terça-feira, 30 de setembro de 2014

Tolerância

Nunca fui das pessoas mais tolerantes do mundo. Às vezes, até acho que uma leveza a mais na minha vida poderia me fazer algum bem, mas o fato é que nunca consegui. Não tenho nenhuma paciência para muitas das coisas comuns do dia a dia; de aturar pessoas, de ser simpática, de acordar sorrindo e dando bom dia, de ter encontros. Não tenho realmente problema para lidar com gente, só não é sempre que tenho paciência. E mesmo com todo o mau humor, não tenho muito problema com as pessoas gostarem de mim, mas sim em gostar das pessoas.

Vendo assim, muitos podem pensar que sou antissocial. Não sou. Ou pensarão que não tenho muitos amigos. Tenho. Ou que tenho dificuldade em dialogar. Não tenho. Sou normal, se você for olhar de fora. Olhando de dentro, ninguém é normal. Só você mesmo sabe as merdas com que tem que lidar todo dia para expor o que quer que deva ser exposto para o mundo. Eu sou muitas coisas, dentro e fora. E não tenho paciência com isso.

Ocorre que tem ficado pior. Você nunca pensa que pode ficar pior, mas fica. Você acha que passa, mas não passa. A paciência só volta quando algo dá certo, por milagre. Mas quando tudo dá errado, não sobra nada. Respiro. Quero ir embora. Bate o desespero. Só quero me manter por um tempo na minha pequena bolha de conforto, sem ser incomodada. As cobranças vêm e são cruéis. Desestabiliza.

Claro que toda intolerância deveria ser trabalhada. Eu venho sempre tentando. Mas, por ora, só queria ficar na minúscula bolha de conforto. Até quando sair dela se torne uma aventura, não mais um martírio.


Imagem: Flickr - Creative Commons


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