terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Resenha: Sangue do Olimpo

Depois de ler essa última parte da saga dos Heróis do Olimpo, eu preciso dizer que voltei a ser adolescente. A saga inteira é escrita para adolescentes e, assim como a primeira, a de Percy Jackson e os Olimpianos, a leitura é fácil e leve. Adoro infanto-juvenis (que hoje chamam de Y.A.), nunca passei dessa fase de vez por outra pegar um livro nesse estilo e devorar em dois dias. Não é uma grande coisa na parte literária, se é isso que te faz pegar um livro para ler. É apenas um livro bastante divertido.

“Sete meio-sangues atenderão ao chamado
Em tempestade ou fogo o mundo terá acabado
Um juramento a manter com um alento final
E inimigos com armas as Portas da Morte afinal”

Para quem não sabe nada sobre Percy Jackson, ele é um semideus, filho de Poseidon, que mora nos EUA e passa as férias num acampamento de semideuses. Vez por outra, ele e outros heróis precisam sair em uma missão para salvar o mundo de algum monstro ou da ameaça de titãs, deuses, gigantes ou tudo isso junto. Neste livro, sete semideuses, incluindo Percy, chegam à Grécia para lutar contra os gigantes que querem despertar Gaia, a mãe-terra, antes que ela acabe com a humanidade. Enquanto isso, dois semideuses e um sátiro têm que levar a Atena Partenos, uma estátua de vinte metros de altura, de Roma para os EUA, para evitar uma guerra entre semideuses gregos e romanos.

Como eu disse, é um livro bem divertido. Rick Riordan trata as lendas da mitologia greco-romana de maneira engraçada e leve; que quem conhece um pouco delas, sabe que não são bem assim. Acho que vale para fazer os jovens se interessarem um pouco em conhecer mais sobre mitologia e conhecer os mitos "verdadeiros". Fora isso, é um infanto-juvenil do gênero de fantasia com tudo o que tem direito: romance, monstros, profecias, personagens engraçados, amizade. Assim como Harry Potter, ou Necrópolis, ou Eragon, ou Crepúsculo. Sem querer comparar essas sagas entre si.

Fiquei um pouco decepcionada com este livro porque o autor deu vários indícios de que algumas coisas iriam acontecer e não aconteceram. Não tenho como explicar isso direito sem dar spoilers. É um final bom para a história, mas me deixou um pouco frustrada. Talvez deixasse o livro muito longo, mas mesmo assim... Tenho algo com finais de sagas. Nunca fico muito satisfeita. Fico pensando se eu escrever uma, algum dia, se vou conseguir ficar satisfeita. Tenho muita vontade de escrever infanto-juvenis. Deve ser por causa dessa minha capacidade de virar adolescente, quando estou lendo, e esquecer de todo o resto. Vai ver nunca cresci.

O Sangue do Olimpo fecha a saga de Percy Jackson, que começou a lutar com monstros no livro O ladrão de Raios, aos doze anos de idade, e acaba nesse com, sei lá, dezesseis. Nesta saga, ele não é o único protagonista e, especialmente neste livro, a história não é contada pelo ponto de vista dele. Achei inclusive que deixaram o personagem um pouco de lado. Mas dá para entender, visto que nos livros passados deram muita atenção a ele e o ponto dessa saga não era fazer um personagem ser melhor que o outro; é justamente mostrar que todos são importantes na mesma medida. Achei uma mudança boa da primeira série. Fica a sugestão para quem gostou de Percy Jackson e os Olimpianos, ou para quem gosta de fantasia, infanto-juvenis, Y.A. ou coisa que o valha.

Essa é uma resenha para o mês de janeiro do Desafio Literário do Tigre de 2015, do blog da Tadsh: um livro divertido. Para saber mais sobre o desafio, entre na fanpage ou saiba mais no blog.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Das coisas que não importam

Há as coisas que não entendo e há as coisas que decidi não entender. E a maior parte do que se passa pela minha cabeça vive oscilando entre essas duas opções. As dúvidas nunca são estáveis; muitas vezes também até acho que entendo. Mas só me engano. Percebi que algumas coisas não são feitas para serem entendidas; ao menos não com o que eu tenho nas mãos, não com a minha breve vivência.

E uma delas tem oscilado mais do que o normal entre o "entendimento", o "não entendimento" e o "não importa". Por fim, fico sempre com o "não importa". Porque não importa mesmo. Não mereço. Não sou obrigada a pensar sobre isso. Não sou obrigada a permanecer em nenhum lugar, se não quiser. E o fato é que, depois de tudo o que eu passei nesses últimos anos, não deveria nem me dar o direito de estar em qualquer situação em que possa escolher não estar.

Você é o que você deseja ser. Se não é, você pode passar a vida tentando. Eu sempre tentei ser aquilo que desejei, apesar de ter duvidado de mim várias vezes. Claro, todo mundo erra. Já me vi em várias situações em que jurei nunca estar e acabei pagando a minha língua. Mas cometer erros é uma coisa. Ser um erro, saber disso e aceitar, acostumar-se com isso, arrumar justificativas para sê-lo, não. Não faço. Entendo a luta, nunca a derrota. Então, não importa. Não entendo. Não preciso entender.

Sério, não preciso. O que preciso mesmo é encontrar gente que também não entenda.


"How many times will it take for me to get it right?"

domingo, 4 de janeiro de 2015

Desafio Literário 2015

Começou mais um ano e eu precisei arrumar outro Desafio Literário para fazer. Confesso que não fui muito bem no desafio do ano passado; por vários motivos, terminei lendo muito pouco no segundo semestre do ano. Enfim, em 2015 pretendo me redimir e completar o desafio, que está parecendo ser mais complexo que o de 2014, visto que serão 24 livros e não 12.

Passei os últimos dias do ano meio desesperada, procurando um desafio novo, porque Tati tinha anunciado que não iria fazer mais o Desafio da Tigre este ano. Aí saí procurando pela blogosfera. Achei vários desafios e nenhum me interessou; talvez por eu não ter nenhuma ligação, nem conhecer nenhum dos blogs que visitei. Então, fiquei imensamente feliz quando Tati mudou de ideia (êêêê!) e anunciou que tinha decidido continuar o Desafio por mais um ano. Estou neste momento quicando de empolgação.

Eis:


A minha meta são dois livros do Desafio por mês (rá, considerando que vou ler outros livros fora os do Desafio). Ano passado, mal consegui ler um livro por mês, quanto mais dois. Mas, como nos anos anteriores eu consegui ler cerca de quatro por mês - e também porque este Desafio dá para encaixar vários livros da minha lista sem endoidar demais -, acho que não estou sendo ambiciosa esperando conseguir ler pelo menos dois. Isso porque ainda espero terminar o livro de dezembro do Desafio do ano passado e resenhar. Mas vamos com calma.

Já estou fazendo uma listinha de livros para me organizar nesses temas acima e não ficar feito barata tonta durante o ano, tentando encaixar livros nos temas, procurando e-books e rodando em livrarias, gastando o salário inteiro assim. A lista será atualizada aqui neste post, conforme forem sendo postadas as resenhas, durante o ano.

Que comece 2015. Que comece o Desafio.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

O que se leva

E neste fim de ano, pensei em fazer uma retrospectiva. Ao contrário do oversharing usual, é mais um "levar do ano o que ele teve de bom". Optei por falar apenas das coisas boas. As coisas ruins aconteceram, fazem parte da vida, do ano, não serão esquecidas. Mas a gente sempre pode escolher não mencioná-las e deixá-las quietas num canto, para morrerem em paz.

Deste ano, eu levo os grandes amigos, que fizeram com que todos os momentos valessem a pena ser vividos, inclusive os ruins, com toda a intensidade. Novas e velhas amizades, que só cresceram. A melhor parte do ano, os melhores momentos, foram todos graças a elas. Vou citar, porque a cada uma delas vale a pena agradecer: Mari, Gaby, Clá, Raissinha, Maria, Renatinha, Dani, Manu, Kanti, Cínthia, Carol, Valeska. Só mulher? Não, tem mais: Bruninho, Dioguinho, Leo, Marillia, Alexandre, Alladin, Cecy, Naty, Mari. Aos meninos da Mojo, que passei a admirar cada dia mais. Ao meu mestre Alexandre e ao pessoal do ballet, pessoas fantásticas, com quem só aprendo mais a cada dia. Também outras pessoas, que não serão citadas, vindas de circunstâncias das quais nada se deveria levar, mas conquistei e levo, doa em quem doer. Aos meus primos, do amor incondicional e apoio inestimável. A Luke, meu pequeno amigo peludo, que chegou este ano para me trazer alegria. Levarei a alegria dele para mais um ano, que espero que seja superior a este. Aos meus irmãos e a Simone e Camila, minhas irmãs de coração (no caso de Simone, agora in-law). Aos meus pais. A Ele, principalmente, tenho motivos de sobra para agradecer. Por me fazer passar por tudo da maneira mais suave.
Levo os bons momentos passados com essas pessoas. Deles: o casamento de Paulinho e Simone, a formatura e o doutorandos de Mari, a festa à fantasia de Maria., o casamento e o chá-bar de Marillia e Rui, o sábado de carnaval em Olinda, o reveillon na praia mais linda do mundo.

Levo também uma nova perspectiva e uma nova esperança. No final do ano passado, não esperei nada do ano que vinha. Mas deste ano que vem, espero uma pessoa melhor. Eu mesma, mas uma pessoa melhor. Entrando nos trinta e com as esperanças e os sonhos de criança. Não sonhos impossíveis, mas sonhos felizes e reais.

De 2014, levo apenas as coisas boas. O que vier junto, bom ou ruim, espero que venha melhor. Que só passe deste ano o que for melhor. Um feliz 2015 para todos nós.

"Hei de ser melhor também, depois"

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

"We accept the love we think we deserve"


Não li o livro "As vantagens de ser invisível" (The Perks of Being a Wallflower, de Stephen Chbosky) e vi somente uma parte do filme, porque tive que sair. Mas essa frase que todo mundo já comentou e já cansou de ser analisada em várias resenhas ficou na minha cabeça por um motivo bastante pessoal. Não vou discorrer sobre o motivo, por não estar muito interessada em um oversharing agora, mas fiquei pensando... Afinal, como a gente pode avaliar a quantidade ou qualidade do amor que a gente merece?

Recentemente, eu li a história de uma dona de casa pobre e negra que se casou com um homem e apanhava dele por nada. Logo da primeira vez que isso aconteceu, ela foi à delegacia e denunciou o marido. Conheço também a história de uma mulher rica, casada, que descobriu que o marido tinha uma outra família além da oficial, com um filho de três anos. Apesar disso, ela considerou que ele era bom para ela e para os filhos, nunca deixando nada faltar, e o aceitou de volta. E a história de uma mulher jovem cujo companheiro agia com grosseria com ela, intimidando e diminuindo tudo o que ela fazia. Ela tolerou por um tempo, mas acabou o relacionamento quando decidiu que não aguentaria o resto da vida. E há outra mulher, beirando os trinta, que acabou um relacionamento somente porque não havia nenhuma perspectiva de futuro. Outra bastante jovem que acabou porque não tinha tanta atenção e carinho quanto desejava. A mulher desprezada, que aturou um relacionamento sem graça por mais tempo do que deveria e terminou traindo o companheiro com um amigo dele. Outra mulher casada, de classe média, que foi traída uma vez, o companheiro contou no mesmo dia, pediu perdão, mas ela não aceitou. Acabou tudo.

Conheço também o caso de um homem bem sucedido que se casou com uma mulher ciumenta ao ponto de ela controlar até suas ligações, ter senhas de redes sociais e e-mail. Apesar disso, são felizes e ela espera seu primeiro filho. E a história de um homem que estava noivo e acabou tudo porque se interessou por outra, depois de vários anos juntos. A história de um homem, bonito e sensível, que viu um relacionamento definhando e não fez nada para mudar, conversar ou resolver. Casou-se sem amor, sem vontade, por pressão. E arranjou uma amante. O caso de um homem jovem que conheceu a mulher perfeita, mas não conseguiu ser o homem perfeito. Ela o deixou, pouco tempo depois. E o caso de um homem comum, que conheceu a mulher perfeita e conseguiu ser o homem perfeito para ela, ao perceber que ninguém é perfeito. Hoje, são felizes, têm trinta anos de casados e três filhos adultos.

Todas essas histórias, reais ou não, ilustram o pensamento que eu tive quando ouvi a frase acima: "Nós aceitamos o amor que achamos que merecemos". O pensamento de que, independente de classe social, intelecto ou tipo físico, as pessoas têm ideias definidas sobre aquilo que esperam do amor e aquilo que podem suportar. E pesam os prós e os contras sem perceber, avaliando o que merecem e o quanto desejam da vida. Muitas vezes, essas ideias nos confundem, quando pensamos que somos de um jeito e descobrimos que podemos aguentar mais; ou mesmo, que podemos aguentar quase tudo. Que podemos virar outra pessoa. Mas sempre existe, para todas as pessoas, aquele ponto, aquele limite, que, se atravessado, não haverá mais volta. Acredito que esse ponto defina o início do nosso amor próprio e dos nossos valores. Para algumas pessoas, esse terreno é bem pequeno e, para outras, é imenso.

E esse limite define o momento de impacto, o momento em que passamos de amor eterno a amor passado. Às vezes, a ódio, rancor, mágoa e depois esquecimento. O momento em que o outro passa de melhor amigo a desconhecido. Para uma pessoa, esse momento pode ser por causa de um tapa na cara; para outra, um simples olhar para o lado, ou um amigo inseparável que causa ciúmes. Grandes ou pequenos, os limites de cada um. E esses momentos de impacto definem o fim. E o fim define quem somos.

É claro que eu sou uma dessas pessoas. Ou várias. Talvez, algum dia, seja outra. Muitas pessoas que eu conheço poderiam ser personagens dessas histórias. E quem sabe não sejamos todos? Personagens de nossas próprias histórias; fazendo escolhas, fazendo besteiras, jogando nossas vidas, vidas de outros e sentimentos no lixo. Ou lutando por eles.

Ou apenas vivendo, aos tropeços, sempre em frente.