domingo, 7 de outubro de 2012

Para recordar: Desencontros

Após meu recente retorno ao blog, resolvi dar uma lida por aqui para relembrar algumas coisas e reviver outras. Percebi que havia muita coisa boa esquecida pelo meio dos quatro anos de blog e mais de duzentas postagens, por entre pensamentos meus, contos aleatórios e fatos engraçados. E, se nem eu me lembrava delas, talvez também seja bom trazer algumas recordações a vocês, meus amigos e leitores antigos, e contar um pouco da história deste blog a vocês, meus novos leitores.

Então, vamos fazer assim: toda semana, farei uma sugestão de algum texto antigo e inspirador para vocês relembrarem. O texto desta semana é este:

Espero que gostem.


Imagem: stock.xchng

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Curta

A vida é curta demais para se importar. É um acorda-vive-dorme contínuo, como uma roda-gigante que nunca para até parar para sempre. A vida é curta demais até mesmo para pensar. E nesse meio tempo, gente que escolhe ser coadjuvante da própria vida. Recuso-me.

Recuso-me a dormir, intervalos de viver, grandes lacunas em que nada acontece. O corpo exige, os olhos brigam. Caem no sono. Gente pergunta. Não sei. Gostaria apenas de não faltar na minha própria vida. Precisar de dublê. Ou caírem as cortinas antes do ato final.

Vive-se ao meio, ama-se demais a vida alheia. Não quero arriscar. Perder. A vida é curta demais para viver outras vidas. Várias vidas vividas precariamente. Melhor nem viver.

"These zombies in the park, they're looking for my heart..."*

*Música: Cough Syrup

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Lonely Days

Orvalho da noite na janela, um nascer do sol, pétalas de flores azuis caídas embaixo da árvore do quintal. Pela janela, um parque deserto, o quarto silencioso. Deitar-se, ler um livro, escolher um filme, passar a tarde trabalhando na pesquisa. Comer restos de ontem. Sair, encontrar os amigos, tomar uma cerveja. Voltar para casa cantarolando. Acordar os vizinhos. Dormir como uma pedra. Acordar com dor de cabeça.

Tomar um analgésico, ir caminhar no parque sozinho, respirar o ar frio do domingo, sentir-se melhor. Sentar-se num banco, relaxar. Perceber a presença de alguém, encontrar um olhar encantador, encantar-se. Sorrir, não saber o que dizer, sorrir de novo. Dar as mãos. Passear de mãos dadas, fazer companhia, ter companhia. Um gesto, um sorriso, um elogio, uma palavra de carinho. Fechar os olhos. Um beijo. Uma carícia. Tanto faz.

Dormir. Não acordar sozinho nunca mais.


"And finally it seems my lonely days are through"*

Imagem: Jowiki

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Retorno


É difícil voltar. Não sei se me falta algo, ou se me sobra coisas demais, tomando o lugar antes ocupado pela imaginação. Tampouco tem sido fácil viver sem escrever. Queria voltar, queria retomar o blog, escrever os contos que costumava criar, narrar aqueles eventos engraçados que aconteciam. Prestar atenção no que tem acontecido de bom à minha volta e colocar tudo em palavras. Parar de escrever apenas sobre mim e para mim para, talvez, voltar.

De fato, tenho escrito uns poucos ensaios, algumas frases soltas, sem forma, sem ritmo. Às vezes, reveladoras demais. O fato é que esse blog não precisa de pensamentos pesados, de cabeças cheias e confusões pessoais. Ele precisa ser como antes; suave, livre, poético. Eu o fiz assim. Ele precisa pôr mais poesia na vida dos que me lêem, na minha vida. Voltar a ser um refúgio; jamais um fardo.

Para onde foram as minhas madrugadas livres, que serviam para deixar o pensamento divagar? Onde foram parar as palavras que diziam tudo o que precisava ser dito? Que foi feito da poesia que existia no simples fato de deixar palavras soltas se unirem? Não faço ideia. Talvez, elas voltem. Talvez não.



"I will go, 
follow the call of my spirit"*

 Imagem: stock xchng
*Música: No Return 

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Abraço


Hoje, busquei um abraço e me surpreendi com o quanto era confortável. Eu já sabia que era. Surpreendi-me mesmo com o fato de eu ainda me surpreender com isso.

Talvez tenha esquecido, nos momentos em que passo longe, ocupada com o resto da minha vida. Talvez seja bom esquecer. A surpresa me faz lembrar do primeiro abraço. Faz-me lembrar de como eu me agarrei àquele abraço para justificar minha relutância em ir embora.



"And when my love for life is running dry..."*

Imagem: GettyImages
*Música: If