quinta-feira, 31 de julho de 2014

Esportes: Quadribol através dos séculos

Eu tinha uns 12 anos quando comecei a ler a série Harry Potter. Ainda não era modinha aqui no Brasil, ainda nem estavam gravando os filmes; embora já fosse famoso lá fora. Eu não era leitora de fantasia; achava que ia ser uma babaquice essa coisa de bruxinhos 'do bem' indo à escola e combatendo o mal. Eu lia infanto-juvenis, livros de Pedro Bandeira e os da coleção Vaga-Lume, mas nunca tinha enveredado pelas terras da fantasia. Terminou que devorei os três primeiros livros, os únicos lançados até então, e acabei com meu preconceito com fantasia.

No Desafio deste mês, acabo com outro preconceito: o dos spinoffs da série Harry Potter. Talvez nem tenha sido preconceito; o fato é que nunca antes tive interesse por eles. Então, como o desafio do mês é sobre esportes e o único "esporte" pelo qual me interessei a vida inteira foi o ballet (e eu não encontrei nenhum livro interessante, não-técnico, para ler), acabei tendo a ideia de 'ver qual era' a do livro sobre Quadribol.

Para quem nunca leu a série, Quadribol é o esporte mais famoso entre os bruxos do mundo inteiro e é muito jogado em Hogwarts, a escola de bruxaria em que Harry e os amigos estudam. Como o diretor da escola, Alvo Dumbledore, diz no prefácio do livro, o livro Quadribol através dos séculos que encontramos nas livrarias é uma cópia do exemplar original pertencente à biblioteca de Hogwarts, cedido muito a contragosto pela bibliotecária, e vendido pelo mundo para que nós, os "trouxas", possamos ler. Ainda acho que a minha cartinha de admissão não chegou porque todas foram para Harry, no ano em que ele entrou em Hogwarts.

O livro começa falando das vassouras e dos vários esportes jogados em cima de vassouras. Então, com muito bom humor, explica como se deu o surgimento do Quadribol e de cada uma das suas quatro bolas. Explica também as regras e as faltas mais comuns no jogo, uma vez que todas as faltas não poderiam ser divulgadas para "não dar ideias". Depois de falar bastante sobre o jogo, o autor começa a falar dos times do Reino Unido e depois da disseminação do esporte pelo mundo. Fiquei curiosa sobre o que seria dito sobre o Brasil, obviamente, e fiquei rindo quando li que o Brasil chegou às quartas de final na Copa Mundial. Só acho que não perdeu de 7 x 1.

O livro é bem curto, leve e engraçado. J. K. Rowling, sob o pseudônimo de Kennilworthy Whisp, sabe lidar com a narrativa e as esquisitices bruxas de uma maneira natural, já vista nos outros livros da série, e inventa fatos engraçados e exagerados na medida certa, sem cansar demais. Para mim, ela nunca deveria ter escrito outra coisa a não ser fantasia. Sim, eu li os outros livros "para adulto" dela e achei bem ruins, apesar de ela aparentemente estar apostando bastante no detetive Cormoran Strike, do Chamado do Cuco. Acho que ela escreve bem para adultos (oi, eu sou adulta), quando escreve para crianças. Harry Potter é uma série que qualquer um que goste de ler poderia aproveitar bem, sem achar besta demais. Claro, ela tem todo o direito de escrever os livros de adulto que ela quiser. Eu só não gostei. Achei besta demais. Ops.

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Esta é uma resenha para o Desafio Literário do Tigre 2014, do blog Elvis Costello Gritou Meu Nome. O tema de Julho é "Esportes & Esportistas": ler e resenhar um livro que diga respeito a algum esporte. Para saber mais sobre o desafio, entre na fanpage ou saiba mais no blog.

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Imortal

"João foi um pobre como nós, meu filho, e teve que suportar as maiores dificuldades numa terra seca e pobre como a nossa. Pelejou pela vida desde menino, passou sem sentir pela infância, acostumou-se a pouco pão e muito suor. Na seca, comia macambeira, bebia o suco do xique-xique, passava fome.

E, quando não podia mais, rezava. E quando a reza não dava jeito, ia se juntar a um grupo de retirantes que ia tentar sobreviver no litoral. Humilhado. Derrotado. Cheio de saudade.

E logo que tinha notícias da chuva, pegava o caminho de volta, animava-se de novo, como se a esperança fosse uma planta que crescesse na chuva. E quando revia sua terra dava graças a Deus por ser um sertanejo pobre, mas corajoso e cheio de fé."


Ariano Suassuna: imortal como Pernambuco, a terra que ele chamou de sua.

terça-feira, 22 de julho de 2014

Fato aleatório sobre mim #1

Eu amo hambúrguer e batata frita

Numa conversa com uma amiga, no meu consultório:
— Ontem, eu ia sair. Um amigo me ligou e chamou para ir ali comer um hambúrguer com batata frita.
— Você não foi?
— Não, eu estava me sentindo mole, com dor de dente.
— Mas era hambúrguer com batata frita! Eu iria para qualquer canto por um hambúrguer com batata frita.


Mesma conversa, pouco depois:
— Encho tanto teu saco com esses dentes, né?
— Que nada. E isso que eu te passei vai resolver.
— Se resolver, sei nem o que eu faço.
— Me paga um hambúrguer com batata frita.

Imagem: Flickr - Creative Commons

terça-feira, 15 de julho de 2014

Momentos e música

Uma vez, alguém me disse: "não associe uma música a alguém" e eu sempre soube que essa pessoa tinha razão. Mas é difícil; a gente termina associando tudo nessa vida e eu sou dessas que associa tudo a música. Então basicamente esse é um desafio que eu nunca cumpri. E esse é um dos motivos pelos quais eu choro por tudo, por nada. Esse e o fato de eu ser mole mesmo. O problema é que, por já ter nela meio intrínseco esse componente emocional, a música meio que preenche as lacunas de sentimento que falta na vida. Aí a gente traz para junto, para dentro, para a vida. Associa. Perde e chora.

Uma vez, aconteceu de eu gostar muito de uma pessoa que me emprestou um CD. Só que a pessoa não gostava tanto assim de mim e isso foi bem ruim. Foi embora, mas as músicas do CD ficaram. Passei muito tempo para conseguir dissociá-las da pessoa, ainda mais porque elas só falavam em sentimentos fortes, amor e perda. Consegui, enfim, desligar as músicas da pessoa, mas elas ficaram irrevogavelmente ligadas àquele momento.

Hoje, eu sinto um grande carinho pelas músicas. Hoje, elas não machucam. Acho que ligar música a momentos faz essa coisa de associar música a pessoas daquele momento ser mais suportável. Momentos criam saudades saudáveis, fazem parte da nossa vida e, mesmo que doa, a dor ameniza e a lembrança fica. A música fica e adquire um sabor melancólico. A música fica com o momento e permanece. E os momentos são nossos. As pessoas, elas nunca são de ninguém.

"And the songbirds are singing
like they know the score"


Imagem: Flickr - Creative Commons
Música: Songbird

terça-feira, 8 de julho de 2014

5 coisas para fazer no inverno

Não sei se vocês sabem, mas eu moro no Recife-PE e, como já devem imaginar, aqui não tem algo que se possa chamar de "inverno", então não sou a maior das autoridades para falar de frio. O tempo esfria pouco, chove muito e, dependendo de onde você more, dá até para dormir sem ar condicionado, de janela aberta. Como tem chovido demais, esses dias, e a gente aqui não é muito acostumada a ventinho frio e ausência de calor, o tempo para mim está ideal. É que eu até gosto de frio de verdade, mas não para acordar cedo, tomar banho e ir trabalhar. No final das contas, eu reclamo bastante do calor dos infernos do verão daqui, mas acho o inverno até gostosinho, sem ser incômodo. Exceto quando chove demais e alaga tudo.

Quando começa esse período de inverno, as pessoas aqui costumam viajar para cidades mais altas do interior, como Gravatá, Garanhuns, Triunfo, para aproveitar o frio como se deve, com temperaturas mais baixas que o Recife é capaz. Já fui para Garanhuns para sentir o peso de 5° C.

E para aproveitar, nada como:

1. Fondue

O primeiro item tinha que ser comida, claro. #gordice Meu fondue preferido é o de carne, acompanhado de molhos de barbecue, alho e mostarda; mas sempre terminava fazendo o de queijo, que é o preferido de quase todo mundo. O de chocolate também é bom, mas enjoa logo.

2. Viajar

Não precisam ser grandes viagens; tenho certeza de que meus amigos se lembram com saudade da casa que meus pais tinham em Gravatá; sempre que tinha algum feriado de inverno, a gente acabava indo para lá. Em 2008, eu fui ao Festival de Inverno de Garanhuns. Fui com um grupo de amigos, tomamos muito vinho e chocolate quente e foi muito divertido. Já fiz viagens maiores, mas nada como aqueles prazeres mais simples, que se pode arranjar sem muito planejamento.

3. Vinho

Vou dizer vinho porque nunca experimentei cerveja quente, mas tenho certeza de que iria gostar mais. O meu vinho tem que ser tinto e seco. Fora isso, entendo bem pouco de marcas e safras, vocês vão ter que me perdoar. Agora, se tem vinho, tem que ter amigos. Afinal, para quem você vai fazer declarações de amor, quando o vinho fizer efeito?

4. Ler

Se faz um friozinho e você vai ficar em casa, o negócio é pegar o livro da vez e encafofar na cama para ler. Também vale ver um filme, uma série ou jogar videogame; mas eu ainda prefiro pegar um livro e sumir do tempo e espaço.

5. Dormir

Só ou acompanhada, dormir ainda é uma das minhas "atividades" favoritas no frio. Dormir é sempre bom, o problema é acordar depois. Ainda mais no frio.

Essa postagem faz parte da blogagem coletiva do Rotaroots, um grupo de blogueiros que pretende resgatar os bons tempos do mundo dos blogs. Faça parte do grupo do Facebook e se inscreva no Rotation.

Imagens: Flickr - Creative Commons

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Autores Queridos: The Absolute Sandman

Quando soube que o tema do Desafio para o mês de junho, mês de aniversário, era “autores queridos”, fiquei animada, afinal seria o mês de saborear e resenhar sobre algum autor que eu amo. Só que começou junho, eu fiquei sem conseguir me decidir sobre qual autor seria, fiquei deixando para depois e acabou que, na última semana de junho, ainda não tinha começado nada. Claro que pensava em ler outros livros, fora o do desafio, mas a única coisa que eu li o mês inteiro foram coisas do trabalho e alguns capítulos do segundo volume de Game of Thrones. Só posso explicar essa ausência literária como sendo um bloqueio mesmo. Mas enfim...

O que me fez sair dessa inércia foi Gaiman. Eu tenho vários autores queridos, mas o problema é que não estava com nenhuma vontade de ler nenhum deles. Aí me lembrei de um certo “livro” que ganhei no meu aniversário do ano passado; que eu já comecei uma vez, quando peguei emprestado de um amigo, mas o meu mesmo nunca tinha aberto direito, que não fosse só para admirar. Não é bem um livro, é uma série de histórias em quadrinhos. Sandman.


A primeira coisa que eu li de Neil Gaiman, foi o primeiro volume de Sandman. Mas não continuei os outros, porque eu não tinha (este volume aqui, The Absolute Sandman vol 1, tem os três primeiros volumes das edições antigas, se não me engano). E desde aquela época, eu já tinha percebido o quanto eu iria amar um livro normal escrito por Gaiman. Depois disso, eu saí procurando e confirmei essa suspeita.

Sandman é Sonho, ou Morpheus, um dos Perpétuos, as entidades mais poderosas no universo do livro. Os outros Perpétuos são Morte, Destino, Desejo, Destruição, Desespero e Delírio; em inglês, todos começam com a letra D. Todos têm um reino ou domínio e exercem uma função, que lhes toma a maior parte do tempo. Sandman controla o reino dos sonhos, regulando-os e vigiando-os. Quando um perpétuo não exerce sua função, os aspectos daquela existência se tornam aleatórios, sem uma entidade para regular. É o que ocorre no início da história, quando Sonho é capturado.

Como não quero dar mais spoilers que este, porque Sandman é uma das melhores criações de Gaiman e eu recomendo fortemente que, se houver alguém que não conhece, que procure conhecer (se não for uma daquelas pessoas que só lêem livros sérios); então vou apenas dar minhas impressões.

Achei muito bom ter voltado a ler Sandman, depois desse tempo todo só lendo histórias escritas de Gaiman. Quem já leu alguma história sabe que as coisas que Gaiman escreve são meio difíceis de serem imaginadas, porque ele mistura imagens com cheiros e formas impossíveis de serem associadas para descrever uma coisa e é bem interessante ver essas formas desenhadas ali para serem compreendidas. Além disso, como ele não escreveu mais nenhuma série fora Sandman (mentira, ele escreveu Os Livros da Magia e outras que eu ainda não consegui encontrar para ler, mas... garimpando e sempre), os livros acabam sendo curtos demais para o que se propõem, para explicar todo um universo diferente e estranho, criado no meio do mundo que já conhecemos. Exceto Deuses Americanos, que acho que foi explorado demais, num livro longo demais, desnecessariamente.

Sandman é aquele universo que nunca é explorado demais, tanto que existem vários spinoffs e livros de outros autores baseados na série. Gaiman é um dos meus autores queridos, que me deixam feliz e com vontade de guardar pra depois, quando encontro alguma coisa que ainda não li. Foi o caso com The Absolute Sandman. Sorte que ainda existem mais dois volumes e vááários spinoffs. E espero que nunca acabem.

"What power would Hell have if those here imprisioned were not able to dream of Heaven?"

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Esta é uma resenha para o Desafio Literário do Tigre 2014, do blog Elvis Costello Gritou Meu Nome. O tema de Junho é "Autores Queridos": ler e resenhar um livro de algum autor que você adore. Para saber mais sobre o desafio, entre na fanpage ou saiba mais no blog.

segunda-feira, 16 de junho de 2014

O que ajuda

Me acalmo fazendo planos, fazendo listas. Quando nada dá certo e eu perco a linha de raciocínio, o fio do emaranhado da vida, faço planos para sobreviver. Para recuperar o controle e manter a sanidade. Nunca consegui ser 'vida loca', deixar-me ir, carpe diem, colher o dia. Sou o tipo de pessoa certinha que faz listas, que vai cumprindo pequenas tarefas e anotando na agenda, para poder me sentir inteira outra vez.

Precisava fazer uma lista hoje, mas está tudo tão desorganizado na minha cabeça que não sei nem como começar. Isso assusta; isso de não ter mais planos nem ideias. Talvez precise de uma organização mais profunda, uma que não consigo mais fazer sozinha. Mas escrever, mesmo que não uma lista, já ajuda um pouco.

Conversar também ajudaria, mas estou com o orgulho ferido, a auto-estima baixa e sem nenhuma vontade de ouvir conselhos que não quero ouvir. Sabe quando você só quer só ouvir coisas agradáveis? Queria não precisar de ninguém. Queria não ver, ouvir ou sentir a preocupação de ninguém. Queria, além de tudo, que tudo ficasse bem. Logo.

Escrever ajuda. Mas até escrever está cada dia mais difícil. Faz sentido? Faz meses que não faço sentido nenhum.

"Into the flood again
Same old trip it was back then"
Imagem: GettyImages
Música: Would?

sexta-feira, 6 de junho de 2014

As séries a que eu estou assistindo

Vi esse meme no blog da Tati, a mesma do Desafio do Tigre. Ela não me convidou para participar, mas, sei lá, tô fazendo nada e resolvi escrever sobre as minhas séries também. E olha que nem estou acompanhando assim acompanhadinho essas séries, mas vá lá.

Houve um tempo em que eu gravava umas dez séries de uma vez na TV a cabo e toda noite estava lá colocando os episódios em dia. O tempo passou, muitas dessas séries acabaram, algumas ficaram chatas, outras seguiram para um lado e eu pro outro. Aqui vou listar apenas aquelas que estou vendo e as que criaram raízes no meu coração:

How I Met Your Mother

Ainda não comecei a ver a 9ª (e última) temporada, então me deixa. Amo de paixão essa série. O pessoal quer sempre comparar com Friends, dizendo que Friends é melhor, mas eu não consigo achar. Eu gosto de Friends, mas nunca me apaixonei pela série. Talvez seja um enredo, que HIMYM meio que tem e Friends não. Ou a continuidade, que HIMYM tem e Friends não; não tem fios soltos e eles pegam aquela deixa que ficou num episódio da 1ª temporada e usam na 5ª. Acho fantástico. Sem falar nos personagens, que eu adoro. Menos Ted. Ted não tem graça nenhuma.


Once Upon a Time

Eu sempre penso que vou parar de ver essa bendita, mas sempre surge algum personagem de conto de fadas novo que me deixa querendo ver o que vão fazer com ele. Mas a história mesmo, para mim, já deixou de ser interessante desde que acabou a 1ª temporada.


Breaking Bad

Estava vendo no Netflix e dei uma parada na 3ª temporada por falta de tempo para ver. E também porque meu namorado cancelou o Netflix e eu via na casa dele. Mas não considero que parei de ver, apenas que "estou guardando pra mais tarde", do mesmo jeito que a 9ª de HIMYM.


Top Chef

Vale como série? No momento, estou vendo a 10ª temporada, que está passando na Sony. É um reality show em que vários chefs competem, fazendo pratos lindos e deliciosos, para ver quem será o mais novo top chef. Eu gostava de MasterChef também, por causa de Gordon Ramsey, mas sempre achei que, no Top Chef, os chefs são mais profissionais. Normalmente, não gosto de reality shows, mas eu amo este por motivos de: comida. #gorda


Glee

Outra que deixou de ter graça faz tempo, mas eu não consigo parar de ver. Acho que a graça acabou exatamente na mid-season da primeira temporada, depois das Sectionals. Mas eu ainda gostava muito (me julguem, não ligo) e, mesmo alguns episódios sendo quase insuportáveis (aquele de Justin Bieber, oi?), sempre apareciam alguns que faziam valer o tempo perdido. Depois que acabou a 3ª temporada e um monte de gente se formou, entrando gente nova, ficou bem chato, mas acabou de acabar tudo depois que o ator Cory Monteith morreu e a história ficou sem rumo. Tão sem rumo que a série está para ser cancelada.


Game of Thrones

Comecei a ver, estou no início da primeira temporada, sem muito o que dizer. Li o primeiro livro da série e, como já falei na resenha, não achei nada de mais. Mas aí comecei a ver a série e estou tentando, realmente tentando, ver o que danado essa série tem que todo mundo ama.


Sherlock

Ninguém acompanha mesmo Sherlock, porque cada temporada só tem três episódios, de 1h30 cada, então acaba antes que a gente consiga manter o ritmo. Mas eu adoro. E Benedict Cumberbatch é, sem dúvida, o melhor Sherlock Holmes do mundo.

Tirando aquelas séries que eu sempre vejo de passagem, que não tem muito enredo pra seguir: Friends, Two and a Half Man (que só prestava com Charlie), Criminal Minds e House. E vocês, que séries estão assistindo?

terça-feira, 3 de junho de 2014

E se...?

Pela primeira vez na vida, penso se fiz a escolha certa. Aquela de anos atrás, aquela que implica todo o meu futuro. Eu fiz a escolha, batalhei por ela, sofri por ela, deixei de dormir por ela, gastei anos para torná-la realidade. Então, depois de construir todo o meu futuro em cima dela, ela me falha e me deixa essa dúvida. E se...?

E se eu tivesse pensado nas minhas opções antes de escolher? Sempre que lembro de ter tomado a decisão, não lembro de realmente ter pensado sobre ela. Acho que foi só aquela coisa certa na minha vida, que eu já sabia o que faria. Eu sempre soube o que faria. Devia ter uns doze anos quando afirmei isso numa aula de inglês, sem pensar muito. Eu realmente nunca nem considerei outra opção. Agora penso no que teria acontecido se tivesse considerado. Talvez não tivesse mudado nada. Mas talvez...

Talvez hoje eu estivesse fazendo outra coisa, em outro lugar, com outra vida. Talvez tivesse ido mais longe do que estou hoje e estivesse contando uma história diferente. Ou talvez não haja uma escolha certa e eu esteja apenas me torturando, pensando sobre isso e não chegando a conclusão nenhuma.

"If I had to do the same again, I would, my friend..."
Would I?

Imagem: GettyImages
Música: Fernando

domingo, 18 de maio de 2014

Top 5 amores platônicos famosos

"Meme de maio dos Rotaroots: "5 amores platônicos famosos". Quem nunca se apaixonou por alguém que jamais será correspondido, não é mesmo? O tema de hoje são famosos que você se apaixonou ou poderia se apaixonar, ou que você tem um crush/carinho especial. Pode ser famosos reais ou personagens."

Todo mundo teve um amor platônico na infância; aquele menino ou menina que você sempre admirou por algum motivo e a quem você nunca teve coragem de se declarar. Ou vontade realmente; na minha visão, amor platônico de verdade é aquela paixãozinha que você gosta de sentir só por sentir e, que se for declarada, deixa de ser aquele sentimento único para ser outro. Amor platônico é a admiração, um sentimento de mão única, de si para si, sem as complicações do "ser correspondido".

Ao longo da minha vida, tive alguns amores platônicos "ao vivo" e vários "famosos", daqueles que você cola pôsteres pelo quarto, ou que fica admirando naquela série que você não perde nunca. Depois de abandonar vários e pegar abuso de alguns, os amores mudaram e os valores também. Se antes eu gostava de alguém só por ser bonito, hoje dou mais valor a coisas como, sei lá, senso de humor. Depois de dar uma olhada na minha vida, fiz a minha lista de amores platônicos famosos atuais, num Top 5:

5. Johnny Depp

Meu ator preferido desde que fez Don Juan de Marco, mas conseguiu seu posto de amor platônico depois de Jack Sparrow, o pirata alcoólatra e cheio de trejeitos de Piratas no Caribe. Ele não é liiindo (já foi), pelo menos eu não acho, mas ele tem alguma coisa. Fico rindo quando vejo ele sentado na plateia, na cerimônia do Oscar, todo entediado, infelizmente nunca tendo ganhado nada. Fora que ele tem uma banda, que eu não curto muito, mas, né... #MariaPalheta



4. Michael Moscovitz

OK, esse é um amor mais antigo, da época em que era romântica e comecei a ler o Diário da Princesa, pelo menos uns 10 anos atrás. Mesmo porque, hoje em dia, acho a autora bem fraquinha. Acontece que, depois de aaanos sem pegar nenhum chick-lit para ler, terminei encontrando as duas últimas edições do Diário e comprei. E me lembrei do quanto eu era apaixonada por Michael Moscovitz, de como ele era super inteligente, engraçado, tinha uma banda e de como ele aguentava as chatices e inseguranças da protagonista chata. Mereceria um troféu, se fosse real. Mas duvido que exista um Michael Moscovitz vagando por aí.


3. Dr. Spencer Reid

Dr. Reid é um personagem da série Criminal Minds. Desde que vi o primeiro episódio que eu adoro o personagem. Ele é um nerd, que acabou o ensino médio aos 12 anos e entrou na universidade aos 13. Tem QI de 187, memória fotográfica e consegue ler 20 mil palavras por minuto. Minha mãe também assiste à série e me chama sempre que está passando algum episódio em que ele se destaca mais. Ele é sempre o responsável pelas cenas mais engraçadas e não porque ele seja engraçado, mas porque, depois de tanto lidar com livros e pesquisas em geral, ele é meio inocente, tipo um Sheldon, de The Big Bang Theory.


2. Paul McCartney

Músico preferido da minha banda preferida. Apenas. Houve um tempo em que eu gostava igualmente de John Lennon, mas acho que isso foi antes de ir ao primeiro show de São Paulo, em 2010. Chorei muito quando ele cantou "The long and winding road", a melhor música do mundo. Mas ele também fez "Golden Slumbers", "Hey Jude" e "Oh, darling".


1. Sirius Black
Imagem: Art Dungeon
O do livro, não o do filme. Apesar de eu gostar bastante de Gary Oldman, acho que ele tem muita cara de Comissário Gordon pro meu gosto (eu seeei que o primeiro Dark Knight foi lançado 4 anos depois). Já deu para ver que sou daquelas fãs velhas e rabugentas, que leu os livros anos atrás e que não se agradou de quase nada nos filmes, apesar de ter visto todos assim que saíram no cinema. Mas olha, depois de alguns anos negando a legitimidade dos filmes, eu até aceitei melhor que são adaptações e me divirto assistindo. O problema com Sirius é que Gary Oldman não conseguiu passar para as telas o bad boy Sirius; a rebeldia, o sarcasmo e a diversão que eu li no personagem, quando me apaixonei por ele. Acho que foi a única escolha do elenco que ainda não aceitei totalmente, talvez por amar demais a imagem que eu criei na minha cabeça.


Essa foi a lista que consegui fazer agora, anos depois de abrir mão de todos os amores platônicos "ao vivo" por um real de verdade, e agora quase voltando à adolescência para guardar os amores famosos atuais e os que nunca se foram. Tenho quase certeza de que vou me arrepender de ter esquecido alguém muito importante, mais tarde. (Update: Benedict Cumberbatch, COMO ASSIM ESQUECI DO MELHOR SHERLOCK HOLMES DO MUNDO?? Ah, deixa pra lá.)


Essa postagem faz parte da blogagem coletiva do Rotaroots, um grupo de blogueiros que pretende resgatar os bons tempos do mundo dos blogs. Faça parte do grupo do Facebook e se inscreva no Rotation.

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Bichos: Até Mais, e obrigado pelos peixes!

Para o desafio deste mês, cujo tema é “Bichos”, decidi ler “Até mais, e obrigado pelos peixes!”, 4º livro da série do Guia do Mochileiro das Galáxias, de Douglas Adams. Escolhi este livro porque já tinha lido os três primeiros e pretendia terminar a série. Disse pretendia porque não sei se pretendo mais. Os dois primeiros livros foram, para mim, meio que amor à primeira página; mas não posso dizer o mesmo do terceiro e do quarto.

O livro conta o retorno de Arthur à Terra, que, ninguém sabe como, voltou ao seu lugar e ao momento de onde tinha parado, quando foi destruída pelos Vogons. Então, o livro inteiro se passa na Terra, contando como o personagem mais chato da série — que por um infeliz acaso vem a ser o protagonista — volta à sua casa, depois de oito anos no espaço. É claro que Arthur foi criado para ser um personagem certinho, britânico, chato e, por isso mesmo, ser engraçado o fato de justamente ele ter sobrevivido à destruição da Terra e ter ido parar no espaço. Só que não é nada engraçado, nem mesmo interessante, quando ele volta pra casa e tenta recomeçar a vida normal, por menos normal que ela seja agora.

O terceiro livro já é chato o bastante, mas pelo menos se passa no espaço e tem aquelas curiosidades sobre o universo que Douglas Adams inventava, o que torna o livro suportável. Neste 4º livro, quase não existem essas curiosidades, só uns poucos verbetes do Guia do Mochileiro, a dúvida sobre o que aconteceu com a Terra, que voltou, e uma história romântica. Fora que não aparecem mais os outros personagens: Zaphod Beeblebrox, nem Trillian; Ford Prefect aparece pouco e Marvin, o melhor personagem, aparece em UMA cena. Talvez a cena que faz o livro valer um pouco a pena.

Não sei, acho que o livro era mesmo para ser assim, diferente dos outros, mas confesso que eu não gostei. Pareceu-me que a criatividade acabou, que não houve mais o que explorar naquele universo. Talvez, um dia, eu leia o 5º — e último, pelo menos dos escritos por Douglas Adams, porque fiquei sabendo que Eoin Colfer, autor da série Artemis Fowl, escreveu um 6º: “E tem outra coisa”. Nada contra outros autores darem continuidade a séries famosas, mas eu li o primeiro volume de Artemis Fowl, muitos anos atrás, e odiei. Nunca entendi como a série está por aí, fazendo o maior sucesso.

No mais, foi muito triste não ter gostado do livro, porque gosto muito da ideia toda da série e sou fã de Douglas Adams. Mas valeu para cumprir o desafio.

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Esta é uma resenha para o Desafio Literário do Tigre 2014, do blog Elvis Costello Gritou Meu Nome. O tema de Maio é "Bichos": ler e resenhar um livro que tenha algum bicho no título. Para saber mais sobre o desafio, entre na fanpage ou saiba mais no blog.

sábado, 3 de maio de 2014

Anos 80

A certeza de que a vida era mais bonita lá pelos anos 80, em que as coisas eram fáceis. Em que o futuro era incerto, mas promissor. Não há mais futuro promissor. Talvez ele nem seja tão ruim, só não pode-se chamar de promissor, porque faz tempo que ele não promete nada. Pelo menos, não foi tão cruel quanto o futuro dos anos 80, que prometeu demais e não cumpriu. Mas que era mais bonito, isso era. Saudade dos anos 80, em que eu era mais facilmente ludibriada.

"I said I wasn't gonna lose my head
But then - POP - goes my heart"

Imagem: GettyImages
Música: Pop!

terça-feira, 15 de abril de 2014

Hype do Momento: A Guerra dos Tronos

Para este desafio de abril, o objetivo era pegar um bestseller, ler e resenhar. Escolhi A Guerra dos Tronos, o primeiro volume da tão idolatrada série de George R. R. Martin, As Crônicas de Gelo e Fogo, mais conhecida como Game of Thrones, título da série de TV. Quando vi o tema deste mês, decidi logo que leria este livro, que era minha chance, de uma vez por todas.

Fazia tempo que eu queria ler, mas tinha começado três vezes o primeiro livro e sempre achava chato. E via tanta gente falando e achando o máximo que comecei a achar que o problema era eu. Aí me forcei a ler; já que, até pra criticar, é bom a gente saber do que está falando. Acabou que o problema mesmo era passar do capítulo chatíssimo em que Daenerys é apresentada a Khal Drogo, pra poder engatar a história. Fica bem melhor depois que começam as intrigas e as guerras. A propósito, podem me apedrejar, mas achei Daenerys uma das personagens com histórias mais chatas. Juntamente com Bran, talvez. Mas acho que a história dela deve melhorar nos próximos.

O livro, não achei essas coisas todas; só uma história agradável de ler, nada que exija demais da pessoa (a não ser tempo e paciência, porque, ô série longa dos infernos!); uma boa história, bem crua, sem meios termos, bem completa. Os personagens são mais complexos e bem construídos que em quaisquer outras séries épicas, que geralmente dão mais atenção à história que à construção de personagens. A narração, por sua vez, é demasiadamente descritiva e meticulosa; há momentos em que você perde a paciência, joga o livro pro lado e vai fazer outra coisa. Não tem pontas soltas, mas também não tem pontas amarradas; talvez porque não há muito o que amarrar, sei lá. Dá a impressão de que o autor vai narrando, escrevendo, em cima de um roteiro mais ou menos certo, e pensa "ah, vou matar fulano agora". Na minha humilde opinião de quem só leu o primeiro livro, achei muitos acontecimentos desnecessários e só uma ou duas vezes senti fecharem ciclos de verdade. Talvez não fechem por não ser intenção do autor fechar nada; não ser intenção deixar uma história certinha e bonitinha, para, em vez disso, ser mais realista. Do tipo que você pensa: "nossa, e agora, como fulano vai fazer para sair dali?" e fulano termina não saindo, afinal. Com o tempo, você para de pensar assim e começa a pensar mais: "é agora que ele morre?"

No fim, achei que o livro é um bom começo. Dá vontade de ler os próximos, apesar de eu não sentir aquela excitação que todo mundo sente, não tanto quanto outras séries de livros que eu já li. Enfim, se tem uma coisa que eu sempre soube d'As Crônicas de Gelo e Fogo é que são livros menos fantasiosos e mais inusitados que a maioria das séries épicas. E que a única certeza que a gente tem é de que todo mundo vai acabar morrendo. Se não neste, nos próximos livros.



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Esta é uma resenha para o Desafio Literário do Tigre 2014, do blog Elvis Costello Gritou Meu Nome. O tema de Abril é "Hype do Momento": ler e resenhar um livro que todo mundo esteja lendo, no momento; um bestseller. Para saber mais sobre o desafio, entre na fanpage ou saiba mais no blog.

domingo, 30 de março de 2014

Filme ou Livro?: Laranja Mecânica

Já tinha assistido ao filme de Kubrick, há alguns anos, e sempre pensava em ler o livro, mas ficava de ler, ficava de leeer e nunca colocava o plano em prática. Está certo que eu nem tinha o dito-cujo, mas isso era fácil de arranjar. Certo dia, fui à livraria e vi essa edição linda e fiquei louca, pensando seriamente em comprar. Terminei comprando mesmo, só que de presente para um amigo, de aniversário. Confiava o bastante no livro, afinal o filme já era genial. Então, apareceu a oportunidade para ler, no desafio, e eu peguei emprestado do meu namorado e li. Não a edição linda, pela qual me apaixonei, mas foi uma edição legal; com um prefácio legal, nota do tradutor e o glossário atrás. Mas eu não o usei. Não muito. Não a hora toda. OK, só algumas palavras.

Laranja Mecânica, de Anthony Burgess, é uma história narrada por Alex, um adolescente vivendo num ambiente futurista, com gírias próprias e uma tendência grande à violência. Quando Alex é preso, ele vira uma cobaia do governo numa experiência de lavagem cerebral e suposta "cura" da violência. A quem já viu o filme, não tenho muito mais a dizer; não é um daqueles livros cujo filme muda tudo e faz uma bagunça com a timeline da história (filmes de Harry Potter, oi?). Pelo contrário, o filme enriquece ainda mais a obra, como se ela já não fosse rica o suficiente. Tirando uns poucos detalhes, como a idade de Alex, o protagonista, e seus amigos (no livro, eles têm uns 15, 16 anos; no filme também, mas Malcom McDowell tinha 28 quando interpretou Alex), assim como o final da história, o filme só tem mesmo a acrescentar.

Sobre o final da história, como fiquei sabendo no prefácio, há uma explicação para ter sido diferente. A edição britânica, e original, do livro tem 21 capítulos. Nos EUA, o livro foi publicado com 20 apenas; e foi esta versão que acabou virando filme. Alegaram que "por razões conceituais", o final original mais "otimista" não fazia sentido. Pessoalmente, eu gosto mais do final americano; mas entendo o final de Burgess. Entendo o motivo de ele ter escrito o final daquela maneira, de que o livro inteiro trata da passagem de Alex da adolescência para a idade adulta e que essa maturidade só se completa com o último capítulo. Para o contexto todo, de amadurecimento do personagem, acho justo os 21 capítulos. Mas, como história, e excluindo toda a questão que Burgess quis abordar, prefiro o final do filme. Poderia destrinchar mais um pouco o meu pensamento, mas não encontrei uma maneira de fazer isso sem ser spoiler; ainda mais porque eu teria que falar sobre o último capítulo, o que só existe no livro, que nem todo mundo que gosta do filme leu. Então, vamos considerar apenas que prefiro o final do filme.

O livro, assim como o filme, é estranho e viciante. Tem aqueles neologismos, as gírias nadsat, que são muito mais complicadas quando você está lendo, do que no filme, quando se tem imagens para ajudar a entender. Mas, depois que você pega o embalo, a coisa flui muito rápido. E você fica com aquelas palavras na cabeça durante bastante tempo. Como se o estranhamento tivesse passado e, de uma hora para a outra, você estivesse naquele mundo. Aquele estranho mundo, num futuro estranho, com palavras estranhas. “As queer as a clockwork orange.”

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Esta é uma resenha para o Desafio Literário do Tigre 2014, do blog Elvis Costello Gritou Meu Nome. O tema de Março é "Filme ou Livro": ler e resenhar um livro do qual você já tenha visto o filme, fazendo as devidas comparações. Para saber mais sobre o desafio, entre na fanpage ou saiba mais no blog.

quinta-feira, 6 de março de 2014

Novo amor

Já faz um tempo que meus passatempos tem mudado um pouco. Eu, que me distraía ouvindo música, lendo e escrevendo, confesso que tenho abandonado um pouco este último, para tristeza deste blog. Mas hobbies vão e vem e eu acabei encontrando um, meio inusitado para mim, num mundo que antes detestava.

Estou falando de culinária. Não virei uma chef, nem nada perto disso; sou só uma curiosa e apreciadora de sabores novos e decidi que poderia produzir meus próprios sabores. E percebi que me divertia com isso, como nunca imaginei. Sim, porque antes eu achava um porre ficar na cozinha, com a barriga no fogão. E foi assim que criei um blog novo.


O Food and Beer é um blog em que conto algumas experiências novatas e modestas de uma culinária experimental e principiante, assim como minhas (muitas) falhas e algumas histórias engraçadas. Não estou pretendendo ensinar ninguém a cozinhar, nem dar dicas, nem sugerir receitas para ninguém. Sou realmente apenas uma curiosa, que nunca estudou nada nessa área, mas percebeu que tem que se virar para comer coisas gostosas e acabou gostando muito da experiência. Me diverti tanto que achei que seria uma boa ideia compartilhar. Sem compromisso.

Conheçam meu novo blog, aqueles gostarem de boas histórias e de fotos de comida. Não, este aqui não será abandonado. É só um outro universo, falando sobre outros assuntos. A parte literária sempre ficará aqui.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Resenha: Foras da Lei...

Na mesma ocasião em que comprei Bonsai, o livro do mês de fevereiro do Desafio, comprei este livro de contos aqui, de vários autores.

“Foras da lei barulhentos, bolhas raivosas e algumas outras coisas que não são tão sinistras, quem sabe, dependendo de como você se sente quanto a lugares que somem, celulares extraviados, seres vindos do espaço, pais que desaparecem no Peru, um homem chamado Lars Farf e outra história que não conseguimos acabar, de modo que talvez você possa quebrar esse galho.”
Este livro, cujo nome não vou sair repetindo por motivos óbvios, eu comprei por causa da capa, que é belíssima; pelas ilustrações do meio, já que dei uma folheada na livraria, antes de comprar; e também por nomes como Neil Gaiman, Nick Hornby e Lemony Snicket. Mais por Neil Gaiman, confesso. E qual não foi minha decepção quando, ao ler, vi que o conto de autoria dele presente neste livro era Pássaro-do-Sol; conto muito bom, mas que eu já havia lido no primeiro volume do Coisas Frágeis.

O livro é um infanto-juvenil. Vi muitas resenhas de pessoas xingando o livro justamente por não saberem que era infanto-juvenil. Eu gosto do estilo, então não fiquei decepcionada por isso. Fiquei decepcionada, porém, porque achei alguns contos bem razoáveis, uns até bem ruins. Não vou resumir todos, só dar uma geral e listar as minhas impressões. Vejamos:

  • Achei a introdução de Lemony Snicket interessante; mas não vi nada de especial no conto que ele começou e que a gente deveria ajudar a terminar.
  • O conto Pequeno País, de Nick Hornby, também achei legal, apesar do final previsível; sobre um menino que mora no menor país do mundo, não muito maior que uma vila.
  • Não gostei da história Lars Farf, pai e marido excessivamente temeroso, de George Saunders; acho um tédio história com lição de moral.
  • Monstro, de Kelly Link, achei bom, com um final legal e um bônus das ilustrações do monstro branco de mãos vermelhas.
  • As Competições de Cowlick, de Richard Kennedy: não achei muita graça, apesar de gostar de faroeste. Final previsível.
  • Vendidos Separadamente, de Jon Scieszka: WTF essa história? Uma história escrita só com slogans publicitários, talvez como uma crítica ao consumismo exacerbado dos últimos anzzzZZZZZZZ...
  • O Terceiro Desejo de Seymour, de Sam Swope: história sem graça, sobre um garoto que é filho de uma ogra, que não gosta de crianças. E ainda bem que avisaram no começo que o protagonista não era lá muito inteligente, porque ele só fez besteira.
  • Grimble, de Clement Freud: conto escrito em 1968, desnecessariamente longo, mas não achei propriamente ruim. Só chato; discordando de Lemony Snicket, que disse na introdução que não havia histórias chatas no livro.
  • Spoony-e Spandy-3 contra as hordas roxas, de James Kochalka: uma história em quadrinhos — e eu adoro quadrinhos, fiquem sabendo antes de me crucificar pela crítica — bem “WTF??”. Talvez eu não goste desse tipo de quadrinho, ou não esteja acostumada, ou não tenha entendido alguma coisa; mas achei bem sem graça, sem sentido, sem nada.
  • Pássaro-do-Sol, de Neil Gaiman, é simplesmente genial (Gaiman ), mas eu já tinha lido.
  • O Telefone da ACSE, de Jeanne DuPrau: taí, achei esse conto bem legal, bem fofinho, de um menino que encontra um celular perdido e termina encontrando um amigo.
  • O Sexto Distrito, de Jonathan Safran Foer, também é legal; achei interessante e criativo; sobre um lugar que muitas pessoas não sabem que existiu.
  • E as Palavras Cruzadas Tremendamente Difíceis do final: gosto de palavras cruzadas e fiz algumas, mas não terminei porque era 1h da manhã e eu estava com sono. Ou porque eram realmente difíceis.

No total, o livro não foi tão bom como eu esperava. Capa bonita, título incomum, proposta atraente: tudo que me levou a comprar estava ali, só faltou a leitura corresponder às expectativas.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Julgando pela capa: Bonsai

Eis que fui à livraria, a fim de escolher um livro pela capa, de acordo com a regra do Desafio deste mês. Achei que seria fácil, que era só pegar um livro de capa bonita, criativa, apresentável, e levar pra casa, mas... não consegui. Sei lá, achava um livro de capa bonita, aí lia a sinopse, achava meio nhé e pensava na possibilidade de estar em casa lendo e querer jogar o livro na parede. Passei uma hora só nisso. Foi quando encontrei uma bancada da Cosac Naify, com suas edições lindas de morrer, em promoção. E quis levar tudo. Depois de muita dúvida, muxoxo e palpite do namorado, acabei comprando dois: um só pela capa e outro pela capa e pelos autores. O segundo, achei que não valia para o desafio, então fiquemos com o primeiro.


O livro do desafio deste mês se chama Bonsai. Escolhi este porque a capa não só é linda, como é muito interessante (tem uma marcação pontilhada para você cortar o livro, mas claro que não cortei, antes que venham me xingar) e se torna ainda mais depois que você vai entendendo o livro. É a história de Emilia e Julio; a história do amor deles. Uma história sobre início e fim.

Como é dito no prefácio, "O que acontece é que tudo em Bonsai passa pela literatura". Emilia e Julio são dois jovens estudantes de letras que gostam de ler trechos de livros antes de fazerem sexo (ou 'trepar', como ela prefere chamar), porque achavam que sempre havia algo nos livros que seria inspirador o suficiente. Essa é a parte leve do livro. O fim da relação dá início à parte densa, a parte perdida, que acaba encontrando o final. E até o final passa pela literatura.

Foi uma experiência diferente procurar um livro pela capa, sem conhecer o autor (o chileno Alejandro Zambra, muito bom; inclusive já comecei a catar outros livros dele), e encontrar uma leitura interessante. Gostei bastante das metáforas, do caráter literário, dos personagens, do enredo, do final. A capa sozinha já é um show à parte, como o vaso de um bonsai. O livro é minúsculo, com menos de cem páginas e sem muitos floreios; a história, editada de modo a permanecer pequena, sem sair explorando cenários e personagens secundários. E toda a diagramação é feita de modo a poder tornar o livro uma árvore, que teria de ser podada, moldada e arranjada num belo vaso.

"Um bonsai consta de dois elementos: a árvore viva e o recipiente. [...] A seleção do vaso apropriado para uma árvore é, por si só, quase uma forma de arte."


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Esta é uma resenha para o Desafio Literário do Tigre 2014, do blog Elvis Costello Gritou Meu Nome. O tema de Fevereiro é "Julgando pela capa": escolher um livro levando em conta somente a capa, ler e resenhar. Para saber mais sobre o desafio, entre na fanpage ou saiba mais no blog.

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Espere, eles dizem

De todas as coisas chatas da vida, esperar é uma que sempre fiz muito bem. Esperar meu pai ir me buscar no colégio. Esperava. Esperar terminar as tarefas de casa para depois ir brincar lá fora. Esperava. Esperar crescer para poder sair à noite, conversar assunto de gente grande, ver filme de gente grande. Era paciente, esperava. O que esperei com mais impaciência foi o dia em que ia começar a aprender a ler. Mas esperei.

Era uma menina quieta, introvertida, tímida, chata, meio no meu canto, não mexam comigo e estaremos bem. Se não tivesse companhia, brincava de boneca sozinha, até crescer o bastante para parar de brincar de boneca. Aprendi a fazer colares com miçangas, até perceber que não eram bonitos o suficiente para se usar; fazia e desfazia, então encostei. Aí, aprendi tapeçaria, a bordar ponto-de-cruz, desenhar, pintar, escrever poesias, até um pouco de artesanato, enquanto todas as minhas amigas só estavam interessadas em precipitar tudo, paquerar, encher o saco dos pais e tentar ir a festas em que não poderiam entrar. Depois, em beber e fumar para aparecer. Eu não via sentido em apressar uma coisa que aconteceria naturalmente (ou não, no caso do cigarro), nem queria. Esperei. E, hoje, tanta gente com saudade, querendo voltar e aproveitar mais. Eu tenho saudade, mas nunca quis voltar.

Acho que gastei minha paciência toda nessa época. Agora, é um tal de esperar as coisas acontecerem e, há muito tempo, nada acontece. E a coisa mais insuportável é estar neste limbo e não saber nem se algo irá de fato acontecer. Antes, a única coisa de que tinha certeza na vida é que chegaria onde estou. Pronto, cheguei, eu tinha razão. Agora, não sei se existe algo para depois. Estou aqui, me formei, me especializei, me preparei, sei fazer; o que falta? Cadê a verdade que sempre me disseram que existia, a recompensa pelo trabalho duro, o material pra continuar? A continuação de tudo. Quando será que chega?

Espere, eles dizem. As coisas vão se acertar. A cada ano novo, uma esperança de que tudo irá melhorar. E eu aqui parada, diploma na mão, tantas possibilidades, e a realidade fria de esperar para sempre.


"Don't keep me waiting here
Lead me to your door"

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Na estante: Cem anos de solidão

Dá até vergonha de admitir que este livro passou tanto tempo na minha estante, sem ser lido. Vergonha porque eu adoro Gabriel García Márquez, porque este acabou sendo um dos melhores livros da minha vida e porque eu já havia começado antes, mas foi numa época pesada de prova da faculdade e eu tive que parar no meio. E fiquei com um bloqueio tão grande (acho que causado pela grande quantidade de Josés Arcádios, Aurelianos e Remédios) que, até então, não tinha tido coragem para pegar de novo. Enfim, tomei coragem e acabei de ler. E a mágica aconteceu.


Cem anos de solidão conta a triste história dos Buendía, uma família de pessoas destinadas à solidão. Na fictícia Macondo, vilarejo fundado pelo patriarca da família, cem anos de toda uma linhagem de solitários passam pelos nossos olhos, com elementos fantásticos misturados ao real, até que nos tornamos parte daquela família, percebendo-nos solitários. E, no final da vida, por melhor que ela seja, por melhores que sejam as lembranças, quem não se sentiria solitário? Uma das frases de que mais gostei, acho que foi do primeiro Aureliano (preciso aprender a anotar essas frases, pra não ter que ficar folheando o livro depois, sem achar, desistindo e procurando no Google), foi algo como: “O segredo de uma velhice agradável consiste apenas na assinatura de um honroso pacto com a solidão”. E é isso que eu pensei, ao final do livro: que, no final de tudo, por mais que tenhamos gente à nossa volta, a morte é solitária. E a solidão, assim como a morte, é uma certeza. Por isso, é tão triste.

O livro dá margem a centenas de divagações, mas uma delas, essa nossa sina à solidão, deve ser a mais comentada. Devo ter lido umas dez resenhas sobre ele, depois de ler o livro, em busca de outras opiniões, de aspectos do livro que eu não percebi, e é incrível a quantidade de pensamentos diferentes, de perspectivas. É um livro muito rico em características psicológicas, em construção de personagens, em análises de consciência. O que não se espera de um livro com tantos personagens, com tanta história.

E, a respeito do desafio, só me sinto muito feliz em ter tirado este livro da minha estante para a minha vida. É um daqueles poucos livros capazes de mudar um pouco nossa maneira de enxergar as coisas. Um dos livros que mudam a nossa vida.

"O mundo era tão recente que muitas coisas careciam de nome e, para mencioná-las, se precisava apontar com o dedo"
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Esta é uma resenha para o Desafio Literário do Tigre 2014, do blog Elvis Costello Gritou Meu Nome. O tema de Janeiro é "Na estante": ler e resenhar um livro que esteja há muito tempo na sua estante, esperando para ser lido. Para saber mais sobre o desafio, entre na fanpage ou saiba mais no blog.

Desafio Literário do ano

E este blog, que andava encostado pelos cantos, preguiçoso, volta à vida. Antes tarde do que nunca, resolvi tomar coragem e começar a participar deste desafio literário proposto pela @tadsh, do blog Elvis Costello Gritou Meu Nome, que consiste basicamente em ler. É um desafio para o ano inteiro de 2014, que vou tentar concluir, diferentemente do que fiz com os últimos desafios deste blog, e que também vai animar um pouco as minhas leituras, que andavam meio atrasadas, neste começo de ano. Acabou que tive tanta coisa pra fazer durante o dia que, à noite, ou lia ou dormia. Mas, vamos lá, tirar essa poeira da estante e começar o ano de verdade.

Em cada mês, nós teremos um tema diferente sobre o que ler. Claro que podemos ler mais que isso; o importante é ler um livro do tema no mês correspondente. Aqui vai a lista:


Janeiro: Na estante
Fevereiro: Julgando pela capa
Maio: Bichos!
Julho: Esportes & esportistas
Agosto: Risos
Setembro: Música!
Outubro: Amor
Novembro: Brasileiro
Dezembro: Guilty Pleasure

No post do Desafio, tem uma explicação detalhada sobre cada tema. Para aqueles que quiserem participar, não precisa ter um blog, nem fazer resenha de livro. O importante é ler; você pode participar com fotos, citações ou comentários dos livros no Instagram, Twitter, Facebook ou sei lá o quê, usando a hashtag #DLdoTigre. Por sorte, já cumpri o de janeiro, sem querer. Então, agora é correr para escrever o post de janeiro e já ir escolhendo o livro de fevereiro.

Atualização: Só para constar aqui: faz algum tempo, existe a fanpage do blog Do Fundo do Mar no Facebook. Para não perder nenhuma novidade daqui, é só curtir lá. E vamos começar o ano com tudo.

sábado, 5 de outubro de 2013

Passando


Os dias vão passando. Fazemos vários planos, constantemente pensando e bolando alternativas, ideias, soluções. Juntos. Mas fico vendo os dias passando. Tinha me animado e gostaria de permanecer animada, sem fraquejar, continuar fazendo planos e colocando-os em prática. Mas os dias vão passando e eu percebo que não sei fazer nada disso, nunca aprendi e não há nenhuma garantia de que vamos conseguir. Só que precisamos conseguir. E é só isso que não me deixa desanimar por completo: a certeza de que os dias passam, mas que continuar é nossa única alternativa. Juntos.



"We can face it together
The way old friends do"

Imagem: Fotolia

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Egoísta

Hoje comecei a me perguntar se estou fazendo as coisas pelos motivos certos. E percebi que, depois de a vida me dar tanto caldo, terminei ficando um pouco egoísta. Ou melhor, terminei me dando o direito de ser egoísta. Porque eu já era, mas tinha vergonha. Agora, sinto que não é errado pensar em si, em ter uma boa vida, se você lutou tanto por isso. Não falo em passar por cima de ninguém; apenas de cuidar da própria vida, pensar em ter um bom salário. Em não ter vergonha de cobrar um preço que valha o seu esforço, seu estudo. Sem viver fazendo caridade, pensando que receber dinheiro por um trabalho é errado.

É muito desse pensamento que existe nas profissões de saúde. Você é ensinado a fazer bem um trabalho, a trazer saúde para alguém; mas nunca ensinam a receber com orgulho por isso. As faculdades nos ensinam a ser idealistas e fazer saúde pelo prazer de curar. É lindo isso e não censuro. Mesmo porque vejo que, mesmo com esses belos ensinamentos, muitas pessoas saem de lá pensando em ficar ricos.

O problema está em não ensinar nada sobre gerenciamento, impostos, gastos. Saímos da faculdade achando que vamos mudar o mundo e acabamos sem um centavo, pensando no que podemos ter feito de errado. Porque cobrar é errado e cobrar acima da concorrência é mais errado ainda, mesmo que sua estrutura seja de primeira qualidade, que os materiais sejam os melhores, que você gaste pequenas fortunas em tecnologia e funcionários. É errado trocar saúde por dinheiro. Você diz o preço de um trabalho com a cabeça baixa, já pensando no desconto que pode fazer, com vergonha de precisar receber por isso. Levei muito tempo — um curso de gestão e muito tempo — para entender que isso daí é que é errado. Tive que refazer totalmente a minha cabeça para entender que é justo receber por um trabalho. Que eu tenho dívidas, contas, como todo mundo. Uma vida, como todo mundo.

Faz alguns anos que decidi assumir meu lado egoísta. Eis que hoje, sei lá por que, me peguei pensando se faço isso pelos motivos certos. Se é que existe um motivo certo, ou minhas ideologias é que o fazem ser certo. E acho que vem aí toda uma reflexão pela frente, que não consegui ainda colocar em palavras, porque me preocupei mais em justificar o meu egoísmo. Reflexão que eu tinha a esperança de colocar neste texto, mas não tive sucesso. Talvez no próximo.

Imagem: GettyImages

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Não aprendi a dizer adeus

Cada partida, um parto. Nunca fui boa com despedidas, desde a época em que minha mãe me deixava na escola. Cada uma daquelas partidas, todos os dias, dois corações partidos: o meu e o dela. Logo esquecidos pelos afazeres de estudante, ou pelo estresse do trabalho. Com o tempo, tornou-se mais simples e menos doloroso.

No decorrer da vida, são várias as partidas. Algumas para sempre. A gente aprende a conviver, esperando pelo dia em que elas se tornem mais fáceis. Ou, pelo menos, distantes. Ou menos dolorosas. Porque a volta quase nunca é tão certa como o adeus. E a única certeza que temos é que sempre haverá mais um. O último.

E sempre que ele vai embora, uma dor nova, logo esquecida. Ou substituída pela saudade.

"Mas deixo você ir sem lágrimas no olhar..."
Imagem: GettyImages

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Opinião

O problema não é as pessoas discordarem de mim. É as pessoas dizerem absurdos baseados em preconceitos, xingarem até a sua mãe e acharem que estão certas. Tem hora que discutir é inútil, de tão absurda que seria a discussão; ao mesmo tempo em que a coisa toda é tão absurda que você não consegue ficar calada. Aí a gente até tenta não ser chata, mas não tem jeito. Pago até de arrogante, se for necessário.

Gostaria, às vezes, de estar alheia a tudo. Talvez sair do facebook, das redes sociais, não ler as notícias, nem os comentários. Os comentários são os piores. Não ligo de ter opinião diferente. Perco tempo me informando para poder ter essas opiniões. Perco tempo para ser a pessoa que eu sou, perco tempo estudando e me especializando para ter a formação que eu tenho. Acho que todo mundo perde esse tempo com o que quer que seja, se quiser ser alguma coisa na vida. Então não me peçam para ser alguma coisa que eu não sou, ou que dê alguma informação que eu não acredito. Se me perguntam, eu dou meu preço. O preço define o que eu penso de mim e da pessoa que me tornei. Pague, se quiser. Ou se despeça e vá embora.

Eis que a minha resolução de não entrar em discussões inúteis falha. Mas, nesse caso, não ligo.


Imagem: GettyImages

sábado, 17 de agosto de 2013

Resenha: 1933 foi um ano ruim

No início, achei que este livro era igual ao Vinho da Juventude, ou ao Espere a Primavera, Bandini, e fiquei meio abusada para ler. Afinal, já tinha lido dois livros sobre a infância de Fante, disfarçados de ficção ou não, e meio que cansei das mesmas histórias. Pobreza, casebre humilde, pai pedreiro, mãe cansada e maltratada pela vida, família italiana, colégio católico, freiras, um menino, muitos irmãos, um sonho, inverno. Às vezes, acho que a infância inteira de Fante se passou no inverno.

Como estava sem paciência, deixei o livro encostado e fui ler outras coisas, até tomar coragem e recomeçar. E descobri que tudo o que eu achava que seria o livro era aquilo mesmo. Mas eu não me importava. Porque aquilo era Fante. Foi a escrita dele o que, primeiramente, me fez gostar dele de cara, nos outros livros que eu li antes. Fante desce fácil. Era isso que eu tinha esquecido; o quanto, mesmo com a mesma temática, eu adorava a verdade das palavras dele. O quanto ele sentia aquelas palavras.


Depois de reclamar, dar chilique e abandonar o livro por dois meses, acabei começando de novo e lendo em poucas horas. E ele é o cara. Não é à toa que Bukowski era fã dele.

domingo, 11 de agosto de 2013

Resenha: O Oceano no fim do caminho

Faz muito tempo que leio os livros de Gaiman só porque são de Gaiman. Este livro, em particular, depois de conhecer tanto as obras do autor, terminei lendo sem nem procurar saber de nada, sem ler resenhas, críticas, comentários; nem mesmo a sinopse eu li. Apenas comprei e comecei a ler. E acho que Gaiman só fica ainda melhor com o tempo.

Este livro é a história de um homem, que chega a um lugar muito importante da sua infância, à beira de um lago, e este lugar começa a lhe trazer lembranças, que começaram com a morte de um inquilino que alugava o sótão da sua antiga casa. E essas lembranças começam a sair da normalidade que a gente conhece e entram num mundo diferente e totalmente inacreditável. E ele fica sem saber se tudo que ele está lembrando são mesmo lembranças ou apenas fantasias.

E... não dá mais pra contar nada sem ser spoiler. Então, vou fazer algumas considerações aleatórias minhas:

1. O homem, o narrador — que é um menino quando narra as lembranças do passado —, seu nome jamais é mencionado em nenhuma parte da história. O que é bem curioso e dá margem a algumas divagações. 
2. Em todas as histórias de Gaiman em que gatos aparecem, eles são sempre seres incomuns, sobrenaturais, super-heróis ou coisa assim. São sempre os melhores. 
3. Algo nessa história lembrou Coraline. Gaiman tem uma coisa com vilões desconcertantes. 
4. Eu disse ao meu namorado que imaginava o final da história, quando ainda estava lendo. Mas me enganei. 
5. Muita gente reclama do pouco que Gaiman explora os seus mundos fantásticos, mas eu discordo. Já ouvi essa crítica à Londres de Baixo, do livro Lugar Nenhum. Acho que é o jeito dele, bastante peculiar, de tratar todas as coisas estranhas que ele cria como normais. Sem explicar muito e deixar margem à imaginação. 
6. Vi gente dizer que não entendeu o livro. Isso é sério?