sexta-feira, 1 de maio de 2009

Amigos nunca dizem adeus

Não vá embora, amigo. Não agora que o sol acabou de nascer e o dia está apenas começando. Veja que clima tão agradável; vamos brincar de encher bexigas de água, pular na piscina, ir à praia. Vamos torrar ao sol, fazer castelos de areia, tomar sorvete. Viver aventuras, rir das nossas desventuras. A vida é curta, amigo, mas não necessariamente acaba agora. Ainda há tempo para estarmos juntos outra vez.

Volta aqui, amigo, não se vá agora. Vem, que o sol está retornando. Olhe em volta; não há mais nuvens no céu, o vento que agita as árvores é brisa, os passarinhos brincam nas poças da água salgada que acaba de cair. Mas não há sinal de tempestade. Ainda dá tempo de jogar conversa fora, de passear de bicicleta, de fazer piquenique no parque. A vida é dura, eu sei, mas ainda dura. Eternamente, se você deixar. Está cedo ainda, você não precisa ir. Tem tanta coisa para se ver, tanto para conhecer, tanto para aprender. Mesmo que você não queira agora, não se prive dessa dádiva para sempre.

Não, amigo, não diga adeus. Há tanta alegria esperando logo adiante. O sol se foi, mas o mundo não acabou. A lua iluminará o seu caminho até que ele possa voltar a brilhar outra vez. Apenas não diga adeus.



"The clouds will be a daisy chain

So let me see your smile again

Won't you let me see your smile?"

(Dear Prudence - The Beatles)




Imagem: foto tirada por ZeH.

domingo, 26 de abril de 2009

Novidade...

— Você não confia em mim?

— Em você, sim. Não confio no amor. Ele inventa novidade demais.

terça-feira, 21 de abril de 2009

Colecionador





"A gente ri, a gente chora

E joga fora o que passou..."






Tenho mania de guardar coisas. Mesmo velhas, usadas e gastas; algumas nem funcionam mais. Mantenho todas numa estante, ou em alguma gaveta, só pelas lembranças que elas me trazem. O problema de tudo termina sendo o espaço, ou a falta dele. É quando eu não vejo outra escolha a não ser me desfazer de algumas das minhas preciosidades.

Todo dia de faxina é uma novela; dói quando separo as coisas que não prestam das que ainda me servem. Com lágrimas nos olhos, jogo no lixo as que ficaram no primeiro grupo. Tem que ser, afinal não vale a pena guardar só para poder contemplá-las, enquanto elas só fazem juntar poeira, entulhar, atrapalhar a passagem. Tem que existir uma reciprocidade.

Há algum tempo, joguei muitas das minhas tralhas fora. As lembranças ficaram, agora sem ocupar espaço, sem interferir na minha vida. Hoje, encontrei uma delas fora do lixeiro e, do nada, ela começou a funcionar, como se tivesse se arrependido de ter quebrado. Fiquei feliz em colocá-la outra vez em seu lugar, para exercer a função que tinha antes. Mas, me pergunto, quanto tempo será que durará agora? Para sempre?


O Palavras de Papel está de volta, com muitas cartas e a história que continua.

terça-feira, 7 de abril de 2009

Janela

Aqui, do outro lado do mundo, trancado num cubículo frio e úmido, meu olhar se mantém fixo na única luz presente — uma janela acesa, no meio da escuridão. O único ruído audível é o dos meus dedos alcançando as teclas de um piano sem som. Apenas palavras são possíveis naquele angustiante contato; palavras silenciosas. Mas quase sinto a textura das suas mãos, quase sinto tocar seu rosto e ouvir seu riso fácil. E através daquela janela iluminada, posso ver seus olhos, numa foto tirada recentemente.
Levanto-me, abro um livro. Está escuro demais para ler. Olho o violão, mas desisto. Faltam-lhe duas cordas. Volto à janela e encaro seus olhos outra vez. Faço-lhe uma pergunta, mas a resposta não vem. Espero, assim como você sempre me esperou. Como anda sua vida? Seus amigos ainda devem insistir que não temos futuro; você deve estar cansada disso. Será que ainda espera? Você sabe que foi a necessidade que nos manteve separados, todo esse tempo, com tanto mar entre nós. As pessoas dizem para desistir, que a saudade tende a diminuir com o tempo. Bem, não a minha. Mas nada posso dizer quanto a sua.
A resposta não chegou. Talvez a rede tenha caído. Se eu tivesse outra coisa para fazer, talvez a angústia não me invadisse daquela maneira. Angústia e dúvida. Esperarei você voltar. E, um dia, serei eu a atravessar tanto mar só para vê-la, apenas mais uma vez. Mesmo que você não queira mais me ver.


"Sei que há léguas a nos separar
Tanto mar, tanto mar…
Sei também como é preciso
Navegar, navegar…"

sábado, 4 de abril de 2009

Um pequeno pensamento

De pessoas que não valem a pena,

Prefiro aquelas que não fingem ser minhas amigas.