segunda-feira, 6 de julho de 2009

Má educação

Se existe uma coisa que me irrita mais que gente me cutucando, é gente mal educada. Cara, como eu odeio gente mal educada! Penso que deveria haver uma instituição — como o manicômio é para os loucos — para se mandar as pessoas deficientes em educação doméstica. Só então nós, pobres pessoas escravas da boa educação, não precisaríamos mais sofrer caladas com certas situações irritantes.

Outro dia, eu estava lá no consultório, quando entra uma penca de crianças barulhentas na minha sala para passar para a que fica ao lado. Como só uma divisória separa as duas salas, tive que ser submetida àquela poluição sonora. Na verdade, não ligo muito quando são barulhinhos inocentes de crianças hiperativas, porém educadas. Não era o caso. Havia duas crianças menores e inquietas, mas a menina que seria atendida tinha uns doze anos, perfeitamente capaz de se controlar. E as duas senhoras que supervisionavam aquela visão do inferno não estavam supervisionando coisa nenhuma. Pelo contrário, elas contribuíam para a falação, conversando entre si por cima das vozes das crianças. Amigos, em pleno consultório odontológico.

A melhor parte da história é que eu estava com um paciente, no meio de um procedimento delicado, que não podia ser interrompido. Então, aparece a minha auxiliar, com a pergunta:

— Doutora, quer alguma coisa?

Eu não tive dúvida:

— Sim, quero que esse pessoal sem educação cale a boca.

Quem me dera tivesse falado alto o suficiente para não só o meu paciente rir, mas as tão distintas damas ficarem envergonhadas e mandarem suas crias se comportarem. Porém, suspeito de que, se tivessem me ouvido, a falta de educação chegaria ao seu auge e eu ouviria um alto e claro “vem calar”.