Segunda-feira, 6 de Julho de 2009

Má educação

Se existe uma coisa que me irrita mais que gente me cutucando, é gente mal educada. Cara, como eu odeio gente mal educada! Penso que deveria haver uma instituição — como o manicômio é para os loucos — para se mandar as pessoas deficientes em educação doméstica. Só então nós, pobres pessoas escravas da boa educação, não precisaríamos mais sofrer caladas com certas situações irritantes.

Outro dia, eu estava lá no consultório, quando entra uma penca de crianças barulhentas na minha sala para passar para a que fica ao lado. Como só uma divisória separa as duas salas, tive que ser submetida àquela poluição sonora. Na verdade, não ligo muito quando são barulhinhos inocentes de crianças hiperativas, porém educadas. Não era o caso. Havia duas crianças menores e inquietas, mas a menina que seria atendida tinha uns doze anos, perfeitamente capaz de se controlar. E as duas senhoras que supervisionavam aquela visão do inferno não estavam supervisionando coisa nenhuma. Pelo contrário, elas contribuíam para a falação, conversando entre si por cima das vozes das crianças. Amigos, em pleno consultório odontológico.

A melhor parte da história é que eu estava com um paciente, no meio de um procedimento delicado, que não podia ser interrompido. Então, aparece a minha auxiliar, com a pergunta:

— Doutora, quer alguma coisa?

Eu falei:

— Sim, quero que esse pessoal sem educação cale a boca.

Quem me dera tivesse falado alto o suficiente para não só o meu paciente rir, mas as tão distintas damas ficarem envergonhadas e mandarem suas crias se comportarem. Porém, suspeito de que, se tivessem me ouvido, a falta de educação chegaria ao seu auge e eu ouviria um alto e claro “vem calar”.

Quarta-feira, 1 de Julho de 2009

Um ano dentro do mar

por Bruno Portella


Cavando e cavando as águas profundas e nada lineares do fundo-do-mar, este blogue distinto — de temas diversos e nunca categorizados ou enquadrados, vai se afundando mais e mais. Tornando-se mais profundo e mais vasto, desconhecido.

Cada vez mais com cada vez menos a segurança da superfície — se jogando de vez na falta de luz abissal, procurando pelos seres luminescentes e nunca vistos dentro de si e de nós mesmos.

Esta Marina Morena, menina danada (e este sou eu, paulistano, tentando soar lisbelo como ela) vai se aprofundando cada vez na sua própria experiência virtual. O que não significa que os textos fiquem maiores, não, mas talvez mais maduros, mais surpreendentes — seja nas velas suas, na de seus irmãos, ou na breve ode à um filme que te toca fundo, ou nos contos curtos e cheios de uma simplicidade abrupta.

Indo sempre pro fundo-do-mar. É pra onde eu sempre quero ir quando venho pra cá, e sempre que volto, percebo que estou algumas léguas submarinas mais longe da superfície.

Convido a todos a continuarmos descendo essas águas profundas, e nos descobrirmos totalmente envolvidos por essa recifense distinta.


Beijos meus: Bruno, Serpentina e Choradeira [#interna]. E parabéns pelo primeiro ano de blogue.


No MSN:

Marina diz:
hj meu blog completa um ano

Bruno.Portella diz:
Olhaa. Vai ter post comemorativo?

Marina diz:
não, to sem saco

Bruno.Portella diz:
Eu escrevo um pra você então.

Marina diz:
sério?


Era sério.

Obrigada de coração, Bruno!

Contato:

http://ovocesariano.wordpress.com/

http://sandubadequeijo.wordpress.com/

Segunda-feira, 29 de Junho de 2009

Uma vela apagada

Refletida em meus olhos, uma chama cintila na escuridão do aposento. Aquele ponto de luz bruxuleante, que representa a vida queimando, a vida brilhando, sendo vivida a todo custo. A qualquer custo. Eu vejo a vida daquela vela ardendo nas lambidas quentes do fogo multicor. O fogo da minha vida.

Naquele relativo silêncio, tudo me passa pela mente; a preciosa família, os bons amigos, tudo que conquistei e os sonhos que ainda não realizei. É quando me permito sonhar mais, sonhar que sou capaz de alcançar. Ultimamente, mais me tenho obrigado a manter o pé no chão e meus escritos é que são as minhas asas. Entretanto, naquele momento em que vejo a vela acesa, deixo-me ser sonhadora, como nunca. Ou como antigamente.

A chama da vida, então, com um sopro, é apagada. Antes, faço um pedido do fundo do coração. Do fundo do mar. Os aplausos que se seguem não disfarçam a ignorância daqueles que me rodeiam. Aplaudem a minha vida, independente do que ela represente. É neste momento que entendo que meus amigos me apoiariam mesmo que eu sonhasse em ir ao inferno. Apenas tenham certeza de que, no dia de hoje, tê-los comigo é a minha melhor idéia de paraíso.

Dedico este texto a mais uma vela que se apaga. A mais um ano que se vai. E a todos que queiram me acompanhar.


Em tempo: Daqui a dois dias este blog também está apagando velinha. Um aninho.

Quinta-feira, 25 de Junho de 2009

There will be others

É fácil fazer mil piadinhas sobre a morte de alguém, quando essa pessoa não foi importante para você. Admito que achei algumas engraçadas, mas existem horas em que rir é dispensável. Essa pessoa foi importante para mim, para meus olhos infantis arregalados, que não entendiam nada daquela música em língua confusa e muito menos como uma pessoa tenta ir pra frente e vai pra trás. Mas achava o máximo.

Não conheci Michael Jackson como pessoa; mas falei dois posts atrás o quanto a música é importante na minha vida. E, não por coincidência, os versos que ilustraram esse post foi da música Music and Me (o link me foi dedicado pela Jéssica), o primeiro lugar do meu Top 5. Da minha vida inteira, não só das músicas de Michael.

Eu ainda esperava ir a um show dele; era um dos meus sonhos. Só me resta respirar fundo e ficar com o que ele nos deixou: a música. Porque ele pode morrer, mas sua música sobreviverá.


Michael, existiram muitos,

mas nunca verdadeiros amantes

como você e a música.

Quarta-feira, 24 de Junho de 2009

Enquanto a fogueira ardia

Enquanto a fogueira ardia, eu me preparava para me casar. Estavam todos lá, o pai, a prima, até o delegado. Meu noivo, porém, parecia que estava lá a contragosto. Talvez fosse pelo fato de meu pai estar com uma cara feia de doer, ou pela arma que o delegado carregava na cintura, bem visível, como se o desafiasse a dar um passo para fora do tapete vermelho.

Era a minha noite de sonho. O vento fresco agitava as bandeirinhas coloridas, presas em barbantes, no teto do salão. O meu noivo ainda tentou fugir uma ou duas vezes, durante a cerimônia. No fundo, porém, eu sei que ele queria se casar comigo. Ele até sossegou, depois que o padre nos declarou marido e mulher, e aproveitou a festança. Bebeu a cachaça artesanal do meu pai, devorou toda a canjica e dançou com a prima Rosa. Depois, dançou com a Rita, com a Judite, a Flora…

Enquanto a fogueira ardia, naquela noite estrelada, um balão subia, colorido, para o infinito. Fogos de artifício estouravam, crianças assavam milho, a quadrilha começava. As pessoas dançavam alegremente no meio do salão, ao som do trio sanfoneiro. Meu noivo entre elas. Mal sabe ele que, quando chegarmos em casa, ele vai conhecer o peso da minha vassoura.



"A fogueira está queimando

Em homenagem a São João..."

Quinta-feira, 18 de Junho de 2009

Music and me

Ainda era bem pequena quando senti pela primeira vez uma sensação indescritível através do som de uma música. Não qualquer música, mas aquela que diz tudo o que você gostaria de escutar naquele momento. Não me lembro qual era e nem importa, pois essa foi somente a primeira vez que aconteceu. A partir desse dia, várias músicas continuaram me emocionando, me encantando, me fazendo sentir que não pode ser por acaso que estou aqui.

Cheguei a duvidar que outra pessoa pudesse sentir essa forte ligação que eu sinto. Hoje, eu não diria “ninguém”; diria “nem todos”. O filme O Som do Coração (August Rush, 2007) é para essas pessoas. Para os críticos da sétima arte, não é um filme extraordinário. Mas para os que, como eu, são, antes de tudo, verdadeiros amantes da música, certamente se identificaram um pouco com o jovem August na sua busca.

Não sou um prodígio musical, nem perto disso. Sou apenas uma amante platônica. Apaixonada pela música, pelo amor, pela vida da maneira que August a vê. Eu sei que é só um filme; mas, clichês e happy endings à parte, me fez sonhar como há muito tempo eu não era capaz.




There have been others

But never two lovers

Like music, music and me.

Quarta-feira, 17 de Junho de 2009

Selo Dorado


Uia! Não é todo dia que eu ganho presentes, ainda mais a 12 dias do meu aniversário.

Regras:

1- Mencionar quem ofereceu o selo.

2- Completar a frase “Eu sou Luz e quero iluminar...".

3- Passar o selo para até 15 blogs que consideremos de LUZ, avisando-os da oferta.


Ganhei esse selinho fofo e de origem curiosa da Bee e estou fazendo esse post mais para agradecer que para qualquer outra coisa. Obrigada, linda! Eu adorei!

Quanto à frase:


Eu sou LUZ e quero iluminar todas as pessoas que conseguem ver brilho nas minhas palavras.


Atualmente, leio vários blogs ótimos e poderia indicar inúmeros para honrar este selo; mas, como vocês sabem, não sou muito fã de correntes. Então, como tenho que enviar para até 15 blogs, vou enviar apenas para um: o seu, Bee, em retribuição ao carinho e por considerar você uma pessoa de LUZ. Não por acaso, o seu blog também é iluminado.

Sexta-feira, 12 de Junho de 2009

Empolgação

— Alô?

— Oi, Dééé!

— Ah, é você, Cristina. O que você quer?

— Dé, você já viu que lua linda?

— Lua? Não, não vi.

— Pois devia ver! Está perfeita!

— Você me ligou pra falar da lua?

— Esta é uma noite perfeita pra ficar com o namorado, jantar à luz de velas, ficar agarradinho… A propósito, eu estou aqui com o Edu. Ele só foi ao banheiro.

— E daí?

— E daí que adivinha, Dé?? Ele me pediu em casamento!! Agorinha! Não é o máximo?

— Hum! Legal.

— Ganhei um anel lindíssimo, de diamante! Estou saltitando aqui, precisava te ligar pra dizer! Pois quem você acha que vai ser a madrinha?

— Hum, eu.

— Exatamente! Não vejo a hora de fazer o vestido, comprar coisas pra casa e tudo mais. Ai, amiga, vai ser tão divertido!

— É. Demais.

— … Dé? O que foi? Você não ficou feliz por mim?

— Aham. Fiquei.

— Você não parece feliz.

— Mas eu estou. Posso desligar agora?

— Deixa eu adivinhar: te acordei.

— Na mosca.

Quinta-feira, 11 de Junho de 2009

Prefácio

Não é que eu esteja no inferno astral; mas se inferno criativo existe, cá estou eu.

Anyway, amanhã tem post novo, porque este aqui não conta.


Sábado, 6 de Junho de 2009

Beatles Rock Band

Não faz muito meu estilo postar vídeos aqui, mas este merece. Para quem é fã dos Beatles, um novo game no estilo Guitar Hero está vindo por aí em setembro. Como sou uma dessas fãs, me apaixonei à primeira vista pelo vídeo de abertura.


Peguei esse aí do blog de Jéssica. É o melhor de todos os vídeos sobre o jogo. Enjoy!