quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Choices and changes

Não é estranho quando você não encontra muitas coisas que você gostaria de fazer na vida. Quando você para e pensa que só há aquele caminho a seguir, que aquele é seu objetivo, seu destino. E não pensa em mais nada. Acho que esse é o curso natural das coisas, a maneira como todas as pessoas pensam ou sentem. Isso não é estranho. Estranho é quando você consegue pensar em pelo menos cinco coisas que você gostaria de fazer, cinco caminhos diferentes a percorrer. Todos lindos, todos diferentes, e você tem que escolher um. Cada um mais cheio de desafios que o outro.

Eis que você, finalmente, escolhe um. Porque, na vida, a gente precisa escolher e cada escolha é aquele famoso paradoxo: você escolhe uma coisa e deixa as outras irem. E a gente precisa ser feliz com o que escolhe. Exceto quando, depois de muito tentar, não consegue.

Então, sempre há tempo para voltar atrás. E acho que é isso: estou voltando.

"Turn and face the stranger"

domingo, 25 de outubro de 2015

Olhares e desencontros

Alguns olhares dizem mais que palavras e gestos. Foi o que ela sentiu, enquanto negava a si mesma o direito de deixar seus olhos fazerem o que tinham vontade. Mas por que não? Por que impedir e tolher esse direito que eles tinham, de olhar e procurar respostas? Foi algo que começou muitos anos atrás. Uma casa de campo, duas pessoas jovens demais para saberem lidar com o que quer que acontecesse. E nada aconteceu. Jovens demais, como eu já disse.

Mas olhares desencontrados continuaram acontecendo. Perturbando a paz e o equilíbrio. Um jantar, alguns shows, uma formatura, um casamento. Alguns esbarrões e vários desencontros. Ela solteira, ele noivo. Ele solteiro, ela namorando. Ela solteira, ele casado. Desencontros e olhares. Que ela não podia deixar se aprofundarem mais porque ele era agora casado. E não havia nada, afinal. Nada que lhe desse esperanças ou expectativas concretas. Eram apenas olhares.

E cada um seguia sua vida, nunca nem pensando em nada disso. Cada um para um lado; lados opostos da cidade, lados opostos da vida. Nunca lembravam de nada, um do outro. Apenas quando mais desencontros e olhares aconteciam. Nenhum toque, nenhuma palavra. Nenhum sorriso ou mesmo reconhecimento. Apenas olhares e a fuga deles. Então, algo acontecia, mas ninguém sabia exatamente o que era. Então, ela voltava a pensar: e se...?

Mas, então, o momento passava e as vidas seguiam. O mundo voltava ao eixo, às coisas reais e que fazem sentido. Nada nunca havia acontecido.



Imagem: Flickr - Creative Commons

terça-feira, 6 de outubro de 2015

Resenha: As Vantagens de ser invisível

Num dia qualquer, no ano passado, assisti ao filme referente a esse livro (inclusive comentei em um post, um tempo atrás) e agora, por acaso, o livro caiu nas minhas mãos. Assim que comecei, só consegui achar que o livro ia ser meio bobo. O protagonista, Charlie, é mais infantil e mais inocente do que aparenta no filme e me dava uma espécie de vergonha alheia, por ficar chorando pelo colégio, em pleno High School. Depois, você termina entendendo a personalidade dele e, afinal de contas, é bom que ele chore. Significa que, naquele momento, não vai explodir de outra maneira.

A história é contada através de cartas, enviadas por Charlie. É como um diário, só que ele envia as narrativas para alguém. No começo, ele fala do único amigo que tinha e morreu e de como está nervoso em começar as aulas no High School, porque tem dificuldade de fazer amigos. Então, ele conhece Sam e Patrick, dois meios-irmãos, e se torna parte do grupo deles. E, como são pessoas de mentes abertas, fora dos padrões, bem diferentes do que ele costumava lidar, Charlie termina vivendo experiências que normalmente não viveria. Ele também acaba ficando amigo de seu professor de inglês, Bill, que passa o ano inteiro emprestando livros para ele ler. E, nesse ano letivo, Charlie vai amadurecendo, aprendendo coisas sobre si, sobre como lidar com pessoas e descobrindo coisas novas.

O livro tinha tudo para ser meio bobo, mas então, à medida que Charlie vai crescendo e se abrindo mais, a gente vai entendendo que as coisas na vida dele, e na cabeça dele, são mais inesperadas do que a gente achava. Uma das coisas que mais me chamou a atenção, nesse livro, foi como as personalidades são mais complexas do que parecem à primeira vista. A segunda coisa que chama a atenção é a delicadeza com a qual o autor escreve coisas, digamos, não muito delicadas. O livro inteiro é de uma delicadeza incrível.

Não é um livro cru, um livro que não usa meias-palavras; ainda assim, é um livro sincero e sem muito rebuscamento. Talvez por isso seja suave, mesmo quando fala sobre problemas grandes; porque não diz diretamente o que a gente quer saber, ao mesmo tempo em que tenta nos mostrar essas coisas. É um livro de descobertas. A gente se descobre, enquanto descobre mais sobre Charlie. Bill termina sendo um mestre e um amigo para todos nós, fazendo com que a gente pense muito nas suas palavras. Sam também tem grandes momentos. É um livro que nos faz pensar sobre amizade, sobre experiências, sobre nós mesmos e em como temos lidado com nossa vida; em como temos deixado nossas experiências nos transformar. Em como temos agido movidos por coisas que nós passamos e se isso é o certo a ser feito.

Pessoalmente, não achei um livro incrível, como já vi muita gente falando. Mas é um livro lindo. Realmente lindo. Ganhou meu respeito.

"Eu sei que tem pessoas que dizem que essas coisas não acontecem, e que isso serão apenas histórias um dia. Mas agora nós estamos vivos. E nesse momento, eu juro. Nós somos infinitos."


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Essa é uma resenha para o mês de outubro do Desafio Literário do Tigre de 2015, do blog da Tadsh: um livro que virou filme. Para saber mais sobre o desafio, entre na fanpage ou saiba mais no blog.

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Good vibes

Estava lendo um texto sobre pessoas que trazem más vibrações. Ao longo da vida, mudei várias vezes meu pensamento sobre a maneira de encarar pessoas ao meu redor. Há muito tempo, eu achava que a gente tinha que se dar bem com todo mundo, não dizer "não" à companhia de ninguém e perdoar tudo e todos. Ou pelo menos, tentar. Depois de um tempo nessa filosofia, senti que ela se virava contra si mesma, enquanto eu acabava atraindo e me esforçando mais pela companhia de pessoas difíceis que pelas fáceis. E virava refém delas. E, de repente, coisas avulsas na minha vida que tinham tudo para dar certo, acabam dando errado. Porque, a gente não percebe, mas algumas pessoas podem sugar toda a sua energia, sua alegria e força de vontade, e realmente nos trazer para baixo. Não são de todo pessoas ruins, são apenas "vibes" com as quais você nem sempre consegue lidar.

Ao deixar para trás todas essas pessoas, percebi que voltei a aceitar as coisas de uma maneira mais simples e tudo começou a ficar mais fácil. Não a vida, mas o modo de lidar com ela. É válido, sim, ter boa vontade e bom humor e tentar olhar as pessoas de maneira menos crítica, sem o impulso de encontrar defeitos em todos. O que não é válido é deixar pessoas que nos fazem mal reinarem em nossas vidas e continuarem por perto fazendo estragos. Então, bem-vindos ao meio termo: olhar tudo sem o olhar crítico, mas apenas se aproximar de pessoas que nos fazem bem, que nos fazem crescer. Você não vai guardar rancor de ninguém, só não é obrigado a lidar com todo mundo. E não será uma pessoa ruim por isso.

A maior lição que eu tirei disso tudo nem foi essa, a de me afastar de pessoas que me fazem mal. Foi que tudo que eu não quero da vida é ser uma dessas pessoas, um sugador de energia, um dementador. O que eu quero são pessoas que têm orgulho de mim e das minhas conquistas, não pessoas que duvidam e digam que eu não sou capaz. E eu também quero ser a pessoa que apoia as escolhas dos meus amigos, a pessoa que vibra e propõe um brinde, no final. A pessoa com muitos defeitos e chatices, mas que eles querem por perto, porque traz algo bom. Eu quero ser essa pessoa.

Aí você me diz que pessoas felizes são chatas. Antes de tudo, vale dizer que há pessoas que fingem ser felizes e fáceis, mas não são. Assim como há as pessoas que estão quietas e sérias, mas que estão em paz. Não demora muito para saber a diferença entre elas. Então, a todos aqueles que, mesmo assim, desprezam as pessoas felizes, só posso dizer que lamento. Vocês não fazem nenhuma falta da minha vida.

"Imagine there's no heaven"

Imagem: Flickr - Creative Commons

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Primeiras palavras

Escrevo histórias. Invento personagens e situações. Às vezes, coloco ali minhas experiências, no papel, na tela do computador. É fácil escrever sobre o que se entende, mas é muito complicado entender-se o suficiente para escrever sobre si. Então, na maioria das vezes, apenas quero me desvencilhar de mim mesma e ser outra pessoa. Se possível, bem diferente; por mais que me entenda, hoje, muito mais do que um dia me entendi. Lendo um livro, a gente pode conseguir essa viagem, de ser várias pessoas ao mesmo tempo. Agora, imagina poder escrever nossos próprios livros, com tudo aquilo que queremos ler. Esse é o meu propósito, meu objetivo.

Há algum tempo, comecei a escrever meu primeiro livro. Na verdade, sempre começo vários primeiros livros, mas pela primeira vez estou terminando um. Provavelmente, ele nunca será publicado; nenhum deles. Se é que vou terminar os outros. Mas a sensação de realização que acompanha o desenrolar de uma narrativa é única.

Acho que nunca estive num momento mais produtivo. Deve ser por isso que este blog anda meio abandonado. Peço perdão. Mas está valendo a pena. Quem sabe, um dia, vocês me leiam por aí. Vamos torcer.

https://www.flickr.com/photos/pedrojesusfotografia/13414753665/




Imagem: Flickr - Creative Commons