quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Resenha: Pornô

Desde que comprei meu e-reader, vi muita utilidade nele. Entre elas: não carregar livros pesados para todo lado; não comprar muitos livros físicos e, finalmente: não ter que ficar respondendo a mil perguntas sobre tal livro de título ou capa estranha. No caso de Pornô, de Irvine Welsh, eu tive que respirar fundo toda vez que alguém lançava um olhar mais agudo para o título ou a capa: "Não, não é um livro erótico". Desejei várias vezes ter comprado a versão em e-book, para não ter que carregar peso, nem responder a essas perguntas.

A história é a continuação de Trainspotting, um livro que fala basicamente da vida de alguns jovens escoceses viciados em heroína. Inclusive, Trainspotting virou um filme muito interessante com Ewan McGregor e um elenco competente. Costumo brincar dizendo que juntaram Obi-Wan jovem, Sherlock Holmes (de Elementary), Rumpelstiltskin (de Once Upon a Time) e Poseidon (de Percy Jackson)* para fazer o filme.

Nesta continuação, da qual também estão gravando um filme, as drogas são meio deixadas de lado e o assunto do momento é a produção de filmes pornográficos. Dez anos se passaram e os personagens agora estão diversificando seus interesses. Não mais jovens inconsequentes, agora eles precisam pagar contas e pensão de filhos. Além dos protagonistas que já conhecemos - Sick Boy, Renton, Spud e Frank -, somos apresentados a Nikki, uma universitária britânica, que está estudando cinema na Escócia e trabalha numa casa de massagem para conseguir pagar suas contas. Termina que eles são envolvidos na produção de um filme pornográfico, produzido por Sick Boy.

Assim como em Trainspotting, ninguém avisa quem está narrando a história, mas a gente termina descobrindo pela narrativa. Para mim, essa é a mágica da série: a habilidade de Irvine Welsh de escrever várias narrativas diferentes, de maneira que faça o leitor perceber quem está narrando. E o final, claro, o final. Tem sempre alguma coisa incrível no final dos livros dele. Mal posso esperar para ler o terceiro, Skagboys, que se passa quase vinte anos após Trainspotting. Espero que, então, os atores ainda estejam todos vivos, para fazer mais um filme.

Pornô é um livro genial, recomendo a qualquer um que goste do estilo. Inclusive, ele poderia figurar em várias categorias do Desafio, mas acabou que coloquei na categoria "com mais de 300 páginas", porque não sei se vou conseguir ler muitos livros longos este ano.

* Eu não assisto Grey's Anatomy, mas, antes que os fãs da série me xinguem, vou adicionar a nota: Poseidon também pode ser o médico Owen Hunt.


Essa é uma resenha para o mês de fevereiro do Desafio Literário do Tigre de 2015, do blog da Tadsh: um livro com mais de 300 páginas. Para saber mais sobre o desafio, entre na fanpage ou saiba mais no blog.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Coisas que eu fiz nesse carnaval

- Fui direto de Olinda pro Recife Antigo.
- Dancei frevo até ter cãibra.
- Comi salsichão de almoço.
- Tirei selfie com dois Spider Men e um Superman
- Passei mal de calor.
- Abri uma roda de ciranda gigante no meio da Praça do Arsenal.
- Abri uma roda menor dentro dessa roda gigante com duas menininhas, para elas não serem pisoteadas.
- Fiz xixi só duas vezes em um dia só, mesmo bebendo cerveja o dia todo. Desidratei ou não?
- Construí um dispositivo para fazer xixi em pé.
- Caí de uma escada.
- Arrumei vários hematomas e só me lembro desse da escada.
- Dancei um ritmo de música que até hoje não sei o que é.
- Tomei Heineken em Olinda.
- Tomei duduroskas de tangerina, maçã verde e limão.
- Dancei brega.
- Tomei picolé/paleta mexicana de kiwi.
- Quase bati num idiota que quis me beijar à força.
- Encontrei na ladeira um amigo de Fortaleza que eu nem sabia que estava aqui.
- Fiquei bêbada.
- Escorreguei numa ladeira, mas não caí.
- Conheci gente muito massa.
- Comi escondidinho de charque.
- Dancei com uma amiga que estava de muleta.
- Fiquei presa na multidão do Marco Zero.
- Quase tive que entrar no meio de uma briga, para segurar um amigo.
- Segurei vela.
- Seguraram vela.
- Fui pro carnaval com um grupo e voltei com outro.
- Me perdi do grupo.
- Tomei milk shake.
- Tive dores em músculos da perna que nem sabia que eram capazes de doer.
- Comi churrasco.
- Comi vinagrete agridoce.
- Vi um arco-íris.
- Falei besteira.
- Tomei chuva.
- Gargalhei.
- Cortei o pé.
- Não me lembro de como voltei pra casa.
- Estive com as melhores pessoas do mundo. As minhas pessoas. E é disso que o carnaval é feito. Das melhores pessoas. Não importa o lugar, o calor, a chuva, a multidão, os idiotas. Só as pessoas.

"A gente ri, a gente chora e joga fora o que passou"

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Um pouco de confiança

Aí você faz um comentário e é criticada. OK, estamos em uma sociedade, temos regras, temos o politicamente correto, estamos susceptíveis a críticas. Mas é um saco quando isso ocorre entre os seus. Penso que, entre os seus, você pode ser quem você quiser. Falar mal de alguém, ser chata de manhã quando acorda, reclamar dos pais e reclamar da vida, que talvez nem seja tão ruim assim. Mas você está entre os seus, você sabe que vão entender seus motivos, suas reclamações, sua situação. Mas quando não é bem assim, a crítica vem e é pior que qualquer outra. Porque você se importa.

Todo mundo tem problemas e a gente sempre tenta fazer o melhor. Mas nem sempre a gente consegue; nem sempre a gente pode lidar com todas as situações da melhor maneira. Nem sempre a gente precisa. Tem hora que a vontade é de chutar o primeiro balde que aparecer e mandar tudo pra merda. É aceitável até. Ninguém precisa suportar tudo sendo uma lady. Ninguém é santo. E, mesmo que você queira fazer o certo, nem sempre você sabe com o que ele se parece.

O que eu sempre espero é um pouco de confiança. Ninguém precisa agir como você gostaria, você só espera que sim. Acontece que as pessoas têm outras vivências, outros valores, outros objetivos. Elas não lhe prometeram nada, você que teceu expectativas demais. Você tem que esperar apenas que elas façam o melhor que podem, que deem o melhor delas. E você precisa confiar, não julgar. Nem mostrar como faz. Nem interferir, achando que só você sabe o que é bom. Confiar.

Confiança está em falta. Mesmo entre os seus.

Imagem: Flickr - Creative Commons

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Relato de um assassino*

É preciso ter sangue frio. Ser calculista e, acima de tudo, não se deixar abalar por sentimentalismos inúteis. As emoções não devem existir; pena, compaixão, arrependimento. A única coisa que se permite sentir pela vítima é desprezo. Talvez um prazer insano durante o ato, típico daqueles que estão acostumados a tirar vidas.

É o que sinto agora, enquanto corto cada parte de seu corpo, separando os pedaços, retalhando. É mais interessante quando é violento, sangrento. Você agoniza, mas não morre. Ainda. A lâmina afiada torna a investir contra o seu corpo, repetidamente, com força, com insistência. Minha expressão continua impassível, mesmo quando cravo os dentes na pele, estraçalhando a carne. O sangue continua a jorrar e se espalha pelo chão, manchando tudo em volta com um curioso tom de vermelho-berrante.

Um sorriso amargo surge em meu rosto. Sei que está morrendo. Quero que esteja; preciso que esteja. Apesar disso, sinto ainda o pulsar da vida dentro do corpo frágil. Cerro os dentes. Não sei mais o que fazer.

Matar você dentro de mim tem sido uma tortura. Dói mais em mim que em você.

"I've learned to live half alive"

*Texto publicado pela primeira vez em 2008 

sábado, 24 de janeiro de 2015

Coisas para fazer em 2015

Desde que escrevi a retrospectiva de 2014 que eu venho pensando nas coisas que pretendo fazer em 2015. Como o final de 2014 foi uma época de muitas mudanças, penso que 2015 será mais um ano de "estabilização" dessas mudanças, não de mais mudanças, como todo mundo vem falando. É um paralelo que eu faço com meus tratamentos ortodônticos (sou ortodontista na "vida real"): de fazer uma movimentação em um mês e no outro apenas estabilizar, para as raízes dos dentes acostumarem com a agressão e não sofrerem muito, falando de maneira bem grosseira. Tem dado certo. Mas isso é só uma impressão; não é como se a gente pudesse viver planejando a vida como planeja um tratamento ortodôntico.

Das coisas que pretendo fazer em 2015, grande parte delas é "manter", mas também existem algumas mudanças:

1. Fazer um Desafio Literário
Que já comecei, o Desafio Literário do Tigre de 2015. O desafio mesmo é cumprir ele todo.

2. Colocar aparelho de novo
Sabe como é, dentista é perfeccionista demais e, além disso, eu estou planejando colocar o aparelho de safira desde que soube que existia, antes mesmo de terminar a especialização. Não devo passar muito tempo de aparelho de novo, porém. Acho que menos de um ano.

3. Estudar
Quando você começa a trabalhar, às vezes esquece que tem que viver se atualizando. Fora que já soube de uns dois concursos para dentista que vão sair este ano e tenho que revisar um monte de assunto.

4. Modificar o layout do blog
Nem que seja só ajustar tamanhos. Mas queria também mudar a imagem do banner, que já está aí há muito tempo. Cansei.

5. Tirar sempre pelo menos uma foto por evento
Antigamente, eu vivia fotografando tudo na vida. Desde que me formei, parei de fotografar, porque não tinha muito o que fazer com as fotos. Mas termina que você sente falta de ter alguns registros. Então, me comprometi a fotografar pelo menos sempre que encontrar amigos ou fizer alguma coisa diferente. Talvez faça um álbum no final do ano.

6. Fazer festa de 30 anos
Pois é, já vou fazer 30 e essa data não pode passar em branco. Não que eu esteja feliz; capaz de entrar na conhecida crise dos 30. Aguardemos.

7. Continuar fazendo ballet
Uma das alegrias da minha vida; tive que parar por um tempo, no final do ano passado. Mas este ano, não pretendo parar, nem faltar. E, se conseguir, quero voltar a dançar em espetáculos, coisa que não faço desde 2012.

8. Começar a escrever um livro
É uma resolução que vivo fazendo e descumprindo. Mas nunca se perdem as esperanças, quando começa mais um ano. Na verdade, já formulei mais ou menos a ideia do que pretendo escrever. Vamos ver no que pode dar.

9. Investir
Estive lendo alguns livros sobre investimento e me animei.

10. Manter a frequência de postagens no blog
Termina que, quando eu começo uma coisa, eu largo todo o resto. Quando estou no "mode" de leitura, eu esqueço de escrever; quando estou no espírito de estudos e trabalho, eu esqueço de ler. Já fiz tantas resoluções de escrever e ler que tenho que evitar ao máximo esquecer o blog.

11. Não deixar de encontrar os amigos 
Como falei na minha retrospectiva, o melhor de 2014 foram os grandes amigos que hoje eu tenho. Independente do que aconteça, independente do que o ano me reserve, gostaria de nunca perder nenhum deles, de não deixar de encontrar sempre, de não os esquecer em um canto qualquer. Aprendi que são as melhores coisas que a gente pode levar da vida: as pessoas que a gente tem.

12. Falar menos
Meu pai sempre disse: fale menos, ouça mais.

13. Trabalhar mais
A resolução não é exatamente "trabalhar mais", é continuar animada com o trabalho. Sempre surgem aqueles dias em que você não aguenta mais o trabalho e o desafio é conseguir se manter no mesmo ritmo do início do ano. Quando acaba o ânimo, acaba a vontade de ir atrás, de insistir. Várias vezes quase desisti de tudo e fui procurar outra coisa. Mas existem maneiras de voltar a construir e conseguir mais ânimo. É o que tenho feito. É o que tenho que continuar fazendo.

14. Perdoar
Os outros, a mim mesma, tudo. Eu sempre tento fazer o que acho certo. O fato é que nem sempre dá certo, nem sempre depende só da gente, nem sempre a gente percebe que está fazendo errado. E é a coisa mais frustrante, passo dias me odiando por não conseguir. A maior dificuldade é conseguir me perdoar, aceitar o que eu sou, o que eu fiz. Corrigir meus erros, aprender com eles, erguer a cabeça e, por fim, me perdoar.

15. Não levar essa lista muito a sério
O mal de quem pensa demais é fantasiar demais. Vejo o meu futuro muito incerto ainda (OK, o futuro de todo mundo é incerto, mas falo de modo geral) e gostaria de não ficar sempre ansiosa por isso. A resolução é de levar a vida mais levemente, sem muitas exigências quanto ao futuro. E, complementando os itens anteriores, gostaria de não exigir demais de mim, este ano. A gente está sempre prometendo coisas e eu percebi que não cumprir essas coisas não é um grande erro. Apenas acontece. Eu realmente gostaria de cumprir todas as resoluções, mas preciso saber que não preciso fazer tudo. Ninguém precisa se exigir demais. Apenas tentar ser uma boa pessoa e fazer tudo dar certo já é um bom começo.

Essa postagem faz parte do Meme "15 coisas para fazer em 2015" do Rotaroots, um grupo de blogueiros que pretende resgatar os bons tempos do mundo dos blogs. Faça parte do grupo do Facebook e se inscreva no Rotation.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Frio

Nas crenças mais comuns, o inferno é definido como um lugar abafado, com altas fogueiras e insuportavelmente quente;  fogo, lava e essas coisas todas que queimam. O inferno, como o lugar para onde as pessoas ruins vão quando morrem, lugar de punição, tristeza e dor. Quando o dia está muito quente, as pessoas o comparam ao inferno. Em cidades quentes, o calor é quase odiado; as pessoas não conhecem o frio insuportável. E apenas o calor é dos infernos.

Eu, mesmo morando a vida toda numa cidade quente, penso que o inferno deve ser um lugar escuro e frio. Um frio congelante, que imobiliza os ossos e nos impede de pensar em qualquer coisa que não seja na dor. Porque a dor é fria, a solidão é escura. Se você já sentiu dor e tristeza profundas na vida, deve ter percebido que não se experimenta nenhuma forma de calor, de nenhuma maneira. Não receber uma resposta esperada, atenção de alguém esperado, é chamado "gelo". Uma pessoa sem emoções boas é fria. A fome extrema provoca o frio. A tristeza é fria. Independente do clima lá fora, dentro é frio, cruelmente frio, profundamente frio. Você treme, se cobre, toma banho escaldante, se abraça com a bolsa de água quente e o frio continua lá, inalterado. Profundo. Isso é o inferno. O frio que não vai embora, que faz doer. A dor que traz mais frio.

Dias claros, ensolarados, calorentos também não são os meus preferidos, pelo contrário. Ir à praia não é uma grande coisa; tomar sol não é uma das minhas prioridades na vida. Prefiro sempre dias chuvosos e aconchegantes, em que se fique deitado lendo e vendo filmes. Calor irrita, traz mosquitos, faz suar e querer distância das pessoas. Mas calor não é triste.

Frio é triste. A dor é escura e congelante. O sofrimento machuca como uma pedra de gelo em contato com a pele. A morte é fria. Uma pessoa quente ainda tem vida. Culturalmente, o inferno vai continuar sendo um lugar quente, abafado, claro, fogueiras e piscinas de lava. Mas meu inferno particular sempre será frio. O frio que oprime e não vai embora. O frio dos infernos.

"You better hide for her freezing hell"


sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Nostalgia*

Anos depois, nos encontramos. Eu o avistei primeiro, conversando e rindo com um punhado de amigos, do outro lado da calçada. Fazia tempo, então demorei um pouco reconhecendo os traços, analisando a postura, a risada familiar. Era o mesmo som claro e descontraído de que eu me lembrava. Mas eu só tive certeza quando nossos olhares se cruzaram.

Nesse instante, senti tudo voltar. Tudo; nossos planos, nossos sonhos, as noites em claro falando ao telefone. Começávamos sussurrando, para não acordar nossos pais. Levando bronca deles a cada gargalhada alta que saía sem querer. Nunca fomos muito silenciosos, nenhum dos dois. Competíamos pela hora de falar, cada um querendo contar as novidades do dia, mesmo querendo saber do outro. E, na disputa sem sentido, acabávamos aumentando o volume da voz sem perceber. Daqui a pouco, estávamos berrando e gargalhando em plena madrugada.

Nunca fomos discretos. Éramos impossíveis, assim diziam no colégio. Achamos divertido, na época. Nossos sonhos combinavam, assim como nossos temperamentos. Adorávamos a vida, a aventura. Acreditávamos plenamente na felicidade que conquistaríamos juntos. E conquistamos, por algum tempo.

Vi você sorrir tantas vezes, naqueles dias, e vi você sorrir agora, anos depois. Era o mesmo sorriso, embora melancólico agora. Era também o mesmo sorriso que eu sabia tomar forma em meus lábios. Sorrisos de quem tem muita história e nenhum assunto. Foi recíproco, não tentamos nos falar. Apenas nos olhamos, nos reconhecemos e fomos embora. Cada um pensando em como teria sido.

"Já faz tempo, eu vi você na rua, cabelo ao vento, gente jovem reunida
 Essa lembrança é o quadro que dói mais"

Imagem: GettyImages
Música: Como nossos pais

*Texto publicado pela primeira vez em 2010.

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Resenha: Sangue do Olimpo

Depois de ler essa última parte da saga dos Heróis do Olimpo, eu preciso dizer que voltei a ser adolescente. A saga inteira é escrita para adolescentes e, assim como a primeira, a de Percy Jackson e os Olimpianos, a leitura é fácil e leve. Adoro infanto-juvenis (que hoje chamam de Y.A.), nunca passei dessa fase de vez por outra pegar um livro nesse estilo e devorar em dois dias. Não é uma grande coisa na parte literária, se é isso que te faz pegar um livro para ler. É apenas um livro bastante divertido.

“Sete meio-sangues atenderão ao chamado
Em tempestade ou fogo o mundo terá acabado
Um juramento a manter com um alento final
E inimigos com armas as Portas da Morte afinal”

Para quem não sabe nada sobre Percy Jackson, ele é um semideus, filho de Poseidon, que mora nos EUA e passa as férias num acampamento de semideuses. Vez por outra, ele e outros heróis precisam sair em uma missão para salvar o mundo de algum monstro ou da ameaça de titãs, deuses, gigantes ou tudo isso junto. Neste livro, sete semideuses, incluindo Percy, chegam à Grécia para lutar contra os gigantes que querem despertar Gaia, a mãe-terra, antes que ela acabe com a humanidade. Enquanto isso, dois semideuses e um sátiro têm que levar a Atena Partenos, uma estátua de vinte metros de altura, de Roma para os EUA, para evitar uma guerra entre semideuses gregos e romanos.

Como eu disse, é um livro bem divertido. Rick Riordan trata as lendas da mitologia greco-romana de maneira engraçada e leve; que quem conhece um pouco delas, sabe que não são bem assim. Acho que vale para fazer os jovens se interessarem um pouco em conhecer mais sobre mitologia e conhecer os mitos "verdadeiros". Fora isso, é um infanto-juvenil do gênero de fantasia com tudo o que tem direito: romance, monstros, profecias, personagens engraçados, amizade. Assim como Harry Potter, ou Necrópolis, ou Eragon, ou Crepúsculo. Sem querer comparar essas sagas entre si.

Fiquei um pouco decepcionada com este livro porque o autor deu vários indícios de que algumas coisas iriam acontecer e não aconteceram. Não tenho como explicar isso direito sem dar spoilers. É um final bom para a história, mas me deixou um pouco frustrada. Talvez deixasse o livro muito longo, mas mesmo assim... Tenho algo com finais de sagas. Nunca fico muito satisfeita. Fico pensando se eu escrever uma, algum dia, se vou conseguir ficar satisfeita. Tenho muita vontade de escrever infanto-juvenis. Deve ser por causa dessa minha capacidade de virar adolescente, quando estou lendo, e esquecer de todo o resto. Vai ver nunca cresci.

O Sangue do Olimpo fecha a saga de Percy Jackson, que começou a lutar com monstros no livro O ladrão de Raios, aos doze anos de idade, e acaba nesse com, sei lá, dezesseis. Nesta saga, ele não é o único protagonista e, especialmente neste livro, a história não é contada pelo ponto de vista dele. Achei inclusive que deixaram o personagem um pouco de lado. Mas dá para entender, visto que nos livros passados deram muita atenção a ele e o ponto dessa saga não era fazer um personagem ser melhor que o outro; é justamente mostrar que todos são importantes na mesma medida. Achei uma mudança boa da primeira série. Fica a sugestão para quem gostou de Percy Jackson e os Olimpianos, ou para quem gosta de fantasia, infanto-juvenis, Y.A. ou coisa que o valha.

Essa é uma resenha para o mês de janeiro do Desafio Literário do Tigre de 2015, do blog da Tadsh: um livro divertido. Para saber mais sobre o desafio, entre na fanpage ou saiba mais no blog.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Das coisas que não importam

Há as coisas que não entendo e há as coisas que decidi não entender. E a maior parte do que se passa pela minha cabeça vive oscilando entre essas duas opções. As dúvidas nunca são estáveis; muitas vezes também até acho que entendo. Mas só me engano. Percebi que algumas coisas não são feitas para serem entendidas; ao menos não com o que eu tenho nas mãos, não com a minha breve vivência.

E uma delas tem oscilado mais do que o normal entre o "entendimento", o "não entendimento" e o "não importa". Por fim, fico sempre com o "não importa". Porque não importa mesmo. Não mereço. Não sou obrigada a pensar sobre isso. Não sou obrigada a permanecer em nenhum lugar, se não quiser. E o fato é que, depois de tudo o que eu passei nesses últimos anos, não deveria nem me dar o direito de estar em qualquer situação em que possa escolher não estar.

Você é o que você deseja ser. Se não é, você pode passar a vida tentando. Eu sempre tentei ser aquilo que desejei, apesar de ter duvidado de mim várias vezes. Claro, todo mundo erra. Já me vi em várias situações em que jurei nunca estar e acabei pagando a minha língua. Mas cometer erros é uma coisa. Ser um erro, saber disso e aceitar, acostumar-se com isso, arrumar justificativas para sê-lo, não. Não faço. Entendo a luta, nunca a derrota. Então, não importa. Não entendo. Não preciso entender.

Sério, não preciso. O que preciso mesmo é encontrar gente que também não entenda.


"How many times will it take for me to get it right?"

domingo, 4 de janeiro de 2015

Desafio Literário 2015

Começou mais um ano e eu precisei arrumar outro Desafio Literário para fazer. Confesso que não fui muito bem no desafio do ano passado; por vários motivos, terminei lendo muito pouco no segundo semestre do ano. Enfim, em 2015 pretendo me redimir e completar o desafio, que está parecendo ser mais complexo que o de 2014, visto que serão 24 livros e não 12.

Passei os últimos dias do ano meio desesperada, procurando um desafio novo, porque Tati tinha anunciado que não iria fazer mais o Desafio da Tigre este ano. Aí saí procurando pela blogosfera. Achei vários desafios e nenhum me interessou; talvez por eu não ter nenhuma ligação, nem conhecer nenhum dos blogs que visitei. Então, fiquei imensamente feliz quando Tati mudou de ideia (êêêê!) e anunciou que tinha decidido continuar o Desafio por mais um ano. Estou neste momento quicando de empolgação.

Eis:


A minha meta são dois livros do Desafio por mês (rá, considerando que vou ler outros livros fora os do Desafio). Ano passado, mal consegui ler um livro por mês, quanto mais dois. Mas, como nos anos anteriores eu consegui ler cerca de quatro por mês - e também porque este Desafio dá para encaixar vários livros da minha lista sem endoidar demais -, acho que não estou sendo ambiciosa esperando conseguir ler pelo menos dois. Isso porque ainda espero terminar o livro de dezembro do Desafio do ano passado e resenhar. Mas vamos com calma.

Já estou fazendo uma listinha de livros para me organizar nesses temas acima e não ficar feito barata tonta durante o ano, tentando encaixar livros nos temas, procurando e-books e rodando em livrarias, gastando o salário inteiro assim. A lista será atualizada aqui neste post, conforme forem sendo postadas as resenhas, durante o ano.

Que comece 2015. Que comece o Desafio.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

O que se leva

E neste fim de ano, pensei em fazer uma retrospectiva. Ao contrário do oversharing usual, é mais um "levar do ano o que ele teve de bom". Optei por falar apenas das coisas boas. As coisas ruins aconteceram, fazem parte da vida, do ano, não serão esquecidas. Mas a gente sempre pode escolher não mencioná-las e deixá-las quietas num canto, para morrerem em paz.

Deste ano, eu levo os grandes amigos, que fizeram com que todos os momentos valessem a pena ser vividos, inclusive os ruins, com toda a intensidade. Novas e velhas amizades, que só cresceram. A melhor parte do ano, os melhores momentos, foram todos graças a elas. Vou citar, porque a cada uma delas vale a pena agradecer: Mari, Gaby, Clá, Raissinha, Maria, Renatinha, Dani, Manu, Kanti, Cínthia, Carol, Valeska. Só mulher? Não, tem mais: Bruninho, Dioguinho, Leo, Marillia, Alexandre, Alladin, Cecy, Naty, Mari. Aos meninos da Mojo, que passei a admirar cada dia mais. Ao meu mestre Alexandre e ao pessoal do ballet, pessoas fantásticas, com quem só aprendo mais a cada dia. Também outras pessoas, que não serão citadas, vindas de circunstâncias das quais nada se deveria levar, mas conquistei e levo, doa em quem doer. Aos meus primos, do amor incondicional e apoio inestimável. A Luke, meu pequeno amigo peludo, que chegou este ano para me trazer alegria. Levarei a alegria dele para mais um ano, que espero que seja superior a este. Aos meus irmãos e a Simone e Camila, minhas irmãs de coração (no caso de Simone, agora in-law). Aos meus pais. A Ele, principalmente, tenho motivos de sobra para agradecer. Por me fazer passar por tudo da maneira mais suave.
Levo os bons momentos passados com essas pessoas. Deles: o casamento de Paulinho e Simone, a formatura e o doutorandos de Mari, a festa à fantasia de Maria., o casamento e o chá-bar de Marillia e Rui, o sábado de carnaval em Olinda, o reveillon na praia mais linda do mundo.

Levo também uma nova perspectiva e uma nova esperança. No final do ano passado, não esperei nada do ano que vinha. Mas deste ano que vem, espero uma pessoa melhor. Eu mesma, mas uma pessoa melhor. Entrando nos trinta e com as esperanças e os sonhos de criança. Não sonhos impossíveis, mas sonhos felizes e reais.

De 2014, levo apenas as coisas boas. O que vier junto, bom ou ruim, espero que venha melhor. Que só passe deste ano o que for melhor. Um feliz 2015 para todos nós.

"Hei de ser melhor também, depois"

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

"We accept the love we think we deserve"


Não li o livro "As vantagens de ser invisível" (The Perks of Being a Wallflower, de Stephen Chbosky) e vi somente uma parte do filme, porque tive que sair. Mas essa frase que todo mundo já comentou e já cansou de ser analisada em várias resenhas ficou na minha cabeça por um motivo bastante pessoal. Não vou discorrer sobre o motivo, por não estar muito interessada em um oversharing agora, mas fiquei pensando... Afinal, como a gente pode avaliar a quantidade ou qualidade do amor que a gente merece?

Recentemente, eu li a história de uma dona de casa pobre e negra que se casou com um homem e apanhava dele por nada. Logo da primeira vez que isso aconteceu, ela foi à delegacia e denunciou o marido. Conheço também a história de uma mulher rica, casada, que descobriu que o marido tinha uma outra família além da oficial, com um filho de três anos. Apesar disso, ela considerou que ele era bom para ela e para os filhos, nunca deixando nada faltar, e o aceitou de volta. E a história de uma mulher jovem cujo companheiro agia com grosseria com ela, intimidando e diminuindo tudo o que ela fazia. Ela tolerou por um tempo, mas acabou o relacionamento quando decidiu que não aguentaria o resto da vida. E há outra mulher, beirando os trinta, que acabou um relacionamento somente porque não havia nenhuma perspectiva de futuro. Outra bastante jovem que acabou porque não tinha tanta atenção e carinho quanto desejava. A mulher desprezada, que aturou um relacionamento sem graça por mais tempo do que deveria e terminou traindo o companheiro com um amigo dele. Outra mulher casada, de classe média, que foi traída uma vez, o companheiro contou no mesmo dia, pediu perdão, mas ela não aceitou. Acabou tudo.

Conheço também o caso de um homem bem sucedido que se casou com uma mulher ciumenta ao ponto de ela controlar até suas ligações, ter senhas de redes sociais e e-mail. Apesar disso, são felizes e ela espera seu primeiro filho. E a história de um homem que estava noivo e acabou tudo porque se interessou por outra, depois de vários anos juntos. A história de um homem, bonito e sensível, que viu um relacionamento definhando e não fez nada para mudar, conversar ou resolver. Casou-se sem amor, sem vontade, por pressão. E arranjou uma amante. O caso de um homem jovem que conheceu a mulher perfeita, mas não conseguiu ser o homem perfeito. Ela o deixou, pouco tempo depois. E o caso de um homem comum, que conheceu a mulher perfeita e conseguiu ser o homem perfeito para ela, ao perceber que ninguém é perfeito. Hoje, são felizes, têm trinta anos de casados e três filhos adultos.

Todas essas histórias, reais ou não, ilustram o pensamento que eu tive quando ouvi a frase acima: "Nós aceitamos o amor que achamos que merecemos". O pensamento de que, independente de classe social, intelecto ou tipo físico, as pessoas têm ideias definidas sobre aquilo que esperam do amor e aquilo que podem suportar. E pesam os prós e os contras sem perceber, avaliando o que merecem e o quanto desejam da vida. Muitas vezes, essas ideias nos confundem, quando pensamos que somos de um jeito e descobrimos que podemos aguentar mais; ou mesmo, que podemos aguentar quase tudo. Que podemos virar outra pessoa. Mas sempre existe, para todas as pessoas, aquele ponto, aquele limite, que, se atravessado, não haverá mais volta. Acredito que esse ponto defina o início do nosso amor próprio e dos nossos valores. Para algumas pessoas, esse terreno é bem pequeno e, para outras, é imenso.

E esse limite define o momento de impacto, o momento em que passamos de amor eterno a amor passado. Às vezes, a ódio, rancor, mágoa e depois esquecimento. O momento em que o outro passa de melhor amigo a desconhecido. Para uma pessoa, esse momento pode ser por causa de um tapa na cara; para outra, um simples olhar para o lado, ou um amigo inseparável que causa ciúmes. Grandes ou pequenos, os limites de cada um. E esses momentos de impacto definem o fim. E o fim define quem somos.

É claro que eu sou uma dessas pessoas. Ou várias. Talvez, algum dia, seja outra. Muitas pessoas que eu conheço poderiam ser personagens dessas histórias. E quem sabe não sejamos todos? Personagens de nossas próprias histórias; fazendo escolhas, fazendo besteiras, jogando nossas vidas, vidas de outros e sentimentos no lixo. Ou lutando por eles.

Ou apenas vivendo, aos tropeços, sempre em frente.

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Cicatrizes

Ao lembrar do tempo em que era feliz, percebe que nunca o foi. Não consegue puxar da memória um momento em que o tenha sido, completa e intensamente. E tal constatação abala por um tempo, até que passa. Como todo o resto. Agora o alívio, triste em perceber as cicatrizes que nunca a deixarão ser a mesma de antes.


O vazio acontece.

Sempre volta.


Nunca foi embora.


sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Prisão

O grande alívio de sair de uma prisão, depois que você é esquecido nela por muito tempo. Poucos são capazes de entendê-lo completamente. Não de todo agradável; às vezes a prisão é um lar, um refúgio. Um vício. A liberdade assusta; apenas sonhamos com ela. A prisão era o que restava.

Mas há vida, lá fora. Só temos que aprender a ser livres de novo.

Não há nada como ser livre de novo.


quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Não-texto

Disse que escreveria um livro se saísse dessa viva. Como ainda não saí, também não deixei essa vida, fica este texto. Talvez sirva para dizer o que não precisa ser dito, a alguém que não mais leria, de uma maneira que não se fará entendível. Então este, além de um texto, termina sendo um não-texto. Porque nunca vou conseguir explicar nem a mim mesma.

O meu maior problema é que preciso entender que não preciso entender tudo. As coisas acontecem, as pessoas fazem coisas; nem sempre fazem sentido. Nem sempre precisam fazer. Sentimentos não são preto no branco, nem sempre as pessoas agem como todo mundo age. Ou como a gente espera. Só que nunca se acha que tudo o que a gente aprendeu na vida é tão diferente do que se passa na cabeça de outra pessoa. Não era para ser tão confuso, ou tão extraterrestre. Gostaria de poder explicar o inexplicável. Mas nada me é dado para concluir meu raciocínio. Não tenho nada. Nunca tive.

Então, fico aqui, no meu não-texto, explicando o nada, sem explicar nada. Mas precisando tocar a minha vida. Então, mandei tudo à merda. Entre me decidir a tocar para frente ou para trás, eternamente, fiquei com tocar para frente. Agora, sem medo e sem desculpas. O máximo que pode acontecer é ter que voltar depois para o mesmo ponto de partida. De onde nunca saí.

 
"Deixa tudo o que eu não disse mas você sabia 
Deixa o que você calou e eu tanto precisava 
Deixa o que era inexistente, mas pensei que havia 
Deixa tudo o que eu pedia, mas pensei que dava"

Imagem: GettyImages

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Amor: Jane Eyre

Pela primeira vez na vida, eu chorei com um livro. OK, até fiquei bem triste com o 5º e o 6º Harry Potter, mas não cheguei a choraaar de verdade com nenhum dos dois. Mas o que aconteceu com Jane Eyre, de Charlotte Brontë, foi inusitado. Inusitado porque: 1) Eu já sabia a história inteira por ter lido várias resenhas; 2) Eu já tinha visto umas duas adaptações pro cinema, uma delas protagonizada por Mia Wasikowska e Michael Fassbender (♡♡). Também já ouvi falar de uma série de televisão da BBC e pretendo ver logo que encontrar, dizem que é a melhor adaptação. Escolhi este livro pro Desafio do mês de outubro porque foi o único romance que me interessou ler, nesses últimos tempos. Love is not in the air.

O livro conta a história da personagem que dá nome ao livro, Jane Eyre, uma órfã que foi criada na casa da tia e, posteriormente, mandada a uma escola para meninas. A vida toda, ela passou por várias provações e privações, inclusive fome e frio, pois era uma escola de caridade e não havia comida, agasalho e fogo suficientes para todo mundo. Depois de seu período de escola, ela vira professora e decide ir para uma casa de família trabalhar como governanta, quando ela conhece o amor da sua vida, seu patrão, Edward Rochester.

Para a época, Charlotte Brontë criou uma história revolucionária. A gente pensa que vai ler algo de um feminismo mais sutil, como nos livros de Jane Austen, mas se depara com uma mulher em busca da sua liberdade de ideias e financeira. Jane Eyre nunca quis nada além de poder se sustentar e viver a vida como desejasse, sem homens lhe dizendo como pensar e como agir. Isso fica claro desde o começo do livro, mas esse fato fica gritante mais pro final. Há quem diga que o livro não é exatamente um romance. Eu concordo. Está cheio de elementos de drama, suspense e algo de sobrenatural. Houve uma hora em que eu pensei que veria algo como em O Morro dos Ventos Uivantes (Wuthering Heights), obra escrita por outra irmã Brontë, Emily. Ambos romances vitorianos. É interessante ver os elementos góticos, presentes nos dois, muito mais evidentes no romance de Emily. Mas ainda presentes em Jane Eyre.

Charlotte escreveu neste romance muitas das coisas que viveu, de ser aluna de um colégio de caridade, de ter sido professora e de ter sofrido privações. E também colocou nele seus pensamentos, sua coragem e seu feminismo. O livro foi publicado inicialmente com um pseudônimo masculino e ela só assumiu a maternidade dele depois. E recebeu muitas críticas por isso.

Aí me perguntam se eu indicaria a leitura. Indico para aqueles que conseguem ler considerando as influências históricas do livro, o papel que ele teve numa geração e até mesmo na vida da autora. Porque, primeiramente, é um romance romântico, daqueles bem melosos. Eu gosto do estilo, mas conheço gente que não conseguiria ler. Então, vale para entender uma época, juntamente com uma maneira de se pensar e costumes diferentes. Eu acho válido e eu adorei a experiência.

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Esta é uma resenha para o Desafio Literário do Tigre 2014, do blog da Tadsh. O tema de Outubro é "Amor": ler e resenhar um livro que conte uma história de amor. Para saber mais sobre o desafio, entre na fanpage ou saiba mais no blog.

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Abraçando Patinhas

No início de 2011, meu cachorrinho e grande amigo Willy faleceu, de problemas cardíacos. Foi um período bem difícil e acho que nunca superei por completo. Nunca se supera a perda de um amigo. Desde então, eu e minha família nos recusamos a ter outro bichinho, porque ficamos muito tristes. Eis que, em agosto deste ano, eu ganhei um novo amigo, que chamo de Luke Skywalker. Meu pai me deu esse fofinho (que está fazendo pose nas fotos aí abaixo), contra tudo o que havia prometido a si mesmo, para que eu superasse outra grande perda, que não vem ao caso falar agora. Não cheguei a superar também, mas nada como um carinho de cachorro para cuidar da gente, enquanto a gente cuida dele.


Minha casa agora virou um caos típico de quem tem filhote; é jornal para tudo quanto é lado, papel rasgado, cocô e xixi em lugares inusitados e muitos sapatos mastigados. Mas tornou-se um lugar mais feliz. Luke tem sido meu companheiro de fins de semana tediosos, de dias chuvosos e de lanchinhos na madrugada. E de posts emocionantes, porque ele está deitado no meu colo neste momento e eu já me emocionei desde as primeiras linhas. Ele ficou aqui lambendo a minha mão.

Existe uma coisa que só um bichinho faz pela gente, que é essa coisa de amor incondicional. Você pode brigar com ele e ele não vai ficar com raiva de você. Você pode deixar ele esperando e ele vai fazer uma grande festa quando você chegar. E ele vai te esperar para sempre, mesmo se você o abandonar. A fidelidade de um bichinho não acaba com o tempo, com maus tratos, nem mesmo com o abandono.

Assim sendo, o projeto Abraçando Patinhas promove uma campanha sobre a conscientização em torno da adoção de animais e pela Guarda Responsável, cujos pilares são:
  1. Educação das crianças sobre a necessidade do respeito aos animais
  2. Denúncia e vigilância contra maus tratos aos animais
  3. Castração dos peludinhos pra evitar o abandono dos filhotes não planejados
  4. Vacinação para todos
  5. Visitas regulares ao veterinário
  6. Conscientização contra os abandonos, principalmente no final do ano
  7. Necessidade de auxílio aos cães e gatinhos mais idosos
  8. Alimentação digna e saudável
  9. Espaços adequados para a diversão e bem-estar
  10. Higiene constante do local onde moram e também deles mesmo

Além disso, o projeto está apoiando uma ONG (ABEAC – Associação Bem Estar Animal – Amigos da Célia) responsável por 1100 cães e se comprometendo a doar 1 tonelada de ração. Mas todos podem ajudar. A principal missão da ONG é encontrar lares definitivos para cada um dos cães resgatados por eles. No caso de animais com menos chances de serem adotados, como é o caso dos idosos ou com problemas de saúde, o compromisso da ABEAC é dar uma vida digna enquanto eles viverem. A ONG também promove ações de conscientização da guarda responsável e de conscientização/implantação de programas de castração junto à comunidade onde está localizado o canil.

E aqui estou eu, neste post, divulgando a causa e reforçando meu apoio. E, claro, demonstrando o amor que eu sinto por todas as patinhas do mundo, em especial a estas aqui que estão no meu colo, há dois meses já. Cuidando de mim e aquecendo o meu coração.

“Esta blogagem coletiva faz parte do projeto Abraçando Patinhas, uma iniciativa do Rotaroots em parceria com a marca de ração Max – da fabricante Total Alimentos (http://www.maxtotalalimentos.com.br/). Esta iniciativa reverterá na doação de 1 tonelada de ração para a ABEAC (http://www.abeac.org.br/), ONG responsável pelo bem estar de cerca de 1100 cães. Saiba mais sobre o projeto no site do Abraçando Patinhas (http://rotaroots.blog.br/abracandopatinhas/) ou participando do grupo do Rotaroots no Facebook (https://www.facebook.com/groups/rotarootsblogs/).”

sábado, 4 de outubro de 2014

Nada mudou


Mesma insônia
Mesmo quarto
Mesmo travesseiro
Mesma janela
Mesma espera
Mesma esperança
Mesma ausência
Mesmo vazio
Mesmo nada
Nada mudou
E tão diferente
Sentimentos diferentes
Perda
Perdida
Perdão
Tudo diferente
Nada mudou.



Imagem: GettyImages

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Tolerância

Nunca fui das pessoas mais tolerantes do mundo. Às vezes, até acho que uma leveza a mais na minha vida poderia me fazer algum bem, mas o fato é que nunca consegui. Não tenho nenhuma paciência para muitas das coisas comuns do dia a dia; de aturar pessoas, de ser simpática, de acordar sorrindo e dando bom dia, de ter encontros. Não tenho realmente problema para lidar com gente, só não é sempre que tenho paciência. E mesmo com todo o mau humor, não tenho muito problema com as pessoas gostarem de mim, mas sim em gostar das pessoas.

Vendo assim, muitos podem pensar que sou antissocial. Não sou. Ou pensarão que não tenho muitos amigos. Tenho. Ou que tenho dificuldade em dialogar. Não tenho. Sou normal, se você for olhar de fora. Olhando de dentro, ninguém é normal. Só você mesmo sabe as merdas com que tem que lidar todo dia para expor o que quer que deva ser exposto para o mundo. Eu sou muitas coisas, dentro e fora. E não tenho paciência com isso.

Ocorre que tem ficado pior. Você nunca pensa que pode ficar pior, mas fica. Você acha que passa, mas não passa. A paciência só volta quando algo dá certo, por milagre. Mas quando tudo dá errado, não sobra nada. Respiro. Quero ir embora. Bate o desespero. Só quero me manter por um tempo na minha pequena bolha de conforto, sem ser incomodada. As cobranças vêm e são cruéis. Desestabiliza.

Claro que toda intolerância deveria ser trabalhada. Eu venho sempre tentando. Mas, por ora, só queria ficar na minúscula bolha de conforto. Até quando sair dela se torne uma aventura, não mais um martírio.


Imagem: Flickr - Creative Commons


domingo, 28 de setembro de 2014

The vow

Acabei de assistir a um filme chamado Para Sempre (The Vow, 2012). Não esperava muito, não li sinopses, mas sabia que não era uma comédia romântica, e sim um romance meio melancólico. É a história de uma mulher que perde a memória depois de um acidente e termina não lembrando mais do próprio marido, tendo que reconstruir a vida sem saber se a memória vai voltar. O marido, apesar disso, não desiste dela e começa o plano de reconquistá-la de novo. É bem triste tudo isso, apesar de eu acabar gostando do filme. Mas, independente de ser o filme bom ou ruim, de eu ter gostado ou não, ele me fez pensar em algumas coisas, que nem são exatamente o que o filme tem intenção de fazer pensar. Não são mandamentos, nem constatações, apenas coisas que eu pensei ser importante escrever.

(1) Depois do acidente, a personagem só conseguiu retomar a vida dela, mesmo sem lembrar de nada, porque o marido sabia tudo sobre ela, da história dela antes de eles se conhecerem, do que aconteceu para ela ter mudado de cidade, brigado com os pais, mudado de profissão. Ela tinha uma pessoa que sabia tudo sobre ela, mesmo que ela não o reconhecesse. Fico pensando se alguém saberia tanto sobre mim dessa maneira, de modo a poder me dizer por que eu estou aonde estou hoje, caso eu perdesse minhas lembranças. E mais, se eu saberia tanto assim sobre alguma pessoa, para poder fazê-la se encontrar, caso ela não se lembrasse de mim.

Nunca acreditei em dividir tudo dessa maneira; sempre achei que as pessoas são seres individuais, que têm vidas à parte da outra, que não faz o menor sentido contar tudo, compartilhar tudo. Parecia mais dependência que um relacionamento de verdade. Hoje eu considerei que talvez eu estivesse errada. Fiquei pensando: se eu morresse amanhã, morreriam também todas as minhas memórias, tudo o que eu vivi, tudo o que eu acredito e tudo o que eu sempre quis dizer e nunca disse? Morreria minha história, porque ninguém saberia contar, porque fechei essas portas para todo mundo?

(2) Ele nunca desistiu dela, porque a conhecia a fundo e sabia o que nem ela sabia: que ela queria estar com ele. Será que alguém teria tanta certeza de mim, do que eu sinto, será que o que eu mostro todos os dias seria suficiente para alguém ter tanta fé em mim? E será que eu teria tanta certeza sobre alguém, mesmo quando a pessoa agisse mostrando o contrário?


(3) Ele decidiu reconquistá-la outra vez. Quantos estão dispostos a reconquistar a mesma pessoa todos os dias? O que eu mais vejo é gente tratar as pessoas que amam pior do que as outras, só porque a intimidade faz com que se acomodem e tenham certeza de que o outro não vai embora por qualquer arenga besta. É irônico quase. Ao invés de cultivar uma coisa boa, as pessoas mostram seu pior lado, porque sabem que o outro precisa aguentar. E de fato, precisa; mas não devia ser regra. É muito mais importante mostrar amor e vontade de tentar fazer dar certo todos os dias do que mostrar a parte ruim. Demonstrar com gestos que a pessoa é especial, importante, que foi escolhida entre tantas por ser a melhor pessoa do mundo, para você. Não por exclusão. É isso que faz a pessoa ter certeza de que você iria atrás dela, não importa o que acontecesse, mesmo que ela chutasse você para fora da vida dela. Porque você vale a pena.

Aí você pensa: ah, mas esse filme deve ser bom mesmo para fazer pensar tanto. O filme é bonzinho, para quem gosta do estilo (tem no Netflix, caso se interessem), mas acho que só estou num momento em que não está sendo difícil me fazer pensar sobre a vida, o universo e tudo mais. Coisas que você não pensa muito, quando está distraído com o seu próprio umbigo. E antes que digam "é só um filme", ele foi baseado num livro e numa história real.

Ainda tem a frase abaixo para fazer pensar; mas esse seria outro assunto, que prefiro falar depois, senão o post vai ficar imenso.

"My theory is that, these moments of impact, these flashes of high intensity that completely turn our lives upside down actually end up defining who we are." The vow

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Risos: Equal Rites

O título do livro em português é "Direitos iguais, rituais iguais", mas convenhamos que o título em inglês é muito mais legal; sem escancarar o trocadilho assim, de graça. Equal rites é o terceiro livro da série fantástica Discworld, de Terry Pratchett, autor de vários livros dessa mesma série (que já vai pra mais de 20, alguns sem tradução ainda para português), além de um livro genial em parceria com Neil Gaiman, o Belas Maldições.

Apesar de gostar bastante dos livros de Pratchett, sempre achei que ele enrolava demais descrevendo coisas engraçadas do mundo, criativas, mas sem muita importância, e deixava os livros arrastados. Os dois primeiros Discworld são, para mim, um exemplo de como alguém pode escrever tanto em cima de quase nenhuma história. Quando comecei a ler este terceiro e percebi que os personagens não eram os mesmos, já fiquei mais feliz. 

A história é sobre Esk, uma menina de 9 anos que herdou o bastão de um mago. O problema é que nunca houve na história do Discworld uma maga mulher. Havia bruxas, mas nenhuma maga. Apesar disso, a magia — que neste mundo é quase um ser vivo muito perigoso, algo meio radioativo, que não consegue ficar muito tempo contido num só corpo — começa a agir tão estranhamente em volta de Esk que a tutora dela, que queria fazer dela uma bruxa e tem muito preconceito contra magos, resolve levá-la para estudar na Universidade Invisível, onde ela se tornaria uma maga. Isso é, se ela fosse aceita.

Diferente dos outros dois livros, achei Equal Rites detalhado na medida certa, sem ser chato em nenhum momento, com um ritmo aceitável para um livro de fantasia e a ironia e criatividade características de Terry Pratchett. A personagem de Esk é muito interessante, mas queria dar ênfase à personagem da Vovó Cera do Tempo, a tutora dela, que se saía várias vezes com frases de sabedoria muito boas. Além do bastão de Esk, que tem a personalidade tempestuosa e perigosa parecida com a do baú, dos primeiros livros, e terminou sendo meu 'personagem' preferido.

O livro inteiro é bastante sarcástico, engraçado, sem ser bobo, assim como todas as coisas escritas por Pratchett. Por algum feliz motivo, ele foi comedido em falar sobre coisas de fora da história, mantendo-se firme no propósito de terminá-la sem sair muito da linha. Só foi ruim que eu perdi o timing do desafio e só consegui resenhar agora, mas era para o desafio de agosto. Enfim, antes tarde do que nunca.

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Esta é uma resenha para o Desafio Literário do Tigre 2014, do blog da Tadsh. O tema de Agosto é "Risos": ler e resenhar um livro que me faça rir. Para saber mais sobre o desafio, entre na fanpage ou saiba mais no blog.

domingo, 31 de agosto de 2014

BlogDay 2014


E neste dia 31 de Agosto, celebramos um dia muito especial para aqueles que cultivam blogs: O Blog Day! Já participei algumas vezes, quando blogs simples e desinteressados ainda caminhavam pela terra, sempre brilhantes demais, com gifs animados e backgrounds extravagantes. Na época em que todo mundo tinha um pouco mais de tempo para ficar navegando, comentando e fazendo amizade pela madrugada. Hoje em dia, confesso que tinha perdido um pouco o ânimo de procurar blogs interessantes, porque parece que todo mundo só quer se promover. Enfim, fim da ~oh, que saudade da aurora da minha vida~.

O Blog Day voltou, trazido de volta pelo pessoal do Rotaroots e estou animadíssima para divulgar a minha listinha de blogs legais; os antigos que seguiram em frente e os que eu ando lendo, ultimamente. Este post parece que vai ser bem grande, porque são muitos blogs para serem listados e comentados.

5 blogs que não saem do meu feed:
Primeiro, aqui vão alguns blogs que conheço faz algum tempo e que não deixo de seguir; leio cada palavra, com frequência e faço questão de não perder nada. Blogs que já estão no meu coração e já fazem parte da minha vida.

Conheci o blog da Tati quando procurava inspiração para escrever. Ela não sabe, mas terminou me inspirando bastante a parar de só escrever histórias e escrever um pouco coisas mais pessoais. Tem funcionado bem, agora; mas foi uma época criativa bem difícil. Fora que ela também criou o Desafio do Tigre, que tem sido quase um companheiro para mim, neste ano que já passa da metade. Inclusive me fazendo ser vítima de bullying quando vou a livrarias e o vendedor me aborda, perguntando se eu estou procurando algo específico e eu respondo "só estou procurando um livro com a capa bonita". Foi por causa do blog dela que conheci o Rotaroots.

Ambos os blogs são do Rob Gordon, autor que venho acompanhando há bastante tempo, antes mesmo de ele começar a publicar livros (Anônimos e Urbanos e 24 horas, 48 crônicas) e comic books (Terapia). O Champ Vinyl foi o que conheci antes, onde ele escreve histórias engraçadas sobre coisas que acontecem com ele (com um 'leve' exagero); sobre uma ida ao Pão de Açúcar, uma caixa de Toddynho esquecida no fundo do armário, ou sobre o cachorro fofo dele, apelidado carinhosamente de Besta-Fera. O Champ Chronicles surgiu depois, com o objetivo de escrever contos e crônicas mais sérias, fictícias, mas cotidianas. Histórias ambientadas na cidade grande, com personagens humanos e bem reais. Adoro os dois blogs. Não conseguiria deixar nenhum dos dois de fora desta lista.

O blog da Andréia Pires, grande escritora de quem sou uma grande fã. Ela normalmente escreve contos, mas este blog é mais pessoal. Ela teve outros blogs, nos quais publicava contos, mas acho que não mantém nenhum no momento. São meus preferidos. Mas nem por isso a deixaria fora desta lista, porque qualquer coisa que ela escreva é linda. Andréia publicou bastante coisa, mas acho que, de livros, foram só dois: De Solas e Asas e Um Ninho no Estranho.

- R.izze.nhas
Um blog de resenhas de livros. Houve um tempo em que eu tinha um certo preconceito com blogs de resenhas de livros, talvez porque só conseguisse encontrar blogs falando de livros que não tinham nada a ver comigo, com resenhas um pouco vazias, pro meu gosto. Até que encontrei o blog da Taize, que anda um pouco parado, esses dias, provavelmente por algum motivo pessoal. Mas as resenhas dela são ótimas, os livros que ela escolhe quase sempre vão para a minha wishlist e, além de tudo, me abriu a porta para gostar de blogs de resenhas (e tornar o meu um também).

- Acepipes Escritos
Com textos leves e belos, o Bruno escreve sobre o cotidiano, sobre ser pai, sobre ser marido, sobre ser humano. E contos fictícios. Faz muito tempo que acompanho o blog, apesar de estar um pouco paradinho, provavelmente porque o Bruno foi pai recentemente e não deve estar com muito tempo pra nada. Mas recomendo de coração os textos dele. Uma viagem ao mundo das palavras que fazem sorrir. Um dos melhores blogs que já encontrei na vida.

2 blogs que eu conheci no Rotaroots:
Eu seeeei que era pra listar cinco blogs, mas eu estou há pouco tempo no Rotaroots e não tive muitas oportunidades para conhecer o pessoal, então serão só dois blogs:

- Que momento!
Blog do Antônio, em que ele conta histórias engraçadas, com muitas expressões gaúchas e muito bom humor.

- Palavras e Silêncio
Blog da Fernanda, um blog recheado de textos em prosa poética, textos reais, fictícios, lindos, lindos.

5 blogs para sair da rotina:
Tenho vários blogs que sigo com assuntos diferentes do meu. Principalmente os de culinária. Como não vou sair listando duzentos blogs de assuntos aleatórios, preferi listar um sobre de cada assunto, mais especificamente aqueles de que mais gosto sobre cada assunto.

- La Cucinetta
Conheci este blog quando estava procurando receitas de pão. Só que além de receitas, Ana Elisa também escreve textos engraçados e filosóficos sobre a vida, o cotidiano e tudo mais: divagações e comida. E muuuitas receitas de pão.

- Casos e Coisas da Bonfa
Um blog sobre várias coisas, desde decoração de festa, comidinhas, petiscos, drinks, design, viagens. A Bonfa é designer e trabalha com identidade visual para marcas, que ela sempre mostra no blog. Mas o que me chama mais a atenção são os temas que ela cria para festinhas; parte gráfica, decorações interessantes e maneiras diferentes de servir petiscos, que me serve muito de inspiração, quando quero receber amigos em casa. Ela também mostra as viagens que ela faz pelo mundo com fotos lindas.

- Dos passos da bailarina
Desde que eu voltei a ser bailarina, procurei sites e blogs para me informar e me inspirar. O blog da Cássia traz variações, ballets de repertório, bailarinas famosas, textos inspiradores e tudo para quem gosta e quem quer aprender cada vez mais sobre ballet.

- A Casa que a minha Vó queria
Um blog sobre decoração e sobre um casal que faz a própria decoração. Como eu adoro ficar babando em decoração, mesmo não trabalhando em nada a ver com isso, eu adoro visitar o blog e dar uma olhada nas coisas novas. O blog mostra como eles fizeram o quarto dos filhos, o quarto deles, todo o trabalho de marcenaria, tudo em casa, tudo por eles mesmos. Adoro.

- Luyse
Os desenhos da Luyse. Amo todos.

*Essa postagem faz parte da postagem especial do mês de Agosto "BlogDay 2014" do Rotaroots, um grupo de blogueiros que pretende resgatar os bons tempos do mundo dos blogs. Faça parte do grupo do Facebook e se inscreva no Rotation.

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Para dois

Chamou-a para sair e ela quase pulou de alegria, já começando a escolher as roupas que usaria, os sapatos, a maquiagem... Sairiam só os dois, sem ninguém mais; nenhum amigo em comum, nenhuma distração. Estava se sentindo como uma adolescente outra vez, saindo com uma pessoa de que gostava pela primeira vez. Com aquele friozinho na entrada do estômago, aquela comichãozinha gostosa na garganta.

Namoravam há anos. Mas esses momentos começaram a ser raros; esses momentos de sair e conversar só os dois, tomar uma cerveja e ficar contando somente com a companhia um do outro para tirar alguma diversão da noite. Tinha dias em que estavam só os dois em casa, mas mal conversavam; ficava cada um num canto, lendo ou jogando, sem conversar. Ou fazendo sexo, que eram os únicos momentos de intimidade. Não que estivesse reclamando; gostava desses dias. Eram momentos naturais, de paz e cumplicidade. Mas ela queria aquele olhar só pra ela de novo, um momento dele só para ela, para variar.

Ele chegou, a beijou, ela sorriu. Estava tudo perfeito. Entraram no bar, escolheram a mesa, se sentaram longe do som, num lugar mais vazio, para conversarem melhor. Ela estava ansiosa, mas feliz. Pediram uma cerveja pros dois e começaram a brincar com alguma coisa engraçada que tinha acontecido. Era besteira estar ansiosa, afinal estavam juntos há tanto tempo e davam tão certo. Foi quando um casal conhecido passou por perto, por entre as mesas, e os reconheceu. Cumprimentaram-se com animação, fazia anos que não se viam e por isso, claro, ele os convidou para sentar e colocar as novidades em dia. Ficaram até bem tarde bebendo, conversando e rindo.

No final, foi uma noite agradável, como ela imaginava. Ela gostava daqueles amigos.

Mas... de onde vinha aquele vazio?

"Until you think you have the time
to spend an evening with me"

Imagem: Flickr - Creative Commons

sábado, 2 de agosto de 2014

A quarta parede* - Neil Gaiman

Quando ouvi dizer que o Muro de Berlim caíra, minha primeira reação foi de alívio; mas então pensei: e se existisse uma jovem que passou anos — metade da sua vida — pintando naquele muro?

Pintando uma mensagem, ou uma imagem.

Se todas as manhãs ela se levantasse bem cedo, fosse até lá e pintasse um ou dois traços no muro. Todos os dias, na chuva, no frio, às vezes até no escuro. Era seu grito contra a opressão. Seu protesto contra o muro.

Ela estava quase terminando quando tudo foi demolido.

As pessoas poderiam ir e vir livremente. O muro contra o qual ela protestava não existia mais, assim como sua criação, desfeita em pedaços, vendida a um colecionador particular...

Tento imaginar como ela se sentiu. Espero que não tenha ficado desanimada.

Eu teria ficado.



*Trecho do livro Sinal e Ruído, de Neil Gaiman.

quinta-feira, 31 de julho de 2014

Esportes: Quadribol através dos séculos

Eu tinha uns 12 anos quando comecei a ler a série Harry Potter. Ainda não era modinha aqui no Brasil, ainda nem estavam gravando os filmes; embora já fosse famoso lá fora. Eu não era leitora de fantasia; achava que ia ser uma babaquice essa coisa de bruxinhos 'do bem' indo à escola e combatendo o mal. Eu lia infanto-juvenis, livros de Pedro Bandeira e os da coleção Vaga-Lume, mas nunca tinha enveredado pelas terras da fantasia. Terminou que devorei os três primeiros livros, os únicos lançados até então, e acabei com meu preconceito com fantasia.

No Desafio deste mês, acabo com outro preconceito: o dos spinoffs da série Harry Potter. Talvez nem tenha sido preconceito; o fato é que nunca antes tive interesse por eles. Então, como o desafio do mês é sobre esportes e o único "esporte" pelo qual me interessei a vida inteira foi o ballet (e eu não encontrei nenhum livro interessante, não-técnico, para ler), acabei tendo a ideia de 'ver qual era' a do livro sobre Quadribol.

Para quem nunca leu a série, Quadribol é o esporte mais famoso entre os bruxos do mundo inteiro e é muito jogado em Hogwarts, a escola de bruxaria em que Harry e os amigos estudam. Como o diretor da escola, Alvo Dumbledore, diz no prefácio do livro, o livro Quadribol através dos séculos que encontramos nas livrarias é uma cópia do exemplar original pertencente à biblioteca de Hogwarts, cedido muito a contragosto pela bibliotecária, e vendido pelo mundo para que nós, os "trouxas", possamos ler. Ainda acho que a minha cartinha de admissão não chegou porque todas foram para Harry, no ano em que ele entrou em Hogwarts.

O livro começa falando das vassouras e dos vários esportes jogados em cima de vassouras. Então, com muito bom humor, explica como se deu o surgimento do Quadribol e de cada uma das suas quatro bolas. Explica também as regras e as faltas mais comuns no jogo, uma vez que todas as faltas não poderiam ser divulgadas para "não dar ideias". Depois de falar bastante sobre o jogo, o autor começa a falar dos times do Reino Unido e depois da disseminação do esporte pelo mundo. Fiquei curiosa sobre o que seria dito sobre o Brasil, obviamente, e fiquei rindo quando li que o Brasil chegou às quartas de final na Copa Mundial. Só acho que não perdeu de 7 x 1.

O livro é bem curto, leve e engraçado. J. K. Rowling, sob o pseudônimo de Kennilworthy Whisp, sabe lidar com a narrativa e as esquisitices bruxas de uma maneira natural, já vista nos outros livros da série, e inventa fatos engraçados e exagerados na medida certa, sem cansar demais. Para mim, ela nunca deveria ter escrito outra coisa a não ser fantasia. Sim, eu li os outros livros "para adulto" dela e achei bem ruins, apesar de ela aparentemente estar apostando bastante no detetive Cormoran Strike, do Chamado do Cuco. Acho que ela escreve bem para adultos (oi, eu sou adulta), quando escreve para crianças. Harry Potter é uma série que qualquer um que goste de ler poderia aproveitar bem, sem achar besta demais. Claro, ela tem todo o direito de escrever os livros de adulto que ela quiser. Eu só não gostei. Achei besta demais. Ops.

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Esta é uma resenha para o Desafio Literário do Tigre 2014, do blog Elvis Costello Gritou Meu Nome. O tema de Julho é "Esportes & Esportistas": ler e resenhar um livro que diga respeito a algum esporte. Para saber mais sobre o desafio, entre na fanpage ou saiba mais no blog.