sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

5 livros para presentear crianças

Quem costuma ler sabe o quanto é importante o hábito de leitura na vida de uma pessoa. Ler com frequência expande vocabulário, melhora as habilidades de escrita e o conhecimento geral, além de estimular a criatividade. Se isso já é bom para um adulto, imagina para uma criança? Poder crescer viajando vários mundos, conhecendo outras realidades e ainda ir tirar boas notas na escola.

O que acontece é que muitas vezes os livros passados para ler na escola não são interessantes para elas. Por serem livros antigos, por não serem interessantes para idade ou até por não gerar afinidade entre elas, os livros da escola podem gerar uma rejeição à leitura, tornando o ato de ler tão sofrido como estudar matemática. Uma obrigação chata. E isso precisa mudar; elas precisam entender que ler pode ser prazeroso. É só escolher os livros certos.

É aí que nós entramos. Nós, como pais, tios; exemplos de gente que gosta de ler e apresenta livros legais. De tia chata que dá livros de presente, eu viro a tia legal com quem eles podem conversar sobre o que estão lendo.

Certo, mais quais livros?

1. Harry Potter e a Pedra Filosofal (Saga Harry Potter) - J. K. Rowling 

Como não podia deixar de ser, o primeiro da lista é Harry Potter. Dei um de aniversário de 11 anos a um de meus sobrinhos e ele já leu metade da saga inteira em menos de 1 ano.

Eu não comecei a ler com Harry Potter, é claro. Li a saga com uns 13 anos e muitos livros lidos. Na nossa época, ler era um hábito estranho, coisa de nerd. Mas, hoje em dia, é até mais fácil, porque Harry Potter virou filme e despertou o interesse das crianças para os livros.

É um livro que eu indico para qualquer idade porque, mesmo sendo um livro de fantasia, trata de política, preconceito, amizade. Você nunca vai se arrepender de presentear uma criança com um Harry Potter.

2. A Droga da Obediência (Os Karas) - Pedro Bandeira

Esse é meu queridinho, dos primeiros livros que eu li. Pedro Bandeira escreveu uma série de livros sobre adolescentes comuns que criam um grupo secreto. Nessa primeira história, eles acabam se envolvendo na investigação de desaparecimentos estranhos no colégio. Nos demais livros (são 6), eles se envolvem em outras investigações.

Eu sempre quis ser um dos Karas, quando era mais nova. Isso cria uma identificação e faz com que a gente adore os personagens. E isso deixa a leitura divertida.

 


3. Coleção Vagalume

Com livros como O Escaravelho do Diabo, O Caso da Borboleta Atíria (ambos de Lucia Machado de Almeida), Um Cadáver Ouve Rádio e O Mistério dos Cinco Estrelas (ambos de Marcos Rey). Histórias protagonizadas por crianças e adolescentes com muito suspense e aventura.

Essa coleção foi uma grande responsável para que eu começasse a gostar de ler. Nos recreios ou na saída do colégio, eu sempre ia à biblioteca e alugava um deles. Às vezes, repetidos.


4.  O Hobbit - J. R. R. Tolkien

"My precious"

O Hobbit é uma história escrita antes d'O Senhor dos Anéis e que se passa uns anos antes, quando Bilbo encontra o Um Anel. Um livro que se passa em um mundo diferente, A Terra Média, com magia, seres fantásticos, elfos. A narrativa é mais simples e ágil, mais fácil de prender uma criança ou adolescente que esteja querendo ler.

Eu confesso que só li O Hobbit depois de ler O Senhor dos Anéis, mas recomendo sempre para quem não leu a começar por ele.

 

5. Percy Jackson e o Ladrão de Raios (Saga Percy Jackson e os Olimpianos) - Rick Riordan

Outro de fantasia, dessa vez sobre mitologia grega.

Percy Jackson é um adolescente que nunca se adaptou bem às escolas que frequentava, mas nunca soube por quê. Um dia, ele descobre que é um semideus. Nas histórias, ele se envolve em várias lendas gregas, personagens da mitologia, heróis, deuses, ninfas, sátiros e muitos monstros.

É legal porque Riordan conta as histórias da mitologia grega sob uma visão moderna. Dessa maneira, é possível aprender sobre mitologia enquanto a gente lê os livros.

Só esqueça que fizeram dois filmes da saga, porque são horríveis.

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E então? Gostou das dicas?
Quais outros livros você daria a uma criança ou adolescente que está começando a ler?

quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

Desafio Literário 2019: Literature-se


Todo início de ano, eu venho aqui falar do Desafio Literário que eu vou seguir durante o ano. Nos anos anteriores, eu segui meu próprio Desafio, por não encontrar nenhum que me agradasse e porque queria lançar meus próprios desafios. Este ano, porém, resolvi fazer diferente. Tanto para me incentivar mais, por ter mais leitores participando, mais livros, mais sugestões... Quanto para me desafiar a ir atrás de novas perspectivas de leitura, novos temas, novas ideias.

Tenho seguido os Desafios bem capengamente, por vários motivos. Um deles é porque não consegui ler muito, por estar me dedicando a escrever meu romance. Outra é porque me mudei no meio do ano passado e acabei sem tempo de ler os livros que tinha separado pro Desafio. Acabei lendo outras coisas e comprando livros no Kindle. Estou ainda sem meus livros físicos, porque não consegui trazer muita coisa pra casa nova.

Enfim, o desafio que eu escolhi é do vlog Literature-se, da Mell Ferraz. Mell é uma booktuber que comecei a seguir recentemente, depois de ficar órfã da booktuber que eu adorava (e que acabei descobrindo que era eleitora do omi e aí não dá, né?). Foi então que comecei a procurar booktubers legais e cheguei na Mell.

A parte boa disso é que encontrei vários blogs e vlogs literários nesse processo e autores brasileiros que estão escrevendo seus romances, como eu. E eu quis fazer parte disso tudo mais uma vez, quis voltar aqui e retomar minhas resenhas, meus textos e meus leitores.

Então, sem mais conversa, segue a lista do Desafio:

1- Uma história muito conhecida (nem tanto pelo livro)
2- Tragédia
3- Bildungsroman
4- Folhetim
5- Literatura gótica
6- Literatura fantástica
7- Distopia
8- Roman à clef
9- Intertextualidade
10- Nouveau roman
11- Contos
12- Poesias


Os itens são bem teóricos e a intenção é essa mesmo, conhecer conceitos e novos estilos. Estudar um pouco sobre movimentos literários. Para mais informações e dicas sobre o Desafio, é só clicar AQUI.

E vamo dar início ao ano? Vamo!

sexta-feira, 27 de julho de 2018

Diário de Escrita

Houve um tempo em que eu preferia escrever à mão, com papel, lápis e borracha. Às vezes, caneta. Pegava um caderninho, folhas de fichário e me trancava no quarto para escrever. Minhas primeiras histórias foram escritas assim. Até que eu comecei a aperfeiçoar minha escrita e percebi o quanto era difícil fazer a revisão com papel e caneta. Botava um asterisco onde queria escrever mais, páginas a mais no meio do parágrafo, grampeava em cima, fazia anotações nas entrelinhas, colava post its. O negócio virava uma maçaroca horrível de organizar depois. Foi quando comecei a passar as histórias para o computador e, tempos depois, escrever direto nele. E percebi que as ideias fluíam melhor assim, porque a gente digita muito mais rápido e os pensamentos não se perdem no caminho.

Então, parei completamente de escrever à mão. Até agora.

Veio essa moda dos bullet journals. Eu sempre adorei enfeitar caderninhos, mas nunca me interessei por fazer nada do tipo: diários para acompanhar os dias, monitorar humor, planejar a semana. Apesar de precisar urgentemente de um planejamento. Mas sabia que não teria tempo, paciência e seria um hábito que eu tenderia a largar logo.

Até que vi Thiago d’Evecque (inclusive recomendo demais o blog dele #FollowFriday) falando sobre Diário de Escrita. Mas o que é isso?


É um acompanhamento diário de qualquer coisa que você esteja escrevendo. Pode ser de várias formas: em um caderno, no blog, no vlog, no Instagram, na Página de Facebook, no Word, no bloco de notas, com texto corrido, itens, imagens, listas, vídeos. No Google, você pode encontrar vários tipos diferentes de Diário de Escrita e escritores dando dicas de como fazem.

Para acompanhar e incentivar o desenvolvimento do meu segundo livro, eu resolvi começar um Diário de Escrita. Como senti saudade de escrever à mão, peguei um caderninho, comprei uma caneta bonita e comecei a trabalhar nele. Data em cima, texto corrido falando sobre o que eu escrevi, o que pretendia escrever, os personagens, a trama, o roteiro da história.

Mas para que eu estou fazendo isso?

Então, eu tenho tido com este livro mais dificuldade que com o primeiro. O Diário de Escrita tem servido como alívio criativo, onde eu vou vomitar meus conflitos, as dúvidas em relação à história, frustrações e tudo o que eu acho que esteja me travando. E também o que me liberta.

Gosto de colocar o que eu fiz naquele dia que de alguma forma possa ter me inspirado; um passeio com o doggo, uma conversa, uma música, um filme, uma imagem. Coisas que eu posso dar um jeito de repetir em momentos de hiato. Com ajuda do meu Diário de Escrita, já reescrevi a história, já mudei o foco, já formulei outra trama, elaborei um roteiro inteiro.

Além disso, serve também para acompanhar a progressão do livro com marcadores de palavras. Uso um marcador para meta, total diário e total geral de palavras. Assim, também dá para fazer uma relação posteriormente da quantidade que eu escrevi com as informações que eu coloquei no diário. E aprender sobre mim e o que me inspira.

Para quem gosta de bullet journal, dá pra fazer uma graça com marca textos, fitas adesivas, adesivos, imagens. Por enquanto, o meu está bem normalzinho, porque mal tenho tempo de escrever mesmo. Eu só grifo as coisas mais importantes, úteis, para ser mais fácil de encontrar depois.

Enfim, se você é escritor, o Diário de Escrita é uma ferramenta interessante para acrescentar no seu hábito de escrita. Eu achei uma boa dica quando descobri. Espero que vocês também achem.

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E então? Gostou da postagem?
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quinta-feira, 28 de junho de 2018

Sobre vida

Encerrei mais um capítulo do romance, ou o primeiro esboço dele, sem saber que horas eram. Não era noite mais, apesar de ainda ser escuro. As noites estavam cada dia mais longas, invadindo o tempo das manhãs. Regulando o sol, que, quando resolvia aparecer, parecia nunca estar completamente acordado. Não podia censurá-lo; devia ser difícil despertar de uma madrugada como aquela.

Deixei os olhos vagarem por alguns momentos para fora do papel: a mesa de madeira escura, o copo de cerveja pela metade, as prateleiras de bebida. Evitei apenas o olhar do moço de trás do balcão. Ele já havia polido todas as garrafas da estante, limpado o balcão, as mesas, e lavado todos os copos. Não me importei.

Mais um papel em branco me aguardava, impaciente. Faltava algo, algo importante, algo que eu tinha deixado de escrever. O papel o exigia, em seu branco imponente e gélido. Tomei mais um gole da cerveja, que apesar de fria, oferecia mais calor que o papel.

As pessoas eram bonitas, sempre bonitas, nas minhas histórias. Seria isso o irreal? Pessoas comuns não são bonitas; têm narizes grandes, olhos pequenos, celulite, acne, pelos. Mas penso que nós somos mais do que as partes que nos formam. As pessoas são bonitas porque outras acham que sim, porque o conjunto faz sentido; não porque fazem parte de qualquer padrão.

O cenário também não podia ser; era tão real quanto o bar em que eu estava, cujo clima emprestei a algumas cenas. Escolhera também a trilha sonora perfeita. Mas não bastava. Faltava a história que sai do papel e dança e caminha sozinha. A minha história não caminhava sozinha, visto todo meu esforço daquela noite para que engatasse uma caminhada meio manca. Não engatou e eu quis amassar tudo e jogar pela janela. Ou na cara do moço do balcão.

Cansei de evitar seu olhar e encarei-o. Para minha surpresa, não tinha a expressão carrancuda de quem não via a hora de fechar o bar. Em vez disso, ele sorriu para mim. Um sorriso compreensivo. E voltou a seus afazeres, como se ainda não tivesse terminado.

Há quanto tempo não via um sorriso? Enterrada em mim mesma, há quanto tempo não via nem sequer um rosto amigo? Por isso tinha ido ao bar, por isso não queria voltar para casa, sufocada na solidão e a escuridão do meu abajur. Histórias eram sobre vida. Palavras eram seres vivos. O silêncio as espantava e o vazio as matava. Nada poderia vir de nada.

Era o que havia de errado com minha história. Faltava vida. A minha.

"You're walking meadows in my mind,
Making waves across my time

What a strange magic"

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Imagem: Flick - Creative Commons
Música: Strange Magic - ELO

sexta-feira, 22 de junho de 2018

Resenha: O Nome do Vento

Comecei a ler este livro sem nenhuma expectativa. E se tornou uma boa surpresa.

O Nome do Vento é o primeiro livro da trilogia "Crônicas do Matador do Rei", de Patrick Rothfuss. A história se passa num mundo ficcional conhecido como Quatro Cantos da Civilização. O protagonista é Kvothe, um personagem misterioso e muito inteligente, músico, artista itinerante de uma espécie de grupo de ciganos e aprendiz de mago. E, na ocasião do início do livro, taberneiro.

No início do livro, o narrador é em terceira pessoa e nos conta sobre os atuais tempos difíceis e perigosos, onde demônios e saqueadores estão à solta pelas estradas e poucos mantimentos chegam às cidades. Até que um personagem entra na história e se inicia a narrativa em primeira pessoa, em que Kvothe nos conta sua história.

Minha parte favorita é quando ele chega à Universidade e começa a virar uma lenda no lugar. Ele é jovem demais para entrar, mas aprende tudo muito rápido, motivo pelo qual os mestres de lá permitem que ele ingresse na instituição e tenha oportunidade de virar um Arcanista. Nesse meio tempo, ele faz amigos, inimigos, comete muitas imprudências, salva pessoas e vai se delineando, assim, sua fama de herói.

Com a narrativa em duas pessoas, o autor nos oferece uma diversificação de ponto de vista. No narrador em terceira pessoa, ele nos dá uma visão mais real do que se passa. Quando Kvothe começa a narrar, percebemos uma queda na imparcialidade, conforme ele mesmo avisa que vai narrar as coisas do jeito dele.

"As melhores mentiras a meu respeito são as que eu contei"

No entanto, ele é um artista. A narrativa ganha em poesia e envolvimento, porque as impressões do mundo conforme a maneira que Kvothe o enxerga é encantadora. Uma passagem que eu gosto é quando ele descreve a moça por quem ele é apaixonado: ele a chama de linda, mas outro personagem contradiz, afirmando que ela tem nariz torto e que o rosto é fino. E ele rebate, dizendo:

"Somos mais do que as partes que nos formam"

Dessa forma, o Kvothe experiente que conta a história mostra uma sapiência que eu apreciei bastante. Outra parte interessante é quando o jovem Kvothe reclama de algumas atitudes dessa moça e um sábio dono de taberna declara que ele não pode julgar o que uma mulher faz na sua luta para sobreviver. Tentei explicar essa parte para minhas amigas, mas não sei se consegui fazê-las captar direito, porque não estavam inseridas naquele mundo como eu estava.

Não que eu não tenha torcido o nariz para várias outras passagens; por ser uma fantasia épica, somos obrigados a contar com uma realidade de época bastante desfavorável às mulheres. Mas tentei ler sem preconceitos e com o máximo de discernimento.

Então, eu adorei o primeiro volume e ele entra no Desafio como o meu livro "Fantástico". Pretendo ler outras coisas antes de entrar no segundo. E também no spin-off sobre outra personagem, que eu achei bem interessante. Porque não gosto de ler séries de uma vez.

Inclusive, eu disse acima que comecei a ler o livro sem nenhuma expectativa. Menti. Eu esperava que, por ser uma trilogia iniciada há tanto tempo, já teria um final. E não tem. Faz seis anos que o autor finge escrever o terceiro livro. Estou arrasada por ter me metido nessa de esperar por autor de novo.

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