sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Para dois

Chamou-a para sair e ela quase pulou de alegria, já começando a escolher as roupas que usaria, os sapatos, a maquiagem... Sairiam só os dois, sem ninguém mais; nenhum amigo em comum, nenhuma distração. Estava se sentindo como uma adolescente outra vez, saindo com uma pessoa de que gostava pela primeira vez. Com aquele friozinho na entrada do estômago, aquela comichãozinha gostosa na garganta.

Namoravam há anos. Mas esses momentos começaram a ser raros; esses momentos de sair e conversar só os dois, tomar uma cerveja e ficar contando somente com a companhia um do outro para tirar alguma diversão da noite. Tinha dias em que estavam só os dois em casa, mas mal conversavam; ficava cada um num canto, lendo ou jogando, sem conversar. Ou fazendo sexo, que eram os únicos momentos de intimidade. Não que estivesse reclamando; gostava desses dias. Eram momentos naturais, de paz e cumplicidade. Mas ela queria aquele olhar só pra ela de novo, um momento dele só para ela, para variar.

Ele chegou, a beijou, ela sorriu. Estava tudo perfeito. Entraram no bar, escolheram a mesa, se sentaram longe do som, num lugar mais vazio, para conversarem melhor. Ela estava ansiosa, mas feliz. Pediram uma cerveja pros dois e começaram a brincar com alguma coisa engraçada que tinha acontecido. Era besteira estar ansiosa, afinal estavam juntos há tanto tempo e davam tão certo. Foi quando um casal conhecido passou por perto, por entre as mesas, e os reconheceu. Cumprimentaram-se com animação, fazia anos que não se viam e por isso, claro, ele os convidou para sentar e colocar as novidades em dia. Ficaram até bem tarde bebendo, conversando e rindo.

No final, foi uma noite agradável, como ela imaginava. Ela gostava daqueles amigos.

Mas... de onde vinha aquele vazio?

"Until you think you have the time
to spend an evening with me"

Imagem: Flickr - Creative Commons

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

5 programas de TV que marcaram a minha vida

Este vai acabar sendo um post saudosista. Não porque precise ser, mas porque hoje em dia quase não assisto mais à televisão. O que não posso dizer o mesmo de uns dez anos e para trás. Nas décadas de 80 e 90, época áurea da minha vida - aquele período em que todas as crianças assistem aos mesmos programas, senão correm o risco de ficar de fora -, eu muitas vezes abdicava de ficar no quintal de casa correndo, subindo em árvores e brincando ao ar livre para ficar na frente da TV. Super saudável. Na verdade, eu fui uma criança bastante saudável; mas, se hoje em dia pudesse mudar alguma coisa na vida, pegaria todo aquele tempo em que fiquei na frente da TV e converteria em algumas horas a mais pegando carambola do pé ou brincando com o cachorro no jardim da minha antiga casa.

Apesar dessa revolta toda, eu gostava de ver TV também porque havia programas muito bons, nessa época. Acho que até menos bobos e mais bem feitos que os que tem hoje. De vez em quando, assisto a uns desenhos atuais e quase vomito de tão feios e sem graça que eles são. Antigamente, mesmo com menos tecnologia, eles tentavam fazer desenhos bonitos. Hoje, saem uns troços feios e chatos como Peppa Pig e Charlie e Lola. A besteirada não é privilégio dos desenhos atuais, mas eu acho que eles têm muitas condições de fazer desenhos mais bonitinhos.

Voltando à minha lista; entre programas e desenhos, eis os que marcaram a minha infância:

Xou da Xuxa
Denunciando a minha idade, claro, eu nasci no ano em que a Xuxa começou o programa dela. Xuxa era realmente uma rainha do nosso tempo e eu tinha todos os discos (parei no 8º disco) e, junto com as minhas primas, inventava coreografia para todas as músicas. Adorava as Paquitas também e quando o Trem da Alegria ou o Balão Mágico iam cantar lá. Amava o filme Lua de Cristal e nunca achei estranho o fato de Sergio Mallandro não ser nada bonito e mesmo assim ser o "príncipe"; pelo contrário, eu também o adorava e o achava realmente engraçado. Gostava tanto de Xuxa que Doce Doce foi a primeira música que eu cantei na vida, com menos de um ano de idade. (Gente, eu não lembrava que a última Helena de Manuel Carlos que tinha sido a vilã de Lua de Cristal!)

Cavalo de Fogo

Eu podia citar vários desenhos legais dessa época (He-Man, She-Ra, Johnny Quest, Thundercats, Muppets Babies), mas lembro muito pouco de cada um para poder descrever todos. Um dos que mais marcaram e que eu ainda lembro bem, foi o Cavalo de Fogo. Quando paro para pensar, acho que foi a primeira história de mundos fantásticos 'a la' Terra Média a que tive acesso. Achava o máximo aquele mundo diferente, de plantas azuis e cor de rosa, de monstros engraçados e cavalos falantes. Era fã do herói Cavalo de Fogo, que levava a princesa Sarah através do portal para salvar o reino de alguma confusão que Diabolin criava. E torcia para que os pais de Sarah se encontrassem, frustrada que eles tivessem que ficar separados e que ele nem sequer se lembrava de nada. Nunca vi o final do desenho, se é que tinha algum. (Hoje em dia, fico pensando se a voz da mulher que cantava a abertura era ruim assim mesmo ou era defeito do som da época.)

Chaves
Chaves e Chapolin marcaram, marcam e sempre vão marcar a vida de todo mundo. Um dos melhores programas ever, que sempre teve sua graça sem apelar para nada; apenas simples, com piadas inocentes e engraçadas. Todo mundo sempre gostou mais de Chaves, mas eu gostava de Chapolin. Hoje em dia, prefiro Chaves, mas entendo minha preferência da época. Chapolin variava os cenários e tinha histórias diferentes, com mafiosos, outros planetas, carros perdidos em selvas. Meu personagem preferido é Quico. O programa Chaves faz sucesso até hoje. Tanto que o gênio Silvio Santos nunca largou o programa, para não ter perigo de ir parar em outras emissoras.

Carrossel
Carrossel foi um grande sucesso, na época; tentaram fazer uma versão brasileira, recentemente, mas eu nem sei se prestou. Quem nunca quis uma professora como a Professora Helena? Quem nunca quis um carrinho igual ao do Jorge? Quem nunca quis ter um esconderijo igual ao da turma? E quem nunca morreu de pena do Cirilo? Por outro lado, eu nunca entendi por que Maria Joaquina acabou gostando dele. Claro que tinha todo aquele lance do racismo e que era uma lição de moral, mas não acredito nessa coisa de você acabar gostando de uma pessoa por insistência, sabe? Meu personagem preferido era o Paulo; achava ele parecido com meu irmão. Eu também tinha o disco com as músicas. Sei algumas até hoje.

Chiquititas
Marcou o fim de uma era. Chiquititas começou em 1997, no período de transição da minha infância com a adolescência, aquele período chato em que você tem que começar a provar para todo mundo que você não é mais você, que é uma pessoa muito mais ~descolada~, que se interessa por coisas que não são nem um pouco interessantes. Lembro que todas as minhas amigas assistiam à novela, mas ninguém admitia. Até que uma terminou confessando e as outras acabaram dizendo também. Aí saiu o primeiro CD com as músicas e a gente marcava na casa de alguém pra ficar dançando. Teve umas cinco temporadas, cada uma com seus respectivos CDs e clipes, e eu acho que acompanhei as três primeiras, depois fui largando e via só ocasionalmente. Ocasionalmente de uma maneira que não tenho nem ideia dos enredos finais, nem sei como acabou, mas sei todas as músicas.

Poderia citar mais um monte de programa, como "Disney Club (Cruj)", "Bom Dia e Cia", "Mara Maravilha", séries como "Punky, A levada da breca"; mas nenhum marcou tanto quanto esses. Tive que sair realmente destrinchando todos para me convencer de que esses são a lista final dos programas da minha vida.

E vocês? Viam algum desses programas?

Essa postagem faz parte do meme "5 programas de TV que marcaram a minha vida" do Rotaroots, um grupo de blogueiros que pretende resgatar os bons tempos do mundo dos blogs. Faça parte do grupo do Facebook e se inscreva no Rotation.

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Blog: textos e pensamentos

Comecei este blog em 2008, logo após terminar a faculdade de odontologia. Foi um período de grandes mudanças e eu acho que fiquei com medo. Acima de tudo, medo de parar de escrever de vez, esquecer esse pequeno hobbie. Ou de ficar séria demais. Acho que estava viajando, porque: oi, séria demais? Aos 29 anos, acho que nunca vou amadurecer o suficiente para ficar séria demais. Ontem mesmo, tirei foto do pingente de um paciente, que estava usando o símbolo das Deathly Hallows (spoiler alert no link), animada porque tenho pacientes legais, que curtem coisas legais. A foto, inclusive, deve integrar o post do dia 30, porque foi meio que o ponto alto do meu dia.

Quando comecei o blog, escrevia muito mais mini contos (ou momentos) que pensamentos meus ou textos autobiográficos. Eu gostava bastante desses "momentos" e era, no mundo, o que eu mais gostava de escrever, desde o colégio. Desde então, algo mudou e, ultimamente, ando escrevendo coisas muito mais pessoais e sentimentos profundos, verdadeiros, melancólicos. Algo mudou, de fato. Depois de muitas crises de ausência literárias, de repente me vi incapaz de escrever momentos de que gostasse, com personagens e acontecimentos e essas coisas. Também minha ideia de escrever um livro se afogou. Encontrei abrigo nos pensamentos, disfarçados de palavras neutras, com significados ocultos, falando demais em dizer tão pouco. Esse é o tipo de coisa que eu faço hoje. Me escondo nas palavras, em vez de criar situações. Não é uma perda de tempo, porque termina sendo um alívio. Como se estivesse realmente expulsando essas coisas de mim. E acho que, no final, até que fica legal, escrito.


De uma maneira ou de outra, a gente acaba criando um estilo assim. Nessa de "fingir que escrevo", ando escrevendo com bem mais frequência. O que é um grande avanço, depois de tanto vácuo. Perdi leitores, nesse tempo; perdi visitações. Mas acho que até não me incomoda o blog assim, meio vazio. Talvez porque termine me obrigando menos a escrever coisas que encantem e escreva mais o que me passa pela cabeça, sem me importar se vai agradar. Nunca quis ser famosa; criei o blog para dividir meus escritos com com gente que goste dos meus textos. E eu sei que as pessoas que sempre gostaram ainda vêm aqui, então só perdi as que nunca tive.

Também comecei a escrever resenhas de livros. Comecei quando percebi que estava lendo mais que escrevendo e me perguntei "por que não escrever sobre o que estou lendo?", bem no período em que passei quase um ano sem escrever nada. Então comecei as resenhas. Odiei as primeiras, mas fui pegando o jeito. Ajudou muito ter entrado no #DLdoTigre, porque acabei me obrigando a ler sobre um tema e depois escrever. Aí veio tudo de uma vez: a procura por ideias, mais desafios, memes e grupos de blogueiros incentivadores, como o Rotaroots. E, bom, estou de volta para ficar, escrevendo com uma frequência saudável, sem perder a essência do que eu sempre quis fazer aqui.

E eis que, depois desse monólogo todo, estou me sentindo quase uma escritora com crises de diva, querendo confete. Bom, só posso dizer que tem tanta coisa acontecendo na minha vida, neste momento, que confetes não seriam totalmente ruins. Por uma vida com mais confetes.

Essa postagem faz parte da blogagem coletiva "O que eu mais gosto de escrever no meu blog?" do Rotaroots, um grupo de blogueiros que pretende resgatar os bons tempos do mundo dos blogs. Faça parte do grupo do Facebook e se inscreva no Rotation.
Imagem: Flickr - Creative Commons 

sábado, 2 de agosto de 2014

A quarta parede* - Neil Gaiman

Quando ouvi dizer que o Muro de Berlim caíra, minha primeira reação foi de alívio; mas então pensei: e se existisse uma jovem que passou anos — metade da sua vida — pintando naquele muro?

Pintando uma mensagem, ou uma imagem.

Se todas as manhãs ela se levantasse bem cedo, fosse até lá e pintasse um ou dois traços no muro. Todos os dias, na chuva, no frio, às vezes até no escuro. Era seu grito contra a opressão. Seu protesto contra o muro.

Ela estava quase terminando quando tudo foi demolido.

As pessoas poderiam ir e vir livremente. O muro contra o qual ela protestava não existia mais, assim como sua criação, desfeita em pedaços, vendida a um colecionador particular...

Tento imaginar como ela se sentiu. Espero que não tenha ficado desanimada.

Eu teria ficado.



*Trecho do livro Sinal e Ruído, de Neil Gaiman.

quinta-feira, 31 de julho de 2014

Esportes: Quadribol através dos séculos

Eu tinha uns 12 anos quando comecei a ler a série Harry Potter. Ainda não era modinha aqui no Brasil, ainda nem estavam gravando os filmes; embora já fosse famoso lá fora. Eu não era leitora de fantasia; achava que ia ser uma babaquice essa coisa de bruxinhos 'do bem' indo à escola e combatendo o mal. Eu lia infanto-juvenis, livros de Pedro Bandeira e os da coleção Vaga-Lume, mas nunca tinha enveredado pelas terras da fantasia. Terminou que devorei os três primeiros livros, os únicos lançados até então, e acabei com meu preconceito com fantasia.

No Desafio deste mês, acabo com outro preconceito: o dos spinoffs da série Harry Potter. Talvez nem tenha sido preconceito; o fato é que nunca antes tive interesse por eles. Então, como o desafio do mês é sobre esportes e o único "esporte" pelo qual me interessei a vida inteira foi o ballet (e eu não encontrei nenhum livro interessante, não-técnico, para ler), acabei tendo a ideia de 'ver qual era' a do livro sobre Quadribol.

Para quem nunca leu a série, Quadribol é o esporte mais famoso entre os bruxos do mundo inteiro e é muito jogado em Hogwarts, a escola de bruxaria em que Harry e os amigos estudam. Como o diretor da escola, Alvo Dumbledore, diz no prefácio do livro, o livro Quadribol através dos séculos que encontramos nas livrarias é uma cópia do exemplar original pertencente à biblioteca de Hogwarts, cedido muito a contragosto pela bibliotecária, e vendido pelo mundo para que nós, os "trouxas", possamos ler. Ainda acho que a minha cartinha de admissão não chegou porque todas foram para Harry, no ano em que ele entrou em Hogwarts.

O livro começa falando das vassouras e dos vários esportes jogados em cima de vassouras. Então, com muito bom humor, explica como se deu o surgimento do Quadribol e de cada uma das suas quatro bolas. Explica também as regras e as faltas mais comuns no jogo, uma vez que todas as faltas não poderiam ser divulgadas para "não dar ideias". Depois de falar bastante sobre o jogo, o autor começa a falar dos times do Reino Unido e depois da disseminação do esporte pelo mundo. Fiquei curiosa sobre o que seria dito sobre o Brasil, obviamente, e fiquei rindo quando li que o Brasil chegou às quartas de final na Copa Mundial. Só acho que não perdeu de 7 x 1.

O livro é bem curto, leve e engraçado. J. K. Rowling, sob o pseudônimo de Kennilworthy Whisp, sabe lidar com a narrativa e as esquisitices bruxas de uma maneira natural, já vista nos outros livros da série, e inventa fatos engraçados e exagerados na medida certa, sem cansar demais. Para mim, ela nunca deveria ter escrito outra coisa a não ser fantasia. Sim, eu li os outros livros "para adulto" dela e achei bem ruins, apesar de ela aparentemente estar apostando bastante no detetive Cormoran Strike, do Chamado do Cuco. Acho que ela escreve bem para adultos (oi, eu sou adulta), quando escreve para crianças. Harry Potter é uma série que qualquer um que goste de ler poderia aproveitar bem, sem achar besta demais. Claro, ela tem todo o direito de escrever os livros de adulto que ela quiser. Eu só não gostei. Achei besta demais. Ops.

--
Esta é uma resenha para o Desafio Literário do Tigre 2014, do blog Elvis Costello Gritou Meu Nome. O tema de Julho é "Esportes & Esportistas": ler e resenhar um livro que diga respeito a algum esporte. Para saber mais sobre o desafio, entre na fanpage ou saiba mais no blog.

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Imortal

"João foi um pobre como nós, meu filho, e teve que suportar as maiores dificuldades numa terra seca e pobre como a nossa. Pelejou pela vida desde menino, passou sem sentir pela infância, acostumou-se a pouco pão e muito suor. Na seca, comia macambeira, bebia o suco do xique-xique, passava fome.

E, quando não podia mais, rezava. E quando a reza não dava jeito, ia se juntar a um grupo de retirantes que ia tentar sobreviver no litoral. Humilhado. Derrotado. Cheio de saudade.

E logo que tinha notícias da chuva, pegava o caminho de volta, animava-se de novo, como se a esperança fosse uma planta que crescesse na chuva. E quando revia sua terra dava graças a Deus por ser um sertanejo pobre, mas corajoso e cheio de fé."


Ariano Suassuna: imortal como Pernambuco, a terra que ele chamou de sua.

terça-feira, 22 de julho de 2014

Fato aleatório sobre mim #1

Eu amo hambúrguer e batata frita

Numa conversa com uma amiga, no meu consultório:
— Ontem, eu ia sair. Um amigo me ligou e chamou para ir ali comer um hambúrguer com batata frita.
— Você não foi?
— Não, eu estava me sentindo mole, com dor de dente.
— Mas era hambúrguer com batata frita! Eu iria para qualquer canto por um hambúrguer com batata frita.


Mesma conversa, pouco depois:
— Encho tanto teu saco com esses dentes, né?
— Que nada. E isso que eu te passei vai resolver.
— Se resolver, sei nem o que eu faço.
— Me paga um hambúrguer com batata frita.

Imagem: Flickr - Creative Commons

terça-feira, 15 de julho de 2014

Momentos e música

Uma vez, alguém me disse: "não associe uma música a alguém" e eu sempre soube que essa pessoa tinha razão. Mas é difícil; a gente termina associando tudo nessa vida e eu sou dessas que associa tudo a música. Então basicamente esse é um desafio que eu nunca cumpri. E esse é um dos motivos pelos quais eu choro por tudo, por nada. Esse e o fato de eu ser mole mesmo. O problema é que, por já ter nela meio intrínseco esse componente emocional, a música meio que preenche as lacunas de sentimento que falta na vida. Aí a gente traz para junto, para dentro, para a vida. Associa. Perde e chora.

Uma vez, aconteceu de eu gostar muito de uma pessoa que me emprestou um CD. Só que a pessoa não gostava tanto assim de mim e isso foi bem ruim. Foi embora, mas as músicas do CD ficaram. Passei muito tempo para conseguir dissociá-las da pessoa, ainda mais porque elas só falavam em sentimentos fortes, amor e perda. Consegui, enfim, desligar as músicas da pessoa, mas elas ficaram irrevogavelmente ligadas àquele momento.

Hoje, eu sinto um grande carinho pelas músicas. Hoje, elas não machucam. Acho que ligar música a momentos faz essa coisa de associar música a pessoas daquele momento ser mais suportável. Momentos criam saudades saudáveis, fazem parte da nossa vida e, mesmo que doa, a dor ameniza e a lembrança fica. A música fica e adquire um sabor melancólico. A música fica com o momento e permanece. E os momentos são nossos. As pessoas, elas nunca são de ninguém.

"And the songbirds are singing
like they know the score"


Imagem: Flickr - Creative Commons
Música: Songbird

terça-feira, 8 de julho de 2014

5 coisas para fazer no inverno

Não sei se vocês sabem, mas eu moro no Recife-PE e, como já devem imaginar, aqui não tem algo que se possa chamar de "inverno", então não sou a maior das autoridades para falar de frio. O tempo esfria pouco, chove muito e, dependendo de onde você more, dá até para dormir sem ar condicionado, de janela aberta. Como tem chovido demais, esses dias, e a gente aqui não é muito acostumada a ventinho frio e ausência de calor, o tempo para mim está ideal. É que eu até gosto de frio de verdade, mas não para acordar cedo, tomar banho e ir trabalhar. No final das contas, eu reclamo bastante do calor dos infernos do verão daqui, mas acho o inverno até gostosinho, sem ser incômodo. Exceto quando chove demais e alaga tudo.

Quando começa esse período de inverno, as pessoas aqui costumam viajar para cidades mais altas do interior, como Gravatá, Garanhuns, Triunfo, para aproveitar o frio como se deve, com temperaturas mais baixas que o Recife é capaz. Já fui para Garanhuns para sentir o peso de 5° C.

E para aproveitar, nada como:

1. Fondue

O primeiro item tinha que ser comida, claro. #gordice Meu fondue preferido é o de carne, acompanhado de molhos de barbecue, alho e mostarda; mas sempre terminava fazendo o de queijo, que é o preferido de quase todo mundo. O de chocolate também é bom, mas enjoa logo.

2. Viajar

Não precisam ser grandes viagens; tenho certeza de que meus amigos se lembram com saudade da casa que meus pais tinham em Gravatá; sempre que tinha algum feriado de inverno, a gente acabava indo para lá. Em 2008, eu fui ao Festival de Inverno de Garanhuns. Fui com um grupo de amigos, tomamos muito vinho e chocolate quente e foi muito divertido. Já fiz viagens maiores, mas nada como aqueles prazeres mais simples, que se pode arranjar sem muito planejamento.

3. Vinho

Vou dizer vinho porque nunca experimentei cerveja quente, mas tenho certeza de que iria gostar mais. O meu vinho tem que ser tinto e seco. Fora isso, entendo bem pouco de marcas e safras, vocês vão ter que me perdoar. Agora, se tem vinho, tem que ter amigos. Afinal, para quem você vai fazer declarações de amor, quando o vinho fizer efeito?

4. Ler

Se faz um friozinho e você vai ficar em casa, o negócio é pegar o livro da vez e encafofar na cama para ler. Também vale ver um filme, uma série ou jogar videogame; mas eu ainda prefiro pegar um livro e sumir do tempo e espaço.

5. Dormir

Só ou acompanhada, dormir ainda é uma das minhas "atividades" favoritas no frio. Dormir é sempre bom, o problema é acordar depois. Ainda mais no frio.

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Imagens: Flickr - Creative Commons

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Autores Queridos: The Absolute Sandman

Quando soube que o tema do Desafio para o mês de junho, mês de aniversário, era “autores queridos”, fiquei animada, afinal seria o mês de saborear e resenhar sobre algum autor que eu amo. Só que começou junho, eu fiquei sem conseguir me decidir sobre qual autor seria, fiquei deixando para depois e acabou que, na última semana de junho, ainda não tinha começado nada. Claro que pensava em ler outros livros, fora o do desafio, mas a única coisa que eu li o mês inteiro foram coisas do trabalho e alguns capítulos do segundo volume de Game of Thrones. Só posso explicar essa ausência literária como sendo um bloqueio mesmo. Mas enfim...

O que me fez sair dessa inércia foi Gaiman. Eu tenho vários autores queridos, mas o problema é que não estava com nenhuma vontade de ler nenhum deles. Aí me lembrei de um certo “livro” que ganhei no meu aniversário do ano passado; que eu já comecei uma vez, quando peguei emprestado de um amigo, mas o meu mesmo nunca tinha aberto direito, que não fosse só para admirar. Não é bem um livro, é uma série de histórias em quadrinhos. Sandman.


A primeira coisa que eu li de Neil Gaiman, foi o primeiro volume de Sandman. Mas não continuei os outros, porque eu não tinha (este volume aqui, The Absolute Sandman vol 1, tem os três primeiros volumes das edições antigas, se não me engano). E desde aquela época, eu já tinha percebido o quanto eu iria amar um livro normal escrito por Gaiman. Depois disso, eu saí procurando e confirmei essa suspeita.

Sandman é Sonho, ou Morpheus, um dos Perpétuos, as entidades mais poderosas no universo do livro. Os outros Perpétuos são Morte, Destino, Desejo, Destruição, Desespero e Delírio; em inglês, todos começam com a letra D. Todos têm um reino ou domínio e exercem uma função, que lhes toma a maior parte do tempo. Sandman controla o reino dos sonhos, regulando-os e vigiando-os. Quando um perpétuo não exerce sua função, os aspectos daquela existência se tornam aleatórios, sem uma entidade para regular. É o que ocorre no início da história, quando Sonho é capturado.

Como não quero dar mais spoilers que este, porque Sandman é uma das melhores criações de Gaiman e eu recomendo fortemente que, se houver alguém que não conhece, que procure conhecer (se não for uma daquelas pessoas que só lêem livros sérios); então vou apenas dar minhas impressões.

Achei muito bom ter voltado a ler Sandman, depois desse tempo todo só lendo histórias escritas de Gaiman. Quem já leu alguma história sabe que as coisas que Gaiman escreve são meio difíceis de serem imaginadas, porque ele mistura imagens com cheiros e formas impossíveis de serem associadas para descrever uma coisa e é bem interessante ver essas formas desenhadas ali para serem compreendidas. Além disso, como ele não escreveu mais nenhuma série fora Sandman (mentira, ele escreveu Os Livros da Magia e outras que eu ainda não consegui encontrar para ler, mas... garimpando e sempre), os livros acabam sendo curtos demais para o que se propõem, para explicar todo um universo diferente e estranho, criado no meio do mundo que já conhecemos. Exceto Deuses Americanos, que acho que foi explorado demais, num livro longo demais, desnecessariamente.

Sandman é aquele universo que nunca é explorado demais, tanto que existem vários spinoffs e livros de outros autores baseados na série. Gaiman é um dos meus autores queridos, que me deixam feliz e com vontade de guardar pra depois, quando encontro alguma coisa que ainda não li. Foi o caso com The Absolute Sandman. Sorte que ainda existem mais dois volumes e vááários spinoffs. E espero que nunca acabem.

"What power would Hell have if those here imprisioned were not able to dream of Heaven?"

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Esta é uma resenha para o Desafio Literário do Tigre 2014, do blog Elvis Costello Gritou Meu Nome. O tema de Junho é "Autores Queridos": ler e resenhar um livro de algum autor que você adore. Para saber mais sobre o desafio, entre na fanpage ou saiba mais no blog.

segunda-feira, 16 de junho de 2014

O que ajuda

Me acalmo fazendo planos, fazendo listas. Quando nada dá certo e eu perco a linha de raciocínio, o fio do emaranhado da vida, faço planos para sobreviver. Para recuperar o controle e manter a sanidade. Nunca consegui ser 'vida loca', deixar-me ir, carpe diem, colher o dia. Sou o tipo de pessoa certinha que faz listas, que vai cumprindo pequenas tarefas e anotando na agenda, para poder me sentir inteira outra vez.

Precisava fazer uma lista hoje, mas está tudo tão desorganizado na minha cabeça que não sei nem como começar. Isso assusta; isso de não ter mais planos nem ideias. Talvez precise de uma organização mais profunda, uma que não consigo mais fazer sozinha. Mas escrever, mesmo que não uma lista, já ajuda um pouco.

Conversar também ajudaria, mas estou com o orgulho ferido, a auto-estima baixa e sem nenhuma vontade de ouvir conselhos que não quero ouvir. Sabe quando você só quer só ouvir coisas agradáveis? Queria não precisar de ninguém. Queria não ver, ouvir ou sentir a preocupação de ninguém. Queria, além de tudo, que tudo ficasse bem. Logo.

Escrever ajuda. Mas até escrever está cada dia mais difícil. Faz sentido? Faz meses que não faço sentido nenhum.

"Into the flood again
Same old trip it was back then"
Imagem: GettyImages
Música: Would?

sexta-feira, 6 de junho de 2014

As séries a que eu estou assistindo

Vi esse meme no blog da Tati, a mesma do Desafio do Tigre. Ela não me convidou para participar, mas, sei lá, tô fazendo nada e resolvi escrever sobre as minhas séries também. E olha que nem estou acompanhando assim acompanhadinho essas séries, mas vá lá.

Houve um tempo em que eu gravava umas dez séries de uma vez na TV a cabo e toda noite estava lá colocando os episódios em dia. O tempo passou, muitas dessas séries acabaram, algumas ficaram chatas, outras seguiram para um lado e eu pro outro. Aqui vou listar apenas aquelas que estou vendo e as que criaram raízes no meu coração:

How I Met Your Mother

Ainda não comecei a ver a 9ª (e última) temporada, então me deixa. Amo de paixão essa série. O pessoal quer sempre comparar com Friends, dizendo que Friends é melhor, mas eu não consigo achar. Eu gosto de Friends, mas nunca me apaixonei pela série. Talvez seja um enredo, que HIMYM meio que tem e Friends não. Ou a continuidade, que HIMYM tem e Friends não; não tem fios soltos e eles pegam aquela deixa que ficou num episódio da 1ª temporada e usam na 5ª. Acho fantástico. Sem falar nos personagens, que eu adoro. Menos Ted. Ted não tem graça nenhuma.


Once Upon a Time

Eu sempre penso que vou parar de ver essa bendita, mas sempre surge algum personagem de conto de fadas novo que me deixa querendo ver o que vão fazer com ele. Mas a história mesmo, para mim, já deixou de ser interessante desde que acabou a 1ª temporada.


Breaking Bad

Estava vendo no Netflix e dei uma parada na 3ª temporada por falta de tempo para ver. E também porque meu namorado cancelou o Netflix e eu via na casa dele. Mas não considero que parei de ver, apenas que "estou guardando pra mais tarde", do mesmo jeito que a 9ª de HIMYM.


Top Chef

Vale como série? No momento, estou vendo a 10ª temporada, que está passando na Sony. É um reality show em que vários chefs competem, fazendo pratos lindos e deliciosos, para ver quem será o mais novo top chef. Eu gostava de MasterChef também, por causa de Gordon Ramsey, mas sempre achei que, no Top Chef, os chefs são mais profissionais. Normalmente, não gosto de reality shows, mas eu amo este por motivos de: comida. #gorda


Glee

Outra que deixou de ter graça faz tempo, mas eu não consigo parar de ver. Acho que a graça acabou exatamente na mid-season da primeira temporada, depois das Sectionals. Mas eu ainda gostava muito (me julguem, não ligo) e, mesmo alguns episódios sendo quase insuportáveis (aquele de Justin Bieber, oi?), sempre apareciam alguns que faziam valer o tempo perdido. Depois que acabou a 3ª temporada e um monte de gente se formou, entrando gente nova, ficou bem chato, mas acabou de acabar tudo depois que o ator Cory Monteith morreu e a história ficou sem rumo. Tão sem rumo que a série está para ser cancelada.


Game of Thrones

Comecei a ver, estou no início da primeira temporada, sem muito o que dizer. Li o primeiro livro da série e, como já falei na resenha, não achei nada de mais. Mas aí comecei a ver a série e estou tentando, realmente tentando, ver o que danado essa série tem que todo mundo ama.


Sherlock

Ninguém acompanha mesmo Sherlock, porque cada temporada só tem três episódios, de 1h30 cada, então acaba antes que a gente consiga manter o ritmo. Mas eu adoro. E Benedict Cumberbatch é, sem dúvida, o melhor Sherlock Holmes do mundo.

Tirando aquelas séries que eu sempre vejo de passagem, que não tem muito enredo pra seguir: Friends, Two and a Half Man (que só prestava com Charlie), Criminal Minds e House. E vocês, que séries estão assistindo?

terça-feira, 3 de junho de 2014

E se...?

Pela primeira vez na vida, penso se fiz a escolha certa. Aquela de anos atrás, aquela que implica todo o meu futuro. Eu fiz a escolha, batalhei por ela, sofri por ela, deixei de dormir por ela, gastei anos para torná-la realidade. Então, depois de construir todo o meu futuro em cima dela, ela me falha e me deixa essa dúvida. E se...?

E se eu tivesse pensado nas minhas opções antes de escolher? Sempre que lembro de ter tomado a decisão, não lembro de realmente ter pensado sobre ela. Acho que foi só aquela coisa certa na minha vida, que eu já sabia o que faria. Eu sempre soube o que faria. Devia ter uns doze anos quando afirmei isso numa aula de inglês, sem pensar muito. Eu realmente nunca nem considerei outra opção. Agora penso no que teria acontecido se tivesse considerado. Talvez não tivesse mudado nada. Mas talvez...

Talvez hoje eu estivesse fazendo outra coisa, em outro lugar, com outra vida. Talvez tivesse ido mais longe do que estou hoje e estivesse contando uma história diferente. Ou talvez não haja uma escolha certa e eu esteja apenas me torturando, pensando sobre isso e não chegando a conclusão nenhuma.

"If I had to do the same again, I would, my friend..."
Would I?

Imagem: GettyImages
Música: Fernando

domingo, 18 de maio de 2014

Top 5 amores platônicos famosos

"Meme de maio dos Rotaroots: "5 amores platônicos famosos". Quem nunca se apaixonou por alguém que jamais será correspondido, não é mesmo? O tema de hoje são famosos que você se apaixonou ou poderia se apaixonar, ou que você tem um crush/carinho especial. Pode ser famosos reais ou personagens."

Todo mundo teve um amor platônico na infância; aquele menino ou menina que você sempre admirou por algum motivo e a quem você nunca teve coragem de se declarar. Ou vontade realmente; na minha visão, amor platônico de verdade é aquela paixãozinha que você gosta de sentir só por sentir e, que se for declarada, deixa de ser aquele sentimento único para ser outro. Amor platônico é a admiração, um sentimento de mão única, de si para si, sem as complicações do "ser correspondido".

Ao longo da minha vida, tive alguns amores platônicos "ao vivo" e vários "famosos", daqueles que você cola pôsteres pelo quarto, ou que fica admirando naquela série que você não perde nunca. Depois de abandonar vários e pegar abuso de alguns, os amores mudaram e os valores também. Se antes eu gostava de alguém só por ser bonito, hoje dou mais valor a coisas como, sei lá, senso de humor. Depois de dar uma olhada na minha vida, fiz a minha lista de amores platônicos famosos atuais, num Top 5:

5. Johnny Depp

Meu ator preferido desde que fez Don Juan de Marco, mas conseguiu seu posto de amor platônico depois de Jack Sparrow, o pirata alcoólatra e cheio de trejeitos de Piratas no Caribe. Ele não é liiindo (já foi), pelo menos eu não acho, mas ele tem alguma coisa. Fico rindo quando vejo ele sentado na plateia, na cerimônia do Oscar, todo entediado, infelizmente nunca tendo ganhado nada. Fora que ele tem uma banda, que eu não curto muito, mas, né... #MariaPalheta



4. Michael Moscovitz

OK, esse é um amor mais antigo, da época em que era romântica e comecei a ler o Diário da Princesa, pelo menos uns 10 anos atrás. Mesmo porque, hoje em dia, acho a autora bem fraquinha. Acontece que, depois de aaanos sem pegar nenhum chick-lit para ler, terminei encontrando as duas últimas edições do Diário e comprei. E me lembrei do quanto eu era apaixonada por Michael Moscovitz, de como ele era super inteligente, engraçado, tinha uma banda e de como ele aguentava as chatices e inseguranças da protagonista chata. Mereceria um troféu, se fosse real. Mas duvido que exista um Michael Moscovitz vagando por aí.


3. Dr. Spencer Reid

Dr. Reid é um personagem da série Criminal Minds. Desde que vi o primeiro episódio que eu adoro o personagem. Ele é um nerd, que acabou o ensino médio aos 12 anos e entrou na universidade aos 13. Tem QI de 187, memória fotográfica e consegue ler 20 mil palavras por minuto. Minha mãe também assiste à série e me chama sempre que está passando algum episódio em que ele se destaca mais. Ele é sempre o responsável pelas cenas mais engraçadas e não porque ele seja engraçado, mas porque, depois de tanto lidar com livros e pesquisas em geral, ele é meio inocente, tipo um Sheldon, de The Big Bang Theory.


2. Paul McCartney

Músico preferido da minha banda preferida. Apenas. Houve um tempo em que eu gostava igualmente de John Lennon, mas acho que isso foi antes de ir ao primeiro show de São Paulo, em 2010. Chorei muito quando ele cantou "The long and winding road", a melhor música do mundo. Mas ele também fez "Golden Slumbers", "Hey Jude" e "Oh, darling".


1. Sirius Black
Imagem: Art Dungeon
O do livro, não o do filme. Apesar de eu gostar bastante de Gary Oldman, acho que ele tem muita cara de Comissário Gordon pro meu gosto (eu seeei que o primeiro Dark Knight foi lançado 4 anos depois). Já deu para ver que sou daquelas fãs velhas e rabugentas, que leu os livros anos atrás e que não se agradou de quase nada nos filmes, apesar de ter visto todos assim que saíram no cinema. Mas olha, depois de alguns anos negando a legitimidade dos filmes, eu até aceitei melhor que são adaptações e me divirto assistindo. O problema com Sirius é que Gary Oldman não conseguiu passar para as telas o bad boy Sirius; a rebeldia, o sarcasmo e a diversão que eu li no personagem, quando me apaixonei por ele. Acho que foi a única escolha do elenco que ainda não aceitei totalmente, talvez por amar demais a imagem que eu criei na minha cabeça.


Essa foi a lista que consegui fazer agora, anos depois de abrir mão de todos os amores platônicos "ao vivo" por um real de verdade, e agora quase voltando à adolescência para guardar os amores famosos atuais e os que nunca se foram. Tenho quase certeza de que vou me arrepender de ter esquecido alguém muito importante, mais tarde. (Update: Benedict Cumberbatch, COMO ASSIM ESQUECI DO MELHOR SHERLOCK HOLMES DO MUNDO?? Ah, deixa pra lá.)


Essa postagem faz parte da blogagem coletiva do Rotaroots, um grupo de blogueiros que pretende resgatar os bons tempos do mundo dos blogs. Faça parte do grupo do Facebook e se inscreva no Rotation.

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Bichos: Até Mais, e obrigado pelos peixes!

Para o desafio deste mês, cujo tema é “Bichos”, decidi ler “Até mais, e obrigado pelos peixes!”, 4º livro da série do Guia do Mochileiro das Galáxias, de Douglas Adams. Escolhi este livro porque já tinha lido os três primeiros e pretendia terminar a série. Disse pretendia porque não sei se pretendo mais. Os dois primeiros livros foram, para mim, meio que amor à primeira página; mas não posso dizer o mesmo do terceiro e do quarto.

O livro conta o retorno de Arthur à Terra, que, ninguém sabe como, voltou ao seu lugar e ao momento de onde tinha parado, quando foi destruída pelos Vogons. Então, o livro inteiro se passa na Terra, contando como o personagem mais chato da série — que por um infeliz acaso vem a ser o protagonista — volta à sua casa, depois de oito anos no espaço. É claro que Arthur foi criado para ser um personagem certinho, britânico, chato e, por isso mesmo, ser engraçado o fato de justamente ele ter sobrevivido à destruição da Terra e ter ido parar no espaço. Só que não é nada engraçado, nem mesmo interessante, quando ele volta pra casa e tenta recomeçar a vida normal, por menos normal que ela seja agora.

O terceiro livro já é chato o bastante, mas pelo menos se passa no espaço e tem aquelas curiosidades sobre o universo que Douglas Adams inventava, o que torna o livro suportável. Neste 4º livro, quase não existem essas curiosidades, só uns poucos verbetes do Guia do Mochileiro, a dúvida sobre o que aconteceu com a Terra, que voltou, e uma história romântica. Fora que não aparecem mais os outros personagens: Zaphod Beeblebrox, nem Trillian; Ford Prefect aparece pouco e Marvin, o melhor personagem, aparece em UMA cena. Talvez a cena que faz o livro valer um pouco a pena.

Não sei, acho que o livro era mesmo para ser assim, diferente dos outros, mas confesso que eu não gostei. Pareceu-me que a criatividade acabou, que não houve mais o que explorar naquele universo. Talvez, um dia, eu leia o 5º — e último, pelo menos dos escritos por Douglas Adams, porque fiquei sabendo que Eoin Colfer, autor da série Artemis Fowl, escreveu um 6º: “E tem outra coisa”. Nada contra outros autores darem continuidade a séries famosas, mas eu li o primeiro volume de Artemis Fowl, muitos anos atrás, e odiei. Nunca entendi como a série está por aí, fazendo o maior sucesso.

No mais, foi muito triste não ter gostado do livro, porque gosto muito da ideia toda da série e sou fã de Douglas Adams. Mas valeu para cumprir o desafio.

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Esta é uma resenha para o Desafio Literário do Tigre 2014, do blog Elvis Costello Gritou Meu Nome. O tema de Maio é "Bichos": ler e resenhar um livro que tenha algum bicho no título. Para saber mais sobre o desafio, entre na fanpage ou saiba mais no blog.

sábado, 3 de maio de 2014

Anos 80

A certeza de que a vida era mais bonita lá pelos anos 80, em que as coisas eram fáceis. Em que o futuro era incerto, mas promissor. Não há mais futuro promissor. Talvez ele nem seja tão ruim, só não pode-se chamar de promissor, porque faz tempo que ele não promete nada. Pelo menos, não foi tão cruel quanto o futuro dos anos 80, que prometeu demais e não cumpriu. Mas que era mais bonito, isso era. Saudade dos anos 80, em que eu era mais facilmente ludibriada.

"I said I wasn't gonna lose my head
But then - POP - goes my heart"

Imagem: GettyImages
Música: Pop!

terça-feira, 15 de abril de 2014

Hype do Momento: A Guerra dos Tronos

Para este desafio de abril, o objetivo era pegar um bestseller, ler e resenhar. Escolhi A Guerra dos Tronos, o primeiro volume da tão idolatrada série de George R. R. Martin, As Crônicas de Gelo e Fogo, mais conhecida como Game of Thrones, título da série de TV. Quando vi o tema deste mês, decidi logo que leria este livro, que era minha chance, de uma vez por todas.

Fazia tempo que eu queria ler, mas tinha começado três vezes o primeiro livro e sempre achava chato. E via tanta gente falando e achando o máximo que comecei a achar que o problema era eu. Aí me forcei a ler; já que, até pra criticar, é bom a gente saber do que está falando. Acabou que o problema mesmo era passar do capítulo chatíssimo em que Daenerys é apresentada a Khal Drogo, pra poder engatar a história. Fica bem melhor depois que começam as intrigas e as guerras. A propósito, podem me apedrejar, mas achei Daenerys uma das personagens com histórias mais chatas. Juntamente com Bran, talvez. Mas acho que a história dela deve melhorar nos próximos.

O livro, não achei essas coisas todas; só uma história agradável de ler, nada que exija demais da pessoa (a não ser tempo e paciência, porque, ô série longa dos infernos!); uma boa história, bem crua, sem meios termos, bem completa. Os personagens são mais complexos e bem construídos que em quaisquer outras séries épicas, que geralmente dão mais atenção à história que à construção de personagens. A narração, por sua vez, é demasiadamente descritiva e meticulosa; há momentos em que você perde a paciência, joga o livro pro lado e vai fazer outra coisa. Não tem pontas soltas, mas também não tem pontas amarradas; talvez porque não há muito o que amarrar, sei lá. Dá a impressão de que o autor vai narrando, escrevendo, em cima de um roteiro mais ou menos certo, e pensa "ah, vou matar fulano agora". Na minha humilde opinião de quem só leu o primeiro livro, achei muitos acontecimentos desnecessários e só uma ou duas vezes senti fecharem ciclos de verdade. Talvez não fechem por não ser intenção do autor fechar nada; não ser intenção deixar uma história certinha e bonitinha, para, em vez disso, ser mais realista. Do tipo que você pensa: "nossa, e agora, como fulano vai fazer para sair dali?" e fulano termina não saindo, afinal. Com o tempo, você para de pensar assim e começa a pensar mais: "é agora que ele morre?"

No fim, achei que o livro é um bom começo. Dá vontade de ler os próximos, apesar de eu não sentir aquela excitação que todo mundo sente, não tanto quanto outras séries de livros que eu já li. Enfim, se tem uma coisa que eu sempre soube d'As Crônicas de Gelo e Fogo é que são livros menos fantasiosos e mais inusitados que a maioria das séries épicas. E que a única certeza que a gente tem é de que todo mundo vai acabar morrendo. Se não neste, nos próximos livros.



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Esta é uma resenha para o Desafio Literário do Tigre 2014, do blog Elvis Costello Gritou Meu Nome. O tema de Abril é "Hype do Momento": ler e resenhar um livro que todo mundo esteja lendo, no momento; um bestseller. Para saber mais sobre o desafio, entre na fanpage ou saiba mais no blog.

domingo, 30 de março de 2014

Filme ou Livro?: Laranja Mecânica

Já tinha assistido ao filme de Kubrick, há alguns anos, e sempre pensava em ler o livro, mas ficava de ler, ficava de leeer e nunca colocava o plano em prática. Está certo que eu nem tinha o dito-cujo, mas isso era fácil de arranjar. Certo dia, fui à livraria e vi essa edição linda e fiquei louca, pensando seriamente em comprar. Terminei comprando mesmo, só que de presente para um amigo, de aniversário. Confiava o bastante no livro, afinal o filme já era genial. Então, apareceu a oportunidade para ler, no desafio, e eu peguei emprestado do meu namorado e li. Não a edição linda, pela qual me apaixonei, mas foi uma edição legal; com um prefácio legal, nota do tradutor e o glossário atrás. Mas eu não o usei. Não muito. Não a hora toda. OK, só algumas palavras.

Laranja Mecânica, de Anthony Burgess, é uma história narrada por Alex, um adolescente vivendo num ambiente futurista, com gírias próprias e uma tendência grande à violência. Quando Alex é preso, ele vira uma cobaia do governo numa experiência de lavagem cerebral e suposta "cura" da violência. A quem já viu o filme, não tenho muito mais a dizer; não é um daqueles livros cujo filme muda tudo e faz uma bagunça com a timeline da história (filmes de Harry Potter, oi?). Pelo contrário, o filme enriquece ainda mais a obra, como se ela já não fosse rica o suficiente. Tirando uns poucos detalhes, como a idade de Alex, o protagonista, e seus amigos (no livro, eles têm uns 15, 16 anos; no filme também, mas Malcom McDowell tinha 28 quando interpretou Alex), assim como o final da história, o filme só tem mesmo a acrescentar.

Sobre o final da história, como fiquei sabendo no prefácio, há uma explicação para ter sido diferente. A edição britânica, e original, do livro tem 21 capítulos. Nos EUA, o livro foi publicado com 20 apenas; e foi esta versão que acabou virando filme. Alegaram que "por razões conceituais", o final original mais "otimista" não fazia sentido. Pessoalmente, eu gosto mais do final americano; mas entendo o final de Burgess. Entendo o motivo de ele ter escrito o final daquela maneira, de que o livro inteiro trata da passagem de Alex da adolescência para a idade adulta e que essa maturidade só se completa com o último capítulo. Para o contexto todo, de amadurecimento do personagem, acho justo os 21 capítulos. Mas, como história, e excluindo toda a questão que Burgess quis abordar, prefiro o final do filme. Poderia destrinchar mais um pouco o meu pensamento, mas não encontrei uma maneira de fazer isso sem ser spoiler; ainda mais porque eu teria que falar sobre o último capítulo, o que só existe no livro, que nem todo mundo que gosta do filme leu. Então, vamos considerar apenas que prefiro o final do filme.

O livro, assim como o filme, é estranho e viciante. Tem aqueles neologismos, as gírias nadsat, que são muito mais complicadas quando você está lendo, do que no filme, quando se tem imagens para ajudar a entender. Mas, depois que você pega o embalo, a coisa flui muito rápido. E você fica com aquelas palavras na cabeça durante bastante tempo. Como se o estranhamento tivesse passado e, de uma hora para a outra, você estivesse naquele mundo. Aquele estranho mundo, num futuro estranho, com palavras estranhas. “As queer as a clockwork orange.”

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Esta é uma resenha para o Desafio Literário do Tigre 2014, do blog Elvis Costello Gritou Meu Nome. O tema de Março é "Filme ou Livro": ler e resenhar um livro do qual você já tenha visto o filme, fazendo as devidas comparações. Para saber mais sobre o desafio, entre na fanpage ou saiba mais no blog.

quinta-feira, 6 de março de 2014

Novo amor

Já faz um tempo que meus passatempos tem mudado um pouco. Eu, que me distraía ouvindo música, lendo e escrevendo, confesso que tenho abandonado um pouco este último, para tristeza deste blog. Mas hobbies vão e vem e eu acabei encontrando um, meio inusitado para mim, num mundo que antes detestava.

Estou falando de culinária. Não virei uma chef, nem nada perto disso; sou só uma curiosa e apreciadora de sabores novos e decidi que poderia produzir meus próprios sabores. E percebi que me divertia com isso, como nunca imaginei. Sim, porque antes eu achava um porre ficar na cozinha, com a barriga no fogão. E foi assim que criei um blog novo.


O Food and Beer é um blog em que conto algumas experiências novatas e modestas de uma culinária experimental e principiante, assim como minhas (muitas) falhas e algumas histórias engraçadas. Não estou pretendendo ensinar ninguém a cozinhar, nem dar dicas, nem sugerir receitas para ninguém. Sou realmente apenas uma curiosa, que nunca estudou nada nessa área, mas percebeu que tem que se virar para comer coisas gostosas e acabou gostando muito da experiência. Me diverti tanto que achei que seria uma boa ideia compartilhar. Sem compromisso.

Conheçam meu novo blog, aqueles gostarem de boas histórias e de fotos de comida. Não, este aqui não será abandonado. É só um outro universo, falando sobre outros assuntos. A parte literária sempre ficará aqui.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Resenha: Foras da Lei...

Na mesma ocasião em que comprei Bonsai, o livro do mês de fevereiro do Desafio, comprei este livro de contos aqui, de vários autores.

“Foras da lei barulhentos, bolhas raivosas e algumas outras coisas que não são tão sinistras, quem sabe, dependendo de como você se sente quanto a lugares que somem, celulares extraviados, seres vindos do espaço, pais que desaparecem no Peru, um homem chamado Lars Farf e outra história que não conseguimos acabar, de modo que talvez você possa quebrar esse galho.”
Este livro, cujo nome não vou sair repetindo por motivos óbvios, eu comprei por causa da capa, que é belíssima; pelas ilustrações do meio, já que dei uma folheada na livraria, antes de comprar; e também por nomes como Neil Gaiman, Nick Hornby e Lemony Snicket. Mais por Neil Gaiman, confesso. E qual não foi minha decepção quando, ao ler, vi que o conto de autoria dele presente neste livro era Pássaro-do-Sol; conto muito bom, mas que eu já havia lido no primeiro volume do Coisas Frágeis.

O livro é um infanto-juvenil. Vi muitas resenhas de pessoas xingando o livro justamente por não saberem que era infanto-juvenil. Eu gosto do estilo, então não fiquei decepcionada por isso. Fiquei decepcionada, porém, porque achei alguns contos bem razoáveis, uns até bem ruins. Não vou resumir todos, só dar uma geral e listar as minhas impressões. Vejamos:

  • Achei a introdução de Lemony Snicket interessante; mas não vi nada de especial no conto que ele começou e que a gente deveria ajudar a terminar.
  • O conto Pequeno País, de Nick Hornby, também achei legal, apesar do final previsível; sobre um menino que mora no menor país do mundo, não muito maior que uma vila.
  • Não gostei da história Lars Farf, pai e marido excessivamente temeroso, de George Saunders; acho um tédio história com lição de moral.
  • Monstro, de Kelly Link, achei bom, com um final legal e um bônus das ilustrações do monstro branco de mãos vermelhas.
  • As Competições de Cowlick, de Richard Kennedy: não achei muita graça, apesar de gostar de faroeste. Final previsível.
  • Vendidos Separadamente, de Jon Scieszka: WTF essa história? Uma história escrita só com slogans publicitários, talvez como uma crítica ao consumismo exacerbado dos últimos anzzzZZZZZZZ...
  • O Terceiro Desejo de Seymour, de Sam Swope: história sem graça, sobre um garoto que é filho de uma ogra, que não gosta de crianças. E ainda bem que avisaram no começo que o protagonista não era lá muito inteligente, porque ele só fez besteira.
  • Grimble, de Clement Freud: conto escrito em 1968, desnecessariamente longo, mas não achei propriamente ruim. Só chato; discordando de Lemony Snicket, que disse na introdução que não havia histórias chatas no livro.
  • Spoony-e Spandy-3 contra as hordas roxas, de James Kochalka: uma história em quadrinhos — e eu adoro quadrinhos, fiquem sabendo antes de me crucificar pela crítica — bem “WTF??”. Talvez eu não goste desse tipo de quadrinho, ou não esteja acostumada, ou não tenha entendido alguma coisa; mas achei bem sem graça, sem sentido, sem nada.
  • Pássaro-do-Sol, de Neil Gaiman, é simplesmente genial (Gaiman ), mas eu já tinha lido.
  • O Telefone da ACSE, de Jeanne DuPrau: taí, achei esse conto bem legal, bem fofinho, de um menino que encontra um celular perdido e termina encontrando um amigo.
  • O Sexto Distrito, de Jonathan Safran Foer, também é legal; achei interessante e criativo; sobre um lugar que muitas pessoas não sabem que existiu.
  • E as Palavras Cruzadas Tremendamente Difíceis do final: gosto de palavras cruzadas e fiz algumas, mas não terminei porque era 1h da manhã e eu estava com sono. Ou porque eram realmente difíceis.

No total, o livro não foi tão bom como eu esperava. Capa bonita, título incomum, proposta atraente: tudo que me levou a comprar estava ali, só faltou a leitura corresponder às expectativas.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Julgando pela capa: Bonsai

Eis que fui à livraria, a fim de escolher um livro pela capa, de acordo com a regra do Desafio deste mês. Achei que seria fácil, que era só pegar um livro de capa bonita, criativa, apresentável, e levar pra casa, mas... não consegui. Sei lá, achava um livro de capa bonita, aí lia a sinopse, achava meio nhé e pensava na possibilidade de estar em casa lendo e querer jogar o livro na parede. Passei uma hora só nisso. Foi quando encontrei uma bancada da Cosac Naify, com suas edições lindas de morrer, em promoção. E quis levar tudo. Depois de muita dúvida, muxoxo e palpite do namorado, acabei comprando dois: um só pela capa e outro pela capa e pelos autores. O segundo, achei que não valia para o desafio, então fiquemos com o primeiro.


O livro do desafio deste mês se chama Bonsai. Escolhi este porque a capa não só é linda, como é muito interessante (tem uma marcação pontilhada para você cortar o livro, mas claro que não cortei, antes que venham me xingar) e se torna ainda mais depois que você vai entendendo o livro. É a história de Emilia e Julio; a história do amor deles. Uma história sobre início e fim.

Como é dito no prefácio, "O que acontece é que tudo em Bonsai passa pela literatura". Emilia e Julio são dois jovens estudantes de letras que gostam de ler trechos de livros antes de fazerem sexo (ou 'trepar', como ela prefere chamar), porque achavam que sempre havia algo nos livros que seria inspirador o suficiente. Essa é a parte leve do livro. O fim da relação dá início à parte densa, a parte perdida, que acaba encontrando o final. E até o final passa pela literatura.

Foi uma experiência diferente procurar um livro pela capa, sem conhecer o autor (o chileno Alejandro Zambra, muito bom; inclusive já comecei a catar outros livros dele), e encontrar uma leitura interessante. Gostei bastante das metáforas, do caráter literário, dos personagens, do enredo, do final. A capa sozinha já é um show à parte, como o vaso de um bonsai. O livro é minúsculo, com menos de cem páginas e sem muitos floreios; a história, editada de modo a permanecer pequena, sem sair explorando cenários e personagens secundários. E toda a diagramação é feita de modo a poder tornar o livro uma árvore, que teria de ser podada, moldada e arranjada num belo vaso.

"Um bonsai consta de dois elementos: a árvore viva e o recipiente. [...] A seleção do vaso apropriado para uma árvore é, por si só, quase uma forma de arte."


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Esta é uma resenha para o Desafio Literário do Tigre 2014, do blog Elvis Costello Gritou Meu Nome. O tema de Fevereiro é "Julgando pela capa": escolher um livro levando em conta somente a capa, ler e resenhar. Para saber mais sobre o desafio, entre na fanpage ou saiba mais no blog.

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Espere, eles dizem

De todas as coisas chatas da vida, esperar é uma que sempre fiz muito bem. Esperar meu pai ir me buscar no colégio. Esperava. Esperar terminar as tarefas de casa para depois ir brincar lá fora. Esperava. Esperar crescer para poder sair à noite, conversar assunto de gente grande, ver filme de gente grande. Era paciente, esperava. O que esperei com mais impaciência foi o dia em que ia começar a aprender a ler. Mas esperei.

Era uma menina quieta, introvertida, tímida, chata, meio no meu canto, não mexam comigo e estaremos bem. Se não tivesse companhia, brincava de boneca sozinha, até crescer o bastante para parar de brincar de boneca. Aprendi a fazer colares com miçangas, até perceber que não eram bonitos o suficiente para se usar; fazia e desfazia, então encostei. Aí, aprendi tapeçaria, a bordar ponto-de-cruz, desenhar, pintar, escrever poesias, até um pouco de artesanato, enquanto todas as minhas amigas só estavam interessadas em precipitar tudo, paquerar, encher o saco dos pais e tentar ir a festas em que não poderiam entrar. Depois, em beber e fumar para aparecer. Eu não via sentido em apressar uma coisa que aconteceria naturalmente (ou não, no caso do cigarro), nem queria. Esperei. E, hoje, tanta gente com saudade, querendo voltar e aproveitar mais. Eu tenho saudade, mas nunca quis voltar.

Acho que gastei minha paciência toda nessa época. Agora, é um tal de esperar as coisas acontecerem e, há muito tempo, nada acontece. E a coisa mais insuportável é estar neste limbo e não saber nem se algo irá de fato acontecer. Antes, a única coisa de que tinha certeza na vida é que chegaria onde estou. Pronto, cheguei, eu tinha razão. Agora, não sei se existe algo para depois. Estou aqui, me formei, me especializei, me preparei, sei fazer; o que falta? Cadê a verdade que sempre me disseram que existia, a recompensa pelo trabalho duro, o material pra continuar? A continuação de tudo. Quando será que chega?

Espere, eles dizem. As coisas vão se acertar. A cada ano novo, uma esperança de que tudo irá melhorar. E eu aqui parada, diploma na mão, tantas possibilidades, e a realidade fria de esperar para sempre.


"Don't keep me waiting here
Lead me to your door"

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Na estante: Cem anos de solidão

Dá até vergonha de admitir que este livro passou tanto tempo na minha estante, sem ser lido. Vergonha porque eu adoro Gabriel García Márquez, porque este acabou sendo um dos melhores livros da minha vida e porque eu já havia começado antes, mas foi numa época pesada de prova da faculdade e eu tive que parar no meio. E fiquei com um bloqueio tão grande (acho que causado pela grande quantidade de Josés Arcádios, Aurelianos e Remédios) que, até então, não tinha tido coragem para pegar de novo. Enfim, tomei coragem e acabei de ler. E a mágica aconteceu.


Cem anos de solidão conta a triste história dos Buendía, uma família de pessoas destinadas à solidão. Na fictícia Macondo, vilarejo fundado pelo patriarca da família, cem anos de toda uma linhagem de solitários passam pelos nossos olhos, com elementos fantásticos misturados ao real, até que nos tornamos parte daquela família, percebendo-nos solitários. E, no final da vida, por melhor que ela seja, por melhores que sejam as lembranças, quem não se sentiria solitário? Uma das frases de que mais gostei, acho que foi do primeiro Aureliano (preciso aprender a anotar essas frases, pra não ter que ficar folheando o livro depois, sem achar, desistindo e procurando no Google), foi algo como: “O segredo de uma velhice agradável consiste apenas na assinatura de um honroso pacto com a solidão”. E é isso que eu pensei, ao final do livro: que, no final de tudo, por mais que tenhamos gente à nossa volta, a morte é solitária. E a solidão, assim como a morte, é uma certeza. Por isso, é tão triste.

O livro dá margem a centenas de divagações, mas uma delas, essa nossa sina à solidão, deve ser a mais comentada. Devo ter lido umas dez resenhas sobre ele, depois de ler o livro, em busca de outras opiniões, de aspectos do livro que eu não percebi, e é incrível a quantidade de pensamentos diferentes, de perspectivas. É um livro muito rico em características psicológicas, em construção de personagens, em análises de consciência. O que não se espera de um livro com tantos personagens, com tanta história.

E, a respeito do desafio, só me sinto muito feliz em ter tirado este livro da minha estante para a minha vida. É um daqueles poucos livros capazes de mudar um pouco nossa maneira de enxergar as coisas. Um dos livros que mudam a nossa vida.

"O mundo era tão recente que muitas coisas careciam de nome e, para mencioná-las, se precisava apontar com o dedo"
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Esta é uma resenha para o Desafio Literário do Tigre 2014, do blog Elvis Costello Gritou Meu Nome. O tema de Janeiro é "Na estante": ler e resenhar um livro que esteja há muito tempo na sua estante, esperando para ser lido. Para saber mais sobre o desafio, entre na fanpage ou saiba mais no blog.