sábado, 3 de maio de 2014

Anos 80

A certeza de que a vida era mais bonita lá pelos anos 80, em que as coisas eram fáceis. Em que o futuro era incerto, mas promissor. Não há mais futuro promissor. Talvez ele nem seja tão ruim, só não pode-se chamar de promissor, porque faz tempo que ele não promete nada. Pelo menos, não foi tão cruel quanto o futuro dos anos 80, que prometeu demais e não cumpriu. Mas que era mais bonito, isso era. Saudade dos anos 80, em que eu era mais facilmente ludibriada.

"I said I wasn't gonna lose my head
But then - POP - goes my heart"

Imagem: GettyImages
Música: Pop!

terça-feira, 15 de abril de 2014

Hype do Momento: A Guerra dos Tronos

Para este desafio de abril, o objetivo era pegar um bestseller, ler e resenhar. Escolhi A Guerra dos Tronos, o primeiro volume da tão idolatrada série de George R. R. Martin, As Crônicas de Gelo e Fogo, mais conhecida como Game of Thrones, título da série de TV. Quando vi o tema deste mês, decidi logo que leria este livro, que era minha chance, de uma vez por todas.

Fazia tempo que eu queria ler, mas tinha começado três vezes o primeiro livro e sempre achava chato. E via tanta gente falando e achando o máximo que comecei a achar que o problema era eu. Aí me forcei a ler; já que, até pra criticar, é bom a gente saber do que está falando. Acabou que o problema mesmo era passar do capítulo chatíssimo em que Daenerys é apresentada a Khal Drogo, pra poder engatar a história. Fica bem melhor depois que começam as intrigas e as guerras. A propósito, podem me apedrejar, mas achei Daenerys uma das personagens com histórias mais chatas. Juntamente com Bran, talvez. Mas acho que a história dela deve melhorar nos próximos.

O livro, não achei essas coisas todas; só uma história agradável de ler, nada que exija demais da pessoa (a não ser tempo e paciência, porque, ô série longa dos infernos!); uma boa história, bem crua, sem meios termos, bem completa. Os personagens são mais complexos e bem construídos que em quaisquer outras séries épicas, que geralmente dão mais atenção à história que à construção de personagens. A narração, por sua vez, é demasiadamente descritiva e meticulosa; há momentos em que você perde a paciência, joga o livro pro lado e vai fazer outra coisa. Não tem pontas soltas, mas também não tem pontas amarradas; talvez porque não há muito o que amarrar, sei lá. Dá a impressão de que o autor vai narrando, escrevendo, em cima de um roteiro mais ou menos certo, e pensa "ah, vou matar fulano agora". Na minha humilde opinião de quem só leu o primeiro livro, achei muitos acontecimentos desnecessários e só uma ou duas vezes senti fecharem ciclos de verdade. Talvez não fechem por não ser intenção do autor fechar nada; não ser intenção deixar uma história certinha e bonitinha, para, em vez disso, ser mais realista. Do tipo que você pensa: "nossa, e agora, como fulano vai fazer para sair dali?" e fulano termina não saindo, afinal. Com o tempo, você para de pensar assim e começa a pensar mais: "é agora que ele morre?"

No fim, achei que o livro é um bom começo. Dá vontade de ler os próximos, apesar de eu não sentir aquela excitação que todo mundo sente, não tanto quanto outras séries de livros que eu já li. Enfim, se tem uma coisa que eu sempre soube d'As Crônicas de Gelo e Fogo é que são livros menos fantasiosos e mais inusitados que a maioria das séries épicas. E que a única certeza que a gente tem é de que todo mundo vai acabar morrendo. Se não neste, nos próximos livros.



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Esta é uma resenha para o Desafio Literário do Tigre 2014, do blog Elvis Costello Gritou Meu Nome. O tema de Abril é "Hype do Momento": ler e resenhar um livro que todo mundo esteja lendo, no momento; um bestseller. Para saber mais sobre o desafio, entre na fanpage ou saiba mais no blog.

domingo, 30 de março de 2014

Filme ou Livro?: Laranja Mecânica

Já tinha assistido ao filme de Kubrick, há alguns anos, e sempre pensava em ler o livro, mas ficava de ler, ficava de leeer e nunca colocava o plano em prática. Está certo que eu nem tinha o dito-cujo, mas isso era fácil de arranjar. Certo dia, fui à livraria e vi essa edição linda e fiquei louca, pensando seriamente em comprar. Terminei comprando mesmo, só que de presente para um amigo, de aniversário. Confiava o bastante no livro, afinal o filme já era genial. Então, apareceu a oportunidade para ler, no desafio, e eu peguei emprestado do meu namorado e li. Não a edição linda, pela qual me apaixonei, mas foi uma edição legal; com um prefácio legal, nota do tradutor e o glossário atrás. Mas eu não o usei. Não muito. Não a hora toda. OK, só algumas palavras.

Laranja Mecânica, de Anthony Burgess, é uma história narrada por Alex, um adolescente vivendo num ambiente futurista, com gírias próprias e uma tendência grande à violência. Quando Alex é preso, ele vira uma cobaia do governo numa experiência de lavagem cerebral e suposta "cura" da violência. A quem já viu o filme, não tenho muito mais a dizer; não é um daqueles livros cujo filme muda tudo e faz uma bagunça com a timeline da história. Pelo contrário, o filme enriquece ainda mais a obra, como se ela já não fosse rica o suficiente. Tirando uns poucos detalhes, como a idade de Alex, o protagonista, e seus amigos (no livro, eles têm uns 15, 16 anos; no filme também, mas Malcom McDowell tinha 28 quando interpretou Alex), assim como o final da história, o filme só tem mesmo a acrescentar.

Sobre o final da história, como fiquei sabendo no prefácio, há uma explicação para ter sido diferente. A edição britânica, e original, do livro tem 21 capítulos. Nos EUA, o livro foi publicado com 20 apenas; e foi esta versão que acabou virando filme. Alegaram que "por razões conceituais", o final original mais "otimista" não fazia sentido. Pessoalmente, eu gosto mais do final americano; mas entendo o final de Burgess. Entendo o motivo de ele ter escrito o final daquela maneira, de que o livro inteiro trata da passagem de Alex da adolescência para a idade adulta e que essa maturidade só se completa com o último capítulo. Para o contexto todo, de amadurecimento do personagem, acho justo os 21 capítulos. Mas, como história, e excluindo toda a questão que Burgess quis abordar, prefiro o final do filme. Poderia destrinchar mais um pouco o meu pensamento, mas não encontrei uma maneira de fazer isso sem ser spoiler; ainda mais porque eu teria que falar sobre o último capítulo, o que só existe no livro, que nem todo mundo que gosta do filme leu. Então, vamos considerar apenas que prefiro o final do filme.

O livro, assim como o filme, é estranho e viciante. Tem aqueles neologismos, as gírias nadsat, que são muito mais complicadas quando você está lendo, do que no filme, quando se tem imagens para ajudar a entender. Mas, depois que você pega o embalo, a coisa flui muito rápido. E você fica com aquelas palavras na cabeça durante bastante tempo. Como se o estranhamento tivesse passado e, de uma hora para a outra, você estivesse naquele mundo. Aquele estranho mundo, num futuro estranho, com palavras estranhas. “As queer as a clockwork orange.”

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Esta é uma resenha para o Desafio Literário do Tigre 2014, do blog Elvis Costello Gritou Meu Nome. O tema de Março é "Filme ou Livro": ler e resenhar um livro do qual você já tenha visto o filme, fazendo as devidas comparações. Para saber mais sobre o desafio, entre na fanpage ou saiba mais no blog.

quinta-feira, 6 de março de 2014

Novo amor

Já faz um tempo que meus passatempos tem mudado um pouco. Eu, que me distraía ouvindo música, lendo e escrevendo, confesso que tenho abandonado um pouco este último, para tristeza deste blog. Mas hobbies vão e vem e eu acabei encontrando um, meio inusitado para mim, num mundo que antes detestava.

Estou falando de culinária. Não virei uma chef, nem nada perto disso; sou só uma curiosa e apreciadora de sabores novos e decidi que poderia produzir meus próprios sabores. E percebi que me divertia com isso, como nunca imaginei. Sim, porque antes eu achava um porre ficar na cozinha, com a barriga no fogão. E foi assim que criei um blog novo.


O Food and Beer é um blog em que conto algumas experiências novatas e modestas de uma culinária experimental e principiante, assim como minhas (muitas) falhas e algumas histórias engraçadas. Não estou pretendendo ensinar ninguém a cozinhar, nem dar dicas, nem sugerir receitas para ninguém. Sou realmente apenas uma curiosa, que nunca estudou nada nessa área, mas percebeu que tem que se virar para comer coisas gostosas e acabou gostando muito da experiência. Me diverti tanto que achei que seria uma boa ideia compartilhar. Sem compromisso.

Conheçam meu novo blog, aqueles gostarem de boas histórias e de fotos de comida. Não, este aqui não será abandonado. É só um outro universo, falando sobre outros assuntos. A parte literária sempre ficará aqui.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Resenha: Foras da Lei...

Na mesma ocasião em que comprei Bonsai, o livro do mês de fevereiro do Desafio, comprei este livro de contos aqui, de vários autores.

“Foras da lei barulhentos, bolhas raivosas e algumas outras coisas que não são tão sinistras, quem sabe, dependendo de como você se sente quanto a lugares que somem, celulares extraviados, seres vindos do espaço, pais que desaparecem no Peru, um homem chamado Lars Farf e outra história que não conseguimos acabar, de modo que talvez você possa quebrar esse galho.”
Este livro, cujo nome não vou sair repetindo por motivos óbvios, eu comprei por causa da capa, que é belíssima; pelas ilustrações do meio, já que dei uma folheada na livraria, antes de comprar; e também por nomes como Neil Gaiman, Nick Hornby e Lemony Snicket. Mais por Neil Gaiman, confesso. E qual não foi minha decepção quando, ao ler, vi que o conto de autoria dele presente neste livro era Pássaro-do-Sol; conto muito bom, mas que eu já havia lido no primeiro volume do Coisas Frágeis.

O livro é um infanto-juvenil. Vi muitas resenhas de pessoas xingando o livro justamente por não saberem que era infanto-juvenil. Eu gosto do estilo, então não fiquei decepcionada por isso. Fiquei decepcionada, porém, porque achei alguns contos bem razoáveis, uns até bem ruins. Não vou resumir todos, só dar uma geral e listar as minhas impressões. Vejamos:

  • Achei a introdução de Lemony Snicket interessante; mas não vi nada de especial no conto que ele começou e que a gente deveria ajudar a terminar.
  • O conto Pequeno País, de Nick Hornby, também achei legal, apesar do final previsível; sobre um menino que mora no menor país do mundo, não muito maior que uma vila.
  • Não gostei da história Lars Farf, pai e marido excessivamente temeroso, de George Saunders; acho um tédio história com lição de moral.
  • Monstro, de Kelly Link, achei bom, com um final legal e um bônus das ilustrações do monstro branco de mãos vermelhas.
  • As Competições de Cowlick, de Richard Kennedy: não achei muita graça, apesar de gostar de faroeste. Final previsível.
  • Vendidos Separadamente, de Jon Scieszka: WTF essa história? Uma história escrita só com slogans publicitários, talvez como uma crítica ao consumismo exacerbado dos últimos anzzzZZZZZZZ...
  • O Terceiro Desejo de Seymour, de Sam Swope: história sem graça, sobre um garoto que é filho de uma ogra, que não gosta de crianças. E ainda bem que avisaram no começo que o protagonista não era lá muito inteligente, porque ele só fez besteira.
  • Grimble, de Clement Freud: conto escrito em 1968, desnecessariamente longo, mas não achei propriamente ruim. Só chato; discordando de Lemony Snicket, que disse na introdução que não havia histórias chatas no livro.
  • Spoony-e Spandy-3 contra as hordas roxas, de James Kochalka: uma história em quadrinhos — e eu adoro quadrinhos, fiquem sabendo antes de me crucificar pela crítica — bem “WTF??”. Talvez eu não goste desse tipo de quadrinho, ou não esteja acostumada, ou não tenha entendido alguma coisa; mas achei bem sem graça, sem sentido, sem nada.
  • Pássaro-do-Sol, de Neil Gaiman, é simplesmente genial (Gaiman ), mas eu já tinha lido.
  • O Telefone da ACSE, de Jeanne DuPrau: taí, achei esse conto bem legal, bem fofinho, de um menino que encontra um celular perdido e termina encontrando um amigo.
  • O Sexto Distrito, de Jonathan Safran Foer, também é legal; achei interessante e criativo; sobre um lugar que muitas pessoas não sabem que existiu.
  • E as Palavras Cruzadas Tremendamente Difíceis do final: gosto de palavras cruzadas e fiz algumas, mas não terminei porque era 1h da manhã e eu estava com sono. Ou porque eram realmente difíceis.

No total, o livro não foi tão bom como eu esperava. Capa bonita, título incomum, proposta atraente: tudo que me levou a comprar estava ali, só faltou a leitura corresponder às expectativas.