sexta-feira, 22 de junho de 2018

Resenha: O Nome do Vento

Comecei a ler este livro sem nenhuma expectativa. E se tornou uma boa surpresa.

O Nome do Vento é o primeiro livro da trilogia "Crônicas do Matador do Rei", de Patrick Rothfuss. A história se passa num mundo ficcional conhecido como Quatro Cantos da Civilização. O protagonista é Kvothe, um personagem misterioso e muito inteligente, músico, artista itinerante de uma espécie de grupo de ciganos e aprendiz de mago. E, na ocasião do início do livro, taberneiro.

No início do livro, o narrador é em terceira pessoa e nos conta sobre os atuais tempos difíceis e perigosos, onde demônios e saqueadores estão à solta pelas estradas e poucos mantimentos chegam às cidades. Até que um personagem entra na história e se inicia a narrativa em primeira pessoa, em que Kvothe nos conta sua história.

Minha parte favorita é quando ele chega à Universidade e começa a virar uma lenda no lugar. Ele é jovem demais para entrar, mas aprende tudo muito rápido, motivo pelo qual os mestres de lá permitem que ele ingresse na instituição e tenha oportunidade de virar um Arcanista. Nesse meio tempo, ele faz amigos, inimigos, comete muitas imprudências, salva pessoas e vai se delineando, assim, sua fama de herói.

Com a narrativa em duas pessoas, o autor nos oferece uma diversificação de ponto de vista. No narrador em terceira pessoa, ele nos dá uma visão mais real do que se passa. Quando Kvothe começa a narrar, percebemos uma queda na imparcialidade, conforme ele mesmo avisa que vai narrar as coisas do jeito dele.

"As melhores mentiras a meu respeito são as que eu contei"

No entanto, ele é um artista. A narrativa ganha em poesia e envolvimento, porque as impressões do mundo conforme a maneira que Kvothe o enxerga é encantadora. Uma passagem que eu gosto é quando ele descreve a moça por quem ele é apaixonado: ele a chama de linda, mas outro personagem contradiz, afirmando que ela tem nariz torto e que o rosto é fino. E ele rebate, dizendo:

"Somos mais do que as partes que nos formam"

Dessa forma, o Kvothe experiente que conta a história mostra uma sapiência que eu apreciei bastante. Outra parte interessante é quando o jovem Kvothe reclama de algumas atitudes dessa moça e um sábio dono de taberna declara que ele não pode julgar o que uma mulher faz na sua luta para sobreviver. Tentei explicar essa parte para minhas amigas, mas não sei se consegui fazê-las captar direito, porque não estavam inseridas naquele mundo como eu estava.

Não que eu não tenha torcido o nariz para várias outras passagens; por ser uma fantasia épica, somos obrigados a contar com uma realidade de época bastante desfavorável às mulheres. Mas tentei ler sem preconceitos e com o máximo de discernimento.

Então, eu adorei o primeiro volume e ele entra no Desafio como o meu livro "Fantástico". Pretendo ler outras coisas antes de entrar no segundo. E também no spin-off sobre outra personagem, que eu achei bem interessante. Porque não gosto de ler séries de uma vez.

Inclusive, eu disse acima que comecei a ler o livro sem nenhuma expectativa. Menti. Eu esperava que, por ser uma trilogia iniciada há tanto tempo, já teria um final. E não tem. Faz seis anos que o autor finge escrever o terceiro livro. Estou arrasada por ter me metido nessa de esperar por autor de novo.

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