sexta-feira, 19 de julho de 2013

Desilusões

É difícil manter o ânimo quando nada dá certo. Quando você colocava toda sua fé numa última esperança e ela começa a dar sinais de fracasso. Nunca consegui entender como planos que têm tudo para dar certo conseguem dar tão errado; como uma coisa que parecia tão certa termina não sendo tão certa assim.

Agora, só resta começar de novo. Mais uma vez, de novo. Como uma criança, na beira do mar: nem bem consegue ficar de pé, uma onda vem e a derruba de novo. E ela se levanta. Porque ficar ali, caída, só vai fazê-la engolir mais água.

Talvez, uma vez de pé, ela consiga se firmar e vencer as ondas. Ou cair mais uma vez. Não é a primeira, nem será a última.

"As they tear your hope apart

As they turn your dreams to shame"
Imagem: GettyImages
Música: I dreamed a dream

terça-feira, 16 de julho de 2013

Resenha: A Obscena Senhora D

Quase me envergonho de ter demorado tanto tempo para acabar de ler este livro: ele tem só 90 páginas. Fora que é aquele tipo de livro sem capítulos, escrito num fluxo incessante de pensamentos, que torna difícil retomar a leitura, depois de interrompida, mesmo que por apenas alguns minutos. O problema é que essas interrupções aconteceram com bastante freqüência, esses dias. Coisas da vida.

A história é sobre Hillé, ou senhora D. D de “derrelição”, ou abandono, solidão. É uma mulher de 60 e tantos anos que perdeu o marido e — não se sabe se por isso ou pela própria personalidade dela — começou a apresentar sinais de insanidade, chegando a assustar os vizinhos. E a senhora D passa o livro divagando, fazendo questionamentos e considerações sobre a vida; às vezes bem malucos, mas bastante interessantes. Uma mulher incomum para a época, uma mulher que pensava e, mesmo quando ainda era jovem e sã, acabava por afastar as pessoas, por causa das suas incômodas perguntas sobre o sentido da vida.

A maior dificuldade na leitura era descobrir quem diabos estava falando, naquele momento; se a senhora D, o marido dela, o pai, os vizinhos, Deus... Os vizinhos eram os mais fáceis; eles não eram adeptos de grandes filosofias, ao contrário do resto. Como bem disse a pessoa que fez a sinopse da edição que eu li, há uma grande economia de recursos na escrita. O que eu devia odiar, visto que adoro textos bem redondinhos, parágrafos, travessões, parênteses. Mas terminou que eu achei uma das grandes sacadas. Não apenas ficou um formato interessante — uma coisa meio “poesia em prosa” —, como também ilustrou a loucura da personagem principal. Como se tudo se passasse dentro da cabeça dela, numa confusão que só faz aumentar ao longo do livro. A narrativa e o livro inteiro terminam sendo tão loucos quanto ela.

Então, você inicia o livro meio tonto e sem entender nada de nada. E talvez passe boa parte do livro assim. E vai embarcando nas loucuras e bizarrices da senhora D, rindo dos palavrões, achando graça dos sustos que levavam os vizinhos, nas vezes que ela abre a janela. Até perceber que é uma história bem triste. Sobre derrelição, ou abandono, solidão.

Essa foi a minha primeira experiência com Hilda Hilst e eu só fiquei pensando se os outros livros dela são tão tristes e loucos quanto este. Pelo sim ou pelo não, pretendo procurar outros dela, porque achei fantástico.

* A todos aqueles que acham que o Brasil não tem escritores excelentes, vale lembrar que ela é brasileira.

domingo, 18 de novembro de 2012

Para recordar: Um mundo em duas palavras

Duas pessoas diferentes. Duas pessoas que se completam.


Um conto sobre palavras: não ditas, a dizer, faladas até a exaustão. Palavras escritas. Um conto sobre convivência, defeitos e compreensão. Um conto sobre amor. Um amor real, não aquele dos contos de fada. Um amor que resiste ao tempo. Um amor que existe. Um amor em que eu acredito.


Comentem. Compartilhem. Amem.

Imagem: Flickr

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Ali adiante

Ali adiante: uma casa. Casa grande, rodeada de árvores frutíferas. Em boas épocas, podia-se ver a mangueira carregada, muitos cachos de jambo, goiabas enormes e o chão repleto de azeitonas roxas que se espatifavam de maduras. As lagartas-de-fogo infestavam o cajueiro, à procura de cajus maduros. Em época de aulas, terminava o dever de casa rápido e brincava de subir nas árvores. Nas férias, a brincadeira começava mais cedo. Lembro bem de todas aquelas árvores altas, iluminadas por um dia de sol. Mas me encantavam especialmente as gotas de chuva pingando das folhas verde-claras e o tronco escuro e escorregadio do pé de carambola.

Havia um campo de areia fina e cinzenta. Quando chovia, formava uma poça enorme cor-de-lodo que nunca atrapalhou os jogos de queimado, mas que fazia o estoque de remédio para bicho de pé na casa aumentar. Quando era tempo de sol, marcávamos campeonato de vôlei nas sextas-feiras à noite. Ou jogos de futebol de areia nas tardes de férias. Ou campo minado, enterrando mini-bexigas coloridas cheias de água, antes de brincar de barra-bandeira, só de sacanagem.

Havia também um parquinho, instalado quando eu tinha pouco menos que três anos de idade. Era todo colorido, uma gangorra azul, um balanço verde, um escorregador vermelho. Foi palco de muitas brincadeiras, com os irmãos, os primos, os vizinhos e os amigos de escola. A gangorra quebrou, depois de alguns anos de uso e uns quilos a mais de cada lado. O escorregador oxidou, depois de alguns anos de chuva. O balanço resistiu ao tempo e funcionava bem, apenas rangia demais, na última vez em que tentei balançar, antes de ir embora para sempre.

Ali adiante: uma árvore, um balanço, um campo de areia. O cenário de uma infância que foi feliz, mesmo que todas aquelas cores tenham desbotado com o passar do tempo.



"All alone with the memory
Of my days in the sun"*

Imagem: stock.xchng
Música: Memory

domingo, 11 de novembro de 2012

Para recordar: Relato de um assassino

Houve aquele dia em que você quis matar alguém. Talvez não tenha pensado nisso seriamente, ou não teve realmente vontade de matar; apenas sentiu muita raiva. Ou talvez tenha tido tanta vontade que até calculou as melhores maneiras de cometer o assassinato, maneiras de fazer sofrer, de fazer sumir... Mas não o fez.

Esse conto é sobre alguém que fez.



Curtam. Comentem. Compartilhem.