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quarta-feira, 5 de agosto de 2020

Resenha: Corte de Espinhos e Rosas

Feyre, uma humana vive uma vida de fome e miséria quando, após sair para caçar para matar a fome da sua família, é capturada por um feérico na pele de uma besta e levada do mundo mortal para o mundo das fadas, como punição por ter matado um dos seus. Feyre, então, é obrigada a viver com o feérico, que não permanece na forma de besta, em sua mansão e começa a se interessar por ele. São três livros. O enredo semelhante ao d'A Bela e a Fera é só o início do primeiro. Após isso, desenvolve-se uma longa trama de romances, maldições, magias, guerras. E muito, muuuuuuito erotismo. Não deixem as crianças lerem.



Resolvi voltar para falar sobre a série Corte de Espinhos e Rosas porque, quando terminei de ler, fiz uma pequena resenha e postei em uma das minhas Newsletters. E precisei fazer outra agora, porque estou lendo de novo para uma Leitura Coletiva e percebi que acabei dando uma ideia errada da minha opinião sobre ela. Desde já, deixo claro que é uma das minhas séries favoritas fantasia. Só que, apesar de muito amorzinho, ela tem vários defeitos na construção de mundo e nem precisa ser especialista em nada para perceber. E é daí que vem a minha crítica, de alguém que percebe os problemas, mas continua achando os livros apaixonantes.

O fato é que eu conheço muita gente que detestou. E entendo. Não é todo mundo que está disposto a apreciar o quanto é bem feito o desenvolvimento do casal da história e das relações entre os personagens. Não sei se todos os leitores de fantasia podem perdoar os clichês em favor de um enredo focado em relacionamentos, rixas, personalidades e aspectos mais humanos dos personagens.

Por isso, continuo indicando, mas indico para aquelas pessoas que eu já sei que gostam de romance. Como eu. Para uma indicação assim, numa resenha, eu prefiro dizer o que a pessoa vai encontrar no livro e deixar a decisão de ler ou não nas mãos dela.


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sexta-feira, 22 de junho de 2018

Resenha: O Nome do Vento

Comecei a ler este livro sem nenhuma expectativa. E se tornou uma boa surpresa.

O Nome do Vento é o primeiro livro da trilogia "Crônicas do Matador do Rei", de Patrick Rothfuss. A história se passa num mundo ficcional conhecido como Quatro Cantos da Civilização. O protagonista é Kvothe, um personagem misterioso e muito inteligente, músico, artista itinerante de uma espécie de grupo de ciganos e aprendiz de mago. E, na ocasião do início do livro, taberneiro.

No início do livro, o narrador é em terceira pessoa e nos conta sobre os atuais tempos difíceis e perigosos, onde demônios e saqueadores estão à solta pelas estradas e poucos mantimentos chegam às cidades. Até que um personagem entra na história e se inicia a narrativa em primeira pessoa, em que Kvothe nos conta sua história.

Minha parte favorita é quando ele chega à Universidade e começa a virar uma lenda no lugar. Ele é jovem demais para entrar, mas aprende tudo muito rápido, motivo pelo qual os mestres de lá permitem que ele ingresse na instituição e tenha oportunidade de virar um Arcanista. Nesse meio tempo, ele faz amigos, inimigos, comete muitas imprudências, salva pessoas e vai se delineando, assim, sua fama de herói.

Com a narrativa em duas pessoas, o autor nos oferece uma diversificação de ponto de vista. No narrador em terceira pessoa, ele nos dá uma visão mais real do que se passa. Quando Kvothe começa a narrar, percebemos uma queda na imparcialidade, conforme ele mesmo avisa que vai narrar as coisas do jeito dele.

"As melhores mentiras a meu respeito são as que eu contei"

No entanto, ele é um artista. A narrativa ganha em poesia e envolvimento, porque as impressões do mundo conforme a maneira que Kvothe o enxerga é encantadora. Uma passagem que eu gosto é quando ele descreve a moça por quem ele é apaixonado: ele a chama de linda, mas outro personagem contradiz, afirmando que ela tem nariz torto e que o rosto é fino. E ele rebate, dizendo:

"Somos mais do que as partes que nos formam"

Dessa forma, o Kvothe experiente que conta a história mostra uma sapiência que eu apreciei bastante. Outra parte interessante é quando o jovem Kvothe reclama de algumas atitudes dessa moça e um sábio dono de taberna declara que ele não pode julgar o que uma mulher faz na sua luta para sobreviver. Tentei explicar essa parte para minhas amigas, mas não sei se consegui fazê-las captar direito, porque não estavam inseridas naquele mundo como eu estava.

Não que eu não tenha torcido o nariz para várias outras passagens; por ser uma fantasia épica, somos obrigados a contar com uma realidade de época bastante desfavorável às mulheres. Mas tentei ler sem preconceitos e com o máximo de discernimento.

Então, eu adorei o primeiro volume e ele entra no Desafio como o meu livro "Fantástico". Pretendo ler outras coisas antes de entrar no segundo. E também no spin-off sobre outra personagem, que eu achei bem interessante. Porque não gosto de ler séries de uma vez.

Inclusive, eu disse acima que comecei a ler o livro sem nenhuma expectativa. Menti. Eu esperava que, por ser uma trilogia iniciada há tanto tempo, já teria um final. E não tem. Faz seis anos que o autor finge escrever o terceiro livro. Estou arrasada por ter me metido nessa de esperar por autor de novo.

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sexta-feira, 8 de junho de 2018

Resenha: A cidade sinistra dos corvos

Sétimo livro da Desventuras em Série, eu comecei a ler A Cidade Sinistra dos Corvos, de Lemony Snicket (pseudônimo de Daniel Handler), porque queria assistir à segunda temporada da série no Netflix e tinha parado de ler no sexto livro. Não queria ver o episódio antes de ler. Como não foi exatamente adaptado para o cinema (só os três primeiros foram), deixei de fora do Desafio e vou fazer só uma resenha normal.

O enredo não é muito diferente dos outros anteriores. Os três irmãos Baudelaire são entregues a um novo tutor e tudo dá errado por interferência do Conde Olaf. Dessa vez, eles acabam indo para uma cidade que se propõe a ser tutora deles, baseando-se no lema "É preciso uma cidade para educar uma criança". Só que a cidade é cheia de regras desnecessárias, sempre prejudicando de alguma maneira os órfãos. Além disso, eles ainda precisam encontrar os amigos, os trigêmeos Quagmire, que foram capturados pelo Conde Olaf. A única pessoa que torna tudo mais suportável é Hector, um faz-tudo que resolve ajudar, do jeito dele, os órfãos Baudelaire.

Como em todos os livros, mesmo usando o tom engraçadinho característico, o autor faz uma crítica evidente à sociedade, além de várias não muito evidentes. Neste livro, há uma crítica ao sistema judiciário e carcerário. As leis, as regras, o desconhecimento delas, a falta de informação, as punições desproporcionais para crimes pequenos. Assuntos tratados de alguma maneira neste livro.

Algumas pessoas podem achar o livro repetitivo, em relação aos passados. De fato, eles são bem parecidos, os finais semelhantes. Às vezes a paciência acaba. Até a maneira como a história é contada é meio enjoativa, às vezes. Mas a narrativa característica é a grande sacada do Desventuras em Série, é o que traz a ironia. Trata o leitor como criança, mesmo não sendo exatamente um livro para crianças.

Quando você aceita a essência da narrativa, fica mais fácil gostar de livro. E, apesar de toda a repetição e inverossimilhança da história, estou muito curiosa pelo final dela. Mas vou dar um tempo ainda para começar o oitavo livro, o Hospital Hostil.

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quarta-feira, 30 de maio de 2018

Resenha: O Conto da Aia

O livro O Conto da Aia (The Handmaid's Tale), de Margaret Atwood, é uma Distopia escrita em 1985 e recentemente adaptada em uma série de TV. A série tem feito muito sucesso e está gravando a sua segunda temporada. Ainda não tenho como dar alguma opinião sobre ela, porque não assisti 😰. Eu queria ler o livro antes, só que terminei faz mais de um mês e ainda não tive tempo de ver a série. Mas assim que conseguir ver, faço um Update aqui.

Mas vamos ao livro.

Nessa distopia, ficamos sabendo que houve um golpe de estado nos Estados Unidos e o poder foi tomado por uma elite fundamentalista com fortes crenças religiosas. Uma das causas é citada como a grande dificuldade em gerar bebês e a consequente redução da taxa de natalidade no país. Então, foi criada a categoria das "aias", mulheres saudáveis e capazes de engravidar. E elas gerariam os bebês dos homens importantes dessa sociedade, uma vez que suas mulheres seriam estéreis.

A história é contada pelo ponto de vista de uma aia, o que torna a narrativa parcial e, muitas vezes, cheia de lacunas. Para dificultar ainda mais, ela não sabia muito sobre o que estava acontecendo para nos informar. Então, ela termina nos contando somente sobre as coisas que ela vive e viveu, na sua vida antes da mudança.

A maneira de narrar, por apenas um ponto de vista bastante limitado, faz com que a história adquira um tom de confusão da realidade distópica, comparável ao livro 1984. Por mais que seja um universo fictício, a autora cria o sentimento desesperador de futuro possível. Ainda mais conhecendo a nossa realidade e a forte tendência conservadora atual, com a eleição de Donald Trump para presidente dos EUA. E, no Brasil, com a polarização política, as manifestações seguidas do golpe que arrancou do Planalto a ex-presidenta, assim como a candidatura a presidente do Brasil daquele-que-eu-não-quero-nomear-para-não-dar-mais-visibilidade. Como já está presente no coração das pessoas que entendem o risco de tais personalidades no poder de alguma coisa que importe pro mundo, você termina o livro com uma grande sensação de medo. Medo do que o nosso capenga estado laico pode se tornar. E o que ele pode nos tornar. As minorias.


Apesar de ser uma Distopia, ele vai entrar no Desafio Literário como "Escrito por uma Mulher". Porque achei pertinente, diante de um enredo tão importante para nós, mulheres. Tirando o fato de que dei muito valor à escrita de Margaret Atwood, no meio de tantas mulheres que ando lendo. Ela conseguiu chamar minha atenção, como autora e como pensadora. Aplausos.

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sexta-feira, 9 de março de 2018

Resenha: Intermitências da Morte

Eu só havia lido um livro de Saramago: Caim. Não sei se por chatice minha mesmo ou se porque não é o melhor livro dele, a impressão que eu tinha do autor não era muito boa. Passei anos sem ler nada dele, até que me caiu nas mãos As Intermitências da Morte e um amigo recomendou que eu desse uma chance de coração aberto. Não fui de coração aberto, mas meu coração foi forçado a ir se abrindo aos poucos.

O que aconteceria se, de repente, as pessoas parassem de morrer? Parece uma coisa boa, de início. Mas será que é boa mesmo? E se a pessoa estivesse muito doente? Ou muito idosa? Ou sofresse um acidente que a deixasse em estado vegetativo sem nenhuma chance de melhora? Talvez não fosse muito agradável. Então, este livro conta a história de quando a morte resolveu tirar férias.

Lá pro meio do livro, somos apresentados à morte. Assim mesmo, com letras minúsculas. Com seu manto preto, face encovada, foice afiada e suas cartas de cor violeta. Essa virou minha parte favorita do livro, do meio pro final. E o desfecho é incrível. Me fez ter vontade de recomeçar a ler tudo de novo. E, lendo resenhas por aí, eu descobri que é uma vontade até bem comum entre os leitores.

A narrativa de Saramago - sem pontuação, sem parágrafos, apenas frases corridas - é bastante peculiar e eu confesso que me dava uma certa agonia. Mas depois que você entende e acostuma, vira quase natural. A leitura se torna fluida, fácil. Sem interrupções.

E o sarcasmo. Coisa de quem sabe o que está fazendo. Nada contra o novo (nada mesmo, inclusive adoro e indico sempre a leitura de novos autores, pode conferir no meu Desafio Literário), mas é muito delicioso ler uma narrativa de quem sabe o que está fazendo. Gente que sabe contar história, sabe iludir, sabe dobrar sua realidade, colocar no bolso e lhe apresentar outra diferente. Por isso eu também insisto sempre que se leiam os clássicos e os intocáveis. Você nunca se arrepende. Mesmo quando não gosta muito, aprende uma coisa ou outra.

Recomendo demais esse livro. Já botei na lista mais alguns de Saramago e agora vou de coração aberto, porque ele me conquistou para sempre. Leio até Caim de novo. Vai que foi só chatice momentânea mesmo?

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sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

Resenha: O Nome da Rosa

Decidi ler O Nome da Rosa, de Umberto Eco, por causa do filme. Não porque eu vi o filme e achei legal, mas porque eu não queria assistir sem antes ter lido o livro, como fiz com Laranja Mecânica. Porque eu sabia que era um suspense meio Sherlock Holmes e eu não queria estragar a surpresa da resolução sabendo quem era o assassino antes de ler.

Então, eu acabei lendo. Demorei meses pra conseguir terminar. O livro é incrível, sem nenhuma dúvida; mas trabalhoso. Umberto Eco era um grande estudioso medieval, de linguística, especialista em semiótica, e apresenta para nós um cenário super detalhado, uma narrativa rica e vários trechos escritos em latim. E é aí que começa o nosso trabalho. Porque os trechos em latim são importantes para a história. Mas chego nisso depois.

A história se passa na Idade Média, numa abadia italiana que abrigava a maior biblioteca da cristandade. Os personagens são monges e outros membros da Igreja, sendo os protagonistas um velho monge franciscano, Guilherme de Baskerville, e seu "ajudante", um jovem monge chamado Adso. Sherlock Holmes (de Baker Street) e Watson respectivamente.

A trama principal são assassinatos em série e faz bem jus à comparação com Sherlock Holmes, uma homenagem que Umberto Eco fez a Conan Doyle. Só que o livro é cheio de camadas e, além da trama principal, ele abre espaço para discussões sobre as várias facções da Igreja Católica da época, sobre filosofia, sobre a hierarquia da Igreja, sobre os métodos da Inquisição, sobre política, sobre a própria Idade Média. E sobre a biblioteca e seus segredos.

Cena do filme "O Nome da Rosa"


Sobre as passagens em latim: e aí, precisa traduzir? Como eu disse, algumas passagens em latim são muito importantes para entender a história. E não tem nota de rodapé, não tem sempre explicação da frase depois. Se você ler pulando essas partes, vai acabar pulando páginas inteiras e perder o sentido do livro. E é por isso que eu chamei a leitura de trabalhosa. Você pode encontrar a tradução dos trechos em alguns sites, mas muitas vezes vai ter mesmo que colocar no Google Tradutor e traduzir à mão os trechos que não encontrar. Inclusive, a última frase do livro é um dessas frases em latim. Não é um spoiler, é só para dar uma ideia de como você precisa mesmo traduzir o negócio.

Já li algumas resenhas de leitores que me auxiliam sempre para tirar o melhor entendimento dos livros que eu leio e agora eu estou em busca do livro Pós-Escrito a O Nome da Rosa, também de Umberto Eco, onde ele faz algumas observações sobre o livro e o que ele esperava dele. Ainda não li, mas peguei a dica e resolvi compartilhar, já que estou resenhando o livro. Deve ter muita coisa interessante ali.

No final das contas, minha leitura do livro foi bastante satisfatória. É realmente um clássico. Recomendo.

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Item 10: Um livro clássico.
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sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Uma curva no tempo

Então, tive que escolher um livro "que faça chorar" para ler. Não tenho o costume de ler livros com essa temática, que me deixa meio down, mas aí foi pedido no Desafio Literário e eu tive que caçar um. Pior, sem nenhuma dica de onde procurar. Não queria ler aqueles que viraram filme "Um dia", "Se eu ficar", "Como eu era antes de você" ou qualquer um de Nicholas Spark. Então, procurei um blog que falasse de livros tristes e escolhi Uma curva no tempo porque gostei da capa.

O livro começa com Rachel, a protagonista, indo a um jantar de despedida do High School com os amigos, antes de todos irem à universidade. É quando acontece um acidente que muda a vida de todo mundo. Cinco anos depois, Rachel ainda sofre as consequências desse acidente e precisa voltar à sua cidade natal, onde tudo aconteceu, para o casamento de uma das amigas. Então algo acontece e ela encontra à sua frente uma vida totalmente diferente, na qual ela pode fazer outras escolhas. Ela só não sabe o que fazer com as lembranças da outra vida.

O livro cumpriu muito bem a sua promessa de me fazer chorar. No começo, apenas me deixou meio melancólica; mas, no final, eu chorei de verdade. É um livro delicado, como sua capa. Depois que terminei, li algumas resenhas e em todas vi os resenhistas dizerem que não esperavam o final. Bem, eu preciso dizer que esperava, desde a primeira pista. Talvez por isso tenha ficado mais, digamos, tranquila. Não sei, eu sempre acho que esperar pelo final tal como ele é me deixa mais focada. Por isso eu sempre digo que não ligo muito para spoilers, porque eles sempre me preparam para o que está para vir e eu posso ler em paz, sem grandes sustos. Mas deste livro, eu não li nenhum spoiler. Foi tudo no feeling.

Se eu recomendo? Não sei. Eu tive bons momentos com ele, mas não diria "leia". Se você gosta de livros que façam chorar e são bastante melancólicos, com um toque de suspense, eu lhe diria para tentar. Mas primeiro que a escrita não me agradou at all, é preciso dizer, e algumas coisas me irritaram. Uma delas foi que quem quer que tenha traduzido não sabe escrever "demais" junto; só escrevia "de mais". Outra é que algumas cenas são cortadas em momentos sem sentido, interrompendo declarações importantes só "porque sim", quando poderiam ter sido melhor desenvolvidas. As cenas mais movimentadas são um tanto confusas e eu tive problemas com as descrições de determinadas cenas, como se não tivessem sido bem idealizadas ou revisadas. Outra coisa foram os sentimentos de Rachel, que muitas vezes não me convenceram. A pessoa vê a realidade perfeita na frente dela e demora um livro inteiro para fazer as escolhas certas? E, convenhamos, podia ser meu noivo ou o que fosse; se eu não lembrasse de nada, nem Rodrigo Hilbert ia me beijar. Enfim, acho que o livro passa com uma nota 6, talvez.

Então, cortamos mais um item do Desafio. Vamos ao próximo.

Vocês já leram esse livro? O que acharam?

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Resenha para o Desafio Literário de 2016, com o tema: "que faça chorar". Para saber mais sobre o Desafio, clique aqui e participe.

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Harry Potter e a Criança Amaldiçoada

Alguém vai me matar se eu disser que achei Harry Potter and the Cursed Child, o oitavo livro de Harry Potter, uma grande bosta? Sério, gente. Não é segredo para ninguém que eu sou uma grande fã da série e todo mundo que me segue aqui sabe disso. E talvez por isso mesmo eu tenha achado o livro tão ruim.

A história é escrita em formato de peça, é claro, isso você já sabe. Para mim, tira metade da graça, mas vamos lá. E se passa logo após o epílogo do sétimo livro, quando o filho de Harry, Albus Severus (ow, nome triiiiste), vai estudar em Hogwarts. Você vai até curtindo no início, até porque é apresentado ao único personagem realmente interessante no livro inteiro: Scorpius. Mas aí alguém menciona um vira-tempo que está perdido por aí, em algum lugar, e você perde totalmente as esperanças.

Fora isso, eles mudaram a personalidade de alguns personagens. Harry faz coisas que não combinam em nada com seu caráter, assim como Hermione e Draco. E Ron é reduzido ao papel de alívio cômico. Acho que ficaram sem saber o que fazer direito com ele. Sem falar que Albus Severus é um personagem tão chato quanto seu nome.

Apesar disso tudo, tenho que admitir que tive algumas surpresas boas. Não dá para contar sem dar spoiler, mas digamos que um personagem que havia morrido faz uma aparição, uma participação especial. Eu fiquei feliz com essas poucas e nostálgicas páginas. Tenho certeza que muita gente ficou também.

Para mim, o livro ficou no nível de uma fanfiction. E depois eu descobri que, na verdade, é realmente uma fanfiction. Não foi J. K. Rowling que escreveu; ela só contribuiu em alguma coisa e aprovou o resultado. O que me leva a questionar por que ela mesma não escreveu, já que até adaptação em filme estão cogitando fazer. Eu sei, ela está rica e não precisa escrever mais nada na vida, se não quiser. Mas que eu gostaria, eu gostaria. Um livro dos marotos ou um livro sobre Dumbledore não seria nem um pouco ruim, né não?

No final, não é questão de recomendar o livro ou não. Quem é fã vai ler. Tem gente que até gostou e deve estar me xingando nesse momento. Bem, foi mal aí, gente. Mas o livro é bem ruim.

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Resenha para o Desafio Literário de 2016, com o tema: "sobre magia". Para saber mais sobre o Desafio, clique aqui e participe.

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

The Velvets

The Velvets é outro livro que eu encontrei no Wattpad. E que não está mais no Wattpad, porque a autora, Ana Aguiar, já tirou de lá e publicou em ebook, na Amazon. Ele vinha fazendo uma grande sucesso na plataforma, com mais de 300 mil leituras, e agora está alçando voo para outros horizontes. Quem sabe em direção a uma publicação em paperback? Como acompanho o livro há muito tempo, me sinto até um pouco orgulhosa. Hehe. Coisa de gente besta.

The Velvets é um romance adolescente, mas também meio adulto (já que envolve sensualidade e fala bastante em sexo), que se passa em Londres e tem como palco principal um colégio chamado West Newton. Samantha, a protagonista, é uma menina de 16 anos que teve que passar dois anos em outro país devido a um "escândalo" em sua vida. No último ano do High School, ela retorna mais forte e reencontra os amigos e os não-tão-amigos. Até aí, nada de novo. O fato é que ela tinha uma banda de hard rock chamada The Velvets. Com o novo projeto de que sua escola está participando, um reality show de batalha entre bandas, programa que deverá ser exibido no país inteiro, Samantha decide reunir a antiga banda e, juntamente com os amigos Carter e Alex, participar do jogo. Só tem um problema: o antigo guitarrista e também o cara que arruinou a sua vida, David Young, também vai participar e, para desespero de Samantha, a banda dele é muito boa.

Uma coisa interessante que eu percebi ser comum no Wattpad é que, assim como em fanfictions, os autores costumam escolher um dreamcast, ou seja, um elenco de atores reais para o livro. No The Velvets, Samantha é Selena Gomez (antes era Kristen Stewart, mas ainda bem que Ana mudou, acho aquela atriz insuportável) e David é Aaron Taylor-Johnson. Achei legal a escolha do dreamcast de David porque Ana conseguiu usar dois filmes que Aaron fez, Kick-Ass e Nowhere Boy, para montar o personagem. Primeiro como nerd, depois como músico.


O livro é imenso, com mais de mil páginas no ebook. Fico imaginando como ele seria em paperback, se teria que editar muita coisa, pra não virar um tijolão. O segundo volume, que a autora chama de Segunda Temporada, como uma série, ainda está sendo escrito e postado no Wattpad. Por enquanto, eu não posso dizer muita coisa sobre ele, porque ainda não consegui começar de verdade. Sempre termino esperando que se acumule alguns capítulos para poder ler e não ficar na mão, mas neste caso foi falta de tempo mesmo.

Como eu sempre digo, sou a favor de valorizar livros e escritores brasileiros. Ana Aguiar é uma autora que vai longe, com seu talento na escrita e na concepção de cenas e cenários. Quem aprecia romances adolescentes, deveria dar uma conferida nos seus livros. Alguns deles ainda estão em fase de criação, no Wattpad. E eu, que acompanho a maioria deles, recomendo de coração.

E sobre The Velvets: é um livro que não dá para parar de ler. Mesmo para mim, que costumo ler mais fantasia e clássicos. O negócio é não ter preconceitos, é conseguir entrar em vários tipos de cenários diferentes e ter várias idades diferentes. A gente é bem mais feliz assim, sem amarras e sem preconceitos. A imaginação vai longe.

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Resenha para o Desafio Literário de 2016, com o tema: "escrito por uma mulher". Para saber mais sobre o Desafio, clique aqui e participe.

terça-feira, 26 de julho de 2016

O Cavaleiro Inexistente

Ítalo Calvino é, juntamente com Gabriel García Márquez, um autor de realismo fantástico que eu adoro. Mas eu confesso que empaquei demais neste livro. Não sei por que, talvez porque ele começou a se ater demais a detalhes do dia-a-dia da guerra ou porque eu estava sem tempo; escrevendo demais e lendo coisas referentes ao meu livro. Mas o fato é que eu só comecei a me empolgar na leitura da metade pro final. No fim, acabei demorando mais que o esperado para terminar.

A história fala sobre Agilulfo Emo Bertrandino dos Guildiverni e dos Altri de Corbentraz e Sura. Ele se torna cavaleiro ao defender a honra de uma donzela e decide entrar para o exército francês de Carlos Magno e ir às Cruzadas lutar contra os infiéis. Só tem um porém: ele não existe. O que existe é uma armadura branca e reluzente, mas oca. Agilulfo, porém, é aquele soldado perfeito, que executa todas as atividades com maestria, extremamente metódico, educado, que sabe tudo sobre minúcias militares. O cavaleiro perfeito. Só que não existe.

Quem narra a história dele é uma freira chamada Teodora, que mora em um convento e cuja missão na vida é escrever este livro. As observações dela são engraçadas, às vezes, como quando ela fala sobre Bradamante, uma mulher que luta no exército de Carlos Magno. Bradamante é admirada por todos os cavaleiros e já esteve com vários homens, mas ela se apaixona por Agilulfo, o cavaleiro inexistente. Então, a observação da irmã é de que “acontece que, quando uma mulher já se satisfez com todos os homens existentes, o único desejo que lhe resta só pode ser por um homem que não existe de jeito nenhum…”.

A ironia de Calvino, por meio da irmã Teodora, pode ser vista em várias passagens, como a que eu citei acima. Também quando afirma que Agilulfo, por ser aquele um perfeito cavaleiro, termina sendo antipático ao resto do exército. A perfeição afasta as pessoas, é quase como um defeito. Agilulfo despreza tudo que não é feito minuciosamente, assumindo uma posição de desdenhosa superioridade, o que acaba irritando os companheiros.

A história também é cheia de metáforas. Como a do próprio cavaleiro: um invólucro que existe somente pelo seu objetivo, pelo que faz, pela sua missão, e não por sua essência. Como se fosse uma crítica a muitas pessoas de hoje, que não procuram cultivar o "ser", mas apenas o "fazer". Pessoas que se perdem em seus trabalhos e deixam de viver, de ser alguém, para ser um número na multidão. É interessante fazer esses paralelos à medida que a gente vai lendo.

O Cavaleiro Inexistente é um livro curto e rápido de ler. Divertido, sarcástico, interessante. Para mim, que gosto de histórias belas, achei que faltou alguma coisa para me fazer mergulhar. Mas é um gosto pessoal que não desmerece em nada o livro. Recomendo.

"Até que ponto é possível encontrar um sentido para a literatura a não ser fora dela?"


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Resenha para o Desafio Literário de 2016, com o tema: "de autor estrangeiro". Para saber mais sobre o Desafio, clique aqui e participe.

sábado, 9 de janeiro de 2016

It was LEGEN... wait for it...



Então, eu terminei de assistir How I Met Your Mother. Sim, eu só terminei agora. Sim, eu sei que faz uns dois anos que a 9a temporada foi ao ar. Sim, eu sou uma grande fã. O que não quer dizer que eu precise ver tudo de uma vez, no meio da confusão do hype, tendo que baixar episódios toda semana, vendo um por um e tomando cuidado com spoilers. Fora que eu não ligo para spoilers, a menos que seja um livro/filme de suspense policial, em que a graça seja justa e somente saber quem é o assassino. Agora que eu fui ver, eu já sabia todos os spoilers, já tinha me acostumado com um monte de coisa com a qual eu não concordava e, no final das contas, foi bom. Vi que muita gente se decepcionou, ficou chateada com o desfecho, e eu não fui uma delas.


Depois que você pensa um pouco no final, depois de largar todos os preconceitos, você até entende que faz bastante sentido. Acho que foi meio isso que eu estava fazendo esse tempo todo: me acostumando com o final, antes de assistir. Isso não impediu que eu chorasse feito criança a temporada inteira, mesmo enquanto ria. Assim como todo mundo, eu adorei Tracy e achei que fez bastante sentido ela não ter aparecido até a 9a, embora você fique querendo ter visto mais episódios com ela. Você também não imaginava que a temporada inteira se passaria basicamente em uma semana. Que semana foi aquela, gente? Como eles mesmos disseram, "it's been a long week". De fato, ainda bem que aqui só se passaram dois dias. Uma temporada em dois dias.

Eu não estou querendo dar spoilers, embora ache que todo mundo, menos eu, já tinha visto. Então, vou dizer apenas três coisas: primeiro, me sinto oficialmente órfã. Desde 2010 que eu acompanho a série. Como eu vivo dizendo aos meus amigos, 2010 foi um bom ano e HIMYM foi quase um marco. Era como se fôssemos nós ali, no McLaren's, naquela mesma mesa, fazendo as mesmas piadas, os mesmos brindes, os mesmo high fives, as mesmas besteiras. O tempo passou, mas o carinho permaneceu, assim como a identificação.
 

Segundo: sério, eu nunca vi uma série tão bem amarrada e, no final das contas, são NOVE temporadas com tudo amarradinho. Eles pegavam referências de temporadas anteriores, detalhes que ninguém lembrava. Imagino o quanto não deve ser difícil fazer isso. Não apenas uma série de comédia qualquer, era como se as histórias fossem realmente parte de uma só, tinha ganchos em todo lugar. Numa namorada antiga, num presente de aniversário, numa fantasia de halloween. A gente só nunca vai saber de onde veio aquele abacaxi.
 

Terceiro: totally worth it cada segundo de espera. E, enfim, agora eu não preciso mais wait for it.


terça-feira, 6 de outubro de 2015

Resenha: As Vantagens de ser invisível

Num dia qualquer, no ano passado, assisti ao filme referente a esse livro (inclusive comentei em um post, um tempo atrás) e agora, por acaso, o livro caiu nas minhas mãos. Assim que comecei, só consegui achar que o livro ia ser meio bobo. O protagonista, Charlie, é mais infantil e mais inocente do que aparenta no filme e me dava uma espécie de vergonha alheia, por ficar chorando pelo colégio, em pleno High School. Depois, você termina entendendo a personalidade dele e, afinal de contas, é bom que ele chore. Significa que, naquele momento, não vai explodir de outra maneira.

A história é contada através de cartas, enviadas por Charlie. É como um diário, só que ele envia as narrativas para alguém. No começo, ele fala do único amigo que tinha e morreu e de como está nervoso em começar as aulas no High School, porque tem dificuldade de fazer amigos. Então, ele conhece Sam e Patrick, dois meios-irmãos, e se torna parte do grupo deles. E, como são pessoas de mentes abertas, fora dos padrões, bem diferentes do que ele costumava lidar, Charlie termina vivendo experiências que normalmente não viveria. Ele também acaba ficando amigo de seu professor de inglês, Bill, que passa o ano inteiro emprestando livros para ele ler. E, nesse ano letivo, Charlie vai amadurecendo, aprendendo coisas sobre si, sobre como lidar com pessoas e descobrindo coisas novas.

O livro tinha tudo para ser meio bobo, mas então, à medida que Charlie vai crescendo e se abrindo mais, a gente vai entendendo que as coisas na vida dele, e na cabeça dele, são mais inesperadas do que a gente achava. Uma das coisas que mais me chamou a atenção, nesse livro, foi como as personalidades são mais complexas do que parecem à primeira vista. A segunda coisa que chama a atenção é a delicadeza com a qual o autor escreve coisas, digamos, não muito delicadas. O livro inteiro é de uma delicadeza incrível.

Não é um livro cru, um livro que não usa meias-palavras; ainda assim, é um livro sincero e sem muito rebuscamento. Talvez por isso seja suave, mesmo quando fala sobre problemas grandes; porque não diz diretamente o que a gente quer saber, ao mesmo tempo em que tenta nos mostrar essas coisas. É um livro de descobertas. A gente se descobre, enquanto descobre mais sobre Charlie. Bill termina sendo um mestre e um amigo para todos nós, fazendo com que a gente pense muito nas suas palavras. Sam também tem grandes momentos. É um livro que nos faz pensar sobre amizade, sobre experiências, sobre nós mesmos e em como temos lidado com nossa vida; em como temos deixado nossas experiências nos transformar. Em como temos agido movidos por coisas que nós passamos e se isso é o certo a ser feito.

Pessoalmente, não achei um livro incrível, como já vi muita gente falando. Mas é um livro lindo. Realmente lindo. Ganhou meu respeito.

"Eu sei que tem pessoas que dizem que essas coisas não acontecem, e que isso serão apenas histórias um dia. Mas agora nós estamos vivos. E nesse momento, eu juro. Nós somos infinitos."


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Essa é uma resenha para o mês de outubro do Desafio Literário do Tigre de 2015, do blog da Tadsh: um livro que virou filme. Para saber mais sobre o desafio, entre na fanpage ou saiba mais no blog.

quinta-feira, 30 de abril de 2015

Resenha: A Hora da Estrela

Alguns comentarão "como assim você nunca leu A Hora da Estrela antes?" É verdade, eu li outros dois livros de Clarice Lispector, mas ainda não tinha lido este. Por nada, só não tinha encontrado para pegar emprestado e nunca lembrava de comprar. Fui adiando, como tantos outros livros na nossa vida. Eis que chegou a hora.

Várias pessoas me disseram que este talvez fosse o melhor livro dela. Certamente o mais famoso, adaptado para o cinema e tudo mais. Mas preciso dizer que não gostei. Esperei mais. A narrativa já era minha conhecida, a dos outros dois livros que eu li dela. Desta vez, quem conta a história é um narrador chamado Rodrigo S. M., narrador observador, que conta em terceira pessoa a história de Macabéa. A personagem principal é uma nordestina, alagoana, simples e que não tem muita coisa de especial. O narrador não faz parte da vida dela, é apenas um observador que resolveu por algum motivo contar a história dela.

Mais da metade do livro consiste em Rodrigo se explicando por que escreve e por que resolveu escrever justamente sobre Macabéa. Enquanto não escreve, ele demonstra o desdém típico da classe média carioca pela humilde imigrante nordestina. Eu entendi o motivo por trás disso, mas não torna o livro menos chato. Eu adoro a escrita de Clarice Lispector; mas, gente, é mais da metade do livro só, digamos, enrolando para não contar a história. Eu sei que a ideia era Macabéa só ser importante na hora certa e Rodrigo ser um personagem secundário, apesar de narrador, com sua história e caráter a serem descritos. Mesmo assim, nada disso me ajudou a gostar do livro. Para mim, ele só para de se arrastar da metade pro final.

Depois de ler obras lindas como Perto do Coração Selvagem e Laços de Família, eu confesso que fiquei decepcionada. Mas eu tive que ler para saber disso. É um livro curto, pelo menos. E nunca é desperdício ler as belas palavras de Clarice.

"Quem já não se perguntou: sou um monstro ou isso é ser uma pessoa?"

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Essa é uma resenha para o mês de abril do Desafio Literário do Tigre de 2015, do blog da Tadsh: um livro escrito por uma mulher. Para saber mais sobre o desafio, entre na fanpage ou saiba mais no blog.

terça-feira, 28 de abril de 2015

Resenha: A Droga da Amizade

Anos depois de lançar a série de livros dos Karas, Pedro Bandeira resolveu escrever mais um livro sobre os heróis da minha infância: A Droga da Amizade. Como o autor terminou vindo à minha cidade para promover o livro, eu aproveitei e consegui um autógrafo e uma foto com ele. Enquanto o via divagar sobre o livro e responder perguntas, várias vezes senti um nó na garganta, de nostalgia pura. É isso que é essa série inteira para mim: nostalgia. Olhos enchendo de lágrimas ao lembrar do tempo em que eu li pela primeira vez cada um desses livros.

Ele conta a história de como os Karas estão agora: adultos, com filhos. Esperando para fazer um discurso importante, Miguel relembra como surgiu o grupo e nos conta também alguns acontecimentos curtos passados, que não foram narrados nos outros livros. São como contos. É interessante, feito especialmente para fãs. Mas, se você espera uma história como as outras, vai se frustrar bastante. Eu não esperava nada, porque já tinha lido várias sinopses e ouvi Pedro Bandeira contando sobre o processo de desenvolvimento do livro. Então, eu sabia bem o que esperar. Terminei de ler em poucas horas, visto que a linguagem é aquela de sempre, escrita para crianças.

O livro termina com duas surpresas, que obviamente não vou contar. Só vou dizer que uma me surpreendeu e a outra não. Mas as duas me trouxeram lágrimas de nostalgia. Deu vontade de ler tudo de novo; esquecer que tenho 29, e não 9, anos de idade e amar de novo esse grupo, que também é meu e de todos aqueles que cresceram junto com ele. Visitar de novo os meus amigos em suas aventuras contra a máfia, contra os nazistas, contra drogas imbecilizantes. Decifrar os códigos, solucionar mistérios, usar disfarces.

Não me entendam mal; não estou indicando o livro para ninguém ler. É um livro sobre lembranças. Ninguém que não tenha essas lembranças vai dar algum valor a ele. Mas, se você as tem, vale ler o livro. Não vai ser a melhor coisa que você vai ler no ano, mas em duas horinhas você termina. E vai descobrir o que se tornaram nossos amigos de infância, agora adultos.

'Fanzices' à parte, preciso dizer que não gostei das capas dessas novas edições. Sério, vejam que linda essa edição antiga da Droga do Amor.


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Essa é uma resenha para o mês de abril do Desafio Literário do Tigre de 2015, do blog da Tadsh: um livro com a capa feia. Para saber mais sobre o desafio, entre na fanpage ou saiba mais no blog.

domingo, 12 de abril de 2015

Resenha: O Elevador Ersatz

As desgraças na vida de Violet, Klaus e Sunny Baudelaire começam quando eles perdem os pais em um incêndio e são obrigados a mudar de lar várias vezes por causa de um homem horrível chamado Conde Olaf, que quer tomar a fortuna deles. Neste volume, eles se mudam para o apartamento de cobertura do casal Esmé e Jerome Squalor, um pessoal preocupado demais com as aparências. É claro que o Conde Olaf aparece para estragar o que já não eram as mil maravilhas do mundo.

O Elevador Ersatz é o sexto livro do Desventuras em Série, de Lemony Snicket (pseudônimo de Daniel Handler), cujos treze volumes contam a triste história dos órfãos Baudelaire. Os três primeiros volumes foram adaptados em um filme, com algumas modificações no enredo, mas uma das poucas adaptações de que eu gosto. Inclusive, conta com um elenco impecável, com Meryl Streep, Jude Law, Jim Carrey. O filme manteve bem o tom dos livros: melancólico, meio sarcástico, meio escrito para crianças. O que mata é a atuação exagerada de Jim Carrey, que achei desnecessária.

Há quem diga que não gosta da escrita desses livros porque parece infantil demais. Eu discordo. Acho que Daniel Handler conseguiu um equilíbrio interessante entre uma narrativa escrita para crianças e um vocabulário rebuscado, mesmo que ele sempre acabe explicando as palavras mais complicadas logo depois de usá-las. Mas a escrita é bem peculiar e eu gosto de autores que conseguem fazer uma coisa diferente, que conseguem colocar sua marca naquilo que escreve. Daniel Handler fez mais que isso e, sob o pseudônimo de Lemony Snicket, virou personagem em seus próprios livros, se colocando como narrador-personagem que conheceu pessoalmente os órfãos Baudelaire, testemunhou suas infelicidades e sofreu suas próprias perdas na história.

Segundo eu li, o pseudônimo surgiu como um nome que Handler utilizava numa lista de correio de organizações de extrema direita que ele pesquisava para um de seus livros. Depois, virou uma brincadeira entre os amigos, que começaram a pedir pizza com o nome. Então ele virou narrador das histórias dos Baudelaire (assim como de dois outros livros e também escreveu a introdução de um livro de contos), das quais ele também faz parte, assim como Beatrice, a mulher que ele amava e, aparentemente, não se encontra mais entre nós.

Apesar dessas coisas legais todas, depois de ler seis livros dessa série, confesso que enjoei um pouco do enredo. Porque é quase sempre o mesmo: (spoiler alert)* os órfãos chegam a um novo lar, às vezes bom, às vezes péssimo; então vem o Conde Olaf, com um disfarce doido que convence todo mundo, menos as três crianças, e eles terminam bolando um plano para acabar com o disfarce e prender o vilão, mas ele consegue escapar. Com algumas pequenas mudanças em cada livro. Dá agonia também de como nenhum dos tutores acredita nos órfãos; parece uma coisa meio sem sentido para mim. Como se todos os adultos fizessem pouco caso do que as crianças dizem. Acho que havia outras maneiras de fazer isso ficar aceitável. (/spoiler alert) Mas, de modo geral - pesando os prós e os contras - eu gosto bastante da série.


"... a tabela dos elementos não contém um dos elementos mais poderosos que
formam o nosso mundo, e este é o elemento surpresa."



*Se você nunca leu nenhum livro da série e não gostar de spoilers, melhor não ler o trecho em cinza.

Update: Quis reescrever essa resenha inteira depois de ler este artigo aqui, mas não o fiz porque pretendo ler outro livro da série e corrigir minha injustiça na próxima resenha.


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Essa é uma resenha para o mês de abril do Desafio Literário do Tigre de 2015, do blog da Tadsh: um livro com a capa alaranjada. Para saber mais sobre o desafio, entre na fanpage ou saiba mais no blog.

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Resenha: Erêndira

O título completo do livro é "A incrível e triste história da Cândida Erêndira e sua avó desalmada". Peguei esse livro para ler porque adoro Gabriel García Márquez e porque minha amiga Gaby me emprestou. Eu sabia apenas que era um livro de contos. Mas claro que ia ser bom, afinal era Gabriel García Márquez.

São sete contos, cada um com poucas páginas; apenas o último, o que dá nome ao livro, que é maiorzinho, com umas 50 páginas. Eu confesso que não gosto muito de livros de contos e olha... Eu adorei vários livros dele, acho que amo todos que eu li até agora, mas esse aqui é uma das coisas mais lindas que eu já li na vida. Os cenários são aqueles de sempre: algum lugar numa cidadezinha qualquer pobre e quente da América Latina. Alguns tinham praia, alguns eram só deserto; mas todos ilustravam uma realidade dura, miserável, com o seu povo pobre e triste. Alguns contos são perversos, outros engraçados, outros românticos, sarcásticos. Mas o que me fez ficar encantada com o livro é aquela coisa de sempre de Gabriel, só que melhor: o realismo fantástico quando aparece em forma de coisas belas, em meio a toda aquela pobreza e gente triste, sem esperança. É o cheiro de rosas no meio de uma cidade que cheirava mal; as flores que flutuavam no mar; um navio fantasma; um homem com asas; um defunto que era mais bonito que todos os vivos da cidade.

O meu conto preferido foi "O Mar do Tempo Perdido". Eu li e reli umas duas vezes no mesmo dia, uma atrás da outra. Mas todos têm suas peculiaridades, que fazem você sentir um carinho imenso pelo livro, daqueles que dá vontade de abraçar. Acho que só tinha sentido algo assim pelo Oceano no fim do caminho, de Gaiman. É um estilo bem diferente, não me entendam mal; mas os dois têm aquela parte de fantasia, a parte bonita que faz você sentir carinho pelo livro. Aquela parte que corta a realidade fria e transforma tudo em algo agradável de imaginar. E as palavras de Gabriel encantam demais; você fica querendo ler a mesma frase várias vezes, para não perder nada. É lindo demais. Só lendo para saber.

"No fundo do mar, há um povoado de casinhas brancas com milhões de flores nos terraços."

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Essa é uma resenha para o mês de abril do Desafio Literário do Tigre de 2015, do blog da Tadsh: um livro emprestado. Para saber mais sobre o desafio, entre na fanpage ou saiba mais no blog.

sábado, 14 de março de 2015

Resenha: After - Depois da Verdade

Achei que não iria completar a tag "Lançado no mês" do Desafio, porque não sou muito atenta a lançamentos. Acontece que encontrei um aplicativo no celular chamado Wattpad e, nele, uma fanfiction chamada After. A fanfic virou uma série de livros e o segundo volume foi lançado este mês. E eu acabei de ler os dois primeiros volumes.

After começou como uma fanfic da boyband One Direction, da qual eu conhecia bem pouco, para não dizer nada. Agora, sei quem são os componentes e sei que eles saíram do reality show The X Factor. Para publicar o livro, a autora mudou os nomes do pessoal da banda. Pessoalmente, acho que deveria também ter diminuído a quantidade de confusões, mas OK.

A história é sobre um tumultuado romance entre Tessa e Hardin (personagem inspirado em Harry Styles). Bem, talvez tumultuado seja o eufemismo do século. De modo geral, achei o livro muito semelhante a 50 tons de cinza e à série Crepúsculo, talvez porque seja uma espécie de fanfic desses dois também. Ou seja, é um romance, é fácil de ler, flui com facilidade, prende a atenção, mas não é nem de longe bom. Não tem um enredo, apenas um conjunto de coisas acontecendo a toda hora, sem descanso, e os personagens são extremistas em tudo que fazem. E não é lá essas coisas na escrita também; não que eu pudesse exigir muito, ou mesmo que tivesse a impressão de que seria algo grande. Foi apenas uma ótima distração nos meus momentos de folga do trabalho, mesmo que muitas vezes me deixasse com muita raiva.

Um dia desses, eu li um artigo em que uma autora criticava a relação abusiva narrada no livro "50 tons de cinza" e eu achei exagero. Primeiro porque, na ficção, pode-se narrar até estupros e assassinatos e não é por isso que todo mundo vai sair reproduzindo na vida real. E, até mesmo pelo público-alvo, mulheres adultas, não achei que influenciaria muita gente a sonhar com um homem controlador, machista e doente. Hoje, eu critico a relação de After. Ao contrário de 50 tons, After foi escrito para fãs de One Direction, ou seja: adolescentes. Mais especificamente: mulheres adolescentes. Fora que a relação deles é mil vezes mais abusiva - eu diria até assustadora - que a de 50 tons. Enquanto lia no Wattpad, vi vários comentários de meninas sonhando com o bad boy Hardin e xingando a Tessa, quando ela achava ruim as situações absurdas pelas quais passava e queria deixá-lo. Eu me vi torcendo para que ela fosse embora para sempre e procurasse algo saudável para a vida dela, mesmo sabendo que não ia acontecer. Não sou a favor de se tirar lições de obras de ficção - até mesmo porque quem mais lê livros junks sou eu -, mas como posso aguentar ver meninas que nunca tiveram uma relação de verdade na vida defendendo absurdos como esses? Posso vê-las, no futuro, aguentando um monte de merda dos companheiros e achando lindo, esperando fazer o outro mudar por elas, porque o amor vence tudo. Como já dizia House: "people don't change".

Tive raiva dessas coisas, mas não abandonei a leitura, porque as partes de romance são bem bonitinhas e fazem você querer saber como vai acabar. Mas sempre tinha algo mais que Hardin fazia e muitas das coisas me deram náuseas. Muitas vezes, esperei que ele fosse preso, morresse ou algo assim. Muitas vezes, joguei o meu kobo longe. Não, gente, não é normal. Gostaria muito de dizer isso para as meninas que estavam achando tudo lindo. A vida já é complicada o suficiente para ainda ter que lidar com merdas desse tipo. A gente precisa de pessoas boas e relações saudáveis à nossa volta, para aguentar tudo. Não de pessoas destrutivas que vivem exaurindo a nossa energia.

Acredito que a autora quis fazer um paralelo com Wuthering Heights e o romance doentio de Cathy e Heathcliff. Para mim, o final é perfeito; mas duvido que aconteça algo assim no final da série After. Uma pena. Ou não. Vamos aguardar o terceiro volume.

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Essa é uma resenha para o mês de março do Desafio Literário do Tigre de 2015, do blog da Tadsh: um livro lançado no mês. Para saber mais sobre o desafio, entre na fanpage ou saiba mais no blog.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Resenha: Pornô

Desde que comprei meu e-reader, vi muita utilidade nele. Entre elas: não carregar livros pesados para todo lado; não comprar muitos livros físicos e, finalmente: não ter que ficar respondendo a mil perguntas sobre tal livro de título ou capa estranha. No caso de Pornô, de Irvine Welsh, eu tive que respirar fundo toda vez que alguém lançava um olhar mais agudo para o título ou a capa: "Não, não é um livro erótico". Desejei várias vezes ter comprado a versão em e-book, para não ter que carregar peso, nem responder a essas perguntas.

A história é a continuação de Trainspotting, um livro que fala basicamente da vida de alguns jovens escoceses viciados em heroína. Inclusive, Trainspotting virou um filme muito interessante com Ewan McGregor e um elenco competente. Costumo brincar dizendo que juntaram Obi-Wan jovem, Sherlock Holmes (de Elementary), Rumpelstiltskin (de Once Upon a Time) e Poseidon (de Percy Jackson)* para fazer o filme.

Nesta continuação, da qual também estão gravando um filme, as drogas são meio deixadas de lado e o assunto do momento é a produção de filmes pornográficos. Dez anos se passaram e os personagens agora estão diversificando seus interesses. Não mais jovens inconsequentes, agora eles precisam pagar contas e pensão de filhos. Além dos protagonistas que já conhecemos - Sick Boy, Renton, Spud e Frank -, somos apresentados a Nikki, uma universitária britânica, que está estudando cinema na Escócia e trabalha numa casa de massagem para conseguir pagar suas contas. Termina que eles são envolvidos na produção de um filme pornográfico, produzido por Sick Boy.

Assim como em Trainspotting, ninguém avisa quem está narrando a história, mas a gente termina descobrindo pela narrativa. Para mim, essa é a mágica da série: a habilidade de Irvine Welsh de escrever várias narrativas diferentes, de maneira que faça o leitor perceber quem está narrando. E o final, claro, o final. Tem sempre alguma coisa incrível no final dos livros dele. Mal posso esperar para ler o terceiro, Skagboys, que se passa antes de Trainspotting

Pornô é um livro genial, recomendo a qualquer um que goste do estilo. Inclusive, ele poderia figurar em várias categorias do Desafio, mas acabou que coloquei na categoria "com mais de 300 páginas", porque não sei se vou conseguir ler muitos livros longos este ano.

* Eu não assisto Grey's Anatomy, mas, antes que os fãs da série me xinguem, vou adicionar a nota: Poseidon também pode ser o médico Owen Hunt.


Essa é uma resenha para o mês de fevereiro do Desafio Literário do Tigre de 2015, do blog da Tadsh: um livro com mais de 300 páginas. Para saber mais sobre o desafio, entre na fanpage ou saiba mais no blog.

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Resenha: Sangue do Olimpo

Depois de ler essa última parte da saga dos Heróis do Olimpo, eu preciso dizer que voltei a ser adolescente. A saga inteira é escrita para adolescentes e, assim como a primeira, a de Percy Jackson e os Olimpianos, a leitura é fácil e leve. Adoro infanto-juvenis (que hoje chamam de Y.A.), nunca passei dessa fase de vez por outra pegar um livro nesse estilo e devorar em dois dias. Não é uma grande coisa na parte literária, se é isso que te faz pegar um livro para ler. É apenas um livro bastante divertido.

“Sete meio-sangues atenderão ao chamado
Em tempestade ou fogo o mundo terá acabado
Um juramento a manter com um alento final
E inimigos com armas as Portas da Morte afinal”

Para quem não sabe nada sobre Percy Jackson, ele é um semideus, filho de Poseidon, que mora nos EUA e passa as férias num acampamento de semideuses. Vez por outra, ele e outros heróis precisam sair em uma missão para salvar o mundo de algum monstro ou da ameaça de titãs, deuses, gigantes ou tudo isso junto. Neste livro, sete semideuses, incluindo Percy, chegam à Grécia para lutar contra os gigantes que querem despertar Gaia, a mãe-terra, antes que ela acabe com a humanidade. Enquanto isso, dois semideuses e um sátiro têm que levar a Atena Partenos, uma estátua de vinte metros de altura, de Roma para os EUA, para evitar uma guerra entre semideuses gregos e romanos.

Como eu disse, é um livro bem divertido. Rick Riordan trata as lendas da mitologia greco-romana de maneira engraçada e leve; que quem conhece um pouco delas, sabe que não são bem assim. Acho que vale para fazer os jovens se interessarem um pouco em conhecer mais sobre mitologia e conhecer os mitos "verdadeiros". Fora isso, é um infanto-juvenil do gênero de fantasia com tudo o que tem direito: romance, monstros, profecias, personagens engraçados, amizade. Assim como Harry Potter, ou Necrópolis, ou Eragon, ou Crepúsculo. Sem querer comparar essas sagas entre si.

Fiquei um pouco decepcionada com este livro porque o autor deu vários indícios de que algumas coisas iriam acontecer e não aconteceram. Não tenho como explicar isso direito sem dar spoilers. É um final bom para a história, mas me deixou um pouco frustrada. Talvez deixasse o livro muito longo, mas mesmo assim... Tenho algo com finais de sagas. Nunca fico muito satisfeita. Fico pensando se eu escrever uma, algum dia, se vou conseguir ficar satisfeita. Tenho muita vontade de escrever infanto-juvenis. Deve ser por causa dessa minha capacidade de virar adolescente, quando estou lendo, e esquecer de todo o resto. Vai ver nunca cresci.

O Sangue do Olimpo fecha a saga de Percy Jackson, que começou a lutar com monstros no livro O ladrão de Raios, aos doze anos de idade, e acaba nesse com, sei lá, dezesseis. Nesta saga, ele não é o único protagonista e, especialmente neste livro, a história não é contada pelo ponto de vista dele. Achei inclusive que deixaram o personagem um pouco de lado. Mas dá para entender, visto que nos livros passados deram muita atenção a ele e o ponto dessa saga não era fazer um personagem ser melhor que o outro; é justamente mostrar que todos são importantes na mesma medida. Achei uma mudança boa da primeira série. Fica a sugestão para quem gostou de Percy Jackson e os Olimpianos, ou para quem gosta de fantasia, infanto-juvenis, Y.A. ou coisa que o valha.

Essa é uma resenha para o mês de janeiro do Desafio Literário do Tigre de 2015, do blog da Tadsh: um livro divertido. Para saber mais sobre o desafio, entre na fanpage ou saiba mais no blog.

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Amor: Jane Eyre

Pela primeira vez na vida, eu chorei com um livro. OK, até fiquei bem triste com o 5º e o 6º Harry Potter, mas não cheguei a choraaar de verdade com nenhum dos dois. Mas o que aconteceu com Jane Eyre, de Charlotte Brontë, foi inusitado. Inusitado porque: 1) Eu já sabia a história inteira por ter lido várias resenhas; 2) Eu já tinha visto umas duas adaptações pro cinema, uma delas protagonizada por Mia Wasikowska e Michael Fassbender (♡♡♡♡). Também já ouvi falar de uma série de televisão da BBC e pretendo ver logo que encontrar, dizem que é a melhor adaptação. Escolhi este livro pro Desafio do mês de outubro porque foi o único romance que me interessou ler, nesses últimos tempos. Love is not in the air.

O livro conta a história da personagem que dá nome ao livro, Jane Eyre, uma órfã que foi criada na casa da tia e, posteriormente, mandada a uma escola para meninas. A vida toda, ela passou por várias provações e privações, inclusive fome e frio, pois era uma escola de caridade e não havia comida, agasalho e fogo suficientes para todo mundo. Depois de seu período de escola, ela vira professora e decide ir para uma casa de família trabalhar como governanta, quando ela conhece o amor da sua vida, seu patrão, Edward Rochester.

Para a época, Charlotte Brontë criou uma história revolucionária. A gente pensa que vai ler algo de um feminismo mais sutil, como nos livros de Jane Austen, mas se depara com uma mulher em busca da sua liberdade de ideias e financeira. Jane Eyre nunca quis nada além de poder se sustentar e viver a vida como desejasse, sem homens lhe dizendo como pensar e como agir. Isso fica claro desde o começo do livro, mas esse fato fica gritante mais pro final. Há quem diga que o livro não é exatamente um romance. Eu concordo. Está cheio de elementos de drama, suspense e algo de sobrenatural. Houve uma hora em que eu pensei que veria algo como em O Morro dos Ventos Uivantes (Wuthering Heights), obra escrita por outra irmã Brontë, Emily. Ambos romances vitorianos. É interessante ver os elementos góticos, presentes nos dois, muito mais evidentes no romance de Emily. Mas ainda presentes em Jane Eyre.

Charlotte escreveu neste romance muitas das coisas que viveu, de ser aluna de um colégio de caridade, de ter sido professora e de ter sofrido privações. E também colocou nele seus pensamentos, sua coragem e seu feminismo. O livro foi publicado inicialmente com um pseudônimo masculino e ela só assumiu a maternidade dele depois. E recebeu muitas críticas por isso.

Aí me perguntam se eu indicaria a leitura. Indico para aqueles que conseguem ler considerando as influências históricas do livro, o papel que ele teve numa geração e até mesmo na vida da autora. Porque, primeiramente, é um romance romântico, daqueles bem melosos. Eu gosto do estilo, mas conheço gente que não conseguiria ler. Então, vale para entender uma época, juntamente com uma maneira de se pensar e costumes diferentes. Eu acho válido e eu adorei a experiência.

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Esta é uma resenha para o Desafio Literário do Tigre 2014, do blog da Tadsh. O tema de Outubro é "Amor": ler e resenhar um livro que conte uma história de amor. Para saber mais sobre o desafio, entre na fanpage ou saiba mais no blog.