou coisa que o valha.

Essa é uma resenha para o mês de janeiro do Desafio Literário do Tigre de 2015, do blog da Tadsh: um livro divertido. Para saber mais sobre o desafio, entre na fanpage ou saiba mais no blog.

domingo, 4 de janeiro de 2015

Desafio Literário 2015

Começou mais um ano e eu precisei arrumar outro Desafio Literário para fazer. Confesso que não fui muito bem no desafio do ano passado; por vários motivos, terminei lendo muito pouco no segundo semestre do ano. Enfim, em 2015 pretendo me redimir e completar o desafio, que está parecendo ser mais complexo que o de 2014, visto que serão 24 livros e não 12.

Passei os últimos dias do ano meio desesperada, procurando um desafio novo, porque Tati tinha anunciado que não iria fazer mais o Desafio da Tigre este ano. Aí saí procurando pela blogosfera. Achei vários desafios e nenhum me interessou; talvez por eu não ter nenhuma ligação, nem conhecer nenhum dos blogs que visitei. Então, fiquei imensamente feliz quando Tati mudou de ideia (êêêê!) e anunciou que tinha decidido continuar o Desafio por mais um ano. Estou neste momento quicando de empolgação.

Eis:


A minha meta são dois livros do Desafio por mês (rá, considerando que vou ler outros livros fora os do Desafio). Ano passado, mal consegui ler um livro por mês, quanto mais dois. Mas, como nos anos anteriores eu consegui ler cerca de quatro por mês - e também porque este Desafio dá para encaixar vários livros da minha lista sem endoidar demais -, acho que não estou sendo ambiciosa esperando conseguir ler pelo menos dois. Isso porque ainda espero terminar o livro de dezembro do Desafio do ano passado e resenhar. Mas vamos com calma.

Já estou fazendo uma listinha de livros para me organizar nesses temas acima e não ficar feito barata tonta durante o ano, tentando encaixar livros nos temas, procurando e-books e rodando em livrarias, gastando o salário inteiro assim. A lista será atualizada aqui neste post, conforme forem sendo postadas as resenhas, durante o ano.

Que comece 2015. Que comece o Desafio.

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Amor: Jane Eyre

Pela primeira vez na vida, eu chorei com um livro. OK, até fiquei bem triste com o 5º e o 6º Harry Potter, mas não cheguei a choraaar de verdade com nenhum dos dois. Mas o que aconteceu com Jane Eyre, de Charlotte Brontë, foi inusitado. Inusitado porque: 1) Eu já sabia a história inteira por ter lido várias resenhas; 2) Eu já tinha visto umas duas adaptações pro cinema, uma delas protagonizada por Mia Wasikowska e Michael Fassbender (♡♡). Também já ouvi falar de uma série de televisão da BBC e pretendo ver logo que encontrar, dizem que é a melhor adaptação. Escolhi este livro pro Desafio do mês de outubro porque foi o único romance que me interessou ler, nesses últimos tempos. Love is not in the air.

O livro conta a história da personagem que dá nome ao livro, Jane Eyre, uma órfã que foi criada na casa da tia e, posteriormente, mandada a uma escola para meninas. A vida toda, ela passou por várias provações e privações, inclusive fome e frio, pois era uma escola de caridade e não havia comida, agasalho e fogo suficientes para todo mundo. Depois de seu período de escola, ela vira professora e decide ir para uma casa de família trabalhar como governanta, quando ela conhece o amor da sua vida, seu patrão, Edward Rochester.

Para a época, Charlotte Brontë criou uma história revolucionária. A gente pensa que vai ler algo de um feminismo mais sutil, como nos livros de Jane Austen, mas se depara com uma mulher em busca da sua liberdade de ideias e financeira. Jane Eyre nunca quis nada além de poder se sustentar e viver a vida como desejasse, sem homens lhe dizendo como pensar e como agir. Isso fica claro desde o começo do livro, mas esse fato fica gritante mais pro final. Há quem diga que o livro não é exatamente um romance. Eu concordo. Está cheio de elementos de drama, suspense e algo de sobrenatural. Houve uma hora em que eu pensei que veria algo como em O Morro dos Ventos Uivantes (Wuthering Heights), obra escrita por outra irmã Brontë, Emily. Ambos romances vitorianos. É interessante ver os elementos góticos, presentes nos dois, muito mais evidentes no romance de Emily. Mas ainda presentes em Jane Eyre.

Charlotte escreveu neste romance muitas das coisas que viveu, de ser aluna de um colégio de caridade, de ter sido professora e de ter sofrido privações. E também colocou nele seus pensamentos, sua coragem e seu feminismo. O livro foi publicado inicialmente com um pseudônimo masculino e ela só assumiu a maternidade dele depois. E recebeu muitas críticas por isso.

Aí me perguntam se eu indicaria a leitura. Indico para aqueles que conseguem ler considerando as influências históricas do livro, o papel que ele teve numa geração e até mesmo na vida da autora. Porque, primeiramente, é um romance romântico, daqueles bem melosos. Eu gosto do estilo, mas conheço gente que não conseguiria ler. Então, vale para entender uma época, juntamente com uma maneira de se pensar e costumes diferentes. Eu acho válido e eu adorei a experiência.

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Esta é uma resenha para o Desafio Literário do Tigre 2014, do blog da Tadsh. O tema de Outubro é "Amor": ler e resenhar um livro que conte uma história de amor. Para saber mais sobre o desafio, entre na fanpage ou saiba mais no blog.

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Risos: Equal Rites

O título do livro em português é "Direitos iguais, rituais iguais", mas convenhamos que o título em inglês é muito mais legal; sem escancarar o trocadilho assim, de graça. Equal rites é o terceiro livro da série fantástica Discworld, de Terry Pratchett, autor de vários livros dessa mesma série (que já vai pra mais de 20, alguns sem tradução ainda para português), além de um livro genial em parceria com Neil Gaiman, o Belas Maldições.

Apesar de gostar bastante dos livros de Pratchett, sempre achei que ele enrolava demais descrevendo coisas engraçadas do mundo, criativas, mas sem muita importância, e deixava os livros arrastados. Os dois primeiros Discworld são, para mim, um exemplo de como alguém pode escrever tanto em cima de quase nenhuma história. Quando comecei a ler este terceiro e percebi que os personagens não eram os mesmos, já fiquei mais feliz. 

A história é sobre Esk, uma menina de 9 anos que herdou o bastão de um mago. O problema é que nunca houve na história do Discworld uma maga mulher. Havia bruxas, mas nenhuma maga. Apesar disso, a magia — que neste mundo é quase um ser vivo muito perigoso, algo meio radioativo, que não consegue ficar muito tempo contido num só corpo — começa a agir tão estranhamente em volta de Esk que a tutora dela, que queria fazer dela uma bruxa e tem muito preconceito contra magos, resolve levá-la para estudar na Universidade Invisível, onde ela se tornaria uma maga. Isso é, se ela fosse aceita.

Diferente dos outros dois livros, achei Equal Rites detalhado na medida certa, sem ser chato em nenhum momento, com um ritmo aceitável para um livro de fantasia e a ironia e criatividade características de Terry Pratchett. A personagem de Esk é muito interessante, mas queria dar ênfase à personagem da Vovó Cera do Tempo, a tutora dela, que se saía várias vezes com frases de sabedoria muito boas. Além do bastão de Esk, que tem a personalidade tempestuosa e perigosa parecida com a do baú, dos primeiros livros, e terminou sendo meu 'personagem' preferido.

O livro inteiro é bastante sarcástico, engraçado, sem ser bobo, assim como todas as coisas escritas por Pratchett. Por algum feliz motivo, ele foi comedido em falar sobre coisas de fora da história, mantendo-se firme no propósito de terminá-la sem sair muito da linha. Só foi ruim que eu perdi o timing do desafio e só consegui resenhar agora, mas era para o desafio de agosto. Enfim, antes tarde do que nunca.

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Esta é uma resenha para o Desafio Literário do Tigre 2014, do blog da Tadsh. O tema de Agosto é "Risos": ler e resenhar um livro que me faça rir. Para saber mais sobre o desafio, entre na fanpage ou saiba mais no blog.

quinta-feira, 31 de julho de 2014

Esportes: Quadribol através dos séculos

Eu tinha uns 12 anos quando comecei a ler a série Harry Potter. Ainda não era modinha aqui no Brasil, ainda nem estavam gravando os filmes; embora já fosse famoso lá fora. Eu não era leitora de fantasia; achava que ia ser uma babaquice essa coisa de bruxinhos 'do bem' indo à escola e combatendo o mal. Eu lia infanto-juvenis, livros de Pedro Bandeira e os da coleção Vaga-Lume, mas nunca tinha enveredado pelas terras da fantasia. Terminou que devorei os três primeiros livros, os únicos lançados até então, e acabei com meu preconceito com fantasia.

No Desafio deste mês, acabo com outro preconceito: o dos spinoffs da série Harry Potter. Talvez nem tenha sido preconceito; o fato é que nunca antes tive interesse por eles. Então, como o desafio do mês é sobre esportes e o único "esporte" pelo qual me interessei a vida inteira foi o ballet (e eu não encontrei nenhum livro interessante, não-técnico, para ler), acabei tendo a ideia de 'ver qual era' a do livro sobre Quadribol.

Para quem nunca leu a série, Quadribol é o esporte mais famoso entre os bruxos do mundo inteiro e é muito jogado em Hogwarts, a escola de bruxaria em que Harry e os amigos estudam. Como o diretor da escola, Alvo Dumbledore, diz no prefácio do livro, o livro Quadribol através dos séculos que encontramos nas livrarias é uma cópia do exemplar original pertencente à biblioteca de Hogwarts, cedido muito a contragosto pela bibliotecária, e vendido pelo mundo para que nós, os "trouxas", possamos ler. Ainda acho que a minha cartinha de admissão não chegou porque todas foram para Harry, no ano em que ele entrou em Hogwarts.

O livro começa falando das vassouras e dos vários esportes jogados em cima de vassouras. Então, com muito bom humor, explica como se deu o surgimento do Quadribol e de cada uma das suas quatro bolas. Explica também as regras e as faltas mais comuns no jogo, uma vez que todas as faltas não poderiam ser divulgadas para "não dar ideias". Depois de falar bastante sobre o jogo, o autor começa a falar dos times do Reino Unido e depois da disseminação do esporte pelo mundo. Fiquei curiosa sobre o que seria dito sobre o Brasil, obviamente, e fiquei rindo quando li que o Brasil chegou às quartas de final na Copa Mundial. Só acho que não perdeu de 7 x 1.

O livro é bem curto, leve e engraçado. J. K. Rowling, sob o pseudônimo de Kennilworthy Whisp, sabe lidar com a narrativa e as esquisitices bruxas de uma maneira natural, já vista nos outros livros da série, e inventa fatos engraçados e exagerados na medida certa, sem cansar demais. Para mim, ela nunca deveria ter escrito outra coisa a não ser fantasia. Sim, eu li os outros livros "para adulto" dela e achei bem ruins, apesar de ela aparentemente estar apostando bastante no detetive Cormoran Strike, do Chamado do Cuco. Acho que ela escreve bem para adultos (oi, eu sou adulta), quando escreve para crianças. Harry Potter é uma série que qualquer um que goste de ler poderia aproveitar bem, sem achar besta demais. Claro, ela tem todo o direito de escrever os livros de adulto que ela quiser. Eu só não gostei. Achei besta demais. Ops.

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Esta é uma resenha para o Desafio Literário do Tigre 2014, do blog Elvis Costello Gritou Meu Nome. O tema de Julho é "Esportes & Esportistas": ler e resenhar um livro que diga respeito a algum esporte. Para saber mais sobre o desafio, entre na fanpage ou saiba mais no blog.

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Autores Queridos: The Absolute Sandman

Quando soube que o tema do Desafio para o mês de junho, mês de aniversário, era “autores queridos”, fiquei animada, afinal seria o mês de saborear e resenhar sobre algum autor que eu amo. Só que começou junho, eu fiquei sem conseguir me decidir sobre qual autor seria, fiquei deixando para depois e acabou que, na última semana de junho, ainda não tinha começado nada. Claro que pensava em ler outros livros, fora o do desafio, mas a única coisa que eu li o mês inteiro foram coisas do trabalho e alguns capítulos do segundo volume de Game of Thrones. Só posso explicar essa ausência literária como sendo um bloqueio mesmo. Mas enfim...

O que me fez sair dessa inércia foi Gaiman. Eu tenho vários autores queridos, mas o problema é que não estava com nenhuma vontade de ler nenhum deles. Aí me lembrei de um certo “livro” que ganhei no meu aniversário do ano passado; que eu já comecei uma vez, quando peguei emprestado de um amigo, mas o meu mesmo nunca tinha aberto direito, que não fosse só para admirar. Não é bem um livro, é uma série de histórias em quadrinhos. Sandman.


A primeira coisa que eu li de Neil Gaiman, foi o primeiro volume de Sandman. Mas não continuei os outros, porque eu não tinha (este volume aqui, The Absolute Sandman vol 1, tem os três primeiros volumes das edições antigas, se não me engano). E desde aquela época, eu já tinha percebido o quanto eu iria amar um livro normal escrito por Gaiman. Depois disso, eu saí procurando e confirmei essa suspeita.

Sandman é Sonho, ou Morpheus, um dos Perpétuos, as entidades mais poderosas no universo do livro. Os outros Perpétuos são Morte, Destino, Desejo, Destruição, Desespero e Delírio; em inglês, todos começam com a letra D. Todos têm um reino ou domínio e exercem uma função, que lhes toma a maior parte do tempo. Sandman controla o reino dos sonhos, regulando-os e vigiando-os. Quando um perpétuo não exerce sua função, os aspectos daquela existência se tornam aleatórios, sem uma entidade para regular. É o que ocorre no início da história, quando Sonho é capturado.

Como não quero dar mais spoilers que este, porque Sandman é uma das melhores criações de Gaiman e eu recomendo fortemente que, se houver alguém que não conhece, que procure conhecer (se não for uma daquelas pessoas que só lêem livros sérios); então vou apenas dar minhas impressões.

Achei muito bom ter voltado a ler Sandman, depois desse tempo todo só lendo histórias escritas de Gaiman. Quem já leu alguma história sabe que as coisas que Gaiman escreve são meio difíceis de serem imaginadas, porque ele mistura imagens com cheiros e formas impossíveis de serem associadas para descrever uma coisa e é bem interessante ver essas formas desenhadas ali para serem compreendidas. Além disso, como ele não escreveu mais nenhuma série fora Sandman (mentira, ele escreveu Os Livros da Magia e outras que eu ainda não consegui encontrar para ler, mas... garimpando e sempre), os livros acabam sendo curtos demais para o que se propõem, para explicar todo um universo diferente e estranho, criado no meio do mundo que já conhecemos. Exceto Deuses Americanos, que acho que foi explorado demais, num livro longo demais, desnecessariamente.

Sandman é aquele universo que nunca é explorado demais, tanto que existem vários spinoffs e livros de outros autores baseados na série. Gaiman é um dos meus autores queridos, que me deixam feliz e com vontade de guardar pra depois, quando encontro alguma coisa que ainda não li. Foi o caso com The Absolute Sandman. Sorte que ainda existem mais dois volumes e vááários spinoffs. E espero que nunca acabem.

"What power would Hell have if those here imprisioned were not able to dream of Heaven?"

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Esta é uma resenha para o Desafio Literário do Tigre 2014, do blog Elvis Costello Gritou Meu Nome. O tema de Junho é "Autores Queridos": ler e resenhar um livro de algum autor que você adore. Para saber mais sobre o desafio, entre na fanpage ou saiba mais no blog.

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Bichos: Até Mais, e obrigado pelos peixes!

Para o desafio deste mês, cujo tema é “Bichos”, decidi ler “Até mais, e obrigado pelos peixes!”, 4º livro da série do Guia do Mochileiro das Galáxias, de Douglas Adams. Escolhi este livro porque já tinha lido os três primeiros e pretendia terminar a série. Disse pretendia porque não sei se pretendo mais. Os dois primeiros livros foram, para mim, meio que amor à primeira página; mas não posso dizer o mesmo do terceiro e do quarto.

O livro conta o retorno de Arthur à Terra, que, ninguém sabe como, voltou ao seu lugar e ao momento de onde tinha parado, quando foi destruída pelos Vogons. Então, o livro inteiro se passa na Terra, contando como o personagem mais chato da série — que por um infeliz acaso vem a ser o protagonista — volta à sua casa, depois de oito anos no espaço. É claro que Arthur foi criado para ser um personagem certinho, britânico, chato e, por isso mesmo, ser engraçado o fato de justamente ele ter sobrevivido à destruição da Terra e ter ido parar no espaço. Só que não é nada engraçado, nem mesmo interessante, quando ele volta pra casa e tenta recomeçar a vida normal, por menos normal que ela seja agora.

O terceiro livro já é chato o bastante, mas pelo menos se passa no espaço e tem aquelas curiosidades sobre o universo que Douglas Adams inventava, o que torna o livro suportável. Neste 4º livro, quase não existem essas curiosidades, só uns poucos verbetes do Guia do Mochileiro, a dúvida sobre o que aconteceu com a Terra, que voltou, e uma história romântica. Fora que não aparecem mais os outros personagens: Zaphod Beeblebrox, nem Trillian; Ford Prefect aparece pouco e Marvin, o melhor personagem, aparece em UMA cena. Talvez a cena que faz o livro valer um pouco a pena.

Não sei, acho que o livro era mesmo para ser assim, diferente dos outros, mas confesso que eu não gostei. Pareceu-me que a criatividade acabou, que não houve mais o que explorar naquele universo. Talvez, um dia, eu leia o 5º — e último, pelo menos dos escritos por Douglas Adams, porque fiquei sabendo que Eoin Colfer, autor da série Artemis Fowl, escreveu um 6º: “E tem outra coisa”. Nada contra outros autores darem continuidade a séries famosas, mas eu li o primeiro volume de Artemis Fowl, muitos anos atrás, e odiei. Nunca entendi como a série está por aí, fazendo o maior sucesso.

No mais, foi muito triste não ter gostado do livro, porque gosto muito da ideia toda da série e sou fã de Douglas Adams. Mas valeu para cumprir o desafio.

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Esta é uma resenha para o Desafio Literário do Tigre 2014, do blog Elvis Costello Gritou Meu Nome. O tema de Maio é "Bichos": ler e resenhar um livro que tenha algum bicho no título. Para saber mais sobre o desafio, entre na fanpage ou saiba mais no blog.

terça-feira, 15 de abril de 2014

Hype do Momento: A Guerra dos Tronos

Para este desafio de abril, o objetivo era pegar um bestseller, ler e resenhar. Escolhi A Guerra dos Tronos, o primeiro volume da tão idolatrada série de George R. R. Martin, As Crônicas de Gelo e Fogo, mais conhecida como Game of Thrones, título da série de TV. Quando vi o tema deste mês, decidi logo que leria este livro, que era minha chance, de uma vez por todas.

Fazia tempo que eu queria ler, mas tinha começado três vezes o primeiro livro e sempre achava chato. E via tanta gente falando e achando o máximo que comecei a achar que o problema era eu. Aí me forcei a ler; já que, até pra criticar, é bom a gente saber do que está falando. Acabou que o problema mesmo era passar do capítulo chatíssimo em que Daenerys é apresentada a Khal Drogo, pra poder engatar a história. Fica bem melhor depois que começam as intrigas e as guerras. A propósito, podem me apedrejar, mas achei Daenerys uma das personagens com histórias mais chatas. Juntamente com Bran, talvez. Mas acho que a história dela deve melhorar nos próximos.

O livro, não achei essas coisas todas; só uma história agradável de ler, nada que exija demais da pessoa (a não ser tempo e paciência, porque, ô série longa dos infernos!); uma boa história, bem crua, sem meios termos, bem completa. Os personagens são mais complexos e bem construídos que em quaisquer outras séries épicas, que geralmente dão mais atenção à história que à construção de personagens. A narração, por sua vez, é demasiadamente descritiva e meticulosa; há momentos em que você perde a paciência, joga o livro pro lado e vai fazer outra coisa. Não tem pontas soltas, mas também não tem pontas amarradas; talvez porque não há muito o que amarrar, sei lá. Dá a impressão de que o autor vai narrando, escrevendo, em cima de um roteiro mais ou menos certo, e pensa "ah, vou matar fulano agora". Na minha humilde opinião de quem só leu o primeiro livro, achei muitos acontecimentos desnecessários e só uma ou duas vezes senti fecharem ciclos de verdade. Talvez não fechem por não ser intenção do autor fechar nada; não ser intenção deixar uma história certinha e bonitinha, para, em vez disso, ser mais realista. Do tipo que você pensa: "nossa, e agora, como fulano vai fazer para sair dali?" e fulano termina não saindo, afinal. Com o tempo, você para de pensar assim e começa a pensar mais: "é agora que ele morre?"

No fim, achei que o livro é um bom começo. Dá vontade de ler os próximos, apesar de eu não sentir aquela excitação que todo mundo sente, não tanto quanto outras séries de livros que eu já li. Enfim, se tem uma coisa que eu sempre soube d'As Crônicas de Gelo e Fogo é que são livros menos fantasiosos e mais inusitados que a maioria das séries épicas. E que a única certeza que a gente tem é de que todo mundo vai acabar morrendo. Se não neste, nos próximos livros.



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Esta é uma resenha para o Desafio Literário do Tigre 2014, do blog Elvis Costello Gritou Meu Nome. O tema de Abril é "Hype do Momento": ler e resenhar um livro que todo mundo esteja lendo, no momento; um bestseller. Para saber mais sobre o desafio, entre na fanpage ou saiba mais no blog.

domingo, 30 de março de 2014

Filme ou Livro?: Laranja Mecânica

Já tinha assistido ao filme de Kubrick, há alguns anos, e sempre pensava em ler o livro, mas ficava de ler, ficava de leeer e nunca colocava o plano em prática. Está certo que eu nem tinha o dito-cujo, mas isso era fácil de arranjar. Certo dia, fui à livraria e vi essa edição linda e fiquei louca, pensando seriamente em comprar. Terminei comprando mesmo, só que de presente para um amigo, de aniversário. Confiava o bastante no livro, afinal o filme já era genial. Então, apareceu a oportunidade para ler, no desafio, e eu peguei emprestado do meu namorado e li. Não a edição linda, pela qual me apaixonei, mas foi uma edição legal; com um prefácio legal, nota do tradutor e o glossário atrás. Mas eu não o usei. Não muito. Não a hora toda. OK, só algumas palavras.

Laranja Mecânica, de Anthony Burgess, é uma história narrada por Alex, um adolescente vivendo num ambiente futurista, com gírias próprias e uma tendência grande à violência. Quando Alex é preso, ele vira uma cobaia do governo numa experiência de lavagem cerebral e suposta "cura" da violência. A quem já viu o filme, não tenho muito mais a dizer; não é um daqueles livros cujo filme muda tudo e faz uma bagunça com a timeline da história. Pelo contrário, o filme enriquece ainda mais a obra, como se ela já não fosse rica o suficiente. Tirando uns poucos detalhes, como a idade de Alex, o protagonista, e seus amigos (no livro, eles têm uns 15, 16 anos; no filme também, mas Malcom McDowell tinha 28 quando interpretou Alex), assim como o final da história, o filme só tem mesmo a acrescentar.

Sobre o final da história, como fiquei sabendo no prefácio, há uma explicação para ter sido diferente. A edição britânica, e original, do livro tem 21 capítulos. Nos EUA, o livro foi publicado com 20 apenas; e foi esta versão que acabou virando filme. Alegaram que "por razões conceituais", o final original mais "otimista" não fazia sentido. Pessoalmente, eu gosto mais do final americano; mas entendo o final de Burgess. Entendo o motivo de ele ter escrito o final daquela maneira, de que o livro inteiro trata da passagem de Alex da adolescência para a idade adulta e que essa maturidade só se completa com o último capítulo. Para o contexto todo, de amadurecimento do personagem, acho justo os 21 capítulos. Mas, como história, e excluindo toda a questão que Burgess quis abordar, prefiro o final do filme. Poderia destrinchar mais um pouco o meu pensamento, mas não encontrei uma maneira de fazer isso sem ser spoiler; ainda mais porque eu teria que falar sobre o último capítulo, o que só existe no livro, que nem todo mundo que gosta do filme leu. Então, vamos considerar apenas que prefiro o final do filme.

O livro, assim como o filme, é estranho e viciante. Tem aqueles neologismos, as gírias nadsat, que são muito mais complicadas quando você está lendo, do que no filme, quando se tem imagens para ajudar a entender. Mas, depois que você pega o embalo, a coisa flui muito rápido. E você fica com aquelas palavras na cabeça durante bastante tempo. Como se o estranhamento tivesse passado e, de uma hora para a outra, você estivesse naquele mundo. Aquele estranho mundo, num futuro estranho, com palavras estranhas. “As queer as a clockwork orange.”

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Esta é uma resenha para o Desafio Literário do Tigre 2014, do blog Elvis Costello Gritou Meu Nome. O tema de Março é "Filme ou Livro": ler e resenhar um livro do qual você já tenha visto o filme, fazendo as devidas comparações. Para saber mais sobre o desafio, entre na fanpage ou saiba mais no blog.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Julgando pela capa: Bonsai

Eis que fui à livraria, a fim de escolher um livro pela capa, de acordo com a regra do Desafio deste mês. Achei que seria fácil, que era só pegar um livro de capa bonita, criativa, apresentável, e levar pra casa, mas... não consegui. Sei lá, achava um livro de capa bonita, aí lia a sinopse, achava meio nhé e pensava na possibilidade de estar em casa lendo e querer jogar o livro na parede. Passei uma hora só nisso. Foi quando encontrei uma bancada da Cosac Naify, com suas edições lindas de morrer, em promoção. E quis levar tudo. Depois de muita dúvida, muxoxo e palpite do namorado, acabei comprando dois: um só pela capa e outro pela capa e pelos autores. O segundo, achei que não valia para o desafio, então fiquemos com o primeiro.


O livro do desafio deste mês se chama Bonsai. Escolhi este porque a capa não só é linda, como é muito interessante (tem uma marcação pontilhada para você cortar o livro, mas claro que não cortei, antes que venham me xingar) e se torna ainda mais depois que você vai entendendo o livro. É a história de Emilia e Julio; a história do amor deles. Uma história sobre início e fim.

Como é dito no prefácio, "O que acontece é que tudo em Bonsai passa pela literatura". Emilia e Julio são dois jovens estudantes de letras que gostam de ler trechos de livros antes de fazerem sexo (ou 'trepar', como ela prefere chamar), porque achavam que sempre havia algo nos livros que seria inspirador o suficiente. Essa é a parte leve do livro. O fim da relação dá início à parte densa, a parte perdida, que acaba encontrando o final. E até o final passa pela literatura.

Foi uma experiência diferente procurar um livro pela capa, sem conhecer o autor (o chileno Alejandro Zambra, muito bom; inclusive já comecei a catar outros livros dele), e encontrar uma leitura interessante. Gostei bastante das metáforas, do caráter literário, dos personagens, do enredo, do final. A capa sozinha já é um show à parte, como o vaso de um bonsai. O livro é minúsculo, com menos de cem páginas e sem muitos floreios; a história, editada de modo a permanecer pequena, sem sair explorando cenários e personagens secundários. E toda a diagramação é feita de modo a poder tornar o livro uma árvore, que teria de ser podada, moldada e arranjada num belo vaso.

"Um bonsai consta de dois elementos: a árvore viva e o recipiente. [...] A seleção do vaso apropriado para uma árvore é, por si só, quase uma forma de arte."


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Esta é uma resenha para o Desafio Literário do Tigre 2014, do blog Elvis Costello Gritou Meu Nome. O tema de Fevereiro é "Julgando pela capa": escolher um livro levando em conta somente a capa, ler e resenhar. Para saber mais sobre o desafio, entre na fanpage ou saiba mais no blog.

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Na estante: Cem anos de solidão

Dá até vergonha de admitir que este livro passou tanto tempo na minha estante, sem ser lido. Vergonha porque eu adoro Gabriel García Márquez, porque este acabou sendo um dos melhores livros da minha vida e porque eu já havia começado antes, mas foi numa época pesada de prova da faculdade e eu tive que parar no meio. E fiquei com um bloqueio tão grande (acho que causado pela grande quantidade de Josés Arcádios, Aurelianos e Remédios) que, até então, não tinha tido coragem para pegar de novo. Enfim, tomei coragem e acabei de ler. E a mágica aconteceu.


Cem anos de solidão conta a triste história dos Buendía, uma família de pessoas destinadas à solidão. Na fictícia Macondo, vilarejo fundado pelo patriarca da família, cem anos de toda uma linhagem de solitários passam pelos nossos olhos, com elementos fantásticos misturados ao real, até que nos tornamos parte daquela família, percebendo-nos solitários. E, no final da vida, por melhor que ela seja, por melhores que sejam as lembranças, quem não se sentiria solitário? Uma das frases de que mais gostei, acho que foi do primeiro Aureliano (preciso aprender a anotar essas frases, pra não ter que ficar folheando o livro depois, sem achar, desistindo e procurando no Google), foi algo como: “O segredo de uma velhice agradável consiste apenas na assinatura de um honroso pacto com a solidão”. E é isso que eu pensei, ao final do livro: que, no final de tudo, por mais que tenhamos gente à nossa volta, a morte é solitária. E a solidão, assim como a morte, é uma certeza. Por isso, é tão triste.

O livro dá margem a centenas de divagações, mas uma delas, essa nossa sina à solidão, deve ser a mais comentada. Devo ter lido umas dez resenhas sobre ele, depois de ler o livro, em busca de outras opiniões, de aspectos do livro que eu não percebi, e é incrível a quantidade de pensamentos diferentes, de perspectivas. É um livro muito rico em características psicológicas, em construção de personagens, em análises de consciência. O que não se espera de um livro com tantos personagens, com tanta história.

E, a respeito do desafio, só me sinto muito feliz em ter tirado este livro da minha estante para a minha vida. É um daqueles poucos livros capazes de mudar um pouco nossa maneira de enxergar as coisas. Um dos livros que mudam a nossa vida.

"O mundo era tão recente que muitas coisas careciam de nome e, para mencioná-las, se precisava apontar com o dedo"
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Esta é uma resenha para o Desafio Literário do Tigre 2014, do blog Elvis Costello Gritou Meu Nome. O tema de Janeiro é "Na estante": ler e resenhar um livro que esteja há muito tempo na sua estante, esperando para ser lido. Para saber mais sobre o desafio, entre na fanpage ou saiba mais no blog.

Desafio Literário do ano

E este blog, que andava encostado pelos cantos, preguiçoso, volta à vida. Antes tarde do que nunca, resolvi tomar coragem e começar a participar deste desafio literário proposto pela @tadsh, do blog Elvis Costello Gritou Meu Nome, que consiste basicamente em ler. É um desafio para o ano inteiro de 2014, que vou tentar concluir, diferentemente do que fiz com os últimos desafios deste blog, e que também vai animar um pouco as minhas leituras, que andavam meio atrasadas, neste começo de ano. Acabou que tive tanta coisa pra fazer durante o dia que, à noite, ou lia ou dormia. Mas, vamos lá, tirar essa poeira da estante e começar o ano de verdade.

Em cada mês, nós teremos um tema diferente sobre o que ler. Claro que podemos ler mais que isso; o importante é ler um livro do tema no mês correspondente. Aqui vai a lista:


Janeiro: Na estante
Fevereiro: Julgando pela capa
Maio: Bichos!
Agosto: Risos
Setembro: Música!
Outubro: Amor
Novembro: Brasileiro
Dezembro: Guilty Pleasure

No post do Desafio, tem uma explicação detalhada sobre cada tema. Para aqueles que quiserem participar, não precisa ter um blog, nem fazer resenha de livro. O importante é ler; você pode participar com fotos, citações ou comentários dos livros no Instagram, Twitter, Facebook ou sei lá o quê, usando a hashtag #DLdoTigre. Por sorte, já cumpri o de janeiro, sem querer. Então, agora é correr para escrever o post de janeiro e já ir escolhendo o livro de fevereiro.

Atualização: Só para constar aqui: faz algum tempo, existe a fanpage do blog Do Fundo do Mar no Facebook. Para não perder nenhuma novidade daqui, é só curtir lá. E vamos começar o ano com tudo.